quinta-feira, 26 de agosto de 2010

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Propaganda Anti-Iraniana


"Se não comes a tua sopa, o Ahmadinejad vem buscar-te."


Observa-se frequentemente, nos meios de comunicação ocidentais, propaganda anti-iraniana. Esta não diz o nome, mas existe, e veste-se de "imparcialidade" jornalística.

Um exemplo. O estado iraniano, ou o seu governo, são constantemente referidos como "regime". Do mesmo modo que se falaria de algo tenebroso, como o "regime do Salazar", ou o "regime soviético". Obviamente, o Irão tem um regime. Mas também o têm Portugal, ou o Estados Unidos. Mas poucos se lembram de falar do "regime de José Sócrates", ou do "regime Obama".

Outro exemplo. Quando os mídia ocidentais referem informações vindas do Irão, dão geralmente como proveniência a "televisão do estado". O objectivo é pôr na mente do leitor a ideia de que esta informação não é credível, e que só serve a agenda dos governantes daquele país (que financiam a tal televisão). É possível, e até provável. Mas não se pode deixar de apreciar pelo seu mérito a informação dada: ela não é necessariamente falsa. E não deixa de ser cómico ver jornalistas e pivôs ocidentais, trabalhando geralmente para meios de comunicação sob o controlo do estado (RTP, por exemplo), depreciarem a "televisão do estado" como dependente. Isto diz muito sobre a sua própria independência relativamente ao poder.

Finalmente, as notícias sobre o Irão são na sua maioria negativas. Além disso são recorrentes. Está-se perante uma campanha sistemática (os mídia não se concentram, vá-se-lá saber porquê, sobre a Papuásia-Nova-Guiné). A ouvi-las, parece que só há mal, negrume, opressão e sofrimento naquele país. Nada ou pouco que mereça ser elogiado.

Esta campanha tem origem, fundamentalmente, em dois grupos. Os progressistas, idiotas úteis de serviço, que se ofendem muito com a falta de liberdade dos maricas e das mulheres do Irão. São incapazes de ver, na sua maioria, a falta de liberdade que há aqui no Ocidente (aliás até apoiam muitos ataques à tal liberdade, em muitas áreas), e por isso procuram macaquinhos no nariz do Ahmadinejad ou do outro barbudo que manda nele. Os progressistas, na medida em que sejam sinceros, são os idiotas úteis - porque promovem uma má opinião do Irão na opinião pública ocidental, facilitando actos hostis dos governos ocidentais contra este país - daqueles que são o pilar desta campanha mediática contra o Irão: os neoconservadores americano-sionistas.

Estes querem literalmente subjugar o Irão, usando os meios dos estados americano e israelita. Na sua opinião, isto deve ser feito quer através de bombardeamentos e de guerra (a maneira "clássica"), quer pela subversão, fomentando golpes de estado, movimentos separatistas e rebeliões populares, com o intuito de passar a governar um "regime" mais dócil ao Ocidente. É um tandem entre as elites imperiais americanas e o lóbi israelita, muito influente em Washington. O objectivo deste casal é duplo. Consiste por um lado em manter e aumentar a hegemonia (parcial) dos americanos no mundo e nomeadamente no Médio-Oriente, e por outro lado em manter o monopólio nuclear dos israelitas (e logo a sua supremacia regional, assim como a sua impunidade). Todo este trabalho imperialista é coberto do manto da luta pela liberdade e pela dignidade...

Há que desconfiar enormemente de todas as notícias relativas ao Irão (e também, paralelamente, de comentários sobre a Venezuela, Cuba, Rússia, China, ou Gaza - o eixo do Mal alargado, por assim dizer). Geralmente, quem fala destes países tem uma agenda escondida, e é por isso incapaz de os observar objectivamente ou imparcialmente. Por exemplo, poucos seriam capazes de reconhecer que a China é em certas áreas económicas bem menos burocrática que muitos países ocidentais: ou seja, mais livre. Outros ainda não conseguiriam admitir que em discursos que toquem a judeus - negação da matança dos judeus na Segunda Guerra mundial, propósitos anti-semitas - o Irão é muito mais livre do que a França, o tal "país da Liberdade" (e mesmo que o admitissem, desqualificariam imediatamente tal facto como sendo irrelevante, ou até negativo...).

Não há dúvidas que estes países são governados por canalhas, e que não são livres em absoluto. Mas não se pense que é o amor à liberdade a principal motivação das críticas dos jornaleiros da praça ocidental. A razão pela qual estes países são criticados tão sistemáticamente é geralmente outra: demonstram uma certa independência, e até uma certa rivalidade, relativamente ao império americano. Países tão ou mais opressivos que não se oponham a Israel ou aos Estados-Unidos não sofrem campanhas destas (até podem ganhar uns subsídios...).

