segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Miseráveis "Lutas"


Onde quer que se ponha os olhos, hoje em dia, ouve-se falar da "luta social". Os sindicatos marcham na rua: luta. Os trabalhadores ocupam a fábrica do patrão: luta. Os estudantes lançam umas pedras à polícia de choque: luta. Os funcionários do estado vão a Lisboa fazer um agradável passeio dominical, em autocarros financiados pelos impostos, bloqueando meia cidade de passagem: luta!

No seguimento desta palhaçada toda, aparece o dito "representante" no telejornal das oito a dizer que os trabalhadores (/estudantes/enfermeiros/professores/e outros parasitas, etc...) estão dispostos a "intensificar a luta", se o governo não ceder às pressões. Meu deus, Sr. Primeiro Ministro, faça cuidado, eles estão dispostos a morrer pelos seus ideais! Não se meta com mártires.

Há uns aspectos um tanto ou quanto...perturbadores, nestas "manifestações de descontentamento popular".

Em primeiro lugar, os ditos "lutadores" fingem-se de vítimas de alguém, algures: o sistema, o governo, o patronato, etc... O problema é que geralmente longe de serem vítimas, e apesar de toda a sua retórica, os verdadeiros parasitas opressores são eles, os "rebeldes". Eles próprios são o problema. Longe de lutarem contra o sistema, fazem parte integrante dele, e apoiam-no dedicadamente. Precisam dele. Mais concretamente, todos os grupos de pressão que pululam por aí pretendem utilizar o estado, uma instituição coerciva com dezenas de milhares de capangas armados, a seu favor. Não se opõem ao estado, ou sequer ao governo. Querem antes que este parasite e agrida por eles os seus semelhantes, os seus próprios compatriotas (não tendo coragem ou capacidade para fazê-lo eles próprios). Não querem liberdade. Querem privilégios.

Pode-se ilustrar. Os funcionários públicos que reclamam aumentos salariais, por exemplo. Estão simplesmente a pedir o dinheiro extorquido aos seus vizinhos, com o maior à vontade possível. Querem que os capangas da bófia ponham uma pistola na cabeça dos produtores e os forcem a pagar impostos, para que lhes caia de seguida no bolso. Ou então alguma corporação (taxistas, médicos, pequenos comerciantes, produtores de calçado) "luta" contra a "concorrência desleal" de produtores independentes, geralmente estrangeiros. O que estes manifestantes querem é que a bófia ponha uma pistola na cabeça dos seus competitores. Querem que outros indivíduos não tenham o direito de fazer o que eles própios, membros da corporação, fazem. Querem um monopólio, ou no mínimo um cartel. Querem impedir os outros de ganhar a vida pacificamente e produtivamente.

Quem tem legitimidade para lutar (sem aspas...), nestes casos, são as vítimas da violência do estado, potencial ou realizada. É o trabalhador ou empresário que paga impostos para alimentar esta canalha toda que tem o direito de dar um tratamento violento ao mafioso fardado que o vem ameaçar. É o concorrente esmagado que tem o direito de se revoltar contra quem o impede de ganhar o pão. É o consumidor forçado a pagar preços altos pela falta de concorrência que tem que ir berrar para a rua.

Em segundo lugar, não se pode deixar de constatar que os lutadores de meia tigela que se nos presenteiam cada fim-de-semana são uns fanfarrões ridículos. Independentemente de se achar as suas causas boas ou más, tem que se ver que não têm coragem nenhuma. Para já, só são valentes por estarem aos magotes: a força da matilha. Poucos seriam capazes de ir berrar sozinhos gritos de ordem em frente a uma esquadra de polícia. Os homens valentes não precisam de ter as costas quentes para agir. Depois, sabem muito bem que nada lhes vai acontecer por causa da sua "luta". Não vão ser despedidos (muito menos se forem funcionários do estado - o "direito à greve" está garantido na lei). Não vão ser mortos. Não vão ser processados e condenados por desfilarem na rua. Em caso de confronto com a polícia de choque, sabem muito bem que a violência se manterá num quadro contido. Sabem muito bem que não passará dum ritual. "Eu lanço-te uma pedra, tu lanças-me gaz lacrimogénio, e levas-me a passar a noite à esquadra, da qual sairei todo feliz por ter algo de que me gabar junto dos meus colegas". Isto não é luta. Isto é uma tradição social-democrática, ao mesmo título que as eleições, ou que as picardias do debate parlamentar. Nenhum "militante" vai de arma em punho atirar contra o parlamento. Sabem muito bem que a polícia entraria em parafuso e atiraria na multidão. Não ocorrem tumultos generalizados de autêntica revolta: todos sabem muito bem que os militares esmagariam no sangue a revolta. Os gloriosos lutadores não atacam esquadras de polícia, ou casernas militares, nem fazem explodir os muros das prisões para libertar os seus colegas oprimidos (aliás, quem está na prisão é quem para lá foi por causa do seu activismo...). Vá-se-lá saber porquê, os grandes heróis revolucionários têm medo de morrer pela causa. Pelo menos, grupos afiliados com a esquerda radical, do tipo da ETA, da extrema-esquerda grega, ou como as Brigadas Vermelhas, têm tomates para matar e morrer por uma causa, justa ou não. Podem ter objectivos ou métodos injustos, mas não são uns fala-baratos. Mas os nossos palhaços nada fazem senão marchar, marchar, e gritar. Por isso, todo o romantismo à volta da "luta social" é simplesmente patético.

