domingo, 27 de junho de 2010

Bons Canalhas Versus Maus Canalhas

Constituição da República Portuguesa

Artigo 2.º
Estado de direito democrático

"A República Portuguesa é um Estado de direito democrático, baseado na soberania popular, no pluralismo de expressão e organização política democráticas, ..."

Artigo 46.º
Liberdade de associação

"4. Não são consentidas associações armadas nem de tipo militar, militarizadas ou paramilitares, nem organizações racistas ou que perfilhem a ideologia fascista."

É dificil, olhando para a constituição portuguesa, não lhe ver imediatamente os defeitos.

Em primeiro lugar, é incoerente. Não há nenhum "princípio" afirmado que não seja simultâneamente rejeitado e enfraquecido no próprio documento. Por exemplo, partidos e organizações fascistas/racistas são inconstitucionais. Mas ao mesmo tempo, pretende-se que a república seja democrática. Ou seja, pretende-se que o povo seja soberano, que seja autorizado a escolher quem lhe apetecer para o governar mas, vá-se-lá saber porquê, se uma maioria da população quiser ser governada por um caçador de pretos ou por alguém que queira destruir a democracia, não podem escolhê-lo. Como ficamos, então? Só se aceita os partidos de quem se gosta? É esta a "democracia"?

Segundo, vê-se manifestamente que foi feita à medida dos vencedores do 25 de Abril. A constituição fala de "liberdades", "garantias", "liberdade de expressão" e tutti quanti. Mas vá-se-lá saber porquê, este direito não está garantido para os inimigos de estimação da esquerda e principalmente dos comunistas: os nacional-socialistas.

Independentemente da democracia em si ou dos partidos de "extrema-direita" serem bons ou justos, as restrições à sua actividade (assim como o ar de superioridade moral que a esquerda tem perante eles) mostram bem a palermice e a arrogância deste regime (que se pode sem exagero chamar de regime de esquerda*, de pelas ideias que dominam na sua constituição, na população em geral, e na prática diária do estado e dos partidos de ambas as alas). A razão, supostamente, pela qual se proíbem este tipo de associações, é o perigo que põem para valores considerados por muitos como superiores, por exemplo a democracia ou a liberdade. E o que se faz para defender a tal liberdade/democracia? Viola-se a liberdade e a democracia dum determinado grupo... Faz sentido, não é?

Além disso, só pode dar vontade de vomitar ver a esquerda, e principalmente os comunalhos cuja prática política tende sempre para o totalitarismo político e económico, dar lições de liberdade ou democracia a quem quer que seja. Não porque aquilo que têm a dizer sobre movimentos de "extema-direita", racistas ou nacional-socialistas seja necessariamente falso; mas porque não têm nenhuma credibilidade para dar lições de moral. Eles próprios são liberticidas e/ou anti-democráticos, se bem que dum estilo diferente. Qualquer promoção que possam fazer destes ideiais é meramente instrumental. Por isso, vão dar banho ao cão.

Acreditar-se-á no amor à liberdade e à democracia (dois princípios, já agora, incompatíveis) da esquerda no dia em que autorizar a constituição e a liberdade de expressão de associações e partidos racistas, fascistas e militarizados. Até lá, a esquerda só pode ser vista como querendo o poder em exclusivo, e a sua rivalidade com os nacionais-socialistas como uma birra entre irmãos. Todas estas facções - nazióides, comunalhos, social-democratas, etc - têm um ponto em comum: querem tomar conta do poder e utilizá-lo para chular/transformar a sociedade. A esquerda não pense que é o "Bem". É simplesmente um entre vários males.

Às vezes, só para ter o prazer de indignar estes tótós ridículos, convencidos, ladrões, invejosos, parasitas e assassinos, apetece vestir um uniforme do Ku Klux Klan ou das SS, e desfilar na Avenida da Liberdade (se possível, no 25 de Abril). Tendo em conta o seu delírio de superioridade moral, assim como a sua incapacidade patente em refutar sensatamente as críticas dos seus adversários à direita (e dos seus inimigos liberais), é mesmo o que merecem.

A esquerda que temos, apesar de não ser na prática "pura e dura" como os totalitarismos comunistas, é bem mais perigosa do que qualquer grupo de skinheads que por aí anda, apesar da "moderação" das suas ideias. As injustiças que a república portuguesa comete são inúmeras, sistemáticas e sufocantes (burocracias, impostos, restrições ao comércio, censura pós-facto pelos tribunais, desarmar dos cidadãos, serviço militar (até recentemente), expropriações, caça aos vícios, controlos de preços, cartéis, corporações, monopólios). Muitas destas práticas são o resultado directo do trabalho político da esquerda militante, pura e dura. Outras, são o resultado da sua cumplicidade e da sua indiferença. E a esquerda, ao contrário dos skinheads, está firmemente implantada no poder. Tem a máquina do estado ao seu serviço.

Bons canalhas: aproximadamente 100 milhões de cadáveres



Maus canalhas: aproximadamente 25 milhões de cadáveres


Adivinhem quem está no parlamento?

*Sim, de esquerda, por muito que desagrade a um militante do Partido Comunista ser posto no mesmo saco que um militante do PP ou do PSD. Nenhum partido de direita rejeita balelas como o "estado-social", "igualdade de oportunidades", ou o republicanismo/democracia de massas - ideias eminentemente esquerdistas. O que não quer dizer, obviamente, que qualquer política destes partidos seja um passo à esquerda.