domingo, 20 de dezembro de 2009

Agrediram Um Parasita!


Copyright Filipe Abrantes, 14 de Dezembro 2009, no Insurgente

Os liberais antigos perceberam muito bem a importância de os políticos em geral, e os governantes sobretudo, temerem o povo. Porquê? Simples: quem detém o poder tem de sentir que não é omnipotente, que tem de prestar contas ao povo, que exerce uma influência directa e coerciva sobre os seus governados e que por isso mesmo tem de respeitá-los. Ora, se isso se aplicava há 200 ou 300 anos, em épocas onde o poder político sobre a sociedade era infinitamente menor do que nos dias de hoje, também se aplicará hoje. O poder, por ser democrático, não tem mais legitimidade do que o poder anti-democrático – a democracia é a ditadura da maioria. O parasitismo inerente à actividade dos governantes é por isso altamente censurável e não é de espantar que haja cidadãos que se excedam no civismo e lhes queiram insultar ou agredir. Na verdade, e se formos práticos, não há outra forma de intimidar a acção dos governantes a não ser a força. A prova disso mesmo é que estes fazem de tudo para não afrontarem quem detém a força (militares e polícia). Nesse sentido, por exemplo em épocas de restrições financeiras, os militares e polícias são dos últimos a serem atingidos nos seus privilégios. Em contexto europeu, com uma população desarmada pelas restrições ao porte de arma, é normal que os políticos tenham avançado com tudo quanto é medidas violadoras das liberdades individuais nas últimas décadas. Sabem que quanto muito o que arriscam é serem substituídos por outros parceiros parasitas da democracia, e no máximo serem atingidos por objectos no meio de exibições públicas.

Pois partiram a boca ao Berlusconi? Nada que me tire o sono. Mais me choca quando fecham pela força uma padaria a pessoas humildes só por não se submeterem às directivas da UE, ou quando arrestam os bens de quem se recusa a pagar os seus impostos. Isso sim, deveria de chocar esquerda e direita que agora apelam à decência pública. Políticos que pactuam com a violência constante e sistemática sobre os seus cidadãos, e que lhes vão ao bolso para sustento do sistema social-democrata, sabem que se arriscam a revoltas. Neste caso a revolta foi do mais inconsequente que se possa imaginar, e ironicamente até poderá beneficiar a popularidade de Berlusconi junto dos italianos. Não nos alarmemos.

O conselho que se pode no entanto deixar aos nossos queridos governantes é: não semeiem ventos se não querem tempestades. Um político, se quer ser ético e ter o respeito dos seus cidadãos, deve defender coerentemente e com firmeza a Liberdade.