quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Velhos E Parasitas


Assim até parecem fofos. Mas cuidado com eles...


Existe em Portugal um respeito excessivo pelos velhos. No entanto, eles fazem parte, com poucas excepções, da classe parasita do país. Não só vivem actualmente à custa dos mais novos, como promoveram ao longo da sua vida um sem-fim de injustiças. Para perceber isso, é preciso observar qual foi a vida da geração que tem agora mais de 50 anos, e julgá-la à luz dos princípios da liberdade e da simples decência.

Para começar, os velhos de hoje participaram nas javardices do regime anterior. Não é preciso ser nenhum esquerdista tótó e progressista para compreender que o Salazar e os seus colaboradores não eram pessoas decentes – basta ter um pouco de respeito pelo valor da liberdade. Um regime que torturava, que praticava execuções extra-judiciais e que violava de forma constante a liberdade de expressão ou de associação não merece grande respeito. Sobretudo, o regime anterior sujou-se tremendamente na guerra com as colónias. Houve nesta guerra muito pouco cavalheirismo, sentido de honra, ou outras qualidades deste género das quais os militares muito falam, mas que pouco praticam. Não se tratou duma guerra minimamente controlada, como as que existiam outrora, envolvendo dois exércitos num campo de batalha, tentando-se minimizar os danos “colaterais”. Pelo contrário, foi uma guerra total. Tortura, matanças de civis por simples suspeitas de pertencerem à guerrilha, represálias indiscriminadas contra povoações inteiras, crianças e mulheres mortas ou violadas, aldeias incendiadas pela tropa ou bombardeadas cegamente pela aviação, decapitações, mutilações, destruição de campos, tudo foi feito pelo regime para manter o domínio sobre os pretos. Contudo, por estranho que possa parecer a alguns tótós imperialistas e militaristas, os pretos não quiseram aceitar a “benevolência” dos brancos. A tropa só ocasionalmente serviu um objectivo legítimo: proteger os brancos e suas fazendas contra ataques racistas. Mas a maior parte do tempo teve pelo contrário como função impôr a soberania do estado português sobre regiões insubmissas, ou seja, submeter os pretos aos brancos.

Os nossos queridos velhotes são na verdade, muitos deles, uns vergonhosos assassinos e carnificeiros. Foram eles que puseram em prática a política colonial. Ainda por cima, como que para recompensá-los pelo seu lindo trabalho continuamos a pagar-lhes as suas pensões de veteranos de guerra. E não se lhes desculpe a obra suja por causa do serviço militar obrigatório. Se eles tinham coragem para se meterem num barco, viajar milhares de quilómetros, e ir arriscar a vida e os membros no mato, também podiam ter tido a coragem de matar os agentes da polícia militar que os vinham prender em caso de resistência ao serviço militar. Sem contar que também tinham a saída relativamente fácil de pular a fronteira e ir viver para França, como tantos o fizeram. Os que lutaram fizeram-no em grande parte porque quiseram. Apoiavam o regime e a sua política com as colónias.

À palhaçada salazarenta sucedeu a palhaçada abrilista. Fartos de morrerem inutilmente em Àfrica, insatisfeitos com as suas condições salariais, e aproveitando-se da perca de legitimidade do regime tinha junto da população, os militares decidiram fazer greve. A este golpe de estado chamaram-lhe de Revolução. Imbuídas da ideia tonta que um patrão é por natureza um opressor, e de que o capitalismo é o papão a abater, as forças do novo regime começaram por intervencionar, nacionalizar, ocupar, expropriar, roubar (como quiserem chamar-lhe), centenas e centenas de empresas e de terras. O resultado disso tudo foi que muitos “trabalhadores oprimidos” acabaram por se tornar “capitalistas opressores” de outros trabalhadores, instalados em bens alheios. Talvez se tenha que interpretar isso como uma demonstração de sentida reconversão às virtudes do mercado livre por parte dos sindicalistas e comunistas de outrora. As forças revolucionárias, além disso, “distinguiram-se” pela prática de inúmeras detenções arbitrárias, extra-judiciais, recorrendo nomeadamente a mandados de detenção assinados em branco. Mais uma vez, a geração fantástica que hoje caminha para o cemitério mostrou o que valia.

