sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Gastos Do Estado

Funções Regalianas (Capangas): 2.6%
Órgãos de Soberania (Corte): 2.1%
Funcionários Públicos (Parasitas): 78.99%
Corporatismo (Amigos do P.-M.): 0.53%
Estado Social (Coitadinhos): 14.72%
Inclassificáveis (Bobos da Corte + Melancias): 0.1%

Fica assim imediatamente aparente onde é preciso cortar, para se diminuir a despesa do estado: os funcionários do estado e o estado social... Vai lá vai.

Qualquer plano de contenção que não ataque estes sectores é uma treta e um simples acto de propaganda.

Fonte: Orçamento de Estado 2009.

Anexo: Contas detalhadas (ficheiro Excel).

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Desempoeirar O Prós E Contras


O programa de discussão da RTP, o Prós e Contras, já é qualificado por muitos de Prós e Prós.

Isso, por se limitar a convidar figuras proeminentes do regime, de discurso mole e pouco perigoso para o status quo (aliás, que o reforçam). Por raramente pôr em debate questões verdadeiramente sensíveis, contentando-se em "debater" com muito barulho "temas fracturantes" propostos pelo regime. E por raramente ou nunca dar voz a radicais dispostos a repudiar instransigentemente determinada política. Neste programa, o espectro das políticas a debater costuma ser sempre muito limitado, quase patético (com a "oposição" a aceitar os pressupostos dos seus "contraditores" estatizantes, regra geral). Não se espere dele que ponha em dúvida as políticas definidoras deste regime socialo-marxo-corporato-globalo-europeo-atlanto-sionisto-igualitaro-democrático. O P&C é um programa de pseudo-debates em que os adversários - porque inimigos não são - se falam com muito respeitinho, sem ódio, sem desprezo, sem nojo. Esta atitude, entre pessoas que supostamente têm convicções morais opostas, só mostra que não há nada em que acreditem firmemente. Se acreditassem, sentiriam repulsa por pessoas com ideias opostas, vendo-as como promotoras de javardices imorais e destrutivas.

Este conformismo não está para mudar em breve. Afinal de contas, a Fátima Campos Ferreira não chegou onde chegou na caixa de propaganda do estado, com o conforto que isto lhe dá, por ser revolucionária. Não se espere que convide radicais anti-sistema. A pose de executiva sem papas na língua é só isso mesmo: uma pose.

No entanto, ficam aqui umas sugestões de temas de debate, caso a senhora acorde um dia cheia de raiva pelo Sistema, e se lembre de fazer abanar a barraca. Nunca se sabe! E é permitido sonhar...

1. O Sócrates é paneleiro?

2. Será que o Estado é uma máfia? Será que o imposto é uma extorsão?

3. Será que a Democracia é imoral? A maioria tem o direito de parasitar uma minoria qualquer? As massas são inteligentes e honestas?

4. Que tal desmantelar o Estado Social?

5. E se liberalizássemos o porte de armas?

6. É legítimo resistir pelas armas ao Estado, quando este aplica leis injustas?

7. Legalização das drogas, da prostituição e do jogo: Sim ou Não?

8. Os concelhos, as ilhas e os distritos devem poder declarar a Independência?

9. Não serão os velhos parasitas dos mais novos, no nosso sistema de reformas?

10. E se abolíssemos o Salário Mínimo?

11. Que tal sair do Euro? Que tal destruir o Banco Central? Que tal usar o ouro como moeda nacional?

12. Que tal sair da NATO? Da ONU? Da UE? Retirar as tropas do Afeganistão, do Líbano, de Timor, da ex-Jugoslávia?

13. Há liberdade de expressão em Portugal?

14. A polícia protege-nos, ou domina-nos?

15. Os militares servem para alguma coisa? E se adoptássemos um sistema de milícia popular, como na Suiça?

15. Não seria melhor que estradas e barragens fossem construídas pelo sector privado, sem expropriações e sem subsídios?

16. Quantos maçons há nos tribunais superiores do país?

17. O que é o Grupo Bilderberg? Quem são os portugueses que já lá foram?

18. Será legítimo forçar as crianças a passarem 9 anos da sua vida (12?) sob a autoridade do estado? Será isso endoutrinação? Será que viola a liberdade das crianças, e os direitos dos pais?

