sexta-feira, 28 de maio de 2010

Um Grande Homem

Ron Paul, no Congresso americano:



Em Portugal, ainda está para nascer o deputado que terá coragem para pôr em causa os fundamentos do regime no seio do próprio parlamento.

domingo, 23 de maio de 2010

Declínio Demográfico


Segundo a Wikipédia, a taxa de fertilidade em Portugal é de 1.46 filhos por mulher.

Sabe-se que metade dos nascimentos, apróximadamente, são do sexo feminino.

Além disso, sabe-se que a população é aproximadamene de dez milhões e meio de habitantes.

Portanto, mantendo-se as tendências actuais, é fácil adivinhar para onde o país caminha. Pode-se fazer as contas, sobre três gerações:

1. Primeira geração.

10.5 M habitantes.
5.25 M mulheres (10.5/2).

5.25 M * 1.46 filhos/mulher = 7.68 M

2. Segunda geração.

7.68 M habitantes.
3.84 M mulheres (7.68/2).

3.84 M * 1.46 filhos/mulher = 5. 61 M

3. Terceira geração.

5.61 M habitantes.

Diferença, em três gerações:

((5.61 - 10.5)/10.5)*100= -46.57%

Ou seja, dos avôs para os netos, se a tendência actual se mantiver, a população diminuirá de metade.

Isto é obviamente uma aproximação. Para fazer uma estimativa mais séria tinha que se ter em conta vários pontos. Há mais homens novos do que mulheres, e à medida que se sobe nos escalões etários, há mais mulheres do que homens (elas dão cabo de nós...). O número de filhos por mulher é uma estimativa, e pode variar com o tempo. Há migrações.

Contudo, a taxa de fertilidade tem vindo a diminuir de forma constante nas últimas décadas (principalmente a partir dos anos 70), e por razões políticas e culturais - Estado-Social, feminismo, perca de influência da religião - é improvável que esta tendência despareça rapidamente.

Por isso, pode-se desde já tirar duas conclusões. Uma boa e outra má.

A boa notícia, é que o imoral Estado-Social caminha para a bancarrota completa nos próximos 20 a 40 anos. A existência do Estado-Social baseia-se na existência duma classe produtiva numerosa capaz de alimentar a classe parasita (sendo os reformados uma facção proeminente desta classe predadora). Com a diminuição populacional, esta condição não está reúnida.

A triste notícia é que enquanto o Estado-Social não tiver ido para o buraco, e por isso continuar a desincentivar a procriação, e enquanto não houver uma regeneração cultural e ideológica a vários níveis, o povo português está condenado a uma morte lenta.

(Terceira e última conclusão. É bom que os brancos comecem desde já a pensar em fazerem amigos pretos, indianos e muçulmanos. No futuro, pode dar jeito.)

Leituras Complementares:

Velhos e Parasitas, pelo Pedro Bandeira. (Principalmente os links para outros artigos que tratam de questões demográficas).

terça-feira, 18 de maio de 2010

Insensibilidade Social

O saque duma professora de Mirandela por questões meramente pessoais dá mais um exemplo, como se ele fosse necessário, da determinação deste governo em praticar cortes cegos na educação, assim como outras políticas de direita do mesmo género.

A masturb..., perdão, a educação dos jovens alunos de Mirandela fica assim comprometida a meio do ano escolar, demonstrando o descuido com que este governo tem tratado a questão do Investimento Social naqueles que são os pilares do Portugal de amanhã.

Centenário Da República

As bichas tomaram conta do Poder.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Provérbios Irlandeses



O maior inimigo duma nação são as pequenas mentes das suas pequenas gentes.

As mulheres começam por resistir às investidas dum homem, e acabam por bloquear a sua retirada.

A um homem que não consegue rir de si próprio devia ser dado um espelho.

[Sobre o homem que gosta da bebida] Ele seria capaz de passar por cima de dez mulheres nuas para alcançar uma cerveja.

O mundo é uma comédia, mas o casting é fraco.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

O Pior Da Esquerda


O defeito principal da esquerda é o facto de ser genéticamente ladra e invejosa. Não há propriedade que não lhe atice a cobiça, e não há desigualdade que não mereça aos seus olhos ser esmagada pela força do "colectivo" (excepto quando esta desigualdade se chama de "diversidade", ou de "diferença", caso em que tem que ser religosamente "tolerada" e "compreendida").