De toda esta confusão surgiu um arrufozinho entre adeptos da ditadura do proletariado e amigos do sufoco social-democrata, que se resolveu, felizmente, sem guerra civil. Os mencheviques levaram a melhor, e por isso, tem-se vivido desde então numa social-democracia “madura e consolidada”. Os nossos actuais velhos, que tão bem se conformavam com o regime anterior, também se adaptaram muito depressa aos seus novos mestres. Quem nasceu para ovelha nunca alcança muito mais.

Este regime, com todos aqueles que lhe dão força, desprezou desde o início a liberdade das pessoas. Fê-lo com a mesma naturalidade que o anterior, não obstante toda a propaganda em contrário. Nalguns aspectos não é tão mau como o anterior. Mas felizmente para todos os adeptos do parasitismo, “compensa” com brio esta qualidade noutros pontos. A guerra ao vícios (drogas, prostituição, jogo) continuou, tontamente e inutilmente. Todos os fins-de-semana, a guarda faz questão de levar um carregamento de prostitutas brasileiras para a esquadra, ou de exibir na televisão meia dúzia de quilos de droga, acompanhados dos inevitáveis telemóveis, bastões e pistolas (tenham medo, tenham muito medo!). O corporatismo de várias classes profissionais (médicos, engenheiros, advogados, taxistas, etc...) está tão forte como sempre. Ao longo das sucessivas crises, os bancos foram sendo salvos pelos tributados e pela inflação do banco central. O número de burocratas e funcionários públicos, alimentados pela extorsão do imposto, aumentou fortemente e continuamente nas últimas décadas, e as inúmeras proibições, restrições e obrigações que eles impõem foram-se acumulando umas por cima das outras. Generalizou-se e expandiu-se o ensino (ou endoutrinação, melhor dizendo) obrigatório e supostamente gratuito. O que deu muito jeito, visto que permitiu aos nossos velhos descarregarem-se das suas responsabilidades de pais sobre os seus vizinhos. É sempre bom ter alguém para guardar os filhos. Sem contar que também serviu proveitosamente para garantir que nenhuma ideia mais radical viesse afectar a tranquilidade dos nossos mestres.

O serviço militar, esta escravatura vergonhosa que veio do regime anterior, manteve-se até à entrada do século XXI. Os nossos “libertadores” abrilistas, os militares de carreira, não abdicaram facilmente desta fonte de mão-de-obra barata, muito útil para lhes servir de empregados domésticos. Enfraqueceu-se o casamento, permitindo-se aos cônjuges não respeitarem as suas obrigações matrimoniais, e facilitando tremendamente o divórcio. Isto teve como consequência desincentivar as pessoas a casarem, e fomentá-las a não “investir” numa relação de longo prazo, nomeadamente fazendo filhos em número suficiente para impedir o declínio populacional. Entregou-se a soberania do país a estrangeiros, através da União Europeia, principalmente. Deu-se aos sindicatos o poder de violarem tanto a propriedade dos patrões como a liberdade dos trabalhadores não-sindicados, forçando-os à “negociação” colectiva e exclusiva. Aumentou-se constantemente o salário mínimo, destruindo assim todos os pequenos trabalhos das classes mais pobres (ou seja, violou-se a liberdade contratual de patrões e empregados). E fortaleceu-se o subsídio de desemprego e medidas de rendimento garantido, com a consequência da classe produtiva ter que manter um sem-fim de ociosos saudáveis, mas preguiçosos. O subsídio de desemprego, como o nome indica, só incentivou as pessoas a não trabalhar. No campo da saúde, foi instaurado um sistema médico estatal, centralizado e praticamente monopolístico. São os velhos os principais beneficiários destes sistema pesado e liberticida, pois são eles que costumam ter maiores necessidades médicas. Mas o sistema de saúde acaba por ser péssimo, e aqueles que o defendem acabam geralmente por sofrer às suas mãos, o que é um tanto ou quanto irónico. De pela falta de incentivos de mercado (preços livres, lucros e percas), de pelo financiamento inesgotável e garantido do orçamento, de pela posição de monopólio, não há nenhuma necessidade por parte do pessoal médico em servir bem os “utentes”. A fila de espera interminável tornou-se, assim, o símbolo mais marcante dos hospitais públicos.

