sábado, 24 de outubro de 2009

Quem Defende Os Alentejanos?!

Os Alentejanos têm que se unir, e revoltar-se. É difícil, é verdade. Depois de se ter comido uma açorda só apetece dormir uma sesta. Mas é imperioso.

Os Alentejanos, na verdade, são das piores vítimas do Sistema e da Sociedade. Pense-se bem: são gordos e têm muito colesterol, não têm trabalho, são pobres e os seus jovens têm que se exilar para viverem uma vida decente, as suas mulheres são pequenas e gritam muito, e vivem numa região classificada como semi-desértica pelo Programa Alimentar das Nações Unidas. Além disso, desde que há memória que vivem sob a chapa dum feudalismo latifundiário e capitalista do pior.

Mas pior do que tudo é que ninguém os respeita. São piadas aqui, piadas acolá. Isto é uma grave discriminação; é algo que não pode ser tolerado numa sociedade tolerante. É anti-democrático. É fascista, e não só. Também é fachista com "ch". Isto é anti-alentejanismo primário. Uma situação vergonhosa que um país a caminho da modernidade não pode aceitar, e da qual se deve envergonhar. Cada português tem que olhar para dentro de si, e tomar consciência do mal que a sua insensibilidade provoca nesta minoria oprimida.

Os Alentejanos têm que se unir. Urge a criação duma Liga de Defesa do Alentejano (LDA). Se possível esta associação terá que ter uns cartazes que arranquem lágrimas aos mais insensíveis; por exemplo uma aldeia semi-desértica povoada de velhotes que jogam à bisca todo o dia e que ganham uma reforma de miséria. Esta associação terá que ter um slogan apelativo: "A preguiça não é crime/ Sócrates, dá-me o meu subsídio". A LDA terá que tentar imediatamente registar-se perante o Ministério das Minorias Oprimidas (deve com certeza existir um ministério assim, num país progressista como o nosso, que rejeitou completamente o seu passado mais sombrio). Só quando os Alentejanos virem oficialmente reconhecido o seu estatuto de Vítimas Credenciadas da Sociedade (VCS) poderão as coisas evoluir. Se os pretos, os judeus, os maricas, os paralíticos, os coxos, os pernetas, os manetas, os proletários, as mulheres, os muçulmanos, os pequenos agricultores, os arrendatários, os endividados, os pequenos comerciantes, os pobres, os estrangeiros, os gordos, os feios e os desdentados são reconhecidos como VCS, os Alentejanos também podem! Não são menos do que os outros. Em Democracia somos todos iguais. Se não existir Ministério das Minorias Oprimidas, pelo menos tente-se obter o estatuto de Espécie Protegida junto do Ministério da Agricultura. Agora que o Paulo Portas tem mais influência na Assembleia, o Ministro da Agricultura vai perder da sua soberba e arrogância.

Obter um estatuto destes dava muito jeito. Já não podiam gozar com os Alentejanos nos meios de comunicação social. Quem o fizesse era visto como um monstro, um nazi, e perdia logo o trabalho. Os seus amigos do show-biz deixavam de lhe falar. Já não se podia negar a história de sofrimento dos Alentejanos. Quem o fizesse ia preso por Negação de Crime Contra a Humanidade. Dava para sacar uns subsídios ao governo para a LDA, no âmbito do seu plano de combate ao anti-alentejanismo. E finalmente, qualquer português que recusasse tratar com um Alentejano, qualquer patrão que recusasse contratá-lo, qualquer comerciante que o impedisse de entrar no seu negócio era imediatamente atacado em justiça por discriminação etno-geográfico-anti-alentejana primária e básica.

Se mesmo assim a coisa não der, leve-se o caso para Bruxelas. Ou melhor ainda, para o Tribunal Internacional da Haia: aquilo a que se assiste hoje, com tanto despovoamento, tanta concentração de população no litoral, é quase um genocídio do povo alentejano. No mínimo, estes movimentos populacionais revelam limpeza étnica. Em último caso um Movimento de Libertação do Alentejo caía mesmo à maneira.

Os Alentejanos, unidos, jamais terão que mexer o traseiro. E se além disso se juntarem com os supra-citados pretos, judeus, homossexuais, estrangeiros, coxos, mulheres, etc..., até podem passar de minoria oprimida a maioria opressora, o que dava muito jeito. Afinal de contas, em Democracia é a maioria que manda (excepto, claro, quando pisa os pés duma Sagrada Minoria).

Viva o Toucinho!
Viva o Alentejo!