sábado, 31 de outubro de 2009

São Como Ninhos De Pardais À Solta

Pelo Rui Botelho Rodrigues, 6 de Outubro 2009, no Minarquista

A imagem de um bando de garotos revoltados, causando distúrbios e pilhando lojas, para protestar contra o capitalismo é recorrente; a imagem da polícia a reprimir os mais bárbaros e violentos do grupo também. O último episódio do género foi a reunião entre o FMI e o Banco Mundial, que despertou a canalha para mais uma onda de protestos. A primeira coisa a notar é que estamos perante um grupo sem ideologia, pós-marxistas no sentido em que se assumem como anti-capitalistas, mas sem o «dispositivo para pensar» (como lhe chamavam) que o materialismo dialéctico oferecia, sem se sentirem na vanguarda de um movimento histórico e sem quaisquer convicções positivas minimamente definidas. Eles são anti-capitalistas mais do que são pró-qualquer coisa, e é o protesto contra o capitalismo que os define, não o protesto a favor de uma alternativa melhor. Para ser sincero, já conheci uns quantos destes meninos (naturalmente do Bloco), e eles na sua militante ignorância assumem - como os marxistas, mas sem qualquer elaboração - que tudo o que vier depois do capitalismo é, por definição, o paraíso: uma vez removido o «mal», ficará tudo «bem». Como Mises notou em "The Anti-Capitalist Mentality": «An “anti-something” movement displays a purely negative attitude. It has no chance whatever to succeed. Its passionate diatribes virtually advertise the program that they attack. People must fight for something that they want to achieve, not simply reject an evil, however bad it may be.» (p.88).

Mas é curioso notar que, mesmo quando rejeitam um mal, estes rapazes e raparigas não se dão ao trabalho de o estudar, como em tempos os marxistas faziam (embora, quase sempre, de um ponto de partida comprometido). Não só isso: estes meninos de classe média, desiludidos com a monotonia da vida real, decidem apenas partir para uma aventura moralista, sem compreender nada de nada; defendem os pobres sem tentar perceber porque é que existem pobres ou que mecanismos distribuem a riqueza, ou porque alguns pobres são mais ou menos pobres que outros. Estas considerações nunca chegam à cabeça dos manifestantes porque eles, como qualquer puritano, têm uma ideia - ou melhor: um nome e uma imagem - para o mal: e como diz Michael Moore (o mais bem-sucedido destes meninos) no trailer do seu novo filme «o mal não se regula, extermina-se» (ou algo do género).

Mas a forma mais eficaz de perceber a ignorância dos manifestantes é reparar que, seja qual for a organização contra a qual se manifestam, nenhuma delas é capitalista, todas elas são estatais: o G20, o FMI ou o Banco Mundial. Não foi o mercado que as pariu para atender a uma necessidade legítima, foram alguns governos em conjunto que criaram, promoveram e mantêm estas instituições; se os governos não as promovessem e mantivessem, elas não sobreviveriam muito tempo no mercado livre; os seus fundos são concedidos pelos governos e não obtidos pela satisfação de qualquer preferência dos consumidores; as funções que exercem, de resto, não fazem parte do mercado, planeiam e distorcem o mercado - que é o oposto. Rothbard escreveu que se queremos manter a palavra «capitalismo» temos, automaticamente, de fazer a distinção entre capitalismo de mercado livre e capitalismo de Estado. É este último que temos hoje e a verdade é que, em maior ou menor grau, os Estados estiveram sempre envolvidos na actividade económica. Que hoje estejam envolvidos até ao tutano e ameacem trazer-nos de volta as maravilhas do mercantilismo não é culpa do livre mercado que não temos: é a consequência natural do intervencionismo e de qualquer mecanismo de planeamento central.

É legítimo revoltarmo-nos contra a injustiça, contra a opressão, contra as forças que nos controlam, que ditam a nossa vida e que violam a nossa liberdade e independência. Eu partilho dessa revolta. Mas não é saudável ouvir um slogan e começar automaticamente aos saltos. Convém estudar um bocadinho antes de protestar contra alguma coisa. Que estes esquerdistas façam tanto barulho contra instituições estatais internacionalistas e depois voltem para casa para pedir mais intervenção do Estado em questões internas é apenas trágico. É todo um mundo de desinformação e ignorância. Os senhores do FMI, do Banco Central e do G20 agradecem a gentileza: estas manifestações que pregam a iniquidade do capitalismo justificam certamente as intervenções estatais destinadas a torná-lo menos iníquo.

Copyright Rui Botelho Rodrigues

Ó Gaspar, Vai-te Catar

Pelo Filipe Abrantes, 29 de Outubro 2009, no Insurgente

Mete nojo o texto hoje escrito pelo Miguel Gaspar, no Público, sobre Vaclav Klaus e a sua “teimosia” em não assinar o Tratado de Lisboa. Diz ele: “sozinho contra a evidência, sozinho contra a História, sozinho contra um continente: é esta a teimosia do homem [Vaclav Klaus] que queria destruir o Tratado de Lisboa”.

Mas onde é que este idiota vai buscar a ideia de que o continente europeu (pressupondo que se refere à maioria da população do dito) quer a porcaria do tratado e que a teimosia de Klaus tem contrariado esta vontade? Só na sua cabecinha, certamente poluída com balelas progressistas (a UE seguindo o sentido da “História”) e mitos grandiloquentes (a UE como uma “evidência”!, o paradigma do Bem na Política Democrática em grande escala, promotora da Paz e do Desenvolvimento).

Não acredito que o Miguel Gaspar desconheça que se não fossem os governos a inviabilizarem a realização de referendos, o tratado já estaria morto e enterrado há muito. É triste ver a nossa elite intelectual (salvo seja), representada pela totalidade da nossa classe política e pela grande maioria dos jornalistas, submissa e entregue à vontade dos governos que não fazem mais do que seguir a vontade da História…

Este Gaspar ainda tem o desplante de chamar “casmurro” a Vaclav Klaus por – pasme-se – ser um céptico do aquecimento global! Vamos lá ver, com jornalistas destes não precisamos de jornalismo para nada. Se fossem para o desemprego, não se perdia nada.

Copyright Filipe Abrantes

domingo, 25 de outubro de 2009

CDS-PP: Os Anti-Liberais

Anda por aí muito pateta simplório a dizer que o CDS-PP é um partido liberal. Isto é tão absurdo, que só poderá ser mantido por gente inculta. Como é possível que haja algum especímen destes a ler este texto, é bom que se desminta rapidamente a ideia.

Antes de mais, o liberalismo. O liberalismo é a ideologia que acredita que cada um é dono do seu corpo e da sua propriedade. Cada um pode fazer aquilo que lhe der na gana, mesmo que isto desagrade a alguns, desde que não viole a liberdade dos outros (ou seja, a sua integridade física e a sua propriedade), e desde que respeite os seus contratos livremente assumidos. Além disso, como estado viola de forma sistemática a liberdade e a propriedade dos outros (impostos, burocracias, proibições, monopólios, obrigações, etc...), não gostam dele. Isto é que é liberalismo.

Para mostrar de forma completa que o CDS-PP é anti-liberal, seria preciso ver o seu programa todo ponto a ponto, e as obras dos seus partidários, quando estão no governo e no poder. Seria fastidioso. Por isso, veja-se simplesmente os pontos principais, ou pelo menos mais badalados, do programa do partido. Tendo em conta as recentes eleições, deu para ouvir as ideias do chefe deste partido, o Paulo Portas.

