domingo, 8 de novembro de 2009

A Indispensável América?

O autor Jeff Huber, num excelente texto publicado no Antiwar.com, põe em questão a utilidade da intervenção americana nos conflitos europeus do século passado (e relembra que não se combate terrorismo com militarismo).

Tradução própria:

"A Primeira Guerra Mundial foi a expressão última daquilo de que os fundadores [da América] tentaram escapar: o descontrolo violento dos empurrões da balança de poderes. As grandes nações europeias - democracias contra monarquias - ter-se iam sangrado até à exaustão se não tivéssemos intervido. A nossa interferência meramente levou a um interminável armistício que deu vida ao monstro Hitler, e a outra Guerra Mundial, e a meio século de Guerra Fria após isso.

A Primeira Guerra Mundial foi vendida ao público americano como a "guerra para acabar com todas as guerras". Hemm. Guerras não acabam com guerras; elas criam as condições para a próxima guerra. Não vamos terminar com o islamo-hooliganismo rebentando em estilhaços a metade ocidental da Ásia, e partes de África. Vamos simplesmente criar mais islamo-hooligans."

Só faltou acrescentar que os tentáculos do império americano, frutos destas guerras e espalhados por todo o mundo, serão provavelmente um dos factores a provocar uma grande guerra regional ou mundial nos próximos tempos. A próxima faísca que fará descambar o status quo poderá, por exemplo, acontecer pelos lados do Irão, da Coreia ou da Rússia. As apostas estão lançadas. E tendo em conta o declínio do império, a sua situação económica e a preponderância nos corredores do poder do seu lóbi militarista, não seria de admirar que em breve se assista a algum golpe ousado, e a uma "Grande Apoteose" final, após a qual o império terá que ganhar alguma humildade. É difícil manter o controlo sobre territórios distantes da base (os EUA), principalmente quando este controlo depende do financiamento daqueles que de uma forma ou de outra se tenta controlar.

Visto que infelizmente Portugal faz parte da NATO, esperem-se a ser levados, pelo jogo das alianças e dos pactos, para o meio do espectáculo e da confusão.

Leituras complementares:
Was The "Good War" Unnecessary?