Em terceiro lugar, e finalmente, todo este conflito social já cansa, não só pela imoralidade que demonstra, mas também por causa da sua fonte habitual: a esquerda. Apesar de nem só a esquerda se manifestar pelos seus privilégios, é claramente a líder na luta pelo "progresso social", como lhe chama. Pensando bem, o seu descontentamento é difícil de perceber. A esquerdalha já teve tudo o que quer: revolução, salário mínimo, liberdade de imprensa, controlo das rendas, subsídio de desemprego, partido comunista no parlamento, democracia, divórcio à la carte, reformas para os velhos, escola pública obrigatória, casamento panasca, imposto progressivo sobre o rendimento, aborto, hospitais públicos, etc, etc... Ou seja, temos uma social-democracia pesadona, bem longe do papão "Capitalismo Selvagem" ou do conservadorismo reaccionário retrógrado. Este é um regime de esquerda, mesmo quando a direita está no poder. Portanto, é suposto termos um país em que reina a "justiça social", a igualdade, a liberdade, blá blá blá. No entanto, a casta parasita não se cala. Parece uma daquelas crianças mimadas que pede mais um brinquedo logo após lhe oferecerem aquele que desejava ardentemente dez minutos antes. Nunca está satisfeita. Está sempre em luta. Nunca está feliz. Nunca há "paz social". Há sempre mais direitos a "conquistar". Não sabem o que querem, pelos vistos!

Ou melhor dizendo, sabem muito bem o que querem. Utilizando pretextos como a igualdade, a luta contra a pobreza, a luta contra a opressão do patronato, o direito a não sei quê, e não sei que mais, querem viver à custa dos outros. Quão bom seria não ouvir esta escumalha na televisão ou na rádio nem que seja por uma semana. Ouvi-los calados e contentados com os privilégios imorais que já "conquistaram", só por uns dias!

Toda esta gente, parasitas de esquerda ou de direita, idiotas e cobardes que pelos vistos acreditam nas tretas que defendem, só merecem desprezo e escárnio.

Que palhaços!

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Era Uma Vez A Europa...

Discurso forte e corajoso do Nigel Farage, do UK Independence Party (independentistas britânicos) no Grande Papagaio europeu. É muito agradável observar o desconforto que provocou aos nossos lordes.



Tradução:

Nas próximas gerações, vai-se contar uma história às crianças:

"Era uma vez, uma Europa dividida no seu meio por um grande muro e as pessoas de Leste eram muito pobres. Não tinham democracia e viviam sob um sistema maléfico chamado "comunismo" que matou milhões dos seus próprios cidadãos.

Mas, alegria! O muro caiu, e acabámos por ter 27 nações, e estas pessoas acabaram por viver em democracia, e houve paz para 500 milhões de pessoas.

Mas infelizmente..."

A história não acabou. Há mais, prometo-vos.

... É a primeira vez que recebo tantos aplausos.

"Mas infelizmente a história continua. Os políticos no poder tornaram-se muito gananciosos. Procuraram alcançar poder e dinheiro para si próprios, e por isso recorreram à mentira, ao engano, e organisaram o mais espectacular golpe de Estado burocrático que o mundo jamais viu.

Mas não precisaram de balas para fazê-lo, eles eram muito mais inteligentes, muito mais manhosos do que isso. O que eles fizeram foi pôr em prática um novo tratado. Chamava-se o tratado de Lisboa.

E de seguida, deram a 27 indivíduos um poder total e ilimitado. Foram estas pessoas que fizeram todas as leis.

Claro, já tinham uma bandeira e um hino, mas continuaram a fazer um novo estado. Mas ignoraram os povos.

E o que fizeram, conscientemente ou não, foi recriar o mesmo sistema maléfico sob o qual os povos de Leste tinham vivido anteriormente. Mas o que é inacreditável é que muitos destes novos chefes já tinham trabalhado anteriormente para este mesmo sistema maléfico.

