domingo, 7 de fevereiro de 2010

O Milagre Da Social-Democracia

Um dos aspectos mais fascinantes da nossa sociedade é a apatia total da grande maioria das pessoas perante a opressão que sofrem. A população está num estado de coma, de letargia profunda, relativamente ao estado.

Esta instituição tira às pessoas metade do seu rendimento, destrói as suas poupanças pela inflação, controla a sua entrada numa infinidade de sectores, força-as a financiar "serviços" dos quais não querem, impõe-lhes uma série de monopólios privados ou estatais, impõe-lhes controles de preços, trava os seus movimentos, impõe-lhes contactos com pessoas que não lhes interessam, ou pelo contrário impede-as de se relacionar com quem querem, regulamenta o que podem ou não consumir e os prazeres dos quais podem gozar ou não, diz-lhes quais os riscos que podem tomar ou não, mata-os, força-os a matar, entrega-as a burocracias ou corporações estrangeiras, impõe determinado tipo de educação aos seus filhos, mente-lhes descaradamente, rouba os seus terrenos, destrói os seus negócios e os seus meios de vida através dum sem-fim de regulamentações, ameaça-as, tortura-as, sequestra-as, escraviza-as e em geral, controla ao pormenor todos os aspectos da sua vida, privada e pública. Até quando se ocupa delas pacificamente as degrada: trata-as a elas, pessoas adultas, como crianças ou incapazes.

Contudo, apesar do manifesto carácter perigoso e agressivo desta organização, apesar de todo o mal que as pessoas que a compõem fazem, e apesar desta instituição ser composta de simples homens e mulheres como elas (duas pernas, dois braços, e não seres sobrenaturais...), as pessoas não se revoltam. Estão satisfeitas. Estão como que mortas. Acham normal. Acham que a situação é necessária, essencial ao seu bem-estar inclusivamente. O seu desagrado com alguma política é sempre moderado, cordial até. Eventualmente, podem contestar algum dirigente. Mas nunca põem em questão a instituição em si.

O pior de tudo é que esta atitude não deriva do medo que lhes incute esta organização. Não é propriamente o medo do polícia que explica essa submissão - pelo menos não é o principal. Não se conformam por simples necessidade prática. As pessoas estão simplesmente anestesiadas. Já não sentem ódio por aqueles que as magoam de forma tão escandalosa. Por muito que as sacudam, não fervem. O indivíduo raivoso, agitado, rebelde, indignado, em vez de ser a norma, é o anormal. As massas abraçam frontalmente aqueles que os oprimem, numa espécie de síndrome de Estocolmo à escala de toda a sociedade.

São várias as razões para esta situação de consternação vil. O hábito, a participação nas vantagens ilícitas do sistema, a violência potencial da polícia, talvez alguma predisposição genética, ajudam a explicar a presente situação. Principalmente, é a ideologia que explica esta atonia. Há um condicionamento da população regular, constante, por vários meios de comunicação, desde a mais tenra idade. Este condicionamente faz-se através dos vários "megafones" do sistema (eles próprios largamente inconscientes da natureza imoral daquilo que promovem) recorrendo a "teorias do poder" justificativas deste. Tudo isso, somado, explica tanto rebaixamento contentado.

O resultado está à vista. Opressão sem fim. Uma espécie de sadismo/masoquismo social, em que todos magoam, e todos são magoados.

Isto só mudará quando e se aqueles que já acordaram deste mau sonho conseguirem abrir os olhos àqueles que os rodeiam. Só mudará se houver uma elite de homens lúcidos e justos que, estando conscientes da natureza do poder, não o queiram utilizar em seu proveito próprio, mas pelo contrário se esforcem por destruí-lo. Só se for esta elite a lançar a primeira pedra ao monstro se poderá esperar ganhar, posteriormente, o apoio das massas necessário à mudança social. Tal tarefa não é fácil, apesar de existir uma relativa liberdade de expressão na nossa sociedade: a inércia das massas faz com que a denúncia das injustiças do estado só raramente consiga acordar a indignação popular capaz de fomentar solidariedade entre as vítimas do sistema. Mas esta é uma tarefa necessária. O trabalho ideológico, sistemático e persistente só pode acabar por produzir alguns efeitos positivos. Nem que seja acordar aqueles que já têm em si predisposição para a liberdade, e uni-los num movimento de pessoas com ideais semelhantes, dissipando assim o desencorajamento que pode surgir dum trabalho político solitário.

Morte ao Estado!