Ainda no domínio da parasitismo social, assistiu-se à criação de bairros inteiros pelo estado, os bairros “sociais”, generosamente oferecidos a massas ociosas, financiados por aqueles que quanto a eles têm que pagar preços de mercado se não quiserem dormir na rua, e construídos em terrenos expropriados aos seus legítimos proprietários. Continuando no domínio do imobiliário, leis de arrendamento populistas e roubalhonas permitiram aos inquilinos violarem sistematicamente o direito de propriedade dos seus senhorios. Tal injustiça massiva fez-se impedindo os senhorios de cobrarem o valor que lhes aprouvesse pelo que é seu (o verdadeiro valor de mercado), proibindo-os de expulsar os inquilinos em fim de contrato (aliás fez-se desaparecer o “fim de contrato”, obrigando o senhorio a renovelar periodicamente os contratos de arrendamento em condições que lhe são desvantajosas), e forçando o senhorio a continuar determinado arrendamento de geração em geração. O resultado desta verdadeira ocupação sistematizada é a extrema degradação de todos os centros históricos do país, por falta de manutenção (quer por impossibilidade material do senhorio, quer por falta de incentivo em fazê-lo devido às baixas rendas); a existência de casas enormes nos centros históricos, habitadas por um casal de velhotes, ou por alguma viúva, a preços miseráveis (enquanto que os casais mais novos e com filhos têm que pagar preços de mercado, encarecidos pela ausência de oferta associada às casas já ocupadas pelos velhos); e casos em que os filhos ou netos dalgum primeiro inquilino vivem na casa dum senhorio que frequentemente é mais velho e mais pobre do que eles, quando todo o sistema, supostamente, está pensado para proteger os mais fracos contra os abusos dos senhorios (ok, ok, admita-se, os jovens também têm uma costela parasita...).

Quanto aos grandes palradores mafiosos da vida nacional – os políticos – também eles são geralmente velhos.. É particularmente repugnante ver que todos os supostos defensores da liberdade, homens que às vezes se opuseram genuinamente ao regime anterior (tendo sido presos e torturados inclusivamente), e todos aqueles que muito barulho fizeram no 25 de Abril, se venderam ao sistema parasita que herdaram do passado. Têm na sua grande maioria posições importantes e influentes no estado, ou contactos no seu seio que utilizam agressivamente nas suas actividades empresariais (solicitando-lhes restrições à concorrência e subsídios). A maior parte dos grandes grupos económicos e das grandes corporações profissionais – sempre chefiados por pessoas a caminho da velhice – isola-se do mercado através dos favores do estado. Os grandes “rebeldes” de há 30 anos estão todos gordos e ricos do dinheiro e dos favores que pilharam nas últimas décadas, legalmente ou não. Quem tem dúvidas acerca disso que vá assistir a uma sessão dos hipopótamos do parlamento. Estes sim, ganharam a liberdade de fazer o que querem. O golpe de estado do 25 de Abril teve como resultado principal pôr novas caras à cabeça do estado. Mas a sua estrutura fundamental não mudou muito. A tendência milenar de crescimento do poder manteve-se, caminhando-se agora rapidamente para a bancarrota e o suicídio do sistema.

