domingo, 25 de outubro de 2009

CDS-PP: Os Anti-Liberais

Anda por aí muito pateta simplório a dizer que o CDS-PP é um partido liberal. Isto é tão absurdo, que só poderá ser mantido por gente inculta. Como é possível que haja algum especímen destes a ler este texto, é bom que se desminta rapidamente a ideia.

Antes de mais, o liberalismo. O liberalismo é a ideologia que acredita que cada um é dono do seu corpo e da sua propriedade. Cada um pode fazer aquilo que lhe der na gana, mesmo que isto desagrade a alguns, desde que não viole a liberdade dos outros (ou seja, a sua integridade física e a sua propriedade), e desde que respeite os seus contratos livremente assumidos. Além disso, como estado viola de forma sistemática a liberdade e a propriedade dos outros (impostos, burocracias, proibições, monopólios, obrigações, etc...), não gostam dele. Isto é que é liberalismo.

Para mostrar de forma completa que o CDS-PP é anti-liberal, seria preciso ver o seu programa todo ponto a ponto, e as obras dos seus partidários, quando estão no governo e no poder. Seria fastidioso. Por isso, veja-se simplesmente os pontos principais, ou pelo menos mais badalados, do programa do partido. Tendo em conta as recentes eleições, deu para ouvir as ideias do chefe deste partido, o Paulo Portas.

1. O CDS-PP defende os agricultores. Defende-os, isto é, chorando por que caiam subsídios do estado e de Bruxelas no bolso destes. Isto é totalmente anti-liberal: os subsídios implicam impostos, e os impostos são uma extorsão, uma violação do direito de propriedade das pessoas. Numa sociedade liberal, os agricultores não viveriam em funcionários públicos, da mama, mas vendendo o seu produto aos intermediários e aos consumidores.

2. O Paulo Portas está sempre aos beijinhos às velhotas, e promete-lhes, "depois de uma vida de trabalho", umas reformas dignas. O problema disto, é que as tais reformas dignas têm que sair do bolso dos que trabalham. Mais extorsão, mais anti-liberalismo. Numa sociedade liberal, os velhos seriam assumidos pelas suas poupanças (voluntárias, ao contrário do que sucede presentemente), pelos negócios que tivessem criado ao longo da vida, pelos filhos e outros descendentes, e pela caridade. Mas não poderiam viver em parasitas sobre os mais jovens.

3. O Paulo Portas baba-se todo de respeito e admiração sempre que fala da bófia, das "Forças da Ordem", dos "Agentes da Autoridade". Está sempre a defender mais meios e mais homens para a polícia (ou seja, mais imposto/extorsão para contratar parasitas). Defende o enfraquecimento das garantias processuais dos condenados (por exemplo prisão preventiva facilitada), o que implica frequentemente a violação da liberdade de inocentes, obrigados a passarem meses e meses na prisão até serem julgados. Se o Portas, e se o CDS-PP fossem liberais, percebiam que os "agentes da autoridade" são simplesmente o braço armado do estado, e que a sua função principal é extorquir, controlar e dominar a população; não é protegê-la. A sua missão é servir os políticos, e todos os chupistas que gravitam à volta destes para comer umas migalhas da fartança. Numa sociedade livre, as pessoas poderiam armar-se e defender-se livremente contra criminosos. Por outro lado, não poderiam forçar os outros, por intermédio do estado, a assumir a sua segurança.

4. O Portas é um militarista. Defendeu as intervenções no Iraque, no Afeganistão e em Timor, quando era ministro da Defesa/Guerra/Agressão. Os liberais são pacíficos (mas não necessariamente pacifistas). Não invadem países estrangeiros. A política estrangeira e militar do liberal é totalmente defensiva, e neutra relativamente a conflitos que não envolvam o país (a política dos Suiços, grosso modo: neutralidade e não-agressão). Se Portugal tivesse uma política de defesa liberal, não estava na NATO. Mais radicalmente ainda, o liberal defende que o estado não deve ter militares ao seu serviço. A população é que pode, se quiser, armar-se, organisar-se e defender-se. A defesa, numa sociedade livre, é exercida por milícias, mercenários e guerrilheiros. Como é óbvio, o Portas não é neste ponto um liberal.

5. O Portas defende a manutenção do Rendimento Mínimo Garantido (RMG), e do estado-social em geral. Quanto ao RMG, afirmou claramente na última campanha que não o quer suprimir. Simplesmente quer acabar com os "abusos". Ou seja, quer retocá-lo, mas não destruí-lo. O barulho que houve à volta destas questão, durante a campanha, com numerosas interpelações populares ao Portas, foi simplesmente fogo de vista. Para o verdadeiro liberal, o RMG, e todo o estado-social em geral (escolas públicas e obrigatórias, reformas compulsivas, hospitais do estado, subsídios de desemprego, etc...), são um abuso em si. O seu financiamento é compulsivo, logo anti-liberal. Estas tarefas, na sociedade livre, seriam assumidas pela poupança, pelo mercado, pelos seguros, e pela solidariedade (a verdadeira caridade, voluntária).

6. O Paulo Portas ofende-se muito, sempre que qualquer puto reguila, numa escola do país, se rebela contra um professor. O liberal, pelo contrário, percebe que o ensino obrigatório é ilegítimo. É simplesmente um serviço de endoutrinação compulsivo. Como tal, as escolas são aparentadas a prisões de dia, e os professores (do ensino obrigatório) são guardas prisionais. É por isso perfeitamente legítimo os putos rebelarem-se contra este sistema parasita.

Vê-se, simplesmente por estas questões, que o CDS-PP e o seu chefe não têm nada de liberal, ou de radical. Aliás, não se podia esperar nada mais dum partido cujo nome é Centro Democrático Social-Partido Popular.