19. Será que os velhos burocratas hoje aqui presentes se conseguem concentrar no que dizem apesar de a apresentadora lhes mostrar as pernas?

20. Será que o feminismo foi uma força positiva, ao longo do século 20? Será que uma sociedade em declínio demográfico não pode ser qualificada de sociedade falhada?

21. Porque é que todos os centros históricos das cidades portugueses estão a cair de podre? A lei das rendas e os impostos imobiliários tiveram alguma influência neste assunto?

22. Não seria bom quebrar o monopólio das corporações profissionais (médicos, enfermeiras, farmácias, engenheiros, arquitectos, veterinários, contabilistas, taxistas, etc...), para ter serviços bons e baratos?

23. A teoria do Marx, segundo a qual os patrões exploram os trabalhadores, está correcta? Se está, porque é que não se expropria todos os patrões e não se impõe o comunismo em Portugal? Se não é, porque é que se dá força a sindicatos, e porque é que se cobra impostos aos patrões, para redistribuir pelos trabalhadores?

24. Existem lóbis comunitários de gays, de pretos, de judeus, de mulheres, de muçulmanos e de paralíticos, no Ocidente? Se sim, as suas reinvindicações costumam ser amigas das liberdades da maioria branca, heterossexual, saudável e cristã?

E finalmente, para descontrair um pouco (a vida não é só coisas sérias):
24. Deve o governo privatizar a RTP?

Fátima, a bola está no teu campo!

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

O Papão Do Multiculturalismo

Pelo Filipe Abrantes, 21 de Outubro 2010, no Insurgente.

Todas as sociedades são multiculturais. O problema não é pois o multiculturalismo, mas sim algum multiculturalismo. O factor de sucesso de uma sociedade multicultural não é político, nem jurídico, como diz Henrique Raposo. Na Alemanha, os turcos vivem entre si, como em França o fazem por exemplo os imigrantes de origem magrebina ou da África negra. Não vale a pena o Henrique dizer que não há comunidades mas sim indivíduos porque a realidade fala por si. Se uma série de indivíduos com características minoritárias (religiosas, raciais, ou linguísticas) decide conviver com outros indivíduos com características semelhantes, podemos falar de uma comunidade. Distinguir multiculturalismo de cosmopolitismo, assumindo que neste a segregação não é tão forte, parece um jogo semântico porque não há forma de distinguir com rigor um e outro. Por outro lado, dentro de um mesmo país a integração/segregação dos imigrantes tem nuances. Os alemães e franceses das grandes cidades são tendencialmente mais tolerantes, havendo no entanto uma forte segregação (ou ‘guetização’, como diz a esquerda) entre os nacionais e os estrangeiros, que se concentram massivamente em bairros periféricos. Os alemães e franceses das zonas rurais são bem menos tolerantes mas, contrariamente ao contexto anterior, os imigrantes vivem no meio dos nacionais e esforçam-se mais para se integrar. Isto para dizer que falar de ‘multiculturalismo’ é um bocado fácil, devendo ser deixado esse jargão para os políticos (sempre em busca da nova moda para ganharem popularidade). Este é um ponto prévio.