Os neocons não são simplesmente indiferentes à liberdade e ao direito à vida dos iranianos. São inimigos objectivos da liberdade dos próprios ocidentais. O seu programa de conquista do Médio-Oriente por via de sucessivas "libertações" só se pode fazer esmagando o Ocidente com impostos, serviço militar, défices e inflação, e alianças militares (NATO...) que comprometem populações inteiras sem que estas tenham dado o seu apoio para tal. Além disso, torna mais prováveis actos de retaliação terrorista, por parte de muçulmanos, sobre alvos ocidentais. Isto, por sua vez, leva a que as sociedades ocidentais se fechem e se tornem mais controleiras, ou seja, que percam a tal liberdade que o intervencionismo militar neocon pretende defender.

Os neocons são imorais e perigosos. Há que ter cuidado. Eles andam por .

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Serviço Nacional De Alimentação

O estado trata-nos como ovelhas, desde pequenos. Quando lhe apetece, põe-nos aos magotes, e diz-nos o que fazer e pensar. Só nos resta obedecer, docilmente. Bééééééhéhé.


Imagine-se uma situação deste género:

Um restaurador qualquer de Lisboa (por exemplo, o Zé das Panças), instalado há vários anos numa rua qualquer da cidade, começa a perder clientes, por causa da crise, e pela qualidade do seu serviço ter diminuído. Perante esta situação, o Zé das Panças, em vez de assumir estóicamente a sua situação, ou de melhorar o seu serviço, decide recorrer à força.

Primeiro, com mais dois ou três amigos, terroriza os seus colegas restauradores, queimando-lhes as tascas, agredindo-os, e até matando um deles. Estes, incapazes de lhe resistir (ou não tendo coragem para fazê-lo), decidem fechar o negócio. O Zé das Panças tem agora um monopólio, na sua rua.

Segundo, e apesar do negócio já lhe estar a correr melhor, visto que os clientes não têm outro sítio para onde ir comer fora, o Zé das Panças decide continuar a usar o método que tão bem o serviu num passado recente: a violência. Agora, não só proíbe qualquer restaurador de lhe fazer concorrência, como ainda por cima força toda a gente na sua rua a pagar-lhe todos os meses um X. O Zé das Panças passa assim de restaurador a extorsionista. Com este dinheiro todo, contrata mais empregados e mais capangas, distribui benesses aos seus amigos (mais numerosos, desde que ele começou a ter mais sucesso na vida), e ocasionalmente oferece alguns almoços grátis a quem ele, no seu julgamento pessoal, considere merecedor.

Em terceiro lugar, o Zé das Panças (que nesta altura já só anda de Mercedes, com duas prostitutas no banco de trás, e sempre de charuto na boca), decide ir ainda mais longe. Agora, obriga literalmente toda a gente lá da rua a ir comer ao seu restaurante. Almoço e jantar. Já ninguém come em casa, pois os recalcitrantes são severamente castigados. Nem sequer se preocupa muito que paguem ou não o serviço. O dinheiro da extorsão cobre as despesas. O que ele quer mesmo, agora, é sentir-se poderoso. Sentir que manda nas pessoas. Sentir que elas dependem de si. Aliás, até vê com bons olhos que os seus "clientes" forçados não paguem as suas refeições directamente. Ele sabe que assim, eles ficam dependentes dele, que se habituam a ter refeições "gratuitas" (ou seja, pagas pela extorsão) e que acabam por defender o sistema que ele lhes impôs.

Finalmente, o Zé das Panças decide expandir o seu "negócio". Com o dinheiro que angariou, contrata mais capangas, e expande o seu sistema a toda a cidade primeiro, e posteriormente, a todo o país. Os que lhe resistem são implacávelmente esmagados. Chegado a este ponto, já só anda de limousine, com dez prostitutas no banco de trás.

