segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Estratégia Do Apodrecimento


As despesas do estado excedem largamente as receitas. Para equilibrar as contas - sem aumentar a roubalheira fiscal - era necessário cortar o equivalente a dois meses inteiros de despesa do estado.

Sócrates não vai fazê-lo porque sabe que alienaria o seu eleitorado parasita e seria imediatamente corrido do poder (nem que seja pelos seus próprios comparsas socialistas). Pedro Passos Coelho, que poderia bloquear um orçamento que não esteja equilibrado, também não tem coragem para fazê-lo. Ao fazê-lo, o Sócrates responsabilizá-lo-ia por tais cortes (inclusivamente demitindo-se e provocando eleições antecipadas, que lhe correriam provavelmente muito bem, com os estado-dependentes a votarem em massa). O Pedro Passos Coelho não é um homem de princípios, mas antes de poder. Não vai tomar atitudes que compromentam o seu sucesso político.

Temos portanto o Sócrates a fingir que se demite. Não vai fazê-lo porque gosta do poder, e o Coelho não lhe vai dar uma boa razão de o fazer. O Coelho a fingir que vai vetar o orçamento. Não vai fazê-lo, da mesma forma que não o fez da última vez. Vai esperar que o Sócrates se desgaste, por outros motivos, e tentar ganhar as eleições no futuro.

Finalmente, está toda a gente a supôr, e bem, que a situação ainda vai apodrecer um pouco, de forma "sustentável", por assim dizer, até se tornar incomportável. Os impostos, apesar de aumentarem ainda mais, não vão poder sê-lo da forma esmagadora que seria necessária para equilibrar o orçamento pela via da receita. O Banco Central Europeu vai continuar a comprar dívida dos estados europeus, de medo que estes declarem a bancarrota, o que prejudicaria altamente os grandes bancos do centro-norte da Europa. Só por aí, as despesas excessivas vão continuar a realizar-se. E o FMI vai afinar em segredo, com a UE, o seu plano de conquista do país (ao mesmo tempo que todos vão negar ferozmente que tal esteja a acontecer). A esquerda delirante vai continuar a queixar-se dos governantes "que se vergam perante os mercados", convencida de que a opinião dos credores do estado não tem importância nenhuma para este (pouco importa que esteja a viver dos fundos que estes credores lhe emprestam, e que lhe podem retirar a qualquer instante)...

Portugal vai mais tarde ou mais cedo ser enterrado ainda mais profundamente na ordem europeia/mundial. O que é uma pena. Mais valia que o FMI e Cia deixassem uma crise brusca acontecer, o que forçaria toda a gente a enfrentar a realidade (a necessidade de cortar a despesa, e de libertar a economia, para que produza mais). Assim, o plano do costume vai ser implantado. Com os seus lados maus: mais impostos, mais corporatismo para firmas estrangeiras próximas do FMI. E os seus bons lados: privatizações, e menos despesa. O grande problema dum "plano de contenção" internacional é que a parasitocracia de toda a espécie (funcionários públicos, reformados, desempregados, etc...) vai enfrentar cortes bem mais pequenos do que de outro modo o seriam (no cenário duma crise sem ajuda exterior). São organismos internacionais, e contribuintes internacionais, que vão assumir o seu estilo de vida excessivo.

No fundo, o FMI e companhia são falsos mauzões (pelo menos para com a classe parasita). Servem para assustar os sindicatos de funcionários públicos, mas acabam por lhes pôr o pão na boca. É aliás por esta razão que os governos se viram para eles quando precisam. Ninguém os obriga militarmente a isso.

Este país está destinado a perder a sua independência. Não há nesta terra patriotismo e espírito de liberdade suficientes para combater os interesses da classe mamona. Esta, para continuar a chafurdar no seu parasitismo, está perfeitamente disposta a entregar o país. Quanto à classe produtora, esmagada pelos seus próprios compatriotas, nem sequer tem a dignidade de se ofender com o estado de coisas. Queixa-se um pouco, meigamente, mas não rejeita completamente e irreconciliávelmente aqueles que vivem à sua custa, como imorais que são. Daí que se esteja a debater questões patéticas como o re-equilibrar do orçamento, quando o que devia ser feito para ir ao cerne da questão era pôr em questão o próprio conceito de imposto (o que implicaria obviamente cortar em mais de noventa e cinco por cento as despesas do estado). Os portugueses não têm consciência da sua degradação.

Se o FMI ou a UE forem brutos com esta ralé de povo, ela que não se queixe. Quem tem alma de escravo acaba sempre por encontrar um soberano à sua medida.