Mas o problema das críticas ao multiculturalismo nem é tanto a sua falta de rigor. É sobretudo o seu lado romântico e utópico. Sendo que a extrema-direita não está sequer perto de chegar ao poder na Alemanha ou em França, é de supor que o fluxo de imigração se vá manter inalterado. E mesmo que ele seja moderado, o número de imigrantes nestes dois países é hoje suficientemente grande e as cisões culturais existentes tão fortes que é ilusório apelar ao respeito da lei e das regras por parte de todas as comunidades minoritárias. Por um lado, a pressão demográfica destas comunidades sobre os nacionais (muçulmanos e negros fazem muitos filhos) faz que dentro de poucas décadas elas se tornem relevantes e consigam competir em termos de acesso aos lugares políticos (vedar este acesso por via legal só teria efeito temporariamente, e nem se vê bem como isso poderia ser feito pois quem tem direito à nacionalidade tem automaticamente direito a votar e a ser eleito mal atinja a maioridade), e com isso que consigam mudar as próprias leis de acordo com os seus interesses. Por outro lado, não me parece que os governos francês e alemão se preparem para parar o fluxo migratório e comecem a expulsar em massa os turcos ou magrebinos para os respectivos países (única solução prática contra a pressão demográfica). Tal provocaria fortes resistências e o mais provável seria que eclodisse uma guerra civil, com possíveis atentados terroristas (afinal falamos de muçulmanos…) e ataques de membros destas comunidades contra os civis indígenas.

Goste-se ou não, hoje na Europa está a criar-se o cenário para um choque cultural violento. Quem o quiser evitar, tem que defender intransigentemente a liberdade: garantindo o direito à auto-determinação de zonas maioritariamente turcas e/ou muçulmanas ou de uma determinada etnia africana por exemplo; garantindo o direito à discriminação nos serviços públicos ou no trabalho (primeiro ser atendido num serviço público não é nenhum direito, depois um empregador devia ser livre de assumir que só contratava brancos ou católicos se o quisesse – estas duas medidas iriam favorecer a concentração comunitária e a segregação, de que poderia resultar a saída voluntária do país por parte dos discriminados ou o avanço para a criação de movimentos autonomistas); permitindo as câmaras não aceitarem mais estrangeiros (ou restringindo-lhes os direitos cívicos); vedando-lhes ou dificultando-lhes o acesso à nacionalidade; ou ainda não os incluindo no sistema de segurança social (enquanto ainda são minoritários tal seria possível sem grandes tumultos, isentando-os, claro, da respectiva contribuição).

O multiculturalismo não é um problema em si, não é por isso nenhum papão, nem está em falência. Só se torna um problema quando se quer integrar à força povos com culturas demasiado diferentes sob o mesmo ordenamento jurídico e administrativo. Foi esta ideia iluminista que faliu.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Um Plano Para Passos Coelho


The name is Coelho... Passos Coelhinho.


"If you can't eat their food, drink their booze, screw their women, and still vote against them, you have no business being up here." ~ Jesse Unruh, político californiano, a ilustrar com que género de homens estamos a lidar.

Pedro Passos Coelho, se os tiver no sítio, tem hipótese de dar um electro-choque à esquerda, e de limpar os inimigos que tem no partido, purificando-o dos vendidos ao sistema. Para tal, só precisa de tomar umas quantas medidas simples. Um pouco de firmeza, uma pitada de radicalismo, e capacidade para se assumir descomplexadamente como reaccionário anti-esquerda. Tem de se afirmar sem timidez como sendo de direita, e como inimigo (não como simples adversário) da esquerda, rejeitando abertamente o pseudo-manto de superioridade moral que esta exibe, e combatendo implacávelmente os avanços fiscalo-progressistas que ela promove. E precisa de mostrar às bases do partido e ao eleitorado de direita que os notáveis do PSD estão completamente vendidos à esquerda, tanto em termos práticos como ideológicos.

Para pôr em marcha este plano, relativamente simples, tem não só que adoptar uma atitude firme e completamente intransigente relativamente à esquerda e à direita-esquerda que tem no partido, como além do mais tem que partir para o contra-ataque. Pedro Passos Coelho, por muito engravatado que seja, tem que adoptar uma estratégia populista.

1º Chumbar o Orçamento.

