quarta-feira, 8 de abril de 2009

Independências

Comemora-se, a cada 1 de Dezembro, a Restauração da Independência.

O trabalho ainda não está acabado! Aliás, vai sendo destruido regularmente e com empenho por muita gente, lá nas alturas do poder (do "nosso", que o inimigo é interno..), e não só. Por exemplo, os canalhas Salazar e Soares fizeram questão de nos entregar, desde a guerra, aos parasitas globalistas da ONU, da UE, e da NATO...




Claro é, os nossos antepassados seiscentistas não eram santinhos. Na verdade, os mesmos que estiveram a lutar contra os Espanhóis foram frequentemente e geralmente, nas suas funções de rei, militares, burocratas e diplomatas, os parasitas que suplantariam o parasita espanhol (sem contar que os Espanhois só foram capazes de governar o país durante tantas décadas porque as elites do país se submeteram a eles e colaboraram com eles nas tarefas de "administração"/gatunagem, em troca de poder, favores, e uma parte do "bolo" roubado aos Portuguêses). Mas tudo isto não invalida que a luta pela independência, em si, seja uma boa coisa, nem tira validade à satisfação do independentista em viver num país que não seja uma colónia de Castela (perguntem aos Bascos, aos Catalães, e aos Galegos...). Sem esta demonstração de insubmissão dos nossos parasitas nacionais, teríamos mais uma camada de parasitas madrilenos a mandar em nós e a praticar controlo, parasitismo, e redistribuição à escala da península - pelo menos agora há uns chupistas a menos por aguentar.

Há muito parasitismo em Portugal, há sim! Entre um parasita dos nossos e um parasita lá de fora, no entanto, não há muita hesitação a ter. Agora pelo menos tratamos dos assuntos em família. É, dum ponto vista prático, mais fácil controlar um poder local do que um poder longínquo, o que é favorável à liberdade. Além do mais, um poder externo que mande noutra raça ou povo tende a ser mais duro do que seria com os "seus". Os soldados e polícias são geralmente mais contidos para com os seus nacionais, vizinhos, e concidadãos, do que pelo "outro", que é visto como inimigo, como perigo, como inferior, como inhumano. Estes sentimentos surgem sempre, reforçam-se sempre, em tempo de guerra e de opressão, e teríamos que aturá-los se fôssemos uma colónia de Castela.

Esta comemoração não deixa de fazer pensar noutros eventos: os da guerra colonial. Os eventos que aconteceram nas antigas colónias, envolvendo chacinas numa proporção fenomenal, são uma vergonha para Portugal. De facto, em si, o desejo de independência dos pretos era a coisa mais natural que pudesse existir. O mesmo direito dos Portugueses serem independentes relativamente a Espanha, o mesmo direito à auto-determinação, como se diria nos nossos dias, era o direito dos pretos à independência, o seu direito à auto-determinação.

Aqueles que, no movimento nacionalista, clamam fortemente pela independência de Portugal, e ao mesmo tempo choram amargamente a perta de soberania do Estado português sobre as antigas colónias são hipócritas, incoerentes, ou os dois. Não percebem que ao não reconhecer o direito à independência dos pretos, estão a enfraquecer o princípio que dá força à nossa independência relativamente aos Espanhóis, aos olhos do mundo. Ao darem importância ao supérfluo e ao secundário (as ex-colónias), estão a esquecer-se do principal (a independência do país).

Sim, sim, leitor retornado indignado, já se sabe, os pretos também fizeram muito malandrice a brancos que não tinham culpa nenhuma pela opressão do Estado português, e cometeram barbaridades vergonhosas (estupros em série, por exemplo). E também se sabe que muita da terra cultivada e possuída pelos brancos, e muita da riqueza que eles detinham, não tinha em nenhum caso sido "roubada" aos pretos, mas antes sim produzida, cultivada e ganha pacificamente no mercado, sendo assim riqueza legítima.

No entanto, quando se observa a história da guerra colonial (/do Ultramar/de Libertação, para não ofender susceptibilidades...), não se pode deixar de constatar uns pontos muito simples, que estão a favor dos pretos:

1) os pretos cometeram muitas imoralidades, mas em si, o objectivo principal da sua luta, a independência, era legítimo. Os críticos dos movimentos de independência (retornados, nacionalistas imperialistas, etc) tendem geralmente a não serem capazes de distinguir a causa ambicionada dos meios utilizados para alcançá-la. Pode-se defender a legitimidade da independência das colónias, inclusivamente da luta armada, sem no entanto aprovar tudo o que foi feito e dito para atingir este objectivo. Pode-se fazer uma crítica ou um elogio ao outro campo, sem rejeitá-lo ou aceitá-lo incondicionalmente. Nesta guerra, e na guerra em geral, é pouco prudente dividir as várias facções (incluindo a nossa) em puros bons e puros maus (os brancos e os pretos, por assim dizer?!)

