quarta-feira, 12 de maio de 2010

O Pior Da Esquerda


O defeito principal da esquerda é o facto de ser genéticamente ladra e invejosa. Não há propriedade que não lhe atice a cobiça, e não há desigualdade que não mereça aos seus olhos ser esmagada pela força do "colectivo" (excepto quando esta desigualdade se chama de "diversidade", ou de "diferença", caso em que tem que ser religosamente "tolerada" e "compreendida").

No entanto, encontra-se por vezes numa certa esquerda alguns aspectos com os quais alguém com respeito pela liberdade pode simpatizar. Nalguns aspectos, a esquerdalha demonstra uma certa "tolerância". Não se importa que a malta fume um charrito. Deixam fornicar o pessoal à vontade, sem polícia dos costumes por perto. Defendem (se bem que muito hipócritamente) a liberdade de expressão: "Não à censura!". Mas sobretudo, sobretudo, sobretudo, esta esquerda evidencia (se bem que nem sempre de forma muito firme) um são desrespeito por militares, guerras, bandeiras nacionais, patriotismo balofo, colonialismos e imperialismos. Esta esquerda consegue ver os militares por aquilo que são: assassinos tontos e imorais ao serviço do poder e dos inúmeros grupos de interesses que à sua volta giram. Vê a guerra como a aberração moral e destruidora que é - como o cúmulo da destruição. Em suma, estes esquerdalhos são ladrões e invejosos, mas não são homicidas (e até são bom-vivants). É bem mais do que se pode esperar duma certa direita conservadora, autoritária, e militarista (aquela que se ofende quando um "agente da autoridade" leva nas trombas, por exemplo; como se isto fosse de admirar, tendo em conta o trabalho sujo que estes realizam todos os dias): a tal direita que defende o mercado livre, excepto quando lhe dá jeito controlá-lo e parasitá-lo para fomentar as suas cruzadas morais ou os seus impérios.

O Manuel Alegre, que em breve vai infestar as nossas televisões e os nossos mercados dia e noite para se vender ao eleitor, não faz parte desta esquerda "porreiraça". Um recente episódio bem o demonstra. O homem anda a gabar-se de ter cumprido o seu serviço militar no tempo da guerra colonial (e em situações de combate, diz ele). E por cima, anda a processar quem pôs em questão os seus "feitos". Que é como quem diz: "Tive a matar pretos! E se negarem isto, vou-vos sugar dinheiro, ou pôr-vos numa gaiola, por intermédio dos tribunais e dos gorilas da bófia!".

Vejamos a coisa, bem explicadinha, para quem tem dificuldade em ver o absurdo da situação. O homem, da tal esquerda que põe religosamente um cravo ao peito a cada 25 de Abril para mostrar o seu repúdio do regime anterior, gaba-se de ter servido como pau mandado e assassino deste mesmo regime e do seu boss Salazar, numa guerra colonial, racista, com frequentes massacres de civis pela tropa, cujo objectivo principal era manter os pretos sob o mando dos brancos. Esta guerra, em suma, excepto nos poucos casos em que a tropa defendeu os civis brancos inocentes contra as barbaridades dos pretos, era uma guerra de conquista, ou melhor dizendo, e visto que a conquista já estava feita, uma guerra para manter a dominação dum poder europeu sobre um povo estrangeiro. Uma pessoa sã de cabeça poderia pensar que a melhor coisa que poderia ser feita por alguém tendo participado neste nojo é calar-se, e nunca mais falar da coisa, de vergonha. Ou melhor ainda, pedir desculpa, fazer acto de contrição, pregar contra a coisa, e defender o direito dos pretos à independência. Uma pessoa mentalmente sã poderia pensar que quem participou em tais barbaridades teria ganho alguma maturidade, com o tempo e com a reflexão, e tivesse percebido que desobedecer às ordens, fugir para o estrangeiro, desertar, ou até nalguns casos, juntar-se ao inimigo, não só é um direito como também uma obrigação, sempre que o contrário implique cometer injustiças massivas. "Estava só a obedecer às ordens" não é justificação aceitável, como perceberam os Nazis em seu tempo. Uma pessoa sã de cabeça (e de princípios, sobretudo) perceberia, passados os anos tontos da juventude, que o serviço militar (uma medida que o candidato Alegre já defendeu várias vezes) não é mais do que escravatura pura e simples ao serviço do estado, e uma forma particularmente nojenta de escravatura, ainda por cima, porque em vez de ter um objectivo produtivo (colher algodão para fazer roupa, por exemplo), tem como objectivo matar gente. Parece que o Alegre não percebe isto tudo. Por isso, há que pô-lo no saco da esquerda militarista, colonialista, escravagista.