Sem cedências de um único euro na questão dos impostos e da despesa, que não devem subir. Utilizar profusamente palavras como "ROUBO", "REGABOFE", "PARASITISMO" para descrever as propostas da esquerda. Tal nega vai mostrar à esquerda que bateu contra um muro, vai disciplinar o leque quase unânime de cobardes e vendidos do PSD que nos últimos tempos têm pressionado o Coelho a pôr o rabinho entre as pernas, e sobretudo, vai encher de energia e de alegria todo o eleitorado anti-mama do PSD (pequenos empresários, classe média que trabalha no sector privado), o que vai ser útil para a fase seguinte.

Por outro lado, toda a parasitocracia - funcionários públicos, reformados, desempregados, empresas subsidiadas - vai ficar arrepiada com isso, porque esta nega vai forçar mais tarde ou mais cedo cortes na despesa, de pelo aumento das taxas de juro da dívida pública que vai provocar (e tais aumentos, longe de serem temidos, devem ser promovidos por qualquer amigo da sanidade orçamental).

2º Deixar-lhes a Batata Quente.

Quando o Sócrates se demitir, no seguimento dum chumbo, não assumir o poder, nem participar nele. Ficar na oposição, qualquer que seja a barulheira. Tendo em conta que nem as elites nem o povo são anarquistas (e por isso não querem deixar o estado central colapsar à la Somália), sempre arranjarão alguém para governar, à pressão. O PSD tem que se manter na oposição, e não conceder nem uma onça de liberdade nestes momentos em que a propaganda dum "colapso iminente" vai estar ao rubro.

3º Passar ao Contra-Ataque Anti-Fiscal.

A esquerda está sempre a fazer "Grandes Pulos Para A Frente", em domínios fiscais e sociais, aos quais à direita se contenta em resistir sem grande convicção e com pouco sucesso. Esta atitude simplesmente conservadora não basta. É necessário adoptar uma atitude reaccionária, e servir à esquerda o prato que ela habitualmente oferece às massas produtivas e conservadoras. Tem que passar a ser a esquerda que precisa de se defender, de conservar aquilo que conseguiu. O PSD tem que assumir o papel que devia ser o do CDS-PP, mas que este não assume (o que até é de desculpar, tendo em conta que o seu chefe dificilmente consegue fugir à sua natureza).

Para tal, uma ou duas semanas depois da nega ao orçamento, promover uma descida de impostos, pondo na assembleia uma proposta simples e clara de abolição (não de simples redução) da contribuição dos trabalhadores para a Segurança Social. Isto vai pôr em dificuldades a esquerda, inclusivamente a esquerda mais radical. Como é um imposto pago pela maioria dos trabalhadores, e como uma abolição deste imposto teria consequências imediatas na sua carteira, uma proposta destas seria altamente popular (todos os salários aumentariam logo de aproximadamente dez por cento). A esquerda, que gosta de se assumir como defensora da classe trabalhadora, não poderia vetar uma lei destas sem simultâneamente aparecer aos olhos do seu próprio eleitorado como traidora, e defensora, na realidade, dos parasitas que não querem trabalhar e preferem mamar da Segurança Social.

PPC tem que promover esta medida, e se lhe perguntarem onde se pode cortar para compensar a perca de receita prevista, não deve hesitar em propôr o fim de duas vacas sagradas da esquerda, vistas pelo povo de direita como as duas aldrabices parasíticas e fomentadoras de preguicite que são: o subsídio de desemprego, e o rendimento mínimo garantido (o tal que não se sabe como vai "inserir" a malta dando-lhe meios para ficar em casa sem fazer nada). PPC tem que não ter medo de dizer que estas duas medidas fomentam o desemprego, e que para pôr as pessoas a trabalhar é preciso pô-las "entre a espada e a parede". Ou procuram emprego, e aceitam aquele que há, ou não comem. Já basta de finórios que não querem trabalhar porque alguma proposta "não se conforma com as suas qualificações" ou porque o salário é baixo de mais para incentivá-los a sair o rabo da cama.

