sexta-feira, 10 de abril de 2009

O Crocodilo: Júlio Barroso


O CROCODILO foi um jornalito da Juventude Social-Democrata de Lagos, preparado há uns anos atrás (2005), por volta das eleições autárquicas. Nunca chegou a ser lançado. Esta falha é agora corrigida... O pseudónimo "Topolito Boca-Rota" não representa nada mais, nada menos do que... o vosso fiel porco capitalista!

Júlio Barroso vai de férias

Com o vosso dinheiro. De facto, com o pretexto duma parceria com a cidade do Cabo Bojador, na África Ocidental, o presidente da câmara e a sua corte estiveram a passear. Há algo ligeiramente (só ligeiramente, insisto) irritante com as férias de agentes do estado: são pagas com o dinheiro dos impostos (quer este dinheiro seja legal – de salários e de “despesas de representação” – quer seja dinheiro ilegalmente desviado do seu uso oficial). Ora os impostos são adquiridos recorrendo à ameaça e à violência, pois quem não paga os impostos que os políticos lhes impõem (desculpem-me a redundância) é multado, preso, e em caso de resistência determinada, alvejado e abatido pela polícia – aconselho quem tem dúvidas acerca disso a não pagar os seus impostos no próximo ano (“seus” por pouco mais tempo, diga-se de passagem). Isto significa que há gente que vê o fruto do seu trabalho arrancado pelo fisco para pagar este barrosista lazer, que se estende do presidente a vereadores socialistas e mais alguns amigos.[Só como complemento de informação, salienta-se aqui que o salário mensal, em 2005, dum presidente de câmara como o nosso é de 3172.36€, aos quais se deve acrescentar 951.71€ na rúbrica das despesas de representação].

O adepto da pompa camarária poderá dizer que estas viagens de árduo trabalho se justificam com o bem-estar do concelho e com o seu aproximamento a povos diferentes. No entanto não é uma resposta que justifique quaisquer dos gastos que foram efectuados porque, em primeiro lugar, não se pode dizer que haja muita gente do concelho que veja um qualquer interesse numa parceria com uma terra da qual nunca ouviram falar e, assim sendo, é errado falar no bem-estar do concelho em geral. Por outro lado, mesmo se as pessoas vissem um qualquer interesse… político-táctico-estratégico-super-genial numa tal viagem, não seria legítimo forçá-las a pagar pelo seu próprio bem-estar (como se isto tivesse algum sentido), visto que estas poderiam ter interesse e desejo de gastar o seu tempo, o seu dinheiro e a sua energia em algo de mais útil e premente. Ora este interesse superior só se poderia ter revelado nas escolhas livres das pessoas do concelho, não constrangidas, o que não aconteceu, como explicado anteriormente. É duvidoso que num tal contexto alguém ou algum grupo de pessoas tivesse pago um único cêntimo a um Júlio Barroso diplomata para fomentar as relações lacóbrigo-bojadorianas.

Chego à minha conclusão. Estes passeiozitos são indecentes, e vejo facilmente neles um desejo mal disfarçado de gozar a vida à custa dos outros. Eu sugiro ao amigo Barroso uma melhor política, ou melhor dizendo, uma não-política, que consiste em não intervir na vida das pessoas. Para isso aconselho-o a baixar os impostos e a cortar nas despesas, para que o dinheiro fique no sítio de onde nunca deveria sair – os bolsos dos trabalhadores, empresários e proprietários que o ganharam ao serviço dos seus congéneres. Há no entanto que reconhecer algum proveito desta viagem: durante uns dias os lacobrigenses não tiveram que sofrer as más decisões do Senhor Barroso.

Topolito Boca-Rota