1. O CDS-PP defende os agricultores. Defende-os, isto é, chorando por que caiam subsídios do estado e de Bruxelas no bolso destes. Isto é totalmente anti-liberal: os subsídios implicam impostos, e os impostos são uma extorsão, uma violação do direito de propriedade das pessoas. Numa sociedade liberal, os agricultores não viveriam em funcionários públicos, da mama, mas vendendo o seu produto aos intermediários e aos consumidores.

2. O Paulo Portas está sempre aos beijinhos às velhotas, e promete-lhes, "depois de uma vida de trabalho", umas reformas dignas. O problema disto, é que as tais reformas dignas têm que sair do bolso dos que trabalham. Mais extorsão, mais anti-liberalismo. Numa sociedade liberal, os velhos seriam assumidos pelas suas poupanças (voluntárias, ao contrário do que sucede presentemente), pelos negócios que tivessem criado ao longo da vida, pelos filhos e outros descendentes, e pela caridade. Mas não poderiam viver em parasitas sobre os mais jovens.

3. O Paulo Portas baba-se todo de respeito e admiração sempre que fala da bófia, das "Forças da Ordem", dos "Agentes da Autoridade". Está sempre a defender mais meios e mais homens para a polícia (ou seja, mais imposto/extorsão para contratar parasitas). Defende o enfraquecimento das garantias processuais dos condenados (por exemplo prisão preventiva facilitada), o que implica frequentemente a violação da liberdade de inocentes, obrigados a passarem meses e meses na prisão até serem julgados. Se o Portas, e se o CDS-PP fossem liberais, percebiam que os "agentes da autoridade" são simplesmente o braço armado do estado, e que a sua função principal é extorquir, controlar e dominar a população; não é protegê-la. A sua missão é servir os políticos, e todos os chupistas que gravitam à volta destes para comer umas migalhas da fartança. Numa sociedade livre, as pessoas poderiam armar-se e defender-se livremente contra criminosos. Por outro lado, não poderiam forçar os outros, por intermédio do estado, a assumir a sua segurança.

4. O Portas é um militarista. Defendeu as intervenções no Iraque, no Afeganistão e em Timor, quando era ministro da Defesa/Guerra/Agressão. Os liberais são pacíficos (mas não necessariamente pacifistas). Não invadem países estrangeiros. A política estrangeira e militar do liberal é totalmente defensiva, e neutra relativamente a conflitos que não envolvam o país (a política dos Suiços, grosso modo: neutralidade e não-agressão). Se Portugal tivesse uma política de defesa liberal, não estava na NATO. Mais radicalmente ainda, o liberal defende que o estado não deve ter militares ao seu serviço. A população é que pode, se quiser, armar-se, organisar-se e defender-se. A defesa, numa sociedade livre, é exercida por milícias, mercenários e guerrilheiros. Como é óbvio, o Portas não é neste ponto um liberal.

5. O Portas defende a manutenção do Rendimento Mínimo Garantido (RMG), e do estado-social em geral. Quanto ao RMG, afirmou claramente na última campanha que não o quer suprimir. Simplesmente quer acabar com os "abusos". Ou seja, quer retocá-lo, mas não destruí-lo. O barulho que houve à volta destas questão, durante a campanha, com numerosas interpelações populares ao Portas, foi simplesmente fogo de vista. Para o verdadeiro liberal, o RMG, e todo o estado-social em geral (escolas públicas e obrigatórias, reformas compulsivas, hospitais do estado, subsídios de desemprego, etc...), são um abuso em si. O seu financiamento é compulsivo, logo anti-liberal. Estas tarefas, na sociedade livre, seriam assumidas pela poupança, pelo mercado, pelos seguros, e pela solidariedade (a verdadeira caridade, voluntária).

6. O Paulo Portas ofende-se muito, sempre que qualquer puto reguila, numa escola do país, se rebela contra um professor. O liberal, pelo contrário, percebe que o ensino obrigatório é ilegítimo. É simplesmente um serviço de endoutrinação compulsivo. Como tal, as escolas são aparentadas a prisões de dia, e os professores (do ensino obrigatório) são guardas prisionais. É por isso perfeitamente legítimo os putos rebelarem-se contra este sistema parasita.

Vê-se, simplesmente por estas questões, que o CDS-PP e o seu chefe não têm nada de liberal, ou de radical. Aliás, não se podia esperar nada mais dum partido cujo nome é Centro Democrático Social-Partido Popular.

Os Novos Cómicos Do Regime

Os humoristas do Gato Fedorento parecem ter-se tornado os novos Cómicos Oficiais do Regime. Todos os regimes os têm (excepto talvez a Coreia do Norte). Com o seu novo programa a "esmiuçar" os políticos do país, este estatuto tornou-se evidente.

Se realmente pusessem em causa o regime, nunca tinham o sucesso e a tranquilidade que têm actualmente. Os verdadeiros humoristas de combate, em função do regime e das pessoas com quem se metem, são atacados em tribunal por difamação, ostracisados, multados, presos, exilados, ameaçados, mortos pelos capangas do poder, ou por populares ofendidos com aqueles que põem em causa as crenças fundamentais de determinada sociedade. Quem tenha dúvidas tente fazer humor sobre o Maomé num país muçulmano; ou tente fazer piadas sobre judeus em França. Em vez disso, os nossos humoristas vêem toda a classe política correr aos seus estúdios, desejosos de serem (gentilmente) achincalhados pelo Ricardo Araújo Pereira.

Mas pôr fundamentalmente em questão o sistema é algo de que o Gato Fedorento não é capaz. Não por falta de humor. Eles têm-no, e de sobra. Mas por falta de uma visão ideológica alternativa. Só alguém que não seja social-democrata (um fascista, um anarquista de esquerda, um anarco-capitalista, um monarquista, um comunista hardcore adepto da ditadura do proletariado) é que consegue ver as fraquezas deste regime e contestá-lo na sua essência. Todos os outros, quer sejam comentadores ou humoristas, limitam-se a criticar figuras políticas, casos ou estilos de governação, mas nunca mais do que isso. Criticam o governante, mas não o governo. Se criticam o governo, não criticam o estado. Se falam mal do estado, nunca lhe deixam de reconhecer legitimidade. E se lhe reconhecem legitimidade, é sempre nos moldes actuais, democráticos, e nunca de outra forma.

Se os Gatos começassem a fazer piadas anti-democráticas, pro-fascistas, racistas, anti-semitas, anti-estado-social, anti-velhos, de forma dura, manteriam dificilmente aqueles contratos publicitários confortáveis com grandes grupos económicos fortemente influenciados pelo estado. E para muita gente, perderiam a piada: só os "anti-sistema" é que podem gostar de certo tipo de humor e percebê-lo (o que não é dizer que todos os "anti" passariam a gostar do Gato; afinal também há diferenças entre os anti-sistema). Os Gatos seriam rapidamente afastados para o sítio de onde vieram, um canal da TV por cabo, ou para o YouTube na Internet.

Finalmente, para deixarem de ser humoristas do regime, precisariam de ter grande carácter. Só se poderiam sujeitar à desclassificação, ao empobrecimento e aos perigos da impopularidade caso tivessem uma missão, uma mensagem a transmitir, e coragem para o fazer. Não parece ser o caso.