Nesta situação, a qualidade do serviço diminui necessariamente, e o descontentamento popular cresce. O conflito social aumenta, generaliza-se, e perdura de forma insolúvel. O Zé das Panças já não tem medo de ir à falência. Tem uma fonte de rendimentos garantidos, e os seus "clientes" não têm outro sítio para onde ir, caso não queiram morrer de fome. Os que gostavam de o concorrenciar não podem, mesmo que tenham procura pelos seus serviços. Os que pagam o tributo que financia o sistema rebelam-se contra o facto (ainda mais porque este tributo está constantemente a aumentar, pela simples razão de que é do interesse do Zé das Panças). Os que não gostam da alimentação do Zé das Panças querem mudar o menú. E os que gostam dela querem que se mantenha. Os dois grupos não podem simultâneamente ficar satisfeitos, e logo, combatem-se. Todos querem, ao mesmo tempo, que o tamanho das porções aumente. Muitos gostavam de poder comer em casa. Todos se queixam dos empregados de balcão, que são arrogantes, mal educados e preguiçosos, por saberem que o Zé das Panças não os vai despedir (ele não precisa! os clientes não vão fugir por causa do mau serviço... e se fugirem serão abatidos). Além disso, os empregados do Zé das Panças estão sempre a pedir aumentos nos seus vencimentos, o que deixa os pagadores do tributo ao Zé das Panças completamente borrados, por saberem que são eles que, no final, vão suportar estes custos suplementares.

Esta situação é hipotética, obviamente. Na realidade, o Zé das Panças nem conseguiria tomar o controlo da sua rua. Era logo morto por aqueles que pusesse em perigo. Ou então era logo punido pela polícia e pelos tribunais, por homicídio, extorsão, agressão e associação mafiosa.

Ou melhor dizendo, esta situação não é tão hipotética como parece. Há uma área da nossa sociedade que funciona exactamente como o sistema mafioso do Zé das Panças: o sistema de educação.

Primeiro, é um monopólio. É só o estado - isto é, o Zé Sócrates, ou o Zé Barroso, ou o Zé Salazar, ou quem quer que lá esteja no puleiro - que possui escolas, contrata professores, e "educa" as crianças. (As poucas escolas privadas que existem são obrigadas a executar o currículo determinado pelo Ministério da Educação, e devem por isso ser consideradas como meros tentáculos do monopólio).

Segundo, este sistema é financiado pelo imposto, isto é pela extorsão.

Terceiro, todas as crianças são obrigadas por "lei" a ir assistir às aulas do Monopólio. Se não o fizerem, são arrancadas aos seus pais pelos "Serviços Sociais" (S.S., quiçá?), por se considerar que estes não são dignos de criar os seus filhos. Não há a possibilidade de ensinar os seus filhos em casa, por exemplo.

Finalmente, o sistema é igual e único para todo o país.

E o resultado, como é previsível, é altamente conflituoso. Os professores são medíocres e preguiçosos. O seu serviço não satisfaz. Estão constantemente em greve. Metade do seu tempo consiste em fazer de guardas prisionais para putos reguilas que não têm vontade de estar sob a sua autoridade, por terem sido forçados a lá estar. Muitas disciplinas não têm qualquer interesse. Outras que podiam interessar não são leccionadas. Há conflitos constantes entre pais de alunos sobre o tipo ensino que deve ser leccionado: religioso vs laico, tradicional vs moderno, hierárquico vs participativo, político vs apolítico, integrado vs segregado, língua A vs língua B, etc... O sistema está altamente centralizado, e logo não permite a satisfação das particularidades locais. Além disso, esta centralização permite a movimentos ideológicos (esquerdistas radicais, nacionalistas, etc...) apoderarem-se do poder, e usá-lo para moldar à força a opinião de milhões de cidadãos que, na sua juventude, são particularmente manipuláveis. Finalmente, os contribuintes são chulados para financiar este sistema, e ressentem-se disso. Ao mesmo tempo, e de forma completamente incoerente, desejam que o estado assuma a educação e a guarda dos seus filhos, uma responsabilidade sua.

Ou seja, é um sistema imoral, patético, conflituoso e ineficiente. Mas é um sistema que perdura, infelizmente, de pelos interesses instalados, e ainda mais de pela ceguice da grande maioria dos portugueses, incapazes de vê-lo pelo que é: um sistema mafiosa, à la Zé das Panças. Se um "simples" cidadão tentar instaurar um sistema destes sobres os seus familiares, amigos, ou vizinhos, será punido. Mas quando é o estado a fazer tal malandrice, pouca é a resistência encontrada. Isto apesar do estado se compôr geralmente de pessoas completamente estranhas às sua vítimas. Que ironia ver tantas pessoas aplicarem critérios mais duros aos seus do que a estranhos!

Poucos são aqueles capazes de aplicar os princípios comuns da moral ao estado. A maioria está disposta a tolerar-lhe as numerosas e importantes injustiças. Daí deriva a sua força - da baixeza dos seus carneiros. As pessoas não percebem que o estado, o "instrumento da Lei", é ele próprio o principal violador das leis morais.

Leituras complementares:

Education: Free and Compulsory
, pelo Murray Rothbard.