No entanto, encontra-se por vezes numa certa esquerda alguns aspectos com os quais alguém com respeito pela liberdade pode simpatizar. Nalguns aspectos, a esquerdalha demonstra uma certa "tolerância". Não se importa que a malta fume um charrito. Deixam fornicar o pessoal à vontade, sem polícia dos costumes por perto. Defendem (se bem que muito hipócritamente) a liberdade de expressão: "Não à censura!". Mas sobretudo, sobretudo, sobretudo, esta esquerda evidencia (se bem que nem sempre de forma muito firme) um são desrespeito por militares, guerras, bandeiras nacionais, patriotismo balofo, colonialismos e imperialismos. Esta esquerda consegue ver os militares por aquilo que são: assassinos tontos e imorais ao serviço do poder e dos inúmeros grupos de interesses que à sua volta giram. Vê a guerra como a aberração moral e destruidora que é - como o cúmulo da destruição. Em suma, estes esquerdalhos são ladrões e invejosos, mas não são homicidas (e até são bom-vivants). É bem mais do que se pode esperar duma certa direita conservadora, autoritária, e militarista (aquela que se ofende quando um "agente da autoridade" leva nas trombas, por exemplo; como se isto fosse de admirar, tendo em conta o trabalho sujo que estes realizam todos os dias): a tal direita que defende o mercado livre, excepto quando lhe dá jeito controlá-lo e parasitá-lo para fomentar as suas cruzadas morais ou os seus impérios.

O Manuel Alegre, que em breve vai infestar as nossas televisões e os nossos mercados dia e noite para se vender ao eleitor, não faz parte desta esquerda "porreiraça". Um recente episódio bem o demonstra. O homem anda a gabar-se de ter cumprido o seu serviço militar no tempo da guerra colonial (e em situações de combate, diz ele). E por cima, anda a processar quem pôs em questão os seus "feitos". Que é como quem diz: "Tive a matar pretos! E se negarem isto, vou-vos sugar dinheiro, ou pôr-vos numa gaiola, por intermédio dos tribunais e dos gorilas da bófia!".

Vejamos a coisa, bem explicadinha, para quem tem dificuldade em ver o absurdo da situação. O homem, da tal esquerda que põe religosamente um cravo ao peito a cada 25 de Abril para mostrar o seu repúdio do regime anterior, gaba-se de ter servido como pau mandado e assassino deste mesmo regime e do seu boss Salazar, numa guerra colonial, racista, com frequentes massacres de civis pela tropa, cujo objectivo principal era manter os pretos sob o mando dos brancos. Esta guerra, em suma, excepto nos poucos casos em que a tropa defendeu os civis brancos inocentes contra as barbaridades dos pretos, era uma guerra de conquista, ou melhor dizendo, e visto que a conquista já estava feita, uma guerra para manter a dominação dum poder europeu sobre um povo estrangeiro. Uma pessoa sã de cabeça poderia pensar que a melhor coisa que poderia ser feita por alguém tendo participado neste nojo é calar-se, e nunca mais falar da coisa, de vergonha. Ou melhor ainda, pedir desculpa, fazer acto de contrição, pregar contra a coisa, e defender o direito dos pretos à independência. Uma pessoa mentalmente sã poderia pensar que quem participou em tais barbaridades teria ganho alguma maturidade, com o tempo e com a reflexão, e tivesse percebido que desobedecer às ordens, fugir para o estrangeiro, desertar, ou até nalguns casos, juntar-se ao inimigo, não só é um direito como também uma obrigação, sempre que o contrário implique cometer injustiças massivas. "Estava só a obedecer às ordens" não é justificação aceitável, como perceberam os Nazis em seu tempo. Uma pessoa sã de cabeça (e de princípios, sobretudo) perceberia, passados os anos tontos da juventude, que o serviço militar (uma medida que o candidato Alegre já defendeu várias vezes) não é mais do que escravatura pura e simples ao serviço do estado, e uma forma particularmente nojenta de escravatura, ainda por cima, porque em vez de ter um objectivo produtivo (colher algodão para fazer roupa, por exemplo), tem como objectivo matar gente. Parece que o Alegre não percebe isto tudo. Por isso, há que pô-lo no saco da esquerda militarista, colonialista, escravagista.