Finalmente, e esse é o aspecto mais gritante do parasitismo dos velhos sobres os jovens, temos um sistema de reformas completamente louco e imoral. Está tão entranhado, e abrange uma tão grande proporção do total de velhos, que podemos razoavelmente chamar aos nossos anciões de Geração Parasita. Todo este conjunto de pensões de reforma, velhice, invalidez, sobrevivência e sabe-se-lá-que-mais é pago pelo imposto. Isto é pela violência dos capangas do estado sobre as classes produtivas. Todo o sistema é alimentado pelas “contribuições” - que generosidade! - dos patrões e dos trabalhadores. Quanto à “solidariedade social” dos trabalhadores, ela afecta directamente, como é óbvio, a carteira destes. Mas não é só isso. Até os impostos que pesam sobre os patrões em função dos salários que pagam acabam por se repercutir sobre os empregados. A médio e longo prazo, o patrão não pode dar mais aos empregados do que aquilo que eles lhe rendem. Se a lei obriga o patrão a pagar algum imposto, além do salário, por qualquer empregado que tenha, desce imediatamente a procura por trabalhadores, o que diminui o salário destes. Portanto, todos impostos que alimentam as reformas são afinal de contas repercutidos sobre os trabalhadores. Aqueles que pensam que o estado papa os patrões para alimentar os proletários e os “pobres velhotes” estão bem enganados.

O sistema é pesado. As despesas com pensões aumentaram 80% de 2000 a 2008. Abrangem mais de 2,8 milhões de pessoas (quase 30% da população), e custam mais de 12 mil milhões de Euros por ano. Isto equivale a 64% das despesas da Segurança Social. É um sistema insensato que caminha para a bancarrota. Tem em si as condições do seu próprio suicídio. O sistema de reformas, dito “de repartição”, é uma cadeia piramidal, uma bola de neve. É um mero esquema à Dona Branca. Dá retornos, pelo menos enquanto não for abaixo, superiores àqueles que se poderiam esperar de investimentos normais, o que incentiva fortemente as pessoas a nele entrar. Os benefícios dos primeiros a entrar no sistema são pagos pelas receitas grangeadas junto daqueles que nele participam subsequentemente. Não há nem poupança nem investimento produtivo por parte dos gestores do sistema. Os reformados não vivem em nenhum caso das “contribuições”, do “capital” ou das “poupanças” que tenham acumulado ao longo da vida. Todo o dinheiro que entra é imediatamente gasto para pagar os beneficiários presentes. O problema de qualquer sistema destes é que mais tarde ou mais cedo colapsa, porque a sua manutenção requer um número cada vez maior de participantes. No caso do sistema de reformas, o seu sucesso prolongado implica que o número de jovens (produtores) vá aumentando, para ser capaz de sustentar um número cada vez maior de beneficiários do sistema (os velhos parasitas reformados). Ora como se sabe a população jovem, longe de aumentar, tende a diminuir. A taxa de fertilidade está por volta de 1.2 filhos por mulher, abaixo dos 2.1 filhos (aproximadamente) necessários para a renovação das gerações. Portanto, as condições de sustentabilidade do sistema estão completamente ausentes. Os políticos não se preocupam com isso porque sabem que os problemas que criarem serão assumidos pelos seus sucessores.

O que há de divertido – já que o sistema é injusto, ainda bem se vai abaixo – é que o próprio sistema de reformas incentiva a diminuição da natalidade. Dos vários passos que uma pessoa pode tomar para se preparar para a velhice, um dos mais importantes é fazer e criar filhos. Históricamente, os mais velhos, quando chegavam à idade da incapacidade, eram assumidos pelos filhos. Mas o estado-social desresponsabilizou completamente as pessoas, ao assumir as suas necessidades de várias ordens: saúde, educação dos filhos, velhice. Subsidiou, literalmente, comportamentos nefastos. Acreditando religiosamente na infabilidade do estado quanto ao cumprimento das suas promessas de reforma, as pessoas deixaram de fazer tantos filhos como outrora (a natalidade declinou de mais de 3 filhos por mulher para o nível actual em menos de quarenta anos). Esta não é a única razão para a baixa natalidade, mas é certamente uma das mais importantes. Este sistema também fomentou a imprevidência material: a falta de poupança, o menor investimento em empresas (como capital para os velhos dias), e o abandono precoce do mercado de trabalho (com a consequente perca de competências de trabalho). O resultado disso tudo é o que se sabe: os velhos dependem totalmente do estado e dos poucos filhos que têm. Se o sistema falha, vai haver grandes dificuldades para todos, novos e velhos.