Além disso, o grande poeta lusitano mostra que gosta bastante daquela que é a maneira moderna de calar aqueles de quem não se gosta: o processo por difamação. Quem pensa que o Manuel Alegre é um dos firmes representantes destes "valores de Abril" como a liberdade de expressão, que se desengane. Como bem sabe quem observa com atenção o mundo da comunicação e dos jornais, há bem pouca liberdade de expressão em Portugal, apesar da "abolição" da censura. Toda a gente (proprietários, jornalistas, bloguers, oradores, etc...) se contém, por temer as multas aterradoras que podem recair sobre uma pessoa que se "estique" demais. Chegou-se a uma situação de absurdo total, no que diz respeito aos processos por difamação. Já não se pune somente os indivíduos por dizerem intencionalmente falsidades sobre outras pessoas. Já se pune pessoas, agora, por fazerem críticas verdadeiras a outras pessoas, reconhecidas inclusivamente pelos tribunais! A nova jurisprudência, resumidamente, estipula que não se pode dizer a um canalha que ele é um canalha, porque isto "afecta negativamente a reputação" do coitadinho. Não é preciso mais nada para perceber que este sistema é completamente injusto e absurdo.

De qualquer modo, estes processos por difamação são uma injustiça, mesmo que o acusado tenha efectivamente difundido falsidades sobre outra pessoa, de forma intencional. Numa sociedade livre, mentir não é um crime, é um direito (chama-se a isto... a liberdade de expressão!). Obviamente, é uma prática imoral na maioria dos casos. Mas imoralidade e criminalidade (sendo que só esta última pode ser punida pela força) são duas coisas diferentes. Moral e Direito são doiss conceitos diferentes. Em si, a mentira não viola nem a integridade física nem a propriedade alheia. Ou seja, não viola a liberdade alheia. Pode atacar a reputação duma pessoa, é verdade. Mas o que é importante perceber é que ninguém, ninguém, é "proprietário" da sua reputação. A reputação duma pessoa é simplesmente a opinião que os outros têm dela, ou seja, é simplesmente um conjunto de pensamentos disseminados por várias cabeças. A reputação duma pessoa não lhe pertence ao mesmo título que um objecto. Querer proibir ataques à reputação duma pessoa, no fundo, é querer obrigar as pessoas a pensar alguma coisa (ou proibi-las de pensar alguma coisa; ou proibi-las de influenciar os outros naquilo que pensam). Uma imiscuição da lei nos pensamentos dos cidadãos - e não só nos seus actos - é no fundo uma prática digna duma tirania. E é além disso uma impossibilidade material: não há maneira de impedir as pessoas de mudar de ideias sobre as outras - nem que seja por raciocínio próprio.

Pode-se dizer que a difamação pode afectar gravemente a vida duma pessoa. É verdade, mas isto não justifica a sua proibição. Se uma mulher se recusar a um homem apaixonado, para se entregar a outro, e se o primeiro se suicidar em consequência, há definitivamente consequências trágicas à acção da mulher. Isto não significa que a lei tenha que responsabilizar as mulheres pelos suicídios de amantes mal-sucedidos. A mulher é dona de si mesmo. Do mesmo modo, se uma pessoa for ostracisada e desprezada, em consequência de informações difamatórias, não ganha só por isso o direito de maltratar quem mentiu sobre ela. Ninguém tem o dever de lidar com ela (a vítima de difamação), numa sociedade livre, e qualquer pessoa pode pensar o que quiser dela. Entrar na defesa das reputações, no fundo, é passar ao ataque dum valor supremo bem mais importante do que qualquer reputação: a liberdade. Isto sim, é um perigo.