A sua ascenção meteorítica só foi possível, não obstante o seu talento, porque personagens influentes da sociedades portuguesa, nos media e na política, os apoiaram, ou pelo menos não os travaram. Se não fosse isto ainda eram uns artistas marginais sem dinheiro para comer.

sábado, 24 de outubro de 2009

O PSD Que Se Lixe

Agora que o PS ganhou, e tendo em conta o resultado eleitoral pouco brilhante do seu adversário mais importante, o PSD, volta-se a ouvir um certo discurso habitual por parte de muitas pessoas com tendências liberais. É o discurso que se houve após cada derrota do PSD, e sempre que este partido ou o seu chefe estão em apuros. É um discurso pateta. A pergunta que tantos intelectuais mais ou menos liberais se fazem neste momento é a do melhor rumo e a do melhor chefe a escolher para o partido.

Uma das razões principais pelas quais muitos liberais, e mesmo uma certa parte da população, têm um fraco pelo PSD, é porque pensam que é menos parasita e mais liberal em termos económicos. Apesar do seu nome, Partido Social Democrata, indicar claramente que é anti-liberal. Parece que pelo menos no discurso o PSD se distancia dum ataque frontal ao capitalismo, que não tem grande simpatia pelos impostos, que quer controlar a despesa do estado, e que em geral é menos intervencionista do que o PS. Na verdade isto é retórica partidária, e uma ideia popular mas falsa.

Um dos indicadores mais importantes de liberdade económica é sem dúvida o da carga fiscal e o da despesa estadual. Não há liberdade quando se tem que abdicar duma grande parte do fruto do seu trabalho para parasitas. Ora deste ponto de vista o PSD é um desastre. Não só estes indicadores de parasitismo aumentaram sempre com o PSD, como aumentaram mais com este do que com o PS, nos anos pós-25A. Globalmente, os governos em que o PSD esteve presente foram responsáveis por 75% do aumento da despesa governamental. Os restantes 25% estão a “creditar” ao PS. O grande Partido da Mama, em Portugal, é o PSD. O que não quer dizer, obviamente, que o PS seja o partido da contenção. As estatísticas falam por si e contestam o mito prevalecente.

Um dos factores prováveis que levam a este estado de coisas é a maior resistência que o PS enfrenta quando está no poder. Como têm o discurso da mama e do imposto, as classes produtoras andam muito mais alertas para os seus actos de predação. Quando o PSD chega ao poder, baixam a guarda e são papados de forma imperial pelos seus “defensores”.

Além do mais, para qualificar de liberal o PSD seria preciso observar todos os domínios da sua governação, e compará-los com a actuação do PS nestes mesmo domínios. Afinal de contas, não há só liberdades económicas. As liberdades sociais também contam. Se este trabalho fosse feito, é possível que o PS se saísse ligeiramente melhor do que o PSD, apesar de não ser também aí grande espingarda. A única grande reforma social do PSD neste domínio, as liberdades sociais, foi a abolição do serviço militar obrigatório. Mas daí a chamá-lo de partido liberal há um grande passo.

Como aparte, diga-se que o facto da esquerda ter sido incapaz de abolir o serviço militar não deveria espantar quem tenha alguma perspectiva histórica. Sabe-se que os regimes comunistas sempre gostaram muito de desfiles militares e de forças armadas; afinal de contas, a instituição militar é o exemplo perfeito duma sociedade comunista: uma sociedade de comando, ditatorial, dirigida do topo, sem possibilidade de contestação. E além disso, o serviço militar generalizado surgiu da Revolução Francesa, evento este fomentado por movimentos revolucionários, republicanos, esquerdistas, igualitaristas e populares. Não foi fruto da elite monárquica (não havia em França serviço militar universal sob o tempo dos reis). Não foi fruto da direita conservadora, aristocrática, nem dos liberais.

O PSD não é liberal. É simplesmente um partido conservador, o que em Portugal implica ser social-democrata (como era de esperar pelo nome e pelo estado da opinião pública). O PSD pode criticar os “avanços” progressistas do PS se estiver na oposição, mas nunca destrói as medidas anteriores do seu rival quando está no puleiro. No melhor dos casos retoca-as, torna-as “razoáveis”. Frequentemente, reforça-as, para mostrar que também ele, PSD, sabe ser “social” (há pessoas que têm um medo pânico de serem chamadas de anti-sociais...). O PSD nunca ou raramente pede uma verdadeira liberalização. Nunca pede uma medida completa, justa, intransigente. Nunca rasga claramente o que está mal. Não pede que sejam suprimidas as restrições ao livre-porte de armas; simplesmente que os caçadores não tenham que passar por grandes burocracias para adquiri-lo. Não pede a saída imediata da “União” burocrática europeia; eventualmente, que os sucessivos tratados que enterram a soberania e a independência do país sejam “pensados mais calmamente”. Nunca pede a supressão dum imposto qualquer, supostamente o seu forte; simplesmente uma redução ridícula de 2 ou 3 % na taxa do imposto. O PSD só faz “oposição responsável”, o que traduzido para português significa que aceita e beneficia do status quo podre e imoral vigente. O PSD só faz reformazitas sem substância.

Qualquer pessoa com um mínimo de neurónios percebe que o PS e o PSD são fundamentalmente iguais. São socialistas, democratas, redistribuicionistas, igualitaristas, corporatistas, ligeiramente militaristas (ligeiramente, entende-se, relativamente ao regime do Salazar; para os Iraquianos ou os Afegãos a ligeireza é outra), pró-bancos centrais, pró-Nova-Ordem-Mundial (UE, NATO, ONU, etc...), sindicalistas, e de ideais marxistas mais ou menos diluidos por trinta anos de chafurdagem no Centrão democrático. Não são só eles. O Bloco de Esquerda, o CDS-PP, e o Partido Comunista também são simples sociais-democratas. Os “fachistas” maus do CDS andam a distribuir beijinhos pelas feiras, subsídios pelos agricultores, e a defender reformas maiores para os mais velhos – não andam de uniformes castanhos a partir a cabeça aos pretos. E os comunas já esqueceram aquela treta da colectivização da terra e dos meios de produção (até já falam de “defender os pequenos empresários”!), e a ditadura do proletariado é coisa do passado. Quanto ao Bloco, são comunas chiques e urbanos, mas não são “choque”; nada de radical a temer daí. As diferenças entre a direita e a esquerda são hoje em dia cosméticas. Não há verdadeira dissensão na nossa sociedade. Não há actualmente possibilidade de verdadeiro confronto político, duma guerra civil. Toda a gente, ou quase, é social-democrata. Assim sendo, é bastante cómico ver liberais a arrancarem os cabelos pelas derrotas do PSD, ou uma certa esquerda tótózinha a assustar-se com as vitórias da direita, e o regresso do “fachismo” (booh!). Como se isto mudasse fundamentalmente alguma coisa.

Voltando ao PSD, mais especificamente, tem que se ver claramente que está infectado de indivíduos sem espinha, sem princípios, cujo interesse principal é ganhar votos e poder, mais do que defender alguma visão política. É um templo de invertebrados, da mesma forma que o são os outros partidos. Basta ver como exemplo que todos os deputados dum partido votam como lhes mandam os chefes parlamentares, e não em consciência. Se eles fossem honestos, tal uniformidade só seria possível no caso improvável de todos os membros dum partido terem a mesma opinião sobre todos os assuntos... Como o PSD se interessa principalmente, ou até unicamente, com o poder, qualquer chefe que não ganhe eleições é rapidamente enxotado. E pela mesma vontade de vitórias, qualquer chefe que conquiste a liderança só o faz porque as bases e as elites intermédias do partido sabem que é uma pessoa minimamente popular, ou seja, adepta do status quo social-democrata vigente em Portugal. As pessoas não querem “mudança”. Quem diz isso ou é tonto, ou é comentador político dum partido ganhador, em noite de eleições. Balelas! As massas são sociais-democratas até às entranhas, e querem mais do mesmo. É praticamente impossível que o chefe dum “partido de governo” não seja um vendido. Tem que ser um homem que diz o que tem que dizer em vez daquilo que acredita; uma pessoa que afirma ideias e princípios contraditórios, em função dos que o ouvem; e um homem que não diz aquilo que pensa. O PSD é um mal, quer seja ou não um mal menor. Nenhum liberal pode ter a mínima onça de respeito por este bordel político.