Além disso, o grande poeta lusitano mostra que gosta bastante daquela que é a maneira moderna de calar aqueles de quem não se gosta: o processo por difamação. Quem pensa que o Manuel Alegre é um dos firmes representantes destes "valores de Abril" como a liberdade de expressão, que se desengane. Como bem sabe quem observa com atenção o mundo da comunicação e dos jornais, há bem pouca liberdade de expressão em Portugal, apesar da "abolição" da censura. Toda a gente (proprietários, jornalistas, bloguers, oradores, etc...) se contém, por temer as multas aterradoras que podem recair sobre uma pessoa que se "estique" demais. Chegou-se a uma situação de absurdo total, no que diz respeito aos processos por difamação. Já não se pune somente os indivíduos por dizerem intencionalmente falsidades sobre outras pessoas. Já se pune pessoas, agora, por fazerem críticas verdadeiras a outras pessoas, reconhecidas inclusivamente pelos tribunais! A nova jurisprudência, resumidamente, estipula que não se pode dizer a um canalha que ele é um canalha, porque isto "afecta negativamente a reputação" do coitadinho. Não é preciso mais nada para perceber que este sistema é completamente injusto e absurdo.

De qualquer modo, estes processos por difamação são uma injustiça, mesmo que o acusado tenha efectivamente difundido falsidades sobre outra pessoa, de forma intencional. Numa sociedade livre, mentir não é um crime, é um direito (chama-se a isto... a liberdade de expressão!). Obviamente, é uma prática imoral na maioria dos casos. Mas imoralidade e criminalidade (sendo que só esta última pode ser punida pela força) são duas coisas diferentes. Moral e Direito são doiss conceitos diferentes. Em si, a mentira não viola nem a integridade física nem a propriedade alheia. Ou seja, não viola a liberdade alheia. Pode atacar a reputação duma pessoa, é verdade. Mas o que é importante perceber é que ninguém, ninguém, é "proprietário" da sua reputação. A reputação duma pessoa é simplesmente a opinião que os outros têm dela, ou seja, é simplesmente um conjunto de pensamentos disseminados por várias cabeças. A reputação duma pessoa não lhe pertence ao mesmo título que um objecto. Querer proibir ataques à reputação duma pessoa, no fundo, é querer obrigar as pessoas a pensar alguma coisa (ou proibi-las de pensar alguma coisa; ou proibi-las de influenciar os outros naquilo que pensam). Uma imiscuição da lei nos pensamentos dos cidadãos - e não só nos seus actos - é no fundo uma prática digna duma tirania. E é além disso uma impossibilidade material: não há maneira de impedir as pessoas de mudar de ideias sobre as outras - nem que seja por raciocínio próprio.

Pode-se dizer que a difamação pode afectar gravemente a vida duma pessoa. É verdade, mas isto não justifica a sua proibição. Se uma mulher se recusar a um homem apaixonado, para se entregar a outro, e se o primeiro se suicidar em consequência, há definitivamente consequências trágicas à acção da mulher. Isto não significa que a lei tenha que responsabilizar as mulheres pelos suicídios de amantes mal-sucedidos. A mulher é dona de si mesmo. Do mesmo modo, se uma pessoa for ostracisada e desprezada, em consequência de informações difamatórias, não ganha só por isso o direito de maltratar quem mentiu sobre ela. Ninguém tem o dever de lidar com ela (a vítima de difamação), numa sociedade livre, e qualquer pessoa pode pensar o que quiser dela. Entrar na defesa das reputações, no fundo, é passar ao ataque dum valor supremo bem mais importante do que qualquer reputação: a liberdade. Isto sim, é um perigo.

