domingo, 3 de janeiro de 2010

Subsídio Ao Crime

A existência do estado age sempre como um subsídio ao crime. Fomenta a criminalidade além do que seria normal ou natural. Dá asas aos instintos predadores existentes em maior ou menor escala no coração das pessoas.

Esta criminalidade não anda escondida, de gorro na cara. Ocorre de forma legal, oficial e "legítima". É uma criminalidade praticada abertamente pelos agentes do estado.

Este subsídio manifesta-se de duas formas.

Em primeiro lugar, a existência do estado permite aos promotores e executantes de qualquer trabalho sujo não assumirem plenamente os custos das medidas/práticas/políticas que defendem. Deixa-os "externalizar" estes custos sobres terceiros (pagadores de impostos e conscritos, por exemplo). Como tal, tendem a cometer mais crimes do que de outro modo o fariam.

Por exemplo, pode-se fazer referência à proibição das drogas. É muito improvável que os proibicionistas estariam dispostos a pagar os custos enormes necessários à sua prossecução - polícias, soldados, prisões, burocracias, espiões, tribunais - caso ninguém mais fosse obrigado a fazê-lo. Quando livres de financiarem a segurança que lhes convém, as pessoas tendem a gastar recursos unicamente em defesa da sua propriedade e da sua vida. Não gastam dinheiro inutilmente a "moralizar" as pessoas que vão às meninas, que fumam, que bebem, e que se drogam. Mas na situação actual, em que a polícia é financiada pelo imposto, políticos e activistas só precisam de se apoderar do estado, ou de influenciá-lo, para violarem a liberdade dos seus semelhantes de forma praticamente gratuita.

O mesmo sucede com as guerras. Todos os imperialistas de meia-tigela que se ouve regularmente em todos os meios de comunicação a defender intervenções militares - intelectuais, políticos, oficiais, agentes de lóbis económicos - não estão geralmente dispostos a atravessar meio-mundo para morrer num campo de batalha, nem querem ou conseguem pagar do seu bolso os custos astronómicos que as guerras implicam.

Em segundo lugar, e finalmente, a existência do estado enfraquece tremendamente as barreiras morais que existem na sociedade contra a violência e a agressividade. O estado, instituição por natureza coerciva e criminosa, conseguiu ao longo dos tempos envolver-se duma aura de legitimidade, aos olhos da maioria das pessoas. Isto tem como consequência que a maioria das pessoas utiliza dois pesos e duas medidas na avaliação dos seus semelhantes, conforme ajam enquanto agentes do estado ou não. Deixam de exigir aos agentes do estado, pelo menos no exercício das suas funções, que respeitem as regras normais da vida em sociedade - não matar, não agredir, não sequestrar, não roubar, etc... E deixam de ter escrúpulos em violentar os seus semelhantes (ou em promover tal violência, pela influência), quando revestidos da "autoridade" que uma função política ou policial qualquer lhes dá. Fazem ou aceitam actos que as chocariam em tempo normal.

A violência, quando vinda do estado, ganha uma nova máscara. Passa a ser "solidariedade social", "política fiscal", "combate às desigualdades", "política de segurança", ou outras balelas do género... Principalmente, as mais horríveis das práticas, os massacres em massa da guerra, passam a chamar-se de "defesa da Pátria", "luta ao terrorismo", ou "promoção da democracia". As pessoas, na sua maioria, são incapazes de ver os porcos pelo que são, com consequências trágicas para a paz e a justiça.

Conclusão

O estado é por natureza injusto. Além disso, é muito mais perigoso do que qualquer outro bando de criminosos, de pelos incentivos que sobre ele pesam, e de pelas condições favoráveis que o envolvem. Só há uma coisa a fazer: destruí-lo.