É extremamente fútil e palerma, da parte dum liberal, gastar energia mental, tempo e dinheiro com o PSD. É estúpido preocupar-se com ele, a não ser que se seja um militante ferrenho, “clubista”, tribal, sem qualquer princípios, e com a boca na mama partidária. Os liberais não devem tentar pôr no poder os “seus” candidatos, os “seus” políticos. O liberal não é aquele que quer conquistar o poder, mas antes destruí-lo. O liberal não tem a ilusão que algum político possa mudar o país enquanto uma parte substancial da população não mudar de ideias. É aliás impossível um liberal aceder ao poder em Portugal. A tarefa do liberal é descredibilizar todos os partidos, tirar do seu trono o estado, e botar abaixo não só a facção A ou B, mas todo o sistema instalado de parasitagem.

É nisto que os liberais devem gastar a sua energia. É mais produtivo do que entusiasmarem-se dias inteiros no twitter, como baratas tontas, com os resultados freguesia a freguesia do PSD. Se o PSD for abaixo ainda bem. Se for o PS para a sanita, boa! Há que ver o copo meio cheio, e não meio vazio, para aguentar esta palhaçada sem deprimir. Dá sempre gosto observar uns quantos parasitas de cara desfeita e de rabinho entre as pernas.

Esmagar O Caos

Há poucos dias, estalaram confrontos no Rio de Janeiro, entre vários bandos de traficantes de droga. Em várias ocasiões nos últimos meses, os pretos e os ciganos dos bairros periféricos de Lisboa andaram aos tiros. Há poucos anos atrás, estalou um confronto entre dois bandos de seguranças do Porto, oriundos de bairros diferentes da cidade: com mortes, tiroteiros, e metralhadoras à mistura. De vez em quando, há confrontos entre claques de clubes de futebol. Constantemente, surgem confrontos e brigas espalhafatosos entre indivíduos, aos pares ou em grupos, nas ruas, nos bares, onde seja.

Há um ponto comum a todas estas situações. Todas as forças em confronto são esmagadas pelas forças do estado. Os bairros cariocas são invadidos pela polícia e por militares. O Corpo de Intervenção da Polícia (tradução: tudo o que há de mais gorilesco na bófia) entra nos bairros camarários em força. Todos os membros suspeitos de terem participado nos confrontos do Porto estão em prisão preventiva. As claques são rebentadas à bastonada pela polícia de choque. Os brigões vão todos passar a noite na esquadra, no mínimo.

Ao esmagarem situações de conflito, os capangas do estado, perdão, os Agentes da Autoridade, raramente se perguntam questões básicas para perceber quem tem ou não razão em determinado conflito. Não se perguntam que grupo de traficantes invadiu e atacou uma favela, e qual outro defende o seu bairro. Não se perguntam se aqueles que atacam agora não tinham sido atacados no passado e estão simplesmente a retaliar. Não se perguntam qual é a história de conflito entre pretos e ciganos. Não se perguntam se o "Pidá" e os seus amigos não tinham algum motivo para dar uns tiros nos outros, tendo em conta que estes não pareciam propriamente ser meninos de coro, e que a relação entre os dois grupos já estava manchada com violência antes de haver mortes. Não se perguntam se as claques não andam à batatada umas com as outras simplesmente porque é giro, porque gostam e porque querem levar e dar no focinho. Não se perguntam se o tipo que prenderam num bar no momento em que levantava uma cadeira no ar para rebentá-la na cabeça de alguém não tinha visto este mesmo alguém bêbado maltratar a sua namorada poucos momentos antes. Não se perguntam se o tipo que deu um tiro noutro não estava simplesmente a defender-se de alguém que assaltava a sua casa ou o seu negócio.

A polícia não se faz este tipo de perguntas básicas. Isto seria inconveniente demais, obrigá-los-ia a terem um mínimo de espírito de justiça. Em vez disso, chega no lugar onde há mais barulho e mata toda a gente, prende toda a gente, cala toda a gente, submete toda a gente, desarma toda a gente. Pode fazer isto por várias razões. Uma delas, muito simples, é que os capangas do estado são como os cães: ladram e mordem quando vêem e ouvem qualquer coisa de estranho. Fraca justificação. A polícia pode agir a mando de políticos e de massas preocupadas com a insegurança e a confusão. Mas isto também é uma má justificação. Aqueles que vêem os seus direitos violados têm o direito de defendê-los pela força, mesmo que isto faça um bocadinho de "barulho" para a vizinhança. As emoções de massas que estejam longe do confronto, perante este direito de se defender, são irrelevantes. A bófia pode querer aproveitar estas ocasiões para desarmar todas as partes. Pode querer utilizá-las para ajudar uma das facções em luta, frequentemene a que não merece ser ajudada - ou seja, a bófia pode querer ser cúmplice dos criminosos. E pode ter outras razões ainda.

O resultado disto tudo, desejado ou não, é que o estado reforça o seu monopólio da violência. Tal monopólio pode eventualmente conseguir suprimir o "caos" duma sociedade em que cada um tem o direito de se defender. O direito das pessoas de se defenderem já não é reconhecido, e o seu hábito de o fazerem é enfraquecido, esquecido. Os seus direitos são simplesmente privilégios que o estado defende quando quer e pode. As pessoas estão à mercê da boa vontade dos outros. Direitos quaisquer que não sejam em último caso, sempre que necessário, defendidos pela força são direitos que desaparecem.

Mas principalmente o resultado final é uma sociedade desarmada e oprimida pelo estado. As pessoas ficam à mercê do estado. Muita gente parte do princípio que a sociedade é composta por um lado de criminosos, bandos, bandidos, gangues, milícias, arruaceiros; e por outro lado, ou melhor dizendo, acima disto tudo, pela Autoridade, pelo Estado, pela Polícia. Na verdade, o estado é mais um gangue, o mais perigoso e o mais ilegítimo de todos, o mais forte, e o mais descarado na justificação dos seus crimes. É esta milícia que é reforçada pela táctica do esmagamento. Mais uma vez, diga-se: os direitos só existem se forem defendidos pela força quando violados. Isto não é menos verdade quando é o estado o criminoso, o que ele é sempre, por natureza.

O liberal, quando vê a polícia a invadir um bairro, ou a desarmar um comerciante farto de ser assaltado, tem que perceber que não é a justiça que a motiva. É simplesmente o desejo de controlar os contra-pesos que põem em perigo o seu próprio poder. É mais fácil controlar um rebanho de ovelhas do que uma matilha de lobos.

Defender-se e armar-se não é um privilégio, mas antes um direito. Enquanto as pessoas não o reconhecerem continuarão na sua servidão.

Viva a Liberdade!

Quem Defende Os Alentejanos?!

Os Alentejanos têm que se unir, e revoltar-se. É difícil, é verdade. Depois de se ter comido uma açorda só apetece dormir uma sesta. Mas é imperioso.

