domingo, 20 de dezembro de 2009

Lysander Spooner E O Estado


Lysander Spooner, No Treason, No. VI, The Constitution of No Authority.

"O facto é que o governo, como um salteador, diz a um homem: “O teu dinheiro, ou a tua vida.”. E muitos, senão a maioria dos impostos são pagos sob a compulsão desta ameaça. O governo, é verdade, não intercepta um homem num lugar solitário, pulando sobre ele da berma da estrada para, segurando uma pistola à sua cabeça, proceder ao saque dos seus bolsos. Mas o assalto não deixa de ser um assalto por esta razão; e é muito mais cobarde e vergonhoso. O salteador acarreta somente sobre si próprio a responsabilidade, o perigo e a criminalidade do seu acto. Ele não pretende ter qualquer título legítimo ao seu dinheiro, nem pretende ter como intenção usá-lo para seu próprio bem. Ele não pretende ser outra coisa senão um ladrão. Ele não adquiriu tanta insolência que professe ser simplesmente um “protector”, que pega dinheiro às pessoas contra a sua vontade simplesmente para “proteger” estes viajantes enfatuados, que se sentem perfeitamente capazes de se proteger eles próprios, ou que não apreciam o seu peculiar sistema de protecção. É um homem sensato de mais para fazer declarações destas. Além do mais, tendo-lhe roubado o dinheiro, ele deixa-o, como quer que ele o faça. Ele não persiste em segui-lo na estrada, contra a sua vontade, assumindo ser seu legítimo “soberano”, pelo título da “protecção” que lhe concede. Ele não continua a “protegê-lo”, comandando que lhe faça uma vénia e que o sirva; requerendo-lhe fazer isto, e proibindo-lhe fazer aquilo; roubando-lhe mais dinheiro sempre que ache isso do seu interesse ou do seu agrado; e estigmatizando-o como rebelde, traitdor, e inimigo do seu país, e abatendo-o sem mercê, se disputar a sua autoridade, ou resistir aos seus pedidos. Ele é cavalheiro de mais para se tornar culpado de tais imposturas, insultos, e vilanias. Em resumo, ele não tenta, além de roubá-lo, de fazer de si o seu palerma ou o seu escravo."