Na prática, as leis anti-difamação não servem para proteger os fracos contra forças poderosas. Servem para defender os influentes, os fortes e os poderosos contra o escrutínio e a crítica das suas vítimas. Qualquer pessoa que siga com atenção estes assuntos sabe bem que não são os trolhas nem os operários que recorrem a estas leis, mas principalmente grandes personagens do regime. Servem-se delas contra jornalistas e meios de comunicação mais críticos (para calá-los, e também para ganhar uns trocos de passagem, sempre que o "difamador" tenha algum património para atacar). Estas são leis mafiosas, literalmente. Quando um mafioso não gosta de algum crítico, manda um dos seus homens matá-lo ou partir-lhe as pernas - aí, toda a gente consegue ver a injustiça do acto, que será em princípio punido pela lei. Do mesmo modo, quando um Manuel Alegre ou outra personagem qualquer da elite socialo-corporato-democrática não gosta daquilo que dizem dele, mete um processo por difamação. No final, o acusado é obrigado a entregar o seu dinheiro, sob ameaça de ser preso pelos capangas deste regime. Ou seja, ou se cala, ou paga, ou é raptado e sequestrado pela máfia republicana (e em caso de resistência é abatido como um cão raivoso). Aí são os tribunais, a "lei", que cometem a injustiça. Ninguém tem capacidade para resistir a 25 mil polícias, 25 mil guardas, e 40 mil militares - é muito mafioso junto.

O Manuel Alegre foi criticado por alguns (uns imoraizecos militaristas, provavelmente) por ter fugido ao serviço militar. E ele jura que não. Mas se ele tivesse um bocado de brio e de honra, não considerava isto como um insulto, e não estaria a gabar-se no seu site pessoal de ter andado na guerra. Bem pelo contrário, estaria hoje a afirmar claramente a todos os que o criticaram que tinha desertado na altura, e que estava orgulhoso disso, porque isso lhe tinha evitado sujar as mãos com sangue alheio. Se tinha coragem para ir enfrentar as balas dos pretos a milhares de quilómetros de distância, também podia ter tido coragem para pular a fronteira e ter ido viver para França.

Não foi isso que fez na altura, e actualmente não está a fazer melhor. Acabou de lançar a "lei" e os seus vis executantes contra aqueles que o criticaram. Este desrespeito pela liberdade alheia não surpreende, vindo duma pessoa que serviu o regime anterior numa das suas políticas mais horrorosas - a caça ao preto - e que posteriormente se ilustrou como uma figura maior do actual regime parasita (embalado de democracia, para que as massas dóceis que suga não se revoltem). Continua simplesmente lançado na sua corrida liberticida. É este "grande homem", um autoritário que faz processos mesquinhos a bloguerzitos irrelevantes e anónimos, que se está a candidatar para o posto de chefe supremo do estado, onde os seus instintos dominadores vão ter muito mais meios para se exprimir do que actualmente. O pior da esquerda, em suma.



Solidariedade Social, dizem eles.


Não há dúvida, os eleitores, no próximo round da grande palhaçada democrática, vão ter grandes candidatos por onde escolher. Dois expoentes máximos do regime fabuloso em que vivemos. O papa-bolos sem espinha para fazer face às maluquices e à ladronagem da esquerda (e que também "serviu" nas colónias, já agora...), ou o ex-capanga do Salazar re-convertido em humanista Abrilista censurador (mas com um toque poético, se faz favor). Em suma, verdadeiros líderes, capazes de levar as massas ao rubro (nem o papa vai ser capaz de fazer melhor), não obstante um certo sabor a carne podre e déjà-vu, depois destes anos todos de jogatas políticas.

Que é como quem diz: "Viva a Liberdade, 25 de Abril Sempre!".

(Este artigo é dedicado a todos os tótós que pensam que Portugal é um país livre.)

Leituras Complementares:

Independências, pelo Pedro Bandeira.

Le Déserteur, no Cinco Dias.

Defending the Undefendable, pelo Walter Block (Capítulo III, especificamente, sobre a questão da liberdade de expressão e da difamação).

For a New Liberty, pelo Murray Rothbard.

domingo, 9 de maio de 2010

Violência Conjugal

Quando a violência doméstica transborda para a rua, ainda é doméstica?

H.L. Mencken E A Parvoíce Ambiente

"Todo o homem normal deve por vezes sentir-se tentado de cuspir nas suas mãos, içar a bandeira negra, e começar a cortar gargantas."

~ Henry Louis Mencken

1º De Maio

Comentário do Carlos Abreu Amorim, 9 de Maio 2010, no Blasfémias.