Os Alentejanos, na verdade, são das piores vítimas do Sistema e da Sociedade. Pense-se bem: são gordos e têm muito colesterol, não têm trabalho, são pobres e os seus jovens têm que se exilar para viverem uma vida decente, as suas mulheres são pequenas e gritam muito, e vivem numa região classificada como semi-desértica pelo Programa Alimentar das Nações Unidas. Além disso, desde que há memória que vivem sob a chapa dum feudalismo latifundiário e capitalista do pior.

Mas pior do que tudo é que ninguém os respeita. São piadas aqui, piadas acolá. Isto é uma grave discriminação; é algo que não pode ser tolerado numa sociedade tolerante. É anti-democrático. É fascista, e não só. Também é fachista com "ch". Isto é anti-alentejanismo primário. Uma situação vergonhosa que um país a caminho da modernidade não pode aceitar, e da qual se deve envergonhar. Cada português tem que olhar para dentro de si, e tomar consciência do mal que a sua insensibilidade provoca nesta minoria oprimida.

Os Alentejanos têm que se unir. Urge a criação duma Liga de Defesa do Alentejano (LDA). Se possível esta associação terá que ter uns cartazes que arranquem lágrimas aos mais insensíveis; por exemplo uma aldeia semi-desértica povoada de velhotes que jogam à bisca todo o dia e que ganham uma reforma de miséria. Esta associação terá que ter um slogan apelativo: "A preguiça não é crime/ Sócrates, dá-me o meu subsídio". A LDA terá que tentar imediatamente registar-se perante o Ministério das Minorias Oprimidas (deve com certeza existir um ministério assim, num país progressista como o nosso, que rejeitou completamente o seu passado mais sombrio). Só quando os Alentejanos virem oficialmente reconhecido o seu estatuto de Vítimas Credenciadas da Sociedade (VCS) poderão as coisas evoluir. Se os pretos, os judeus, os maricas, os paralíticos, os coxos, os pernetas, os manetas, os proletários, as mulheres, os muçulmanos, os pequenos agricultores, os arrendatários, os endividados, os pequenos comerciantes, os pobres, os estrangeiros, os gordos, os feios e os desdentados são reconhecidos como VCS, os Alentejanos também podem! Não são menos do que os outros. Em Democracia somos todos iguais. Se não existir Ministério das Minorias Oprimidas, pelo menos tente-se obter o estatuto de Espécie Protegida junto do Ministério da Agricultura. Agora que o Paulo Portas tem mais influência na Assembleia, o Ministro da Agricultura vai perder da sua soberba e arrogância.

Obter um estatuto destes dava muito jeito. Já não podiam gozar com os Alentejanos nos meios de comunicação social. Quem o fizesse era visto como um monstro, um nazi, e perdia logo o trabalho. Os seus amigos do show-biz deixavam de lhe falar. Já não se podia negar a história de sofrimento dos Alentejanos. Quem o fizesse ia preso por Negação de Crime Contra a Humanidade. Dava para sacar uns subsídios ao governo para a LDA, no âmbito do seu plano de combate ao anti-alentejanismo. E finalmente, qualquer português que recusasse tratar com um Alentejano, qualquer patrão que recusasse contratá-lo, qualquer comerciante que o impedisse de entrar no seu negócio era imediatamente atacado em justiça por discriminação etno-geográfico-anti-alentejana primária e básica.

Se mesmo assim a coisa não der, leve-se o caso para Bruxelas. Ou melhor ainda, para o Tribunal Internacional da Haia: aquilo a que se assiste hoje, com tanto despovoamento, tanta concentração de população no litoral, é quase um genocídio do povo alentejano. No mínimo, estes movimentos populacionais revelam limpeza étnica. Em último caso um Movimento de Libertação do Alentejo caía mesmo à maneira.

Os Alentejanos, unidos, jamais terão que mexer o traseiro. E se além disso se juntarem com os supra-citados pretos, judeus, homossexuais, estrangeiros, coxos, mulheres, etc..., até podem passar de minoria oprimida a maioria opressora, o que dava muito jeito. Afinal de contas, em Democracia é a maioria que manda (excepto, claro, quando pisa os pés duma Sagrada Minoria).

Viva o Toucinho!
Viva o Alentejo!

sábado, 17 de outubro de 2009

Tocqueville, a Democracia, e a Opressão

Alexis de Tocqueville, aristocrata francês, viveu no século XIX. Visitou e estudou as condições sociais dos Estados Unidos, tendo no seguimento desta viagem escrito aquele que é um dos marcos da literatura liberal e até universal: Da Democracia Na América.

Segue-se um excerto deste livro, que retrata admiravelmente a deriva democrática universalmente observada nos dias que correm. Numa altura em que o estado proibe as pessoas de fumar onde querem; quando as obriga a pôr cinto e capacete na estrada para sua segurança; quando pretende cuidar de todos os seus problemas de saúde, acidente, educação e velhice; quando não hesita em pôr-lhes chips nos seus meios de transporte para melhor controlá-los; quando regula todos os aspectos da sua vida privada e social; numa altura de centralização informática e burocrática; e quando lhes arranca metade do fruto do seu trabalho; a opinião do Tocqueville, velha de um século e meio, parece quase profética. Não houve provavelmente ninguém que tenha explicado em tão poucas palavras o tipo de aviltamento a que chegamos. Tocqueville, um autor a descobrir!

Da Democracia na América; Alexis de Tocqueville; Relógio d'Água Editores

Que Espécie de Despotismo Têm as Nações Democráticas a Recear

Eu notara durante a minha estada nos Estados Unidos que um estado social democrático semelhante ao dos americanos poderia oferecer facilidades singulares ao estabelecimento do despotismo, e vira ao regressar à Europa a que ponto a maior parte dos nossos príncipes se tinham servido já das ideias, dos sentimentos e das necessidades que esse mesmo estado social fazia nascer, em vista de alargarem o círculo do seu poder.

Tal conduziu-me a crer que as nações cristãs acabariam talvez por sofrer uma opressão parecida com a que pesou outrora sobre vários povos da Antiguidade.

Um exame mais detalhado do tema e cinco anos de novas meditações não diminuíram os meus receios, mas mudaram o seu objecto.

Nunca se viu nos séculos passados soberano tão absoluto e tão poderoso que haja empreendido administrar por si mesmo, e sem o auxílio de poderes secundários, todas as partes de um grande império; nenhum houve que haja tentado submeter indistintamente todos os súbditos aos detalhes de uma regra uniforme, nem que tenha descido até junto de cada um deles para o regulamentar e conduzir. A ideia de um empreendimento que tal nunca se apresentara ao espírito humano, e, se acontecesse a um homem concebê-la, a insuficiência das luzes, a imperfeição dos procedimentos administrativos, e sobretudo os obstáculos naturais que suscitava a desigualdade das condições tê-lo-iam em breve detido na execução de um desígnio tão vasto.

Vemos que no tempo do maior poderio dos Césares, os diferentes povos que habitavam o mundo romano tinham conservado ainda costumes e usos diversos: embora submetidas ao mesmo monarca, a maior parte das províncias eram administradas à parte; continham municipalidades poderosas e activas, e embora todo o governo do império estivesse concentrado unicamente nas mãos do imperador, e que este continuasse a ser sempre, em sendo necessário, árbitro de todos as coisas, os detalhes da vida social e da existência individual escapavam ordinariamente ao seu controle.

Os imperadores possuíam, é verdade, um poder imenso e sem contrapeso, que lhes permitia entregarem-se livremente à bizarria das suas inclinações e empregarem para as satisfazer toda a força do Estado; aconteceu-lhes muitas vezes abusarem desse poder para tirarem arbitrariamente os seus bens ou a sua vida a um cidadão: a sua tirania pesava prodigiosamente sobre alguns; mas não se estendia a um grande número; prendia-se a uns quantos grandes objectos principais, e negligenciava o resto; era violenta e restrita.

