domingo, 9 de maio de 2010

1º De Maio

Comentário do Carlos Abreu Amorim, 9 de Maio 2010, no Blasfémias.

"Quem se recorda, conta que o 1.º de Maio de 1974 foi de alegria. Espontânea. Celebrava-se a liberdade ainda ingénua e natural como todos somos com poucos dias de vida.

36 anos passados, o dia de hoje é muito diferente. O 1.º de Maio só é realmente comemorado por sindicalistas profissionalizados que há muito fizeram do acto de reivindicar um modo de vida. Fazem-no em manifestações ritualizadas e desmotivantes, que deixam um lastro de indiferença na população. Qualificar o actual 1.º de Maio como o dia do trabalhador é tão postiço como dizer que o feriado de 15 de Agosto é o dia de todos os católicos – provavelmente poucos trabalhadores e católicos farão ideia da razão de ser da suposta santidade desses dias.

Nada disso importa aos funcionários da reivindicação – os seus discursos são repetidos nos telejornais como se fossem importantes. Os oficiantes dessas cerimónias sindicais transformaram-se em adereços do regime. Giram nos círculos de poder, movem-se em consonância com os seus principais actores, alguns, até, conseguem chegar a ministros: no fundo, integram a Corte que tanto dizem depreciar nas suas homilias sindicais. A triste decadência do 1.º de Maio é prova bastante do estado deste regime – e esta constatação não merece festejos."