2) os brancos usaram várias vezes de violência defensiva e legítima (por exemplo, para proteger fazendas ou proteger civis brancos), mas o objectivo principal da sua causa, manter o controlo político sobre as colónias (e principalmente sobre as suas populações pretas) era imoral.

3) o poder político branco é que estava a mandar nos pretos. Duvido que os Portuguêses de então, e os de hoje em dia, aceitassem de bom grado que Portugal fosse uma colónia de Maputo ou de Luanda, por exemplo... Apesar de haver muitos pretos a viverem no concelho da Amadora, ninguém aceitaria esse facto como justificação pela soberania do regime angolano sobre Portugal, por exemplo. No entanto, tenta-se habitualmente justificar o imperialismo português (sobre os pretos!) pelo facto de que havia muitos "brancos por proteger" nas colónias. Não se admirem pelos pretos não quererem ser governados por uma raça diferente da sua, vinda duma terra distante. (Alguns, infelizmente, não são capazes de interiorizar a regra de ouro.) Os pretos da altura mostraram terem espinha e serem insubmissos. Estas são qualidades que, incidentemente, fazem muita falta ao cidadão-ovelha português, que muito provavelmente não tem coragem suficiente para atacar esquadras e casernas, como os pretos faziam.

4) o poder português tinha instrumentos que as forças de guerrilha dos pretos não tinham, e que lhe permitiam praticar uma guerra muito mais mortífera. Estes poderes facilitavam-lhe grandemente a perseguição da guerra: cobrança do imposto, serviço militar, capacidade de criação monetária, armamento moderno, força aérea, serviços secretos, máquina de propaganda. Toda a máquina do Estado, em suma. O Estado português podia fazer algo que as guerrilhas não se podiam permitir (Secession and The Production of Defense, Hülsmann): alienar totalmente a população local. O Estado português podia fazer isso pela simples razão que a guerra estava a ser paga em grande parte pela metrópole, e por isso pouca importância tinha que as colónias tivessem a ser destruídas economicamente e militarmente. Pelo contrário, as guerrilhas locais precisavam dum mínimo de apoio popular para se manterem e adquirirem combatentes e armas (o que agia como travão ao seu parasitismo sobre a população). Assim sendo, não podiam financiar a sua guerra de forma tão coerciva como o poder português. Esta falta de meios fez com que optassem por uma guerra de atrito e de guerrilha, muito menos destrutiva do que a dos portuguêses (digam o que disserem, um avião a bombardear uma aldeia não discrimina entre civis e "turras"). Por estas razões, foram muitos mais os mortos do lado dos pretos que do lado dos brancos. Mais um ponto moral a favor dos pretos.


Por isso, retomando a imagem do Dante Alighieri na Divina Comédia, é provável que no dia do Julgamento (se tal coisa existe...), os capangas brancos e pretos que tiveram envolvidos na orgia assassina da guerra colonial se reencontrem no Inferno. Mas provavelmente, os brancos vão ficar num círculo do Inferno mais profundo, mais baixo, e mais negro do que aquele que está reservado aos pretos.

O erro principal (tanto moral como prático), do lado dos pretos, foi transformar uma guerra com um objectivo legítimo, em que o verdadeiro inimigo era o Estado português, numa guerra inter-racial. Ao fazê-lo, viraram toda a população branca (inclusivamente de Portugal) contra eles, e encheram-na de raiva e energia. Os seus líderes deviam antes ter tido a inteligência de fazer coligações e de virar todos, brancos e pretos, contra o inimigo comum: Lisboa e o seu parasitismo. Deviam ter tido a inteligência de não atacar alvos civis, concentrando-se antes em alvos militares ou policiais (obviamente, sendo que estas organizações estavam principalmente compostas por brancos, a guerra teria na mesma sido principalmente uma guerra de pretos contra brancos, mas não contra todos os brancos). A guerra tinha sido ganha mais rapidamente, e com menos risco de guerra civil no seu seguimento. Ainda por cima, ao enxutarem os Portuguêses afundaram a sua economia (isto parece ser uma especialidade de marxistóides africanos...), pois era deles que provinha grande parte do capital necessário à manutenção e à expansão da economia.

