segunda-feira, 22 de março de 2010

Terceira Guerra Mundial À Vista?


Vítima da varíola, uma das doenças utilizáveis como arma biológica.


Faz vários anos que o Ocidente, principalmente o império americano com a sua enorme potência militar, fortemente influenciado por uma constelação de lóbis sionistas, militaristas e neoconservadores, motivado tanto por questões ideológicas como por meras aspirações materiais, anda a querer "remodelar" o Médio-Oriente, democratizando-o, conquistando-o, tornando-o mais dócil e usando métodos subversivos para controlar os regimes que o governam. Esta campanha de longo curso da aliança entre americanos, europeus, e israelitas (também conhecidos por "Eixo do Bem" ou, mais modestamente, "Comunidade Internacional") já teve consequências no Líbano, na Síria, no Egipto, na Líbia, e mais recentemente, no Paquistão, no Afeganistão, na Somália, no Iémen, e no Iraque.

Mas... falta qualquer coisa! Há ali no meio uns arrogantes que teimam em querer viver sem seguir os conselhos dos ocidentais. Não, não se trata do Astérix, nem do Obélix. São antes os Iranianos. Por isso, há vários anos (décadas aliás, pois a intervenção americana já vem, pelo menos, dos anos 1950) que se anda a tentar várias receitas ali daquele lado. Receitas subversivas, por exemplo, como ajuda a grupos inimigos do regime iraniano - por exemplo, guerrilheiros e terroristas separatistas. Ameaças e pressões. Fomento a golpes de estado. E de há uns anos para cá, principalmente depois da questão do Iraque "resolvida", passou-se claramente a considerar a hipótese duma guerra com o Irão, para mudar o seu regime, ou para amansá-lo (nomeadamente, impedindo-lhe de adquirir armas nucleares, o que impossibilitaria a sua conquista).

Este projecto anda na boca do mundo. Ainda há resistência, dentro do próprio ocidente, contra um tal projecto - não há uma frente unida sobre esta questão. Mas basta ouvir as declarações mais ou menos claras, mais ou menos óbvias, repetidas ano após ano por um sem-fim de líderes ocidentais (intelectuais, políticos, financeiros, militares, diplomatas, activistas), para perceber que está uma campanha em curso para subjugar o Irão - pela força ou pela manha. Há um conluio de vários líderes importantes sobre esta questão. Uma conspiração, por assim dizer.

Ultimamente a pressão tem aumentado. A guerra já teve mais longe. Isto é de lamentar principalmente por uma questão moral. Da guerra nascem as maiores injustiças possíveis e imagináveis. Quem quer que tenha uma onça de honra tem que se opor a políticas que não são nada mais do que matanças em massa.

E além da simples questão moral, há a questão dos interesses bem compreendidos da maioria dos ocidentais. Uma guerra com o Irão tem potencial para descambar para uma guerra mundial, simplesmente pelo jogo das alianças e das simpatias existentes actualmente. Todos os conflitos tendem a extender-se por esta razão (por exemplo, a carnificina da Primeira Guerra Mundial começou banalmente como um conflito entre austríacos e sérvios, que se estendeu rapidamente a toda a Europa). As facções em confronto serão provavelmente as seguintes: América-Europa-Israël vs Muçulmanos-Rússia-China. São os blocos que se antevêem actualmente, por várias razões, nomeadamente as posições assumidas no jogo diplomático relativo ao programa nuclear iraniano, e os ressentimentos relativos a várias questões históricas das últimas décadas.

Ou seja, o tiro pode sair pela culatra aos ocidentais. Não se pense que um conflito com o Irão seria uma brincadeira. Não se pense que são só "eles", lá ao longe, que vão levar no focinho. Poderia inclusivamente vir a envolver armas de destruição massiva. Bastaria para isso que um atentado terrorista de grande envergadura tocasse o ocidente (por exemplo um ataque biológico, que é relativamente fácil de preparar, e tem uma capacidade de destruição enorme), ou que uma das partes se visse numa situação que pusesse em perigo interesses importantes. Na guerra existem sempre momentos de "tudo ou nada", grandes golpes que fazem a situação alterar-se fundamentalmente dum momento para o outro. Os ocidentais acreditam demais na sua supremacia militar. Não percebem que também podem perder uma guerra e sofrer grandes derrotas, apesar de todos os seus sucessos recentes; que esta guerra pode muito bem vir a ser a última do Ocidente enquanto força dominante. Num momento de aperto ou de loucura, não se sabe o que pode acontecer. As guerras nunca se desenvolvem como previsto. Nem sempre os decisores fazem aquilo que é sensato para a preservação da sua sociedade. A História está cheia de decisões desastrosas e auto-destrutivas. É por estas razões todas completamente insensato provocar conflitos.

Há pouco coisa que se possa fazer para evitar uma calamidade destas. Ela acontecerá provavelmente - já é tarde demais. Os preparativos já estão bem avançados. Mas pode-se dar alguns passos, nem que seja por sentido de obrigação moral. Primeiro, é preciso abrir os olhos das massas para o perigo. É preciso não colaborar com quem promove estas loucuras (e mais do que isso, lutar contra esta gente reles, como inimiga da justiça e da paz que é). É preciso pôr urgentemente na agenda a questão da saída do país da NATO e da UE, proclamando e seguindo um política estritamente neutra e defensiva (de tipo helvético) - é o jogo das alianças que extende desnecessariamente conflitos inicialmente circunscritos. E finalmente, num plano pessoal, pôr-se a salvo, emigrando se for preciso para zonas do mundo mais tranquilas (se uma guerra rebentar, os países da América latina, ou da Àfrica negra, serão provavelmente os mais seguros).

Quando e se o conflito começar, não se acredite cegamente naquilo que os media nos vão dizer dos iranianos - vai ser um misto de diabolização e propaganda intencionais, de ignorância e de medo. Esta papa ideológica terá unicamente como função fomentar apoio popular para com o estado e os seus exércitos. Terá como objectivo sufocar a resistência ao crescimento do poder do estado no Ocidente, que acompanhará necessariamente uma guerra no exterior, fazendo engolir aos europeus e aos americanos impostos, inflação, serviço militar, socialismo de guerra, controles de preços, e restrições à liberdade de expressão - tudo práticas que se "justificam" em nome da segurança.

Serão poucos, nestas circunstâncias, aqueles que saberão manter a sua decência e a sua capacidade de raciocínio. Reinará o tribalismo mais primário, incapaz de analisar a situação de forma imparcial e auto-crítica, e fomentador dum prolongar desnecessário do conflito. O objectivo do homem inteligente e justo deve ser, em tais circunstâncias, manter-se acima do pensamento e da acção de grupo que acompanham necessariamente as guerras.

Morte aos soldados do Império.
Paz para o Irão.
Liberdade para o Ocidente.

Leituras complementares:

1. Sobre a guerra em geral.

"The Costs of War", editado pelo John Denson.

"War and Foreign Policy", pelo anarquista Murray Rothbard.

2. Sobre a possibilidade de escalada dum conflito.

"Operation Cassandra", pelo William Lind, sobre a possibilidade dos americanos perderem o seu exército do Iraque, em casa de guerra com o Irão.

"What World War III May Look Like", pelo Philip Giraldi.

"Four Day War", pelo Claude Salhani.

"Peace or Economic Catastrophe", pelo Gary North, sobre a eventualidade do terrorismo biológico.

Veja-se também "World War I: The Turning Point", do Ralph Raico, no "The Costs of War".