quarta-feira, 7 de julho de 2010

Ideias Decadentes


Ao olhar para as sociedades ocidentais, pode-se constatar alguns fenómenos que só podem ser chamados de decadentes. Nenhuma sociedade se pode desenvolver de forma próspera e justa se certas ideias e práticas a travarem. E o Ocidente sofre, definitivamente, de uns quantos destes venenos. Isto só traz estagnação, e declínio inclusivamente.

1- Resistência ao progresso/modernidade

Pense-se, por exemplo, no facto de não haver um único arranha-céus de jeito em Portugal... Isto não se deve simplesmente a alguma vontade de preservar os centros históricos das cidades. Não há, pura e simplesmente, arranha-céus, mesmo longe de edifícios históricos. As câmaras municipais, cujos planos urbanísticos são controlados pelo poder central, não o permitem. É o desagrado pelo que não é habitual que fomenta tais restrições.

Compare-se a mentalidade do povo português, e a mentalidade dos habitantes do Dubaï, como ilustração. Os primeiros estão completamente conformados com o seu estilinho de vida tranquilo e pacato - não se conseguem imaginar, assim como os seus filhos e compatriotas, num país radicalmente mais desenvolvido, daqui 20 anos. Pelo contrário, um habitante dos Emirados sabe uma só coisa: os seus filhos viverão rodeados dum conforto e dum bem-estar dos quais ele nem se consegue fazer uma ideia, tal é a rapidez da mudança social que o envolve.

2- Ecologismo

A ideia tonta segundo a qual a única coisa que não é "natural", neste planeta, é o ser humano. Segundo esta ideia, o ser humano não pode nem deve modificar, transformar, utilizar e destruir a natureza em seu proveito próprio. Deve conservá-la, de forma "sustentada".

Para ver onde isto leva, basta pensar no que teria acontecido à nossa espécie se os nossos antepassados homens das cavernas tivessem adoptado estes princípios. Ainda estaríamos a dormir dentro de grutas, e a morrer aos trinta anos de idade.

3- Hipersensibilidades victimológicas

A ideia segundo a qual não se deve fazer "amálgamas", "generalizar", "ter preconceitos", "discriminar", "acordar os velhos demónios", relativamente a grupos com estatuto de espécies protegidas: pretos, judeus, homossexuais, mulheres, muçulmanos, estrangeiros.

No seguimento deste princípio, todas as ideias ou afirmações mais desagradáveis acerca de minorias são punidas (por pressão social, ou pela lei), mesmo que sejam verdadeiras, mesmo que façam sentido, mesmo que sejam partilhadas pela maioria das pessoas. Qualquer afirmação desagradável sobre um destes grupos é condenável, mesmo que verdadeira, pois teme-se que leve a injustiças colectivas (como se as duas coisas formassem necessariamente um conjunto!).

Na prática, isto é uma forma de calar a maioria, branca e cristã, e de a impedir de pensar livremente sobre certos assuntos. Esta situação, em que a maioria (que tem a força do seu lado...) se impõe a ela própria limites tão drásticos, é um tanto ou quanto burlesca. Historicamente, o Ocidente já rejeitou muito do que o caracterizava (para o bem ou para o mal, não é essa a questão), demonstrando ter na sua cultura um certo espírito auto-crítico. Isto foi um processo doloroso, envolto em grandes resistências. O cristianismo, a monarquia, a família tradicional, e mais ainda, tudo isto é ou foi contestado. Contudo, criticas a minorias, que não têm na prática maneira nenhuma de sancionar a maioria, são tabús. A força que se deixa intimidar -às vezes até, espezinhar - pela fraqueza: patético.

4- O Princípio de precaução

A ideia segundo a qual a sociedade - ou o estado, na prática - não pode deixar florescer práticas/métodos/tecnologias novas, por não se saber os riscos que acarretam. O exemplo primo deste estado de espírito observa-se na barulheira que se faz à volta de organismos trangénicos.

Este princípio tosco é do mais delirante que há. Como na verdade não há maneira nenhuma de conhecer todas as consequências de determinada acção/tecnologia, a única maneira de aplicar consistantemente este princípio é uma proibição total de qualquer inovação.

Por precaução, é melhor não adoptar o princípio de precaução.

Conclusão

São muitos os travões ideológicos que levam a "sociedade" a infligir-se males a ela própria. A lista aqui reproduzida é tudo menos completa.

Mas quaisquer que sejam eles, só há um caminho a seguir: identificá-los e abandoná-los, deixando de lado conservadorismos bananas.