terça-feira, 22 de junho de 2010

Judeus, Anti-Semitismo E Democracia


Um aviso para as gerações mais jovens: não se ponha uma imagem destas no seu blog, caso se queira ter sucesso na vida, ser visto como respeitável, e arranjar trabalho na alta Finança. Agora, se o objectivo é atraír leitores para algum blogue, não se hesite. Nada de melhor do que temas que envolvam judeus ou Israël, para animar a malta.


Nota: este artigo foi originalmente publicado como comentário, no Insurgente, de forma ligeiramente diferente.

Um sistema ditatorial (e mais ainda uma monarquia), não deve ser necessariamente visto como um mal para os judeus, principalmente quando comparado com a Democracia. Os judeus fazem geralmente parte, em termos sociológicos, da elite política/económica/intelectual (muito mais do que outras minorias como, por exemplo, pretos ou ciganos). São, sem ironia e objectivamente, um povo superior. Ora as massas não gostam disso. São fortemente ladras (querem o que é dos outros, “something for nothing”) e invejosas (não gostam de quem é melhor/mais rico/mais inteligente). Esta roubalheira e esta inveja é travestida de “solidariedade” e de “luta contra as desigualdades”. Basta observar o ocidente democrático e as suas políticas fiscais para perceber isso. O sistema democrático dá asas a todos os piores instintos da natureza humana. Dá-lhes poder, legitimiza-os, e retira o opróbrio que lhes está associado – votar é “normal” e secreto, e a polícia faz o trabalho sujo pelo cidadão-eleitor, que não precisa de se sujar as mãos. Não traz a liberdade às massas. Traz as massas para o poder, com que destroem a sua própria liberdade. As massas usam o voto para sacanear os seus vizinhos. Historicamente, o crescimento do estado e a socialização da sociedade coincidiram com a extensão do direito de voto – a democratização da sociedade. Veja-se “Democracy: The God that Failed”, do Hans-Hermann Hoppe, que descreve bem essa evolução.

Por esta razão, defender o princípio da supremacia da maioria sobre a minoria é do mais perigoso que há para os judeus (principalmente para os seus legítimos interesses: vida, liberdade e propriedade) e para qualquer minoria bem sucedida em geral.

Eles fazem parte daqueles que “têm” (e logo devem ser espoliados) e não dos coitadinhos que “não têm” (e logo podem sacar aos que têm). E eles fazem parte da minoria, em todo o lado (menos Israël, e mesmo aí, só por mais três ou quatro décadas…). Além disso, têm frequentemente uma cultura própria, segregada e/ou segregante (religião própria diferente da religião maioritária; matrimónio dentro do seu grupo religioso). Isto faz com que sejam mal vistos pela população maioritária (são vistos como gente estranha, que faz “grupinhos”, que não se integra, etc…). Também, muitos nacionalistas os vêem de lado porque consideram que eles, judeus, têm mais lealdade para com os seus correligionários do que para com o seu país (o que implica que em caso de conflito entre os “interesses da nação” e algum judeu eles sejam levados a tomar partido “contra a nação”). Ora as massas são geralmente bastante nacionalistas (mais do que as elites, pelo menos). Todas estas percepções, legítimas ou não, podem criar hostilidade da maioria contra os judeus, o que é perigoso para estes pois traduzir-se-á necessariamente em políticas coercivas do Estado, mais tarde ou mais cedo.

Não nos esqueçámos que o Hítler subiu ao poder democráticamente. Os alemães não eram na sua maioria, grandes fãs dos judeus…

Quanto à esquerda especificamente, de pelos seus valores igualitaristas, está condenada a entrar em choque com os judeus mais tarde ou mais cedo… Marx não gostava de judeus (um comuna a gostar dum grupo religioso fortemente representado na Banca, na Finança, na riqueza? nã…). A esquerda (nomeadamente os comunistas) apoiou sempre o derrube das monarquias, pois sabe bem que o republicanismo, e a democratização da sociedade, é favorável a que movimentos socialistas/comunistas “ponham um pé” no poder (no parlamento), enquanto que pelo contrário um rei se opõe a movimentos desses, por irem contra os fundamentos duma ordem social monárquica: desigualdade, aristocracia, autoridade hereditária, propriedade privada. A esquerda sabe que as massas têm geralmente os chamados “valores de esquerda”: inveja e ganância. O facto da esquerda, que tem valores – principalmente o seu igualitarismo – que vão contra os interesses de muitos judeus, ser tão favorável à participação das massas no poder, devia fazer pensar duas vezes os pro-semitas no que toca ao seu apoio à ideia democrática.

Defender o princípio democrático em nome dos judeus é insensato, particularmente nesta altura em que a desconfiança pelos judeus está a aumentar no Ocidente (em França, particularmente, e também na América). Por várias razões:

1. Israël é cada vez mais visto como um estado-pária colonizador/ladrão/limpador-étnico/assassino-de-civis – e as pessoas sabem bem que muitos judeus da Diáspora apoiam mais ou menos fortemente Israël, sendo por isso vistos como cúmplices dos seus crimes. Muita gente não vê com muita clareza a diferença entre israëlitas, sionistas, e judeus (até porque esta distinção nem sempre existe).

2. A Internet facilitou brutalmente a difusão de ideias que de outro modo não saíriam para fora (por questões legais, ou porque judeus/israëlófilos influentes nos media não o permitiriam). Por exemplo, propósitos negacionistas da matança dos judeus na 2º Guerra Mundial, teses sobre a influência dos judeus sobre as instituições, propósitos anti-sionistas ou anti-semitas, etc… É particularmente notável este fenómeno em França, onde tudo o que toca a judeus foi durante décadas tabus, o que começa a mudar. O estado e os media tradicionais não conseguem facilmente controlar a Internet.