Ora é isto mesmo que vai acontecer. Em todas as sociais-democracias do mundo, na Europa, nos Estados-Unidos, no Japão, o estado vai entrar em bancarrota nas próximas décadas, sob a pressão das reformas, do sistema de saúde (cujos custos vão aumentar à medida que a população envelhece), dos sucessivos salvamentos da banca após cada crise, e de eventuais guerras. Os jovens (e por jovens entende-se todos aqueles que ainda estejam em idade de trabalhar) vão revoltar-se contra este parasistismo. São eles que têm a força, são eles que têm a vitalidade, e são eles, no final de contas, que estão em maioria. Os reformados, os parasitas do estado “social” (nomeadamente desempregados preguiçosos, e habitantes dos bairros sociais), e os funcionários públicos, ou são fracos, ou estão em minoria. Quando houver dificuldades financeiras e o estado deixar de pagar, os próprios polícias e militares se vão despegar substancialmente do sistema. Nem se pense que a imigração de pretos ou de muçulmanos vai ser suficiente para contrabalançar esta tendência. Em primeiro lugar, os imigrantes tendem a ser mais pobres que os nativos, recebendo mais do estado do que aquilo que lhe trazem. Mas sobretudo, os imigrantes são naturalmente mais rebeldes à autoridade do estado do que os nacionais. A polícia, principalmente composta por brancos, é sempre rejeitada e odiada quando entra em bairros de minorias. Todos os tumultos recorrentes em bairros sociais da Europa ou da América o indicam. Ora esta resistência só vai crescer à medida que o número de imigrantes aumenta, ganhando estes mais influência na vida do país, e à medida que os benefícios que derivam do assistanato social vão diminuindo por causa da falência do estado. Isto dificultará muito a cobrança do imposto. Os estrangeiros, quando estiverem em força e cheios de juventude, não se vão deixar dominar por uma população envelhecida de brancos. Seria bem mais provável que o parasitismo acontecesse em sentido contrário.

Quando a situação for grave, o conflito social deixará de se fazer pacificamente, eleitoralmente, entre uma esquerda e uma direita idênticas no essencial. O conflito social, violento ou não, far-se-á em vez disso entre “nós” (os produtores) e “eles” (os parasitas do estado). Esta resistência terá várias consequências. Em primeiro lugar, haverá um limite para o nível dos impostos que podem ser cobrados. A partir dum certo ponto, as pessoas emigrarão para sociedades mais livres, deixarão de trabalhar tanto como poderiam (o que acabará por diminuir os rendimentos do estado), e revoltar-se-ão violentamente. Por isso, os políticos serão obrigados a tomar medidas. Terão de cortar aos poucos os benefícios do sistema (aumento da idade da reforma, diminuição das reformas, por exemplo). Para retomar uma frase célebre, as promessas dos políticos de gerações anteriores só terão comprometido aqueles que nelas tiverem acreditado. Sobretudo, o sistema será atacado pela inflação. Não havendo coragem política para cortar radicalmente nas despesas do estado, será criada uma forte pressão nos bancos centrais para que monetizem a dívida do estado. Os bancos centrais passarão a criar mais moeda do nada, e financiarão assim as dívidas, os défices e as despesas dos governos sucessivos. Os impostos atingirão um limite, mas todos os preços tenderão a aumentar, o que terá como consequência que os benefícios distribuídos pelo estado aos seus clientes perderão valor real. Mesmo que se mantenham ou cresçam em termos nominais, não proporcionarão aos seus beneficiários o mesmo nível de vida de outrora. Será na prática um corte encapotado nas despesas, nomeadamente nas reformas. Será a desilusão para aqueles que pensavam vir a passar a sua meia-idade no descanso: terão que trabalhar até a saúde lhes permitir. O que aliás, diga-se de passagem, é a coisa mais natural do mundo – muito mais natural do que tosquiar as novas gerações. Uma pessoa ter trabalhado toda a vida não lhe dá o direito de viver à custa dos outros. Quem pensa o contrário só merece continuar a trabalhar – já está habituado. Ter que lutar pela vida é a condição natural do ser humano.