Afigura-se que, se o despotismo viesse a estabelecer-se entre as nações democráticas dos nossos dias, teria outros caracteres: seria mais extenso e mais brando, e degradaria os homens sem os atormentar.

Não duvido que, nos séculos de luzes e de igualdade como os nossos, os soberanos pudessem reunir mais facilmente todos os poderes públicos nas suas mãos, e penetrar mais habitual e profundamente no círculo dos interesses privados, do que alguma vez puderam fazer os da antiguidade. Mas esta mesma igualdade, que facilita o despotismo, tempera-o; vimos como, à medida que os homens são mais semelhantes e mais iguais, os costumes públicos se tornam mais humanos e mais suaves; quando nenhum cidadão tem um grande poder ou grandes riquezas, faltam de certo modo à tirania ocasião e teatro. Sendo todas as fortunas medíocres, as paixões são naturalmente contidas, a imaginação limitada, os prazeres simples. Esta moderação universal modera o próprio soberano e detém dentro de certos limites o impulso desordenado dos seus desejos.

Independentemente destas razões extraídas da natureza mesma do estado social, poderia eu acrescentar muitas outras que fosse buscar fora do meu tema; mas quero ater-me aos marcos que me fixei.

Os governos democráticos poderão tornar-se violentos e cruéis em certos momentos de grande efervescência e de grandes perigos; mas tais crises serão raras e passageiras.

Quando penso nas pequenas paixões dos homens dos nossos dias, na moleza dos seus costumes, na extensão das suas luzes, na pureza da sua religião, na brandura da sua moral, nos seus hábitos laboriosos e ordenados, na retenção que conservam quase todos eles tanto no vício como na virtude, não receio que encontrem nos seus chefes tiranos, mas antes tutores.

Penso pois que a espécie de opressão da qual estão ameaçados os povos democráticos a nada se assemelhará do que no mundo a precedeu; os nossos contemporâneos não podem descobrir a sua imagem nas suas memórias. Em vão procuro eu mesmo uma expressão que reproduza exactamente a ideia que dela me formo e a contém; as antigas palavras de despotismo e de tirania não são as convenientes. A coisa é nova, terei pois de tentar defini-la, uma vez que não posso nomeá-la.

Quero imaginar sob que traços novos o despotismo se poderia produzir no mundo: vejo uma massa inumerável de homens semelhantes e iguais que giram sem repouso sobre si mesmos para se proporcionarem prazeres pequenos e vulgares, com os quais enchem a alma. Cada um deles, retirado e à parte, é como que estranho ao destino de todos os outros: os seus filhos e os seus amigos particulares formam para ele toda a espécie humana; quanto ao demais dos seus concidadãos, está ao lado deles, mas não os vê; toca-os e não os sente; não existe senão em si mesmo e só para consigo mesmo, e, se lhe resta ainda uma família, pode pelo menos dizer-se que já não tem pátria.

Acima destes eleva-se um poder imenso e tutelar, que se encarrega, só ele, de garantir o seu gozo e de velar sobre a sua sorte. É absoluto, minucioso, regular, previdente e brando. Assemelhar-se-ia ao poder paternal se, como ele, tivesse por propósito preparar os homens para a idade viril; mas não procura, pelo contrário, mais do que fixá-los irrevogavelmente na infância; agrada-lhe que os cidadãos se regozijem contanto que não pensem senão em regojizar-se. Trabalha de bom grado em vista da sua felicidade; mas quer ser o seu único agente e o seu único árbitro; provê à sua segurança, prevê e assegura as suas necessidades, facilita os seus prazeres, conduz as suas principais ocupações, diriga a sua indústria, regula as suas sucessões, divida as suas heranças; porque não poderá tirar-lhes inteiramente a incomodidade de pensar e a fadiga de viver?

É assim que todos os dias torna menos útil e mais raro o emprego do livre arbítrio; que encerra a acção da vontade num espaço mais pequeno, e esquiva pouco a pouco a cada cidadão até ao próprio uso de si mesmo. A igualdade preparou os homens para todas as coisas: dispô-los a sofrê-las e muitas vezes até a olhá-las como um benefício.

Depois de ter assim tomado nas suas poderosas mãos cada indivíduo por sua vez, e de o ter amassado à sua vontade, o soberano estende os seus braços por cima da sociedade inteira; cobre a sua superfície de uma rede de pequenas regras complicadas, minuciosas e uniformes, através das quais os espíritos mais originais e as almas mais vigorosas não podem despontar sobressaindo da massa; não quebra as vontades, mas amolece-as, verga-as e dirige-as; raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede de nascer; não tiraniza, tolhe, comprime, debilita, extingue, atordoa, e reduz enfim cada nação a não ser mais do que um rebanho de animais tímidos e industriosos, cujo pastor é o governo.

Acreditei sempre que esta espécie de servidão, regrada, branda e pacífica, cujo quadro acabo de fazer, poderia combinar-se melhor do que se imagina com algumas das formas exteriores da liberdade, e que não lhe seria impossível estabelecer-se até mesmo ao abrigo da soberania do povo.

Os nossos contemporâneos são incessantemene trabalhados por duas paixões inimigas: sentem a necessidade de serem conduzidos e a vontade de permanecerem livres. Não podendo destruir nem um nem outro destes instintos contrários, esforçam-se por satisfazê-los a ambos. Imaginam um poder único, tutelar, todo-poderoso, mas eleito pelos cidadãos. Combinam a centralização e soberania do povo. O que lhes dá alguma folga. Consolam-se de estar sob tutela, pensando que foram eles mesmo a escolher os seus tutores. Cada indivíduo sofre que o amarrem, porque vê que não é um homem nem uma classe, mas o povo ele mesmo que segura o extremo da corrente.

Neste sistema, os cidadãos saem por um momento da dependência para indicar o seu senhor, e a ela regressam.

Há nos nossos dias muitas pessoas que se acomodam muito facilmente com esta espécie de compromisso entre o despostismo administrativo e a soberania do povo, e que pensam ter garantido o suficiente a liberdade dos indivíduos, quando é ao poder nacional que a entregam. Não é para mim o suficiente. A natureza do senhor importa-me muito menos do que a obediência.

Não negarei contudo que uma constituição semelhante seja infinitamente preferível à que, depois de ter concentrado todos os poderes, os depositaria nas mãos de um homem ou de um corpo irresponsável. De todas as diferentes formas que o despotismo democrático poderia tomar, esta última seria decerto a pior.

Quando o soberano é electivo ou vigiado de perto por uma legislatura realmente electiva e independente, a opressão que faz sofrer aos indivíduos é algumas vezes maior; mas é sempre menos degradante porque cada cidadão, enquanto o tolhem e o reduzem à impotência, pode ainda representar-se que obedecendo não se submete senão a si mesmo, e que é a uma das suas vontades que sacrifica todas as outras.

Compreendo igualmente que, quando o soberano representa a nação e depende dela, as forças e os direitos que se retiram a cada cidadão não servem somente o chefe do Estado, mas aproveitam ao próprio Estado, e que os particulares obtêm algum fruto do sacrifício que fizeram ao público da sua independência.

Criar uma representação nacional num país muito centralizado é pois diminuir o mal que a extrema centralização pode produzir, mas não é destruí-lo.