"Quem se recorda, conta que o 1.º de Maio de 1974 foi de alegria. Espontânea. Celebrava-se a liberdade ainda ingénua e natural como todos somos com poucos dias de vida.

36 anos passados, o dia de hoje é muito diferente. O 1.º de Maio só é realmente comemorado por sindicalistas profissionalizados que há muito fizeram do acto de reivindicar um modo de vida. Fazem-no em manifestações ritualizadas e desmotivantes, que deixam um lastro de indiferença na população. Qualificar o actual 1.º de Maio como o dia do trabalhador é tão postiço como dizer que o feriado de 15 de Agosto é o dia de todos os católicos – provavelmente poucos trabalhadores e católicos farão ideia da razão de ser da suposta santidade desses dias.

Nada disso importa aos funcionários da reivindicação – os seus discursos são repetidos nos telejornais como se fossem importantes. Os oficiantes dessas cerimónias sindicais transformaram-se em adereços do regime. Giram nos círculos de poder, movem-se em consonância com os seus principais actores, alguns, até, conseguem chegar a ministros: no fundo, integram a Corte que tanto dizem depreciar nas suas homilias sindicais. A triste decadência do 1.º de Maio é prova bastante do estado deste regime – e esta constatação não merece festejos."

Isso Não Dizem Na TV?

Pela Elisabete Joaquim, 9 de Maio 2010, no Insurgente.

Medina Carreira esteve este fim de semana na feira do livro de Lisboa para aquilo que seria uma conferência de apresentação do seu livro Portugal, que Futuro? mas que acabou por ser, a pedido da plateia, uma conversa com perguntas-respostas. Visivelmente satisfeito pela enchente do pequeno espaço dedicado ao evento, Medina Carreira repetiu o que já há muito nos habituámos a ouví-lo dizer: Que desde 70 a dívida pública tem vindo a aumentar consideravelmente e em correlação indirecta com o crescimento do Estado, que está hoje perto de zero; Que Portugal é um país em que só um louco investe, onde a Justiça não funciona, o código de trabalho é demasiado rígido e onde só os monopólios se safam; Que a Educação é uma burla alargada na qual a “aprendizagem” é um pretexto para a escola-depósito; Que o próprio Estado Social é uma burla; Que somos um povo «manso» e «sem escola».

A plateia queria soluções, remendos ou estimativas temporais para o agora certo apocalipse. Medica Carreira repetiu que não há soluções, que seis milhões de portugueses, mais de metade da população, depende do Estado, mas isso não dizem na TV, já convidei pessoas para debater este assunto comigo na TV e toda a gente recusa. Cortar nas despesas do Estado que não envolvem esses dependentes teria efeitos irrisórios nas contas públicas, e mesmo matar todos os ricos de Portugal não traria mais que 10€ ao bolso de cada um deles.

O diagnóstico parece hoje banal. Parece até estranho que uma pessoa como Medina Carreira tenha sido encarada pelos media como material de circo. Ser material de circo mediático exige um fino malabarismo entre a crítica polémica ao sistema mas sem nunca pisar o chão de fundo do próprio sistema; entre apontar o que está mal mas sem falar das causas do mal. Medina Carreira sempre foi um excelente censor da crise, um hábil detector sem a função teórica da explicação. Durante este evento na feira do livro, e apesar das várias perguntas directas nesse sentido, Medina Carreira esquivou-se sempre de uma explicação teórica de fundo para o fenómeno actual, e recusou ler o problema numa perspectiva normativa. Agora que o circo se tornou realidade e por isso perdeu a piada, e que o palhaço perdeu o circo, poder-se-ia perguntar: Medina Carreira, que Futuro?

Mesmo que Medina Carreira decidisse quebrar a fronteira e falar claramente dos problemas do Estado Social (independentes da sua relação à economia), duvido que os nossos jornalistas, como o intrépido defensor da liberdade Mário Crespo que esta semana engraxou entrevistou de forma tão inspirada Mário Soares, fossem achar piada a este novo senhor que para além de ter razão no diagnóstico ainda vem pôr em causa os fundamentos daquilo que só com nariz vermelho se pode ousar chamar a Grande Burla.

