quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Frédéric Bastiat: Vida e Obra

Frédéric Bastiat foi um dos maiores liberais do século XIX. Nascido em França, perto de Bordéus, no princípio do século, teve uma vida relativamente curta (1801-1850). No entanto, estes anos foram suficientes para ganhar notoriedade, através da sua actividade literária e política (chegou a ser deputado) em prol da liberdade. É ainda hoje lido pelo mundo fora, principalmente em países anglófonos (a aversão dos franceses pelo liberalismo explica provavelmente em parte o desconhecimento a que está sujeito no seu próprio país). Pode-se dizer que ele influenciou grande parte dos liberais modernos.

Bastiat defendeu ferrenhamente a liberdade de comércio, o laissez-faire, e em geral a liberdade (não só as liberdades económicas, como também as liberdades sociais - chegou a defender práticas hoje consideradas como estranhas, como a liberdade de lutar em duelo, por exemplo). Além da autoria de panfletos e livros, e duma numerosa correspondência, esteve envolvido em política a vários níveis, e também participou activamente no movimento do Richard Cobden (político liberal inglês que montou uma campanha bem-sucedida de eliminação das tarifas sobre bens alimentares na Grâ-Bretanha...).

O seu estilo de escrita é coerente, radical, frequentemente sarcástico, e agradável. Qualquer um pode entendê-lo, apesar de ele discutir todos os temas importantes do século XIX: socialismo vs liberalismo, proteccionismo vs trocas livres, conflito e harmonia de interesses na sociedade, guerra e paz, relações entre capital e trabalho, etc...

Um autor a descobrir, e um homem com princípios (daqueles que não mudam ao sabor do vento...).

Segue-se abaixo a colectânea das suas obras completas, em francês. O índice de cada tomo encontra-se sempre nas últimas páginas. Eis alguns escritos que merecem ser realçados:

O tomo quatro contém o ensaio "La Loi" (a lei).
O tomo cinco contém aquela que é talvez a melhor introdução ao Bastiat: "Ce qu'on voit et ce qu'on ne voit pas" (O que se vê, e o que não se vê).
Os "Sophismes économiques" estão nos tomos quatro e cinco, e as "Harmonies économiques" no tomo seis (leituras mais substanciais).

Boa leitura!







sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Tanta Preocupação até Enjoa

Pelo Filipe Abrantes

Um dos argumentos preferidos do estatismo para justificar a existência do estado social é que sem ele haveria o caos, a desordem, os pobres sairiam à rua, seria em suma o apocalipse como apresentado no último livro da Bíblia.

O que subjaz a esta ideia é a preocupação dos estatistas com os interessados da ordem e da paz sociais: os ricos e os proprietários remediados.

Mas se a preocupação é genuina, a ideia do estado social é um pouco contraproducente. Em primeiro lugar, os pobres andam a aperceber-se que "os ricos estão cada vez mais ricos" e que "há cada vez mais pobres". Missão falhada, o sentimento de revolta nos pobres não diminui, aumenta. Em segundo lugar, a economia de um país é sujeita a crises cíclicas. Ora, na ocorrência de uma grande crise, a paz social não poderá ser garantida pelas forças da ordem governamentais - o mais certo até é estas juntarem-se á revolta, como aconteceu na nossa revolução. Missão falhada, novamente.

A preocupação apresentada pelo estatismo é: se os "ricos" não contribuirem para a sociedade, arriscam-se a serem roubados. Esta ideia esquece-se que os "ricos" já contribuem (mesmo que forçadamente) com impostos, e que em rigor sempre contribuiram. Mas se assim é, e se a inquietação com a preservação patrimonial dos ricos e remediados é verdadeira, deixemos os tais "ricos" equiparem-se de armas, protegerem-se com seguranças privados armados ou deixemo-los formar milícias.

Saqueá-los com a justificação de os querer proteger é: 1. contraproducente, 2. hipócrita.

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quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Direitos Positivos

Pelo Carlos Sacramento

Porque é que eu não tenho o direito positivo a ter a actriz porno brasileira Natália Lemos por 20 Euros à hora? Eu sei a resposta.

Podem dizer que dispôr dos serviços da Natália Lemos sem a sua vontade viola a liberdade individual da Natália Lemos mas o facto é que basicamente todos os direitos positivos violam a liberdade individual de outros indivíduos. Os direitos positivos violam a liberdade dos indivíduos que não querem ter educação gratuita, serviços de saúde gratuitos, financiamentos de óperas, teatro e filmes, etc. No fundo direitos positivos é a imposição de crenças que alguns indivíduos querem impostas aos que não concordam com elas. Um argumento típico destes indivíduos é usar o argumento democrático da vontade da maioria. Outro é usar a Carta da Declaração Universal dos Direitos do Homem como a nova Bíblia. Não questiones, obedece porque a Moral assim o dita.

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Ausência do Gene da Lógica

Pelo Carlos Sacramento

Este artigo de Ana Gomes é muito instrutivo e mostra-nos que precisamos de mais feminismos, ou seja, mais igualdade entre sexos (leia-se nas entrelinhas mais poder para as mulheres imporem a sua agenda), mais políticas sociais (leia-se nas entrelinhas mais direitos positivos), mais sensibilidade (leia-se nas entrelinhas mais apologia da emocionalidade e da indignação), mais aposta na divinização do sector da educação (leia-se nas entrelinhas uma educação mais sensível e poética criando homens efeminados com ilusões de um mundo perfeito). Mais uma vez, vão tentar mostrar-nos que a coerência argumentativa não é tudo e que precisamos de políticas mais sensiveis (leia-se nas entrelinhas mais irracionais).

Copyright Carlos Sacramento