Mas, obviamente, o seu plano tinha defeitos, e o seu plano monetário fantasioso colapsou.

Pouco importa, os novos chefes não queriam ouvir os povos. Não, eles tornaram a vida cada vez mais difícil, eles puseram dezenas de milhões de pessoas num estado de pobreza, recusaram a palavra dos povos, e no fim, estes povos tiveram que recorrer à violência para recuperar o seu Estado-Nação e a sua democracia."

E a moral da história, é que não aprenderam nada da História.

Membros do parlamento europeu, antes de darem mais poderes a esta Comissão, lembrem-se que há 60 anos, uma cortina de ferro caiu sobre a Europa, e agora, com esta Comissão, há uma mão de ferro que se faz sentir na Grécia...

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Triste País



Uma pessoa que faz uns corninhos, o que até tem graça e serve para desanuviar o ambiente, é despedida pelo seu próprio padrinho. Mas se o padrinho tenta controlar toda a imprensa através de métodos mafiosos - a violência do Estado, legal ou ilegal, aberta ou encoberta - nada lhe acontece.

Mais uma ilustração de que a política e o parlamentarismo são um jogo de aparências mais do que de substância.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

O Milagre Da Social-Democracia

Um dos aspectos mais fascinantes da nossa sociedade é a apatia total da grande maioria das pessoas perante a opressão que sofrem. A população está num estado de coma, de letargia profunda, relativamente ao estado.

Esta instituição tira às pessoas metade do seu rendimento, destrói as suas poupanças pela inflação, controla a sua entrada numa infinidade de sectores, força-as a financiar "serviços" dos quais não querem, impõe-lhes uma série de monopólios privados ou estatais, impõe-lhes controles de preços, trava os seus movimentos, impõe-lhes contactos com pessoas que não lhes interessam, ou pelo contrário impede-as de se relacionar com quem querem, regulamenta o que podem ou não consumir e os prazeres dos quais podem gozar ou não, diz-lhes quais os riscos que podem tomar ou não, mata-os, força-os a matar, entrega-as a burocracias ou corporações estrangeiras, impõe determinado tipo de educação aos seus filhos, mente-lhes descaradamente, rouba os seus terrenos, destrói os seus negócios e os seus meios de vida através dum sem-fim de regulamentações, ameaça-as, tortura-as, sequestra-as, escraviza-as e em geral, controla ao pormenor todos os aspectos da sua vida, privada e pública. Até quando se ocupa delas pacificamente as degrada: trata-as a elas, pessoas adultas, como crianças ou incapazes.

Contudo, apesar do manifesto carácter perigoso e agressivo desta organização, apesar de todo o mal que as pessoas que a compõem fazem, e apesar desta instituição ser composta de simples homens e mulheres como elas (duas pernas, dois braços, e não seres sobrenaturais...), as pessoas não se revoltam. Estão satisfeitas. Estão como que mortas. Acham normal. Acham que a situação é necessária, essencial ao seu bem-estar inclusivamente. O seu desagrado com alguma política é sempre moderado, cordial até. Eventualmente, podem contestar algum dirigente. Mas nunca põem em questão a instituição em si.

O pior de tudo é que esta atitude não deriva do medo que lhes incute esta organização. Não é propriamente o medo do polícia que explica essa submissão - pelo menos não é o principal. Não se conformam por simples necessidade prática. As pessoas estão simplesmente anestesiadas. Já não sentem ódio por aqueles que as magoam de forma tão escandalosa. Por muito que as sacudam, não fervem. O indivíduo raivoso, agitado, rebelde, indignado, em vez de ser a norma, é o anormal. As massas abraçam frontalmente aqueles que os oprimem, numa espécie de síndrome de Estocolmo à escala de toda a sociedade.

São várias as razões para esta situação de consternação vil. O hábito, a participação nas vantagens ilícitas do sistema, a violência potencial da polícia, talvez alguma predisposição genética, ajudam a explicar a presente situação. Principalmente, é a ideologia que explica esta atonia. Há um condicionamento da população regular, constante, por vários meios de comunicação, desde a mais tenra idade. Este condicionamente faz-se através dos vários "megafones" do sistema (eles próprios largamente inconscientes da natureza imoral daquilo que promovem) recorrendo a "teorias do poder" justificativas deste. Tudo isso, somado, explica tanto rebaixamento contentado.

O resultado está à vista. Opressão sem fim. Uma espécie de sadismo/masoquismo social, em que todos magoam, e todos são magoados.