A Culpa É Do Liberalismo?

Pelo Rui A., 7 de Maio 2010, no Portugal Contemporâneo.

Há quase vinte e cinco anos, Aníbal Cavaco Silva, acabado de vencer as suas primeiras eleições, deu uma entrevista à revista do Expresso, onde, entre outras coisas, anunciou que era um keynesiano, que acreditava na intervenção do estado na economia e na sociedade, e que estava muito feliz por estar já a constatar uma considerável subida do sector dos serviços, em detrimento dos outros da economia tradicional portuguesa, que ele considerava ainda subdesenvolvida e rudimentar. Depois disso, nos seus quase dez anos de governo, Cavaco privatizou parte da economia que fora estatizada no PREC, mas o estado não parou de crescer em número de funcionários e na sua presença na sociedade.

Foi a partir deste momento, com Cavaco Silva e a sua primeira maioria absoluta, que se definiu o modelo social português da III República. Esse modelo foi - é - intervencionista e estatista, tendo permitido o continuado crescimento do estado em número de servidores e de clientes, de serviços e de funções. Com António Guterres, que lhe sucedeu, manteve-se e ampliou-se o sistema, desde a «paixão pela educação» ao «rendimento mínimo garantido». Durão Barroso nada fez para o reformar e José Sócrates, um assumido defensor do Estado Social, cumpriu o que prometeu. Infelizmente.

Hoje, o que está a rebentar por essa Europa fora, e em Portugal também, com gravidade especial nos países submetidos a governos socialistas nos últimos anos, é o Estado Social. Curiosamente, todos falam da “crise”, mas poucos parecem interessados em fazer-lhe o diagnóstico rigoroso. O que está em falência é o modelo intervencionista de presença do estado em todos os sectores da sociedade, sustentado por um lógica redistributiva de rendimentos, cargas fiscais elevadas, proteccionismo legislativo e domínio das corporações sobre o mercado. É bom termos isto presente, antes que apareça por aí alguém a dizer que esta é mais uma crise do capitalismo.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Anarco-Capitalismo: Considerações Semânticas

Pelo Rui Botelho Rodrigues, no Sem Governo, 2 de Maio 2010.

Nota 1: o termo anarco-capitalismo refere-se neste texto ao anarquismo de propriedade privada fundado no Direito Natural – não às suas variantes utilitárias - e designa a filosofia hiper-liberal de que os serviços de protecção e lei devem ser produzidos por formas de organização voluntárias.

Nota 2: o termo anarco-socialismo será usado para designar todas as formas de «comunismo libertário», cuja pretensão é abolir não só o Estado mas também a propriedade privada e qualquer outra forma de autoridade.


A filosofia anarco-capitalista não é particularmente estranha, nem é internamente inconsistente; o anarco-capitalismo é simplesmente a consequência natural, consistente e extrema do liberalismo clássico. Mas a maioria dos defensores do anarquismo (anarco-socialistas) como a maioria dos defensores do capitalismo (minarquistas) consideram o conceito de anarco-capitalismo absurdo, inconsistente e impraticável. E esse julgamento tem origem na própria designação, não na filosofia em si. Analisado com cuidado, o termo «anarco-capitalismo» é enganador, confuso e se tomado à letra é não só contraditório como contrário à teoria que o sustenta.

O termo anarquia é apelativo como rótulo porque invoca duas ideias que nos interessam: 1) oposição ao status quo; 2) oposição ao Estado. Infelizmente invoca igualmente duas outras que não nos interessam: 3) caos e desordem; ou 4) vida comunitária, ausência de qualquer forma de autoridade. O título deste blog é, como alguém notou, falacioso e enganador (tanto ou mais como a própria palavra anarco-capitalismo). Afinal, um anarco-capitalista aceita formas de governo, e logo de autoridade, desde que os indivíduos sob essa autoridade se tenham voluntariamente submetido a ela. Isto distingue-nos claramente dos anarquistas originais, socialistas e comunitários, anti-propriedade privada e anti-autoridade per se. Para eles o anarco-capitalismo é contraditório porque uma parte da definição postula a ausência de autoridade e a outra parte postula a existência de uma forma particular de autoridade.