Esta medida seria obviamente chumbada no parlamento. Mas não faz mal. Ia abrir os olhos a muita gente, à esquerda e à direita. Logo a seguir ao chumbo, PPC poria na assembleia uma proposta de referendo sobre esta mesmíssima questão. Para saber o que o povo pensa da coisa. Mais uma vez, a proposta seria chumbada pela esquerda. Isto mostraria ao povo inteiro que esta é altamente anti-democrática e elitista, e que não quer saber do que ele pensa. Poria à luz do dia os aspectos mais anti-populares e hipócritas das suas políticas (há que não esquecer que cortes em impostos pagos pela maioria da população são bem vistos: bater nesta tecla não pode fazer mal). Ou seja, fá-los-ia sentir-se sodomizados. O que promoveria uma certa revolta que só pode ser positiva para a direita.

Mais um detalhe. A pergunta do referendo deve ser construída de tal forma que a resposta pretendida pela direita seja um NÃO. O eleitor revoltado não gosta de dizer SIM. É uma palavra excessivamente positiva, simpática. É preciso deixar o eleitor descarregar as suas frustrações na urna. Uma pergunta de referendo razoável seria do género: "Aceita que a Segurança Social continue a extorquir-lhe mais da décima parte do seu salário para entregá-la a parasitas manhosos?".

4º Dar Uma Facada Ao Banana.

Se PPC seguir à risca os passos anteriores, sem vacilar, estará numa situação muito especial. Será simultâneamente o homem mais odiado e mais amado de Portugal. Será odiado pelo voto parasita, por representar algo a que eles nunca foram habituados desde há décadas: um verdadeiro reaccionário em posições de influência. Será odiado pelos frouxos do seu próprio partido (ou seja, praticamente todas as suas elites). Mas será fortemente respeitado pela maioria do eleitorado de direita, e dentro das bases do partido ganhará uns seguidores fervorosos. No momento em que as pessoas perceberem que ele é um homem com espinha, que não tem medo de ir à luta, que defende custe o que custar certos princípios, ganhará um núcleo duro de seguidores fiéis, prontos a segui-lo independentemente de considerações estratégicas de curto prazo (vitória nas próximas eleições, possível vitória da esquerda nas presidenciais, etc...). As pessoas só têm verdadeiramente respeito por homens corajosos, por homens de princípios. Certas pessoas politicamente apáticas acordam, e só acordam, quando vêem um homem desses.

Se PPC tiver ganho esta reputação de homem firme, pode passar à fase seguinte, com seguidores motivados e profundamente dedicados ao seu chefe. PPC tem que candidatar-se à presidência da república em competição com o Cavaco Silva, obrigando o partido a defendê-lo a ele, PPC! E tem que dizer claramente que o faz para castigar o Cavaco por ter sido um cobarde e um vendido ao Sócrates nestes quatro anos em que esteve no poder. Cavaco merece ser punido por ter entregue o país à União Europeia (Tratado de Lisboa), por ter aprovado o casamento gay, por ter aprovado o divórcio à la carte, por ter aprovado todos os orçamentos e toda a roubalheira crescente do Sócrates, por ter aprovado o chip nas matrículas, por ter aprovado os planos de salvamento à banca, por ter aprovado leis que ele próprio considera inconstitucionais e injustas, por ter aprovado o aborto subsidiado pelo contribuinte, por ter posto os putos a escrever brasileiro, por ter aprovado a nova e restritiva lei das armas e em geral por ter falhado redondamente na tarefa que o eleitorado lhe deu nas últimas eleições: controlar a esquerda. O Cavaco é um cobarde, incapaz de lutar por qualquer princípio que seja (excepto o "princípio" da sua reeleição), incapaz de enfrentar uma crise. É um invertebrado e um banana. É um esquerdista/progressista mascarado de homem de direita.

