sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Tanta Preocupação até Enjoa

Pelo Filipe Abrantes

Um dos argumentos preferidos do estatismo para justificar a existência do estado social é que sem ele haveria o caos, a desordem, os pobres sairiam à rua, seria em suma o apocalipse como apresentado no último livro da Bíblia.

O que subjaz a esta ideia é a preocupação dos estatistas com os interessados da ordem e da paz sociais: os ricos e os proprietários remediados.

Mas se a preocupação é genuina, a ideia do estado social é um pouco contraproducente. Em primeiro lugar, os pobres andam a aperceber-se que "os ricos estão cada vez mais ricos" e que "há cada vez mais pobres". Missão falhada, o sentimento de revolta nos pobres não diminui, aumenta. Em segundo lugar, a economia de um país é sujeita a crises cíclicas. Ora, na ocorrência de uma grande crise, a paz social não poderá ser garantida pelas forças da ordem governamentais - o mais certo até é estas juntarem-se á revolta, como aconteceu na nossa revolução. Missão falhada, novamente.

A preocupação apresentada pelo estatismo é: se os "ricos" não contribuirem para a sociedade, arriscam-se a serem roubados. Esta ideia esquece-se que os "ricos" já contribuem (mesmo que forçadamente) com impostos, e que em rigor sempre contribuiram. Mas se assim é, e se a inquietação com a preservação patrimonial dos ricos e remediados é verdadeira, deixemos os tais "ricos" equiparem-se de armas, protegerem-se com seguranças privados armados ou deixemo-los formar milícias.

Saqueá-los com a justificação de os querer proteger é: 1. contraproducente, 2. hipócrita.

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