Vai ser muito agradável observar este sistema imoral a ir abaixo nas próximas décadas (gradualmente ou rapidamente, só o futuro o dirá). Os velhos, que o apoiaram, e que não se importam de viver à custa dos mais novos, vão ter a paga da sua imoralidade. Mas a transição será dura para todos. Os jovens, a partir duma certa altura, vão ter que voltar a assumir os seus pais, como sempre o fizeram tradicionalmente. Já não terão que assumir os pais dos outros, que não conhecem, mas os seus virão bater-lhes à porta. O problema é que não terão irmãos para ajudá-los, nem os seus pais trarão consigo capital para ajudar nesta tarefa.

Na verdade, o respeito parolo que se dá nas nossas sociais-democracias pelo sistema de reformas é bem pouco merecido. Esta vaca sagrada dava um bom bife. É um sistema ultrajante a todos os pontos de vista. Tentam justificá-lo dizendo que aqueles que agora são forçados a financiá-lo vão ser sustentados por outros jovens, mais tarde, quando chegar a sua vez. Segundo este critério, o pedófilo Bibi teve justificação em abusar de dezenas de crianças. Afinal de contas, também ele foi vítima de abusos na sua juventude. Sem contar que os que hoje pagam o sistema não vão beneficiar dele – vai à bancarrota antes de “lá” chegarem. Além disso, os jovens de hoje podem não querer, por uma questão de princípios, viver à custa dos mais novos, quando chegarem à velhice. Por isso, a obrigação de sustentar esta roubalheira é tudo menos apelativa...

Temos pessoas a reformarem-se cedíssimo, nalguns casos aos 45 anos, quando ainda estão cheias de saúde. Passam os restantes anos a jogar à bisca, de forma subsidiada, em vez de fazerem algo útil da sua vida. Frequentemente, até se observa que estas pessoas vivem à custa de produtores mais velhos do que elas, que ainda não se tenham reformado (os velhos a suportar os homens novos!). Temos funcionários públicos, que após terem vivido uma vida inteira à conta do orçamento, passam os últimos anos na mama (parasitas do berço ao túmulo, em suma). E para garantir que haja mama com fartura, indexa-se as reformas aos últimos anos de carreira no estado, quando os rendimentos são maiores. Além disso, faz-se tudo (por exemplo, “missões” no estrangeiro dos militares) para que estes últimos anos sejam mais rentáveis do que o habitual. Observa-se o facto espantoso dos mais velhos, que têm geralmente algum património (por terem tido tempo de o acumular, e por o terem herdado), viverem à custa dos mais novos, eles que são geralmente mais pobres. Temos um sistema em que as “poupanças” das pessoas no sistema não são poupança nenhuma. São consumidas imediatamente. Isto é exactamente o contrário do que aconteceria num sistema livre de reformas. Os pais deixariam um capital para os seus filhos, quando morressem, que poderia ser utilizado por esses como consumo ou como investimento. Os filhos, ao reinvesti-lo, ano após ano, não só se beneficiariam a eles próprios, como também aumentariam gradualmente o bem-estar da sociedade, fomentado pelos novos bens e serviços advindos deste investimento. E finalmente, em vez dos mais velhos passarem os seus últimos anos em casa dos seus filhos, vê-mo-los a morrer sozinhos em lares geridos pelo estado como fábricas.