Vejo bem que, desta maneira, se conserva a intervenção individual nos assuntos mais importantes; mas nem por isso se deixa de suprimi-la nos pequenos e nos particulares. Esquece-se que é sobretudo no detalhe que é perigoso subjugar os homens. Eu inclinar-me-ia, pelo meu lado, a crer a liberdade menos necessária nas grandes coisas do que nas mais pequenas, se pensasse que poderíamos alguma vez estar seguros de uma sem possuirmos a outra.

A sujeição nos assuntos menores manifesta-se todos os dias e faz-se sentir indistintamente a todos os cidadãos. Não os desespera; mas contraria-os sem parar e leva-os a renunciar ao uso da sua vontade. Extingue pouco a pouco o seu espírito e extenua a sua alma, enquanto a obediência, que não é devida senão num pequeno número de circunstâncias muito graves, mas muito raras, não mostra a servidão a não ser de longe em longe e não a faz pesar senão sobre certos homens. Em vão encarregareis esses mesmos cidadãos, que tornastes tão dependentes do poder central, de escolherem de quando em vez os representantes desse poder; este uso tão importante, mas tão curto e tão raro, do seu livre arbítrio, não impedirá que percam pouco a pouco a faculdade de pensar, de sentir e de agir por si mesmos, e que caiam assim gradualmente abaixo do nível da humanidade.

Acrescento que em breve se tornarão incapazes de exercer o grande e único privilégio que lhes resta. Os povos democráticos que introduziam a liberdade na esfera política, ao mesmo tempo que aumentavam o despotismo na esfera administrativa, foram conduzidos a singularidades bem estranhas. Quando é necessário de tratar de assuntos menores relativamente aos quais o simples bom senso pode ser suficiente, considera-se que os cidadãos são incapazes de tanto; quando se trata do governo de todo o Estado, confiam a esses mesmos cidadãos prerrogativas imensas; fazem deles alternadamente joguetes do soberano e seus senhores, mais do que reis e menos do que homens. Depois de terem esgotado todos os diferentes sistemas de eleição, sem achar um que lhes convenha, assombram-se e continuam a procurar; como se o mal que observam não dependesse da constituição do país muito mais do que a do corpo eleitoral.

É, com efeito, difícil conceber como poderiam homens que renunciaram inteiramente ao hábito de se dirigirem a si mesmos ser bem-sucedidos quando se trata da boa escolha dos que devem conduzi-los; e não se nos fará crer que um governo liberal, enérgico e sábio, possa alguma vez sair dos sufrágios de um povo de servidores.

Um constituição que fosse republicana na cabeça, e ultramonárquica em todas as outras partes, pareceu-me sempre um monstro efémero. Os vícios dos governantes e a imbecilidade dos governados não tardariam a acarretar a sua ruína; e o povo, fatigado dos seus representantes e de si mesmo, criaria instituições mais livres, ou voltaria em breve a deitar-se aos pés de um único senhor.



Creio que é mais fácil do que em outro estabelecer um governo absoluto e despótico num povo em que as condições sejam iguais, e penso que, se um governo semelhante fosse alguma vez estabelecido entre semelhante povo, não só oprimiria os homens, como também a longo prazo arrebataria a cada um deles vários dos principais atributos da humanidade.

O despotismo parece-me pois particularmente de temer nas idades democráticas.

Penso que teria amado a liberdade em todos os tempos; mas sinto-me inclinado a adorá-la nos tempos em que estamos.

domingo, 11 de outubro de 2009

I See Dead Cops


Nota do Editor: este post apareceu primeiro no Insurgente.

Pelo Filipe Abrantes

Um dos tabus mantidos pela maioria dos liberais é a questão das forças policiais. Não se trata de um tabu propositado, mas penso que muitos dos adeptos do liberalismo têm reticência em abordar o tema essencialmente porque: 1. têm medo de eventuais represálias, ou 2. por motivos intelectuais ou culturais. Os motivos culturais são simplesmente a moral vigente que diz que a autoridade da polícia não se questiona, obedece-se e segue-se adiante. Os motivos intelectuais equivalem ao conservadorismo natural que faz ao liberal preferir a tese do estado mínimo à elaboração intelectual de uma sociedade onde não haveria um monopólio da força.

A defesa de corpos policiais do estado só pode ser justificada por argumentos consequencialistas e utilitários tais como a maximização da paz e da tranquilidade da vida social. Dando de barato que isso acontece (isto é, que com a polícia estatal há menos crimes e menos injustiças em geral do que haveriam caso a segurança fosse exclusivamente privada), embora não seja nada certo, mais importante do que a questão utilitária é a questão dos princípios. Um liberal deve defender posições de princípio. A justiça só existe quando os direitos pessoais estão preservados. A propriedade privada, como elemento chave dos direitos pessoais, é sistematicamente violada com a presença dos corpos policiais. Nela estes fazem a ordem, actuam com a maior das impunidades (na prática é isso que acontece, e raros são os casos de polícias condenados por abusos), não aceitam retaliações pacíficas (como impropérios – naturais, vindos de quem está a ser abusado) e fazem inúmeras vezes de polícia e juiz ao mesmo tempo. As ruas das cidades são territórios ocupados por estruturas policiais, que actuam sob a legitimidade auto-proclamada da respectiva estrutura político-administrativa (câmaras ou governos). Sob o ponto de vista liberal, não há nada que justifique a prevalência da autoridade política sobre a autoridade dos proprietários. A polícia, enquanto aparelho exclusivamente vocacionado para a força, é assim um instrumento, uma arma ao serviço de um organismo que a comanda. Sendo que a propriedade privada é inviolável, o proprietário é livre e está no seu direito de rechaçar os invasores e abusadores da sua propriedade.

Os polícias cometem actos imorais e não merecem o respeito que habitualmente as pessoas na sua ingenuidade lhes têm. Indo ao fim do meu raciocínio, a polícia efectua mini-actos de guerra sempre que interage com pessoas: isso acontece porque estas sabem que não podem ripostar como quiserem, que ao menor “atrevimento” ou “passar das marcas” arriscam um acto de força por parte do agente em causa.

Longe de mim querer resumir a questão nestas linhas. Pretendi abordar o tema, que raramente vi aparecer n’O Insurgente porque acho que é importante. O estado – no caso, a democracia – fundamenta a sua acção na certeza de ter o apoio da polícia caso o cidadão retalie (por isso mesmo, tem o máximo cuidado de não a ofuscar). É por isso, a meu ver, importante que se comece a “atacar” (sem mal entendidos…) onde é preciso. Quem é contra o estado, tem de lhe cortar os braços.

É errado acusar os políticos de roubarem ou de oprimirem os seus cidadãos. Claro que todos nós, de vez em quando, insultamos os nossos amigos políticos e lhes chamamos uns nomes (ninguém gosta de pagar a chulos). Mas, em rigor, e tirando a imoralidade da coisa, os políticos não fazem mais senão comanditar actos de roubo, extorsão ou de violência pura sobre os cidadãos. A responsabilidade dos crimes em causa reside nos executantes desses crimes. Um acto moral, para sê-lo, deve ser livre. O mesmo aplica-se a um acto imoral. Os executantes dos crimes são livres de os praticarem, como são livres de não os praticarem. Ninguém aponta uma pistola à cabeça de um jovem que se insere numa escola militar ou de polícia.

Se um indivíduo decide não pagar ao fisco, este último age em consequência e decide aplicar a força (roubando-lhe bens ou colocando-o numa cadeia uma série de anos). O indivíduo encarregue de executar o acto de força é livre, nessa altura, de se demitir. Caso não o faça, tem de ter consciência de que estará a cometer uma grave imoralidade e a sujeitar-se à devida resposta.

