sábado, 21 de novembro de 2009

Produtores E Parasitas

Pelo Rui Botelho Rodrigues, 18 de Novembro 2009, no Minarquista

Eis um facto preocupante: perderam-se cento e setenta e oito mil empregos em apenas um ano. O Diário Económico atribui a tragédia à crise, embora a crise apenas tenha posto em evidência a insustentabilidade de muitos empreendimentos económicos no país, não necessariamente criado essa insustentabilidade. Convém então inquirir as causas e naturalmente, procurar soluções. Ora, as causas não são difíceis de encontrar: com impostos titânicos, massivas regulações, leis laborais estupidamente rígidas, salários altos para a baixa qualificação e uma dívida pública sufocante, Portugal não é de todo um país atractivo para investir ou acumular capital. As soluções que os sucessivos governos apresentaram resumem-se numa palavra: subsidiação - que naturalmente não resolve nenhum problema de fundo e muito provavelmente agrava a situação por encorajar o desperdício de recursos. As «novas oportunidades» de José Sócrates - mesmo se concedermos a presunção de humanitárias intenções - foram e são uma inominável fantasia, que custa imenso dinheiro e que, à parte os benefícios pontuais que traz aos envolvidos (de um lado e do outro), não contribui em nada para resolver os problemas de fundo. A resolução desses problemas passa unicamente pela redução dos gastos e da intervenção do Estado na actividade económica.

Paradoxalmente, a criação de emprego em Portugal - emprego produtivo e sustentável - depende do fim definitivo de milhões de empregos. Mas são empregos de uma categoria particular e à parte, radicalmente oposta aos empregos que se perderam no último ano: os funcionários públicos, nas várias camadas da hierarquia. Convém não esquecer que estes empregos são sustentados pelo país que produz e que paga impostos, e acabar com eles significa cortar massivamente na despesa pública e, naturalmente, na tributação dos cidadãos produtivos. Mas o fim destes empregos significa igualmente o fim das agências, departamentos, secretarias de estado e ministérios que empregavam essas pessoas, nomeadamente as agências, departamentos, secretarias de estado e ministérios cujas funções consistem na intervenção, regulação e estrangulamento da economia portuguesa, muito para além dos impostos que consomem. Não há uma saída fácil para o problema, e é certo que o processo vai envolver muita indignação e muita dor imediata. Mas ainda assim a transição é indispensável. Caso contrário, o país produtivo (o que paga os impostos) vai continuar a mirrar e o país improdutivo (o que recebe os impostos) vai continuar a crescer. A insustentabilidade da coisa é óbvia. Só é necessária coragem política para reverter a situação. Infelizmente, coragem não é uma qualidade abundante na classe política portuguesa.

Copyright Rui Botelho Rodrigues