Outra contradição entre o termo e a filosofia anarco-capitalista é que, por um lado, não exclui qualquer forma de organização voluntária e logo permite a existência numa tal sociedade de formas voluntárias de socialismo; por outro lado, também não exclui formas voluntárias de autoridade além das puramente capitalistas (como a família, a igreja, etc).

A diferença principal entre anarco-socialistas e anarco-capitalistas é a razão porque uns e outros pretendem abolir o Estado: os primeiros pretendem aboli-lo porque este constitui uma forma de autoridade (tal como a propriedade privada, a igreja e a família); os segundos pretendem abolir o Estado porque este é uma forma de autoridade não-consentida, não-voluntária. A diferença, portanto, é a teoria de justiça de uns e de outros.
Um anarco-capitalista é um anarquista que vê o indivíduo como proprietário do seu próprio corpo e da sua própria vontade, como a unidade moral e naturalmente livre, e acredita portanto na justiça de todas as formas de organização voluntárias, reconhecendo ou não qualquer tipo de autoridade, sendo entendidas como as únicas que respeitam a natureza moral e livre do indivíduo. A ênfase subsequente na teoria de apropriação original é derivada dessa teoria moral do voluntarismo individual (por ser a única que, além de consistente com essa teoria moral, serve-lhe de moldura prática), embora a sua justificação concreta como modo de acção possa ser (e normalmente é) puramente utilitária.

Um anarquista-capitalista é portanto um anarquista que aceita certas formas de autoridade e um defensor do capitalismo que aceita certas formas não-capitalistas de organização. Mas então porquê manter a palavra anarco-capitalismo, se ela é enganadora e entendida pela maioria das pessoas como uma combinação de caos (anarquia) e exploração (capitalismo)?

A razão para manter a palavra anarquia é a seguinte: apesar de os primeiros anarquistas terem sido também socialistas, a verdade é que a parte mais visível da sua tradição é a causa de abolir o Estado. Logo, podemos legitimamente utilizar essa definição de anarquia, já que somos efectivamente contra a existência do Estado (porque o reconhecemos como o mais persistente e frequente invasor dos direitos naturais do Homem).

A razão para manter a palavra capitalismo é igualmente simples: capitalismo quer dizer «propriedade privada dos meios de produção», apesar de ser frequentemente associado ao presente sistema do ocidente (o corporativismo, que só é remotamente consistente com a primeira proposição). Desde que exista qualquer actividade económica cooperativa entre pelo menos dois indivíduos, o capitalismo implica uma economia de mercado, sendo esta o total de todas as transacções voluntárias. Tendo como base o Direito Natural, todas as formas de socialismo voluntário têm origem na abdicação da exclusividade de controlo por parte de justos proprietários de determinados recursos em favor do controlo por um determinado colectivo. Logo, o socialismo voluntário faz parte da economia de mercado e é uma organização tão legítima como o capitalismo voluntário que o precedeu.

Em conclusão: somos anarquistas porque queremos abolir o Estado; somos capitalistas porque a propriedade privada é a origem e a condição para qualquer associação voluntária, e porque o Mercado é o que sucede quando não existe interferência violenta com a propriedade justa dos indivíduos.

Psicologia Das Massas

"Poucos de nós conseguem abdicar facilmente da crença de que a sociedade deve de certa forma fazer sentido. A ideia de que o estado perdeu a cabeça e está a punir tanta gente inocente é intolerável. E por isso a evidência tem que ser internamente rejeitada."

~Arthur Miller

Essencialmente, a psicologia das massas, na sua relação com o estado, não é diferente da atitude duma mulher maltratada relativamente ao seu marido/chulo: "Mas ele ama-me! Simplesmente, é um pouco exaltado."

A primeira coisa que é necessário acontecer, para que a justiça triunfe, é uma tomada de consciência por parte das pessoas da triste realidade: o estado é por natureza injusto e opressivo. Só desta constatação, seguida dum profundo repúdio moral, pode nascer a luta anarquista necessária ao restabelecimento da decência e da justiça.

O Arthur Miller, indivíduo acusado de simpatias comunistas (ou seja, de consideração pelo estado-total), não será a melhor pessoa para fazer tais afirmações. Mas estas não deixam de ter a sua validade, independentemente de quem as profere.