PPC, ao candidatar-se, poria em perigo a vitória do Cavaco. Com PPC na corrida, e o eleitorado de direita dividido, uma segunda volta seria provável. E numa segunda volta, a direita pode perder. PPC faria inimigos (mais uns!) na direitinha dos compromissos eleitoralistas, que veria com muitos maus olhos tal opção. Mas o que é preciso perceber é que uma derrota do Cavaco Silva, ou até um simples cagaiço que apanhasse devido a uma candidatura da direita reaccionária seria a melhor coisa que podia acontecer em Portugal.

Se em todas as eleições nacionais - e dentro das lutas internas aos partidos de direita - houver sempre uma direita firme e radical, há sempre a possibilidade do eleitor frustrado (nomeadamente aquele que em geral não vota) descarregar a sua raiva votando numa alternativa à direitinha molengona dos consensos e dos vendidos. Este tipo de voto fracciona o eleitorado, e ajuda a fazer perder eleições à tal direitinha que foge sempre que pode a uma luta e a uma crise. Ou seja, é um voto que age como CASTIGO.

Ora é disso mesmo que é preciso à direita. De castigos aos vendidos. De facto, os políticos só se comportam como os eleitores querem quando sabem que vão ser punidos implacávelmente em caso de falhanço às suas responsabilidades e promessas. Não há outra maneira de os controlar. Os políticos são na sua grande maioria uns imorais sem princípios e uns homens sem escrúpulos. Por isso mesmo é preciso tratá-los da mesma forma que se trata criminosos: com firmeza e sem piedade. Se isto não for feito, eles são cooptados pelo sistema (lóbis, colegas de trabalho de "outros" partidos, etc...), com as vantagens e o conforto que isto lhes traz. E passam a defendê-lo como prioridade, marimbando-se completamente pelos desejos dos seus eleitores (a quem se contentam de fazer festinhas no sentido do pelo em tempo de eleiçoes). Só se os eleitores vigiarem muito bem um candidato, e o punirem, podem eles fazer com que ele "represente" mais ou menos os seus desejos.

Para que a direita do consenso se radicalize é preciso não só que haja em determinada eleição alternativas mais radicais à direita, mas também a certeza que de ora em diante esta competição à direita vai existir a cada nova eleição. Se isto acontecer, a direita do consenso radicaliza-se imediatamente na própria eleição, e quando chega ao poder não se vende tão facilmente, de medo de perder a próxima eleição por fraccionamento do seu voto.

É este tratamento que PPC tem que dar ao Presidente-Banana. E se este perder, tanto melhor. PPC deve mostrar a todos os portugueses que o Cavaco é um traidor ao seu campo e um frouxo, e para isto só precisa de mostrar o extenso leque de javardices esquerdistas que ele aprovou. Ele deve mostrar ao eleitorado de direita que Cavaco foi uma desilusão de todo o tamanho: não serviu de contrapeso à esquerda. Deve mostrar que Cavaco é de esquerda. Quando o criticarem por estar a promover uma derrota da direita, tem que deixar bem claro que é ele, Banana, que está a tirar votos à verdadeira alternativa de direita que a sua candidatura radical representa. E por este motivo, é ele, o Banana, que se deve retirar da corrida, se realmente se preocupa pelo resultado eleitoral da direita.

5º Limpar o Partido.