A demonstração de que assim é: quanto maior é a imoralidade do estado (ou quanto maior for a cultura de resistência de um povo face à imoralidade da sua estrutura política), menor é a capacidade de angariação de pessoal por parte das estruturas militares ou policiais pois sabem que a probabilidade de sofrerem consequências é grande.

A legitimidade da polícia é igual à legitimidade que teria uma polícia mundial de um governo chefiado por uma coligação de chineses, russos ou indianos. A maioria relativa da população mundial apoiaria esse governo, logo aceitaria a legitimidade da polícia, mas a maioria absoluta da população mundial sentir-se-ia oprimida.

Não há, assim, qualquer direito de a polícia actuar sobre um dado território (a não ser, admito, em micro-escala – e mesmo assim tendo 100% do apoio expresso dos cidadãos em causa). A sua legitimidade é portanto nenhuma.

Copyright Filipe Abrantes

Não Vote!

Neste dia de eleições para as máfias locais, uma das melhores coisas que se pode fazer é não ir votar. Há muitas razões para tal. Uma daquelas que deveria fazer vibrar os liberais é muito simples: os políticos querem que as pessoas votem! Se eles, nossos soberanos, parasitas e inimigos, querem que nós votemos, e se ainda por cima nos dão a possibilidade de não votar (por enquanto...), não há nada melhor, mais gostoso, do que desagradar-lhes. É estranho, no mínimo, da parte daqueles que pretendem desconfiar do sistema, fazer a vontade àqueles que o compõem! Podemos suspeitar, no mínimo, se eles pedem com tanta insistência às pessoas para votar, que tal acto lhes agrade. Ora, se agrada aos políticos, e tendo em conta que o seu bem-estar, que o seu rendimento, e que o seu poder se faz à conta da liberdade das pessoas, é provavelmente má ideia fazer-lhes a vontade.

Os políticos assustam-se muito com a abstenção (ao ponto de preferirem frequentemente que se vote nos seus adversários, em vez de se ficar em casa!), porque sentem que é um sintoma da descrença no regime, no seu todo. Ora é precisamente esta atitude de descrença perante o regime democrático que os liberais devem exibir, se querem ser consequentes quanto ao seu respeito pela liberdade. Tem que se abandonar a ideia de que liberdade e democracia são sinónimas. Tem que se abandonar a ideia de que uma política é justa e aceitável, e merece submissão da parte das pessoas, só por ter sido aprovada por um processo democrático.

Fique em casa, vá passear com a família, vá à missa, e à noite assista com ironia ao espectáculo democrático, na TV (como observador, não como palhaço participante).

Se pensa que não votar vai ter más consequências, tranquilize-se. Quer vote ou não, tem pouquíssima influência, e vai acabar na mesma por ter outros a escolher por si!

Hoje não vote, e faça um político infeliz! (Será preciso melhor argumento do que este?!)

Viva a Liberdade!

Dedicatória

Quero exprimir o meu reconhecimento aos autores que formaram o meu pensamento, e recomendá-los aos leitores deste blog: Ludwig von Mises, Gary North, Pierre Lemieux, Pierre Desrochers, Lysander Spooner, William Wooldridge, Henry Lepage, Milton Friedman, David Friedman, Lew Rockwell, Leão Tolstoy, Alain Soral, Girolamo Casanova, Pierre Daco, Frédéric Bastiat, Fred Reed, Pat Buchanan, Justin Raimondo, William Lind, Charley Reese, Bertrand de Jouvenel, Friedrich von Hayek, George Reisman, Ralph Raico, Harry Barnes, Henry Hazlitt, Hans-Hermann Hoppe, Vladimir Bukovsky, Pedro Arroja, James Altucher e Erik von Kuehnelt-Leddihn.

Os meu agradecimentos especiais ao meu pai, que me abriu desde cedo os olhos quanto à natureza porca e imoral do estado, e ao professor Walter Block, que me pontapeou para o mundo do liberalismo.

Possa eu segurar e transmitir com dignidade a chama que todos me deram.

Dedico o modesto trabalho que for feito neste espaco ao maior liberal e anarquista de todos os tempos: Murray Rothbard.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

A Palhaçada do Nóbel: Obambi ganhou!

Foi hoje dado o prémio Nóbel da paz ao imperador Obama. Isto é uma anedota. 

O canalha do Obama ao longo da sua vida e ao longo do seu mandato, foi sempre um militarista, como qualquer "bom" político americano que se preze. Vejamos:

1. Enquanto senador (democrata) votou os orçamentos das guerras do Bush II, durante os dois anos em que os democratas tiveram a maioria no Congresso. Ou seja, gosta tanto de guerra que vota as guerras da oposição (o Bush era da facção republicano, relembre-se)!

2. Ao longo da campanha disse que ia aumentar o número de tropas no Afeganistão, e deixar uma simples força residual no Iraque. Não retirou as tropas do Iraque, mas aumentou o número de assassinos (oups, soldados, queria eu dizer...) no Afeganistão.

3. Além de estar em guerra no Iraque, no Afeganistão, o império americano todos os dias manda drones (aviões sem tripulantes) atacar o Paquistão (atacar um país com armas nucleares é muito pacífico e sensato, segundo os patetas dos suecos, pelo que parece. Já houve ataques deste tipo na Somália desde que começou a "nova era" Obama, e recentemente houve neste país um ataque com soldados de infantaria, no terreno (escalada esta da guerra que o Bush II não tinha tido a imbecilidade de fazer).

4. Washington tem tropas na maioria dos países do mundo. Nenhum outro governo mundial, quer seja a China, a Rússia, a Índia, o Brasil ou outro qualquer têm tantas tropas e tantas bases militares no mundo. O orçamento militar dos EUA é superior a todos os orçamentos militares dos restantes países do mundo combinados.

5. Os yankees andam a ameaçar o Irão, e a preparar uma guerra contra eles. Financiam actividades destabilisadoras dentro deste país. Tem havido civis mortos por causa destes grupos directamente ou indirectamente financiados pelo ameros.

6. A CIA, o departamento dos negócios/malabarismo estrangeiros americano, e outros organismos ainda sob o controlo do Gandhibama, compram governos, fomentam revoluções e golpes de estado, promovem determinadas facções em conflitos civis, raptam pessoas, e torturam-nas ou mandam-nas para países vassalos como o Egipto onde são torturados.

7. O orçamento dos militares aumentou sob o Obama.

8. Um dos maiores mamões dos fundos militares americanos é Israël, que utiliza este dinheiro para colonizar a Palestina e impôr-lhe uma opressão militar.

Mas como o Dark Prince of Peace (ok, ok, é só uma piada...) dá ao mundo a tchatcha do multilateralismo, da cooperação, do "somos todos irmãos e temos que nos unir para resolver os problemas do mundo", já lhe perdoam facilmente que ele continue as porcarias imorais do Bush, e que invente outras ainda. Têm o descaramento de dar o prémio Nóbel a um homem que não só não o merece, como é de longe a última pessoa no mundo a merecê-lo. Qualquer homem que chegue ao cúmulo do poder americano, e que lá permaneça, só pode ser, tendo em conta a extensão gigantesca do império americano, um organizador de matanças. O Boom-bama não é simplesmente um militarista; é actualmente o mais perigoso que há no mercado. Que tragi-comédia vê-lo a ganhar o Nóbel!

A única desculpa que os suecos têm, depois disto tudo, são as suas mulheres. Loiraças daquelas dão volta a qualquer cabeça.