Os adeptos do sistema actual podem dizer que um idoso sem reforma, num sistema liberal, por imprevidência ou por alguma desgraça da vida, estaria numa situação tremendamente difícil. Podem dizer que nem todos apreciam este sistema por desejo de viver à custa dos outros. A isto pode-se responder várias coisas. Em primeiro lugar, a maioria das pessoas não estaria nesta situação. Sabendo desde cedo que a velhice chegaria, haveriam de se preparar. E é preciso lembrar que os rendimentos das pessoas, ao longo da vida, seriam maiores do que actualmente são, por força dos impostos que não seriam cobrados. Seria mais fácil poupar. Também é preciso salientar que haveria instituições e organizações dedicadas à caridade para com os necessitados (bem diferentes da pseudo-solidariedade compulsiva do estado). Com poucos meios, estas organizações poderiam ocupar-se de minorias em dificuldades. Mas sobretudo, o que há a responder a esta interpelação é simplesmente que é um direito, e não um crime, ser-se egoísta. Por muito que isto possa desagradar a alguém, faz parte da liberdade das pessoas deixarem morrer, se for preciso, um indivíduo em dificuldade. Ou se tem liberdade, ou se tem o estado-previdência. Não há meio-termo possível, os dois são incompatíveis. As situações como a velhice, a doença, os acidentes ou a fome são frequentemene trágicas. São lamentáveis. Mas ninguém, além dos próprios ou do destino, tem culpa por elas. As pessoas saudáveis, sortudas e jovens não têm só por esse facto obrigação de solucionar os problemas das restantes. Uma filosofia supostamente altruista de “generosidade” compulsiva é na realidade uma filosofia que prega a servidão dos sãos, novos e sortudos às mãos dos infelizes da vida. Sobre isso não há melhor a dizer do que as palavras do anarquista americano Lysander Spooner:

“O Homem, sem dúvida, tem vários deveres morais para com os seus semelhantes, tais como alimentar os esfomeados, vestir os que estão nus, abrigar os desalojados, cuidar dos doentes, proteger os indefesos, assistir os fracos, e iluminar os ignorantes. Mas estes são simplesmente deveres morais, dos quais cada Homem tem que ser o próprio juiz, em cada caso, quanto a se, e como, e em que medida, ele pode, ou vai, exercê-los.”

Não é injustiça dizer que os velhos são responsáveis por todas estas malandrices, mesmo que elas tenham sido na prática aplicadas mais especificamente pelos agentes do estado. É verdade que não se pode fazer generalizações abusivas, e pôr nos ombros de todos a mesma responsabilidade pelos acontecimentos passados. Os membros da classe parasita gastaram mais tempo e energia a dominar os seus semelhantes do que uma grande parte do povão. Nem se pode esquecer que alguns dos nossos velhos lutaram por vezes contra este sistema, ou contra alguns aspectos deste. O resultado de toda esta evolução foi em certa medida devido à ignorância e à complacência mais do que à maldade. E também é preciso reconhecer que também fizeram coisas boas e produtivas, que nos vão deixar: toda a produção e o património que nos deixam, alguma arte e cultura, algumas ideias, alguma tecnologia, alguma generosidade, alguns exemplos respeitáveis.

Mas é contudo legítimo fazer algumas generalizações, observando tendências ou comportamentos comuns. E aí, o que sobressai é que os velhos, hoje em dia e ao longo da sua vida, em maior ou menor medida, apoiaram geralmente a violência do estado. Não têm o coração puro. Agiram em larga medida que nem umas hienas sobre a carcaça da liberdade. Tentaram sempre viver à custa uns dos outros. O estado é poderoso, mas o seu poder deriva sempre, em qualquer regime e em qualquer altura, do apoio tácito da maioria que governa. Sem este apoio popular, não consegue governar e impôr-se. Os agentes do estado são sempre uma minoria da população. Como o demonstram todas as guerras de guerrilha, um povo que não se queira submeter é praticamente invencível. Portanto, se os diveresos regimes que pesaram sobre Portugal se mantiveram tanto tempo, é porque tiveram algum apoio popular. Todos os agentes do estado são “tirados”, por assim dizer, da população geral. O chefe do estado é só um homem. Não se pode impor se não tiver colaboradores. Para qualquer acto de parasitismo legal existente, houve quem o promovesse, houve quem dele beneficiasse. Houve quem votasse recorrentemente nos políticos que compõem o sistema.