Se PPC seguisse este programa, criaria tensões imensas no seio da direita. Provavelmente, alguns deputados da bancada do PSD rebelar-se-iam e votariam favoravelmente um orçamento da esquerda. Provavelmente, apoiariam o Silva à revelia do apoio oficial do partido ao PPC. Estes teriam que ser expulsos do partido. Mesmo que não chegassem a este ponto de insubordinação, haveria um sem-fim de vozes a defender o "consenso", a "maturidade", a "responsabilidade", o "pôr os interesses do País à frente das estratégias político-partidárias" e outras balelas instrumentais destes género, ao longo destes meses de tensão. Fá-lo-iam por medo de hostilizar completamente o voto parasita, que com um veto ao orçamento terá que sofrer cortes mais fortes do que de outro modo. Tudo isto não faz mal. A hora da vingança chegaria mais tarde ou mais cedo. Chegaria bem cedo, aliás. Pedro Passos Coelho, quaisquer que fossem as sondagens e as hipóteses de ganhar, qualquer que fosse a oposição interna, teria que se manter na chefia do partido enquanto de lá não o sacassem. E quando chegasse a hora das eleições ele, e só ele, poderia aprovar as listas que iriam a eleições. Aí, impiedosamente, sem qualquer tipo de "reconciliação" balofa, teria de afastar definitivamente os crocodilos velhos do partido, que se teriam oposto a ele em palavras ou em votos, internamente ou publicamente, nos meses anteriores (é tempo desde já de começar a criar "fichas"...). Só os fiéis e os mais radicais seriam postos nas listas. Os outros teriam que sofrer a sua travessia do deserto, por muitos anos (ou melhor ainda, definitivamente).

Se os órgãos dirigentes do partido se recusassem a aprovar as listas radicais pró-Coelho, este teria de lhes afirmar claramente que se fosse preciso o PSD não ia a votos! (E seguir a sua palavra em caso de oposição determinada.) Isto, feito em cima da hora, perto do prazo final de entrega das candidaturas, poria uma pressão imensa nos anti-Coelho. Seriam forçados a ceder. De seguida, era ir a eleições com o mesmíssimo programa defendido nos meses anteriores às eleições.

Em caso de derrota, mesmo que estrondosa, manter-se firme e não se demitir, ao contrário do que têm feito chefes do PSD em outras ocasiões. Assumir o lugar político e fazer oposição intransigente. A demissão é válida para quem está simplesmente à procura de conquistar o poder. Mas para o homem que está a defender com firmeza qualquer tipo de princípios políticos, é perfeitamente natural perder. Este tipo de homem, com espinha, sabe que a derrota faz parte do trabalho político (no sentido nobre da expressão: trabalho para a mudança social). Sabe que ao comprometer os seus princípios, estaria a pôr à frente o supérfluo (o poder) e a abandonar o essencial (a esperança de mudar verdadeiramente alguma coisa).

Em caso de vitória, por estranho que pareça, a melhor coisa a fazer é não assumir o poder! Manter-se na oposição, mesmo tendo maioria, servindo de contrapeso ao governo que inventariam num cenário destes. O objectivo da direita não deve ser o de ter o poder - que inevitávelmente a corrompe - mas antes de servir de barragem à esquerda.

Conclusão: Ter o Poder VS Ter Relevância Política.

Para que uma estratégia dessas funcione, é preciso que aquele que a põe em marcha não tenha medo de perder o poder, ou de não o ganhar sequer. Tem que ter sentido de missão. Não pode ter medo de ser expulso do partido, ou de ser deposto da sua chefia (o que aconteceria se o eleitorado não se entusiasmasse pelo chefe e pelas suas medidas, pondo em perigo os tachos dos notáveis do partido). Não pode ter medo de ser ostracisado pelo "círculo" da elite crocodilesco. Tem que ter coragem para ser a ovelha negra do rebanho. Para ser ridicularizado como um utópico sem hipóteses de sucesso. Tem que estar preparado a ser vaiado e humilhado, caso perca (o que é possível, apesar do plano anteriormente apresentado nem sequer ser muito radical).