O erro principal, do lado dos brancos, foi não terem permitido, antes que o barril de pólvora explodisse, que a independência fosse ganha de forma pacífica. O seu erro foi não terem tomado atenção à forte mensagem que os massacres da guerra de independência da Argélia (relativamente à França) lhes deu. Assim perderam tudo. Não só os anéis (a soberania do Estado português sobre as colónias), como os dedos (e a mão, e o braço!), a segurança e a propriedade dos brancos das colónias, que tiveram de fugir à pressa, com o rabo entre as pernas, duma terra em que viviam havia várias gerações. Se os brancos tivessem tido a inteligência (e a coragem) de criar as suas próprias milícias e de lutar contra Lisboa, ter-se-iam desenrascado muito melhor quando, no seguimento do 25 de Abril, o regime perdeu a vontade de continuar a guerra. Teriam estado numa posição mais forte, militarmente e moralmente, para lutar contra os pretos, e pelo menos salvaguardarem aquilo que possuíam (o que acontece geralmente após cada guerra de guerrilha é uma luta interna entre os vários movimentos de guerrilha pela conquista do poder:uma guerra civil). Em vez disso, confiaram excessivamente, para sua segurança, em soldados vindos de Portugal aos milhares, e num regime que viria a cair. Ambos os abandonaram quando acharam conveniente (o que era perfeitamente previsível e legítimo: os Portuguêses não tinham obrigação e interesse real em pagar, pelo imposto, pela escravatura do serviço militar e pela morte, a segurança dos brancos das colónias). A cantiga do "Angola é nossa!" é uma farça que perde rapidamente o seu valor no momento em que as balas dum preto qualquer começam a chiar à volta da cabeça dum conscrito alentejano ou transmontano... Aí a única coisa que conta é voltar para casa (...Portugal!) num só bocado. Os brancos das colónias fizeram um grande erro moral: apoiaram, na sua maioria, a tropa portuguesa, que andava a vasculhar as colónias praticando barbardidades, o que teve como inevitável consequência reforçar o ódio do branco. E fizeram um erro prático fundamental: "sub-contrataram" aos Portugueses a sua própria segurança, o seu mais fundamental interesse! Grande burrice, como se viu.

Esperemos que os ódios da guerra desapareçam rapidamente. Com os pretos temos que fazer comércio e com as pretas dançar kizomba (se tivermos pedalada para elas!...). É mais inteligente, mais produtivo e mais agradável do que atirar bombas.

Com os Espanhóis igualmente: comércio e amizade. É preciso no entanto desconfiar do poder espanhol, e de parte da população que lhe dá força, pois estão longe de ter repudiado completamente as suas tendências mais imperialistas. Portugal há-de ser sempre visto por alguns Espanhóis como um belo naco de carne a devorar.



Those who make peaceful revolution impossible will make violent revolution inevitable.
John F. Kennedy

Viva a Independência das Ex-Colónias!
Viva a Independência de Portugal!
Viva a Liberdade!

PS: Da próxima vez que alguma região de Portugal quiser fazer secessão, seria interessante não voltar a cometer os erros do passado... No entanto, as colónias dos Açores e da Madeira que não se fiem muito no "humanismo" dos políticos do "contenente" e nos "brandos costumes" da população portuguesa. Muito provavelmente eles voltariam a matar com a determinação de outros tempos, caso lhes cortassem de novo um bocado do "seu" país...

PS.2: Se o leitor quiser divertir-se um pouco, tente defender junto dum Cabo-Verdiano que uma das ilhas periféricas do seu arquipélago (Santo Antão, digamos), devia fazer secessão da ilha-capital (Santiago-Praia). É muito provável que não receba respostas muito aprovadoras (esta afirmação está baseada em experiência própria)... Ou seja, Cabo-Verde, ex-colónia duma ex-colónia (Portugal relativamente a Castela) - já são duas separações!-, não reconhece a uma das suas colónias (Santo Antão), o direito de ir à vida...

O gene da lógica, e a capacidade de argumentar na base de princípios universais, não foi dado de forma profícua à humanidade! Definitivamente.

PS.3: alguns, para justificar os crimes dos Portuguêses nas colónias, afirmam que os pretos estão hoje pior do que estavam no tempo do império, ou do que estariam se o poder português se tivesse mantido. É possível, e talvez mesmo provável, que os que lá estão a mandar hoje sejam ainda mais rudes do que aqueles que os precederam. Mas uma coisa é certa: a única obrigação dos Portuguêses relativamente aos pretos era e é uma só: respeitar a sua liberdade. Se eles se quiserem matar, ou se quiserem prosperar em paz, é da sua responsabilidade e da sua culpa - não da nossa. Os crimes que eles cometem ou possam cometer entre eles não são justificação para o parasitismo do nosso próprio campo.

PS.4: o Ludwig von Mises Institute publica no seu site uma boa colectânea de ensaios em defesa do direito de secessão: Secession, State and Liberty. Leitura fortemente recomendada para quem queira aprofundar o tema. Os ensaios dos professores Rothbard e Hoppe são particularmente bons.