Isto só mudará quando e se aqueles que já acordaram deste mau sonho conseguirem abrir os olhos àqueles que os rodeiam. Só mudará se houver uma elite de homens lúcidos e justos que, estando conscientes da natureza do poder, não o queiram utilizar em seu proveito próprio, mas pelo contrário se esforcem por destruí-lo. Só se for esta elite a lançar a primeira pedra ao monstro se poderá esperar ganhar, posteriormente, o apoio das massas necessário à mudança social. Tal tarefa não é fácil, apesar de existir uma relativa liberdade de expressão na nossa sociedade: a inércia das massas faz com que a denúncia das injustiças do estado só raramente consiga acordar a indignação popular capaz de fomentar solidariedade entre as vítimas do sistema. Mas esta é uma tarefa necessária. O trabalho ideológico, sistemático e persistente só pode acabar por produzir alguns efeitos positivos. Nem que seja acordar aqueles que já têm em si predisposição para a liberdade, e uni-los num movimento de pessoas com ideais semelhantes, dissipando assim o desencorajamento que pode surgir dum trabalho político solitário.

Morte ao Estado!

The Bigger Picture


Copyright Rui Botelho Rodrigues, 7 de Fevereiro 2010, no Sem Governo

O caso de Mário Crespo acordou o país para o estado trémulo da nossa liberdade de imprensa. É um assunto delicado que a oposição aproveitou, como competia, para demolir o governo. Os blogues - aqueles que não trabalham para São Bento - também rebentaram em histeria. Tudo isto é natural e benéfico, e serve para balançar ligeiramente os poderes nesta decrépita república. Porém, não se tocou no essencial.

Primeiro, não se reparou que, comparada com a liberdade económica, a liberdade de expressão está em óptimo estado. Segundo, não se reparou que, embora as liberdades de imprensa e de expressão sejam importantíssimas, não o são de forma tão essencial e massiva como a liberdade económica. Se a intervenção do Estado na imprensa cala alguns «wordsmiths», a intervenção do Estado na economia empobrece o país como um todo, priviligia uns cidadãos e sacrifica outros, e sobretudo impede a mobilidade social e a promoção do mérito e do esforço na sociedade. Ambas as intervenções são brutais, mas o punho do Estado na vida económica dos portugueses é muito mais terrível, perverso e destrutivo.

Até porque a liberdade de imprensa não existe sem essa outra liberdade, muito mais atentada e destruída: a liberdade económica. Uma imprensa livre é uma imprensa independente do poder político, que é como dizer: privada. E a imprensa só pode ser independente, privada e livre se o Estado não estiver envolvido e por consequência não puder influenciar positiva ou negativamente o seu financiamento. Como se sabe, o Estado pode e influencia o financiamento dos meios de comunicação e, naturalmente, a liberdade de imprensa não sai a ganhar. O plano de Sócrates de usar a PT para afastar jornalistas incómodos nunca poderia passar-se se o Estado não tivesse uma golden-share (e se a CGD não fosse um dos maiores accionistas) na empresa. Grande parte dos meios de comunicação são de grupos económicos com participação do Estado, (directa ou indirectamente) ou são mesmo do Estado. Outros fazem parte de grupos nascidos do regime e cujos projectos são frequentemente partilhados com empresas do Estado ou onde o Estado tem um peso importante (como a Controlinveste).

Seria caso para nos preocuparmos com a liberdade de expressão e de imprensa se o exército entrasse pelas redacções a mandar pessoas embora à força (ou pior). Mas dado que o Estado é uma presença económica tão grande na imprensa portuguesa, estes episódios de «influência» são naturais e não os deviamos acolher com tamanha surpresa e indignação. A liberdade essencial a todas as outras (a económica) já se perdeu há muito ou em boa verdade nunca se ganhou. E logo podemos estar gratos pela relativa liberdade de imprensa que ainda temos, dadas as circunstâncias monstruosas a que corporativismo pátrio chegou.

A direita e a esquerda sérias faziam bem em compreender que, sem rejeitar o modelo social-corporativista, sem verdadeira liberdade económica e sem verdadeira propriedade privada, todas as liberdades estão condenadas à erosão ou à insignificância. E à medida que o tempo passa, que as elites se cimentam, que os vícios se acumulam, torna-se cada vez mais difícil resgatá-las.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Temas De Actualidade



Political Murder, de Franklin Ford

O Problema Mário Crespo


O Sr. Sócrates pode, se quiser resolver o seu problema mais recente, experimentar uma receita tradicional.

A cicuta.

Sob a forma de infusão, tem um poder relaxante capaz de combater eficazmente enervamentos, agitações, e outras perturbações emocionais.