Não se vislumbrou nenhum movimento autenticamente liberal, inimigo do estado de forma coerente e intransigente, nas últimas décadas. O que não admira, tendo em conta que todos tiveram de alguma forma ou outra a mão no tacho. Quando se viu alguma resistência aos poderss instalados, foi geralmente tímida, e baseada em interesses mais do que em princípios. Os nossos velhos fizeram o percurso completo do parasita consumado: fascistas, marxistas histéricos, e finalmente sociais-democratas materialistas sem grandes convicções. Não pudemos deixar de vê-los como são. Não devemos ter por eles um respeito excessivo. Isto seriam particularmente perigoso tendo em conta que continuam presentemente nas suas obras nefastas. Estas são umas verdades um pouco perturbadoras, mas não deixam de ser verdades por isso. Os políticos, esses lambe-botas, não podem dizê-las, porque precisam de cortejar o voto geriátrico para se manterem no puleiro. Mas o homem inteligente e íntegro não tem essas aspirações. Não pode deixar de constatar que dos últimos 50 anos resultaram dívidas, pernetas e mortes, desemprego, uma população velha e declinante, uma independência perdida, cidades velhas e meio arruínadas, campos entregues às ervas daninhas, e uma sociedade oprimida e infantilizada.

Importa abrir os olhos sobre esta situação, e adquirir uma visão realista sobre as instituições e as práticas que nos deixam. A Geração Parasita é profundamente chuchialista. Sente-se com todos os direitos do mundo: os pseudo-direitos parasíticos do estado-social, baseados na violência. Obviamente, não se trata de rejeitar qualquer autoridade, tais uns adolescentes rebeldes, “porque sim”. Mas trata-se de saber questionar as autoridades instaladas, principalmente o estado, e combatê-las sempre que seja legítimo. É preciso diminuir e em última análise destruir o parasitismo vigente. Isto passa necessariamente por enfraquecer e destruir o estado, suprimindo leis injustas, abolindo impostos, quebrando privilégios monopolísticos, castrando o banco central. Convém perceber bem que é o estado o foco da violência social. É esta a instituição perigosa da qual as diversas facções se tentam apoderar, e que faz o trabalho sujo destas. É no coração desta instituição tenebrosa que se deve espetar a faca. Sem ela, as diversas facções opressivas tornam-se impotentes, e são forçadas a viverem pacificamente. Não se trata de matar velhotes em lares de idosos, nem sequer políticos ou pessoas influentes. A violência da resistência deve concentrar-se sobre os soldados do sistema – polícias, guardas prisionais, militares – porque são eles em último caso que abusam da força.

Dito isto, os parasitas que não se admirem quando de vez em quando os seus súbditos lhes tratam do focinho, dando-lhes uma lição de humildade.Os agentes do estado tendem a esquecer que as suas acções fazem sofrer as pessoas, o que provoca reacções perfeitamente naturais. E além disso, saliente-se que há uma excepção à regra de não atacar os velhos. É legítimo utilizar a força contra os velhos que ocupam ilegitimamente a propriedade do seu senhorio, aproveitando-se das injustas leis de arrendamento. Neste caso, os velhos não fazem “outsourcing” da pancadaria à polícia. Pelo contrário, ocupam e violam eles próprios, directamente, a propriedade alheia.

O sistema, muito provavelmente, não se vai reformar por si. Só a bancarrota, a pressão popular e a violência o vai subverter. O parasitismo só cessará quando os capangas do poder tiverem ganho um pouco de castidade, e quando os adeptos deste sistema tiverem sofrido às suas mãos. Só o conflito e o sofrimento pode mudar a sociedade, e conter a gerontocracia descomplexadamente parasita que a domina.

Viva a Liberdade!

Leitura Adicional: Old-Age Security Without The State.