3. A Internet tornou evidente a quem se interesse por isso (principalmente no caso de França), que os movimentos judeófilos/sionistas usam frequentemente da sua influência sobre o estado para violar as liberdades ou os interesses de não-judeus, inclusivamente da maioria branca cristã (o que é espantoso, em países democráticos – teóricamente, seria de esperar o contrário). Isto passa por leis que proibem propósitos negacionistas (loi Gayssot) ou propósitos anti-semitas (e estas leis foram aplicadas tão extensivamente que qualquer crítica a judeus passou a poder implicar multas/prisão – até a simples expressão “Lóbi judeu”, ou simples piadas), e por campanhas de boicote e ostracismo a quem se afirma como anti-semita ou anti-sionista (vide o caso do humorista Dieudonné). Alternativamente, os mesmos movimentos/associações utilizavam a sua influência sobre os media para evitar que comentários mais críticos de Israël, e relatos sobre os crimes deste estado contra os palestinianos, saíssem para a opinião pública. Um número crescente de pessoas acredita que estas associações/movimentos/lóbis se apoiam sobre o sentimento de culpa dos ocidentais pelo que se passou na Segunda Guerra Mundial com os judeus, para promover agendas particulares nem sempre legítimas (para retomar uma expressão dum francês envolvido nestas questões: “une pornographie de la Mémoire”).

4. Há cada vez mais muçulmanos na Europa (em França e na Alemanha, principalmente). Os muçulmanos não têm obviamente veneração nenhuma de especial pelos judeus, nem têm qualquer “complexo de Segunda Guerra Mundial” que os leve a tratar com paninhos quentes os judeus ou Israël, pois os crimes contra judeus, durante a guerra, foram cometidos por povos cristãos. Recorrer a um certo sentido de culpa e de vergonha (como se vê constantemente da parte de movimentos sionistas/pro-semitas) é por isso uma estratégia que não funciona com eles. Além disso, da mesma forma que por razões confessionais muitos judeus apoiam Israël, muitos muçulmanos apoiam os palestinianos também por uma questão de solidariedade confessional (e opõem-se a todos aqueles que vêem como inimigos dos palestinianos, nomeadamente a Diáspora). Os muçulmanos têm mais filhos que os judeus, e têm mais votos. Os políticos, em boas prostitutas que são, têm que tomar conta disso. Se sentirem que há vantagem eleitoral em largar os judeus/sionistas e apoiar claramente os muçulmanos/palestinianos, fá-lo-ão sem escrúpulos.

5. A repugnância à Banca por parte da população tem aumentado nos últimos tempos, pelos planos de salvamento gigantescos de que esta tem beneficiado à custa das massas. Os judeus são vistos como influentes nesta área, e logo como cúmplices e fomentadores destas políticas.

6. Há a crescente percepção que o império americano não consegue tomar uma política independente dos israëlitas, e que no fundo “o rabo está a abanar o cão”. Há a percepção que a administração e o congresso americano, independentemente do partido no poder, têm medo e são incapazes de se opôr frontalmente aos defensores de Israël que há dentro da sociedade americana – o lóbi israëlita. Há a percepção que isto promoveu injustiças no Médio-Oriente – por exemplo, destruir o Iraque para enfraquecer um vizinho de Israël potencialmente perigoso. Há a percepção que a população americana é obrigada a financiar os custos em dinheiro e em vidas necessários para defender interesses alheios – Israël. E inclusivamente existe cada vez mais a percepção que a população está a suportar os custos duma política que não só não a serve, como lhe é literalmente nefasta (por criar inimigos no mundo islâmico e fomentar o risco de retaliações de toda a espécie, principalmente terroristas).

Por estas razões todas, a desconfiança por judeus e israëlófilos está a aumentar. E a situação pode dar uma volta negativa, de novo, para os judeus. Por exemplo, e como hipótese, se os ocidentais se meterem com o Irão – fortemente incentivados pelos israëlitas, como se vê todas as semanas nas notícias -, vão levar forte e feio. Vai ser uma guerra dura, que não lhes vai correr tão bem como podem pensar. Quando e se isto acontecer, e no rescaldo duma provável derrota ocidental e do sofrimento que só uma guerra pode provocar, os ocidentais podem querer “voltar-se contra os culpados”. Estas viragens abruptas de política acontecem, historicamente (pense-se por exemplo no início da Guerra Fria, logo no seguimento da aliança Staline-Roosevelt contra o Eixo). É possível que aí se virem contra os judeus, por considerá-los como uma das más influências que tenham levado à guerra. Aí, pagaria o justo pelo pecador. Pagaria o judeu pacífico pelo israëlita sionista e colonizador ou até pelo não-judeu militarista. E a democracia, num tal contexto, só daria força à má vontade da população perante “os responsáveis por este desastre”.

Isto não implica que um país democrático seja sempre mais duro com judeus do que uma ditadura/monarquia. O modo de selecção dos chefes políticos dum país é só um dps aspectos que determinam o tratamento reservado às minorias. Mas implica sim que a democratização dum país fomente a aplicação de políticas nefastas a judeus (intencionalmente ou não), mais do que seria o caso de outro modo.

O que é justo não é a Democracia, mas sim a Liberdade. Esta permite a cada um ter uma esfera inatacável por quem quer que seja, quer faça ou não parte da maioria.