Na prática, as leis anti-difamação não servem para proteger os fracos contra forças poderosas. Servem para defender os influentes, os fortes e os poderosos contra o escrutínio e a crítica das suas vítimas. Qualquer pessoa que siga com atenção estes assuntos sabe bem que não são os trolhas nem os operários que recorrem a estas leis, mas principalmente grandes personagens do regime. Servem-se delas contra jornalistas e meios de comunicação mais críticos (para calá-los, e também para ganhar uns trocos de passagem, sempre que o "difamador" tenha algum património para atacar). Estas são leis mafiosas, literalmente. Quando um mafioso não gosta de algum crítico, manda um dos seus homens matá-lo ou partir-lhe as pernas - aí, toda a gente consegue ver a injustiça do acto, que será em princípio punido pela lei. Do mesmo modo, quando um Manuel Alegre ou outra personagem qualquer da elite socialo-corporato-democrática não gosta daquilo que dizem dele, mete um processo por difamação. No final, o acusado é obrigado a entregar o seu dinheiro, sob ameaça de ser preso pelos capangas deste regime. Ou seja, ou se cala, ou paga, ou é raptado e sequestrado pela máfia republicana (e em caso de resistência é abatido como um cão raivoso). Aí são os tribunais, a "lei", que cometem a injustiça. Ninguém tem capacidade para resistir a 25 mil polícias, 25 mil guardas, e 40 mil militares - é muito mafioso junto.

O Manuel Alegre foi criticado por alguns (uns imoraizecos militaristas, provavelmente) por ter fugido ao serviço militar. E ele jura que não. Mas se ele tivesse um bocado de brio e de honra, não considerava isto como um insulto, e não estaria a gabar-se no seu site pessoal de ter andado na guerra. Bem pelo contrário, estaria hoje a afirmar claramente a todos os que o criticaram que tinha desertado na altura, e que estava orgulhoso disso, porque isso lhe tinha evitado sujar as mãos com sangue alheio. Se tinha coragem para ir enfrentar as balas dos pretos a milhares de quilómetros de distância, também podia ter tido coragem para pular a fronteira e ter ido viver para França.

Não foi isso que fez na altura, e actualmente não está a fazer melhor. Acabou de lançar a "lei" e os seus vis executantes contra aqueles que o criticaram. Este desrespeito pela liberdade alheia não surpreende, vindo duma pessoa que serviu o regime anterior numa das suas políticas mais horrorosas - a caça ao preto - e que posteriormente se ilustrou como uma figura maior do actual regime parasita (embalado de democracia, para que as massas dóceis que suga não se revoltem). Continua simplesmente lançado na sua corrida liberticida. É este "grande homem", um autoritário que faz processos mesquinhos a bloguerzitos irrelevantes e anónimos, que se está a candidatar para o posto de chefe supremo do estado, onde os seus instintos dominadores vão ter muito mais meios para se exprimir do que actualmente. O pior da esquerda, em suma.



Solidariedade Social, dizem eles.


Não há dúvida, os eleitores, no próximo round da grande palhaçada democrática, vão ter grandes candidatos por onde escolher. Dois expoentes máximos do regime fabuloso em que vivemos. O papa-bolos sem espinha para fazer face às maluquices e à ladronagem da esquerda (e que também "serviu" nas colónias, já agora...), ou o ex-capanga do Salazar re-convertido em humanista Abrilista censurador (mas com um toque poético, se faz favor). Em suma, verdadeiros líderes, capazes de levar as massas ao rubro (nem o papa vai ser capaz de fazer melhor), não obstante um certo sabor a carne podre e déjà-vu, depois destes anos todos de jogatas políticas.

Que é como quem diz: "Viva a Liberdade, 25 de Abril Sempre!".

(Este artigo é dedicado a todos os tótós que pensam que Portugal é um país livre.)

Leituras Complementares:

Independências, pelo Pedro Bandeira.

Le Déserteur, no Cinco Dias.

Defending the Undefendable, pelo Walter Block (Capítulo III, especificamente, sobre a questão da liberdade de expressão e da difamação).

For a New Liberty, pelo Murray Rothbard.