Além disso, é preciso que tenha uma visão de longo prazo. No mínimo, para os dez próximos anos. Se PPC seguisse esta estratégia, e se recandidatasse em todas as eleições do partido e do país com este programa, conseguiria ter algum efeito positivo. Radicalizaria a direita. Mostraria ao país que há pelo menos um homem com coragem na política portuguesa. Atraíaria a si todos aqueles que estão hesitantes em entrar numa batalha política difícil - mesmo que partilhem os seus princípios e objectivos - por acreditarem que o chefe do movimento vai abandonar o leme por cobardia ou por interesse, à primeira contrariedade. E sobretudo, quando o povo português se enojasse finalmente de ser roubado cada vez mais descaradamente - único dado certo das políticas corporato-socialistas do nosso tempo - teria imediatamente um chefe por apoiar e em quem confiar verdadeiramente.

A direita precisa duns radicais a espicaçá-la. Precisa das suas Tea Parties, que na América têm enxotado do puleiro tanto republicano frouxo. A direitinha precisa do mesmo tratamento que a esquerda mais radical está a dar ao Manuel Alegre nestas eleições presidenciais: roubar-lhe o voto.

O Coelhinho, como já deu para ver desde que se tornou presidente do PSD, é mais um cujo objectivo principal é chegar ao poder. Já mostrou a sua falta de carácter quando aprovou os impostos do Sócrates, uns meses atrás, logo após ter prometido não o fazer. Mostrou que de brilhante só tem o seu ar de namorado da Bárbie. Ao pedir desculpas públicas no próprio dia em que aprovou javardices fiscais, mostrou que nem sequer tem capacidade para ser um imoral convicto e desenvergonhadamente aldrabão. O Sócrates, pelo menos, teria invocado com ar muito sério uma tanga qualquer para justificar as suas mafiosices. E por isso, toda esta estratégia é um exercício altamente teórico, visto que requer um homem de princípios disposto a "perder" pelos seus princípios.

Dito isto, se o Coelhinho tem medo de sair da toca e de enfrentar os lobos, outros com mais espinha que tomem o seu lugar e sigam esta estratégia. É fundamental lutar contra os avanços estatistas da esquerda, e para isso, é preciso ter uma direita firme, desemporcalhada dos cobardes intervencionistas que tem actualmente no seu seio.

Vingança! Depressa!

Leitura Complementar:

Eight Unbreakable Rules for Hard-Core Tea Party Activists (or Any Other Special-Interest Coalition) , pelo Gary North.

Right-Wing Populism, pelo Murray Rothbard.

Porcos Socialistas

Até os bébés vão passar a ter número de "contribuinte", junto com o seu cartão de cidadão-ovelha.

É para prepará-los desde cedo para uma vida de servidão.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Divagações Sobre A Influência De Oakeshott No Pensamento Conservador

Pelo Rui Botelho Rodrigues, 6 de Outubro 2010, na Ordem Natural.

Conservative, n. A statesman who is enamored of existing evils, as distinguished from the Liberal, who wishes to replace them with others. (Ambrose Bierce, The Devil’s Dictionary)

Antes de Oakeshott, o movimento conservador consistia num exercício reaccionário: uma reacção a uma mudança, apelando ao restabelecimento da “velha ordem”. Especificamente, a “velha ordem” designava a ordem fixa de castas da monarquia, contra a “nova ordem” republicana, democrática e capitalista.

Convém, à partida, fazer a ressalva de que trataremos apenas o Oakeshott que influenciou o movimento conservador e o infiltrou significativamente, que se centra em dois ensaios famosos: On Being Conservative e Rationalism in Politics. Isto não quer dizer que o conservadorismo tenha feito um uso justo, bem intencionado e bem pensado das ideias de Oakeshott. Quer apenas dizer que, a partir das suas ideias, algumas outras ideias surgiram que merecem refutação por se fundarem numa premissa oakeshottiana inadequada para as suas pretensões.

Os conservadores tomaram, assim, de Oakeshott o suposto anti-racionalismo (no essencial ausente do melhor livro do autor On Human Conduct, que infelizmente não penetrou o movimento conservador). Qualquer tentativa de avaliação racional das normas e instituições transmitidas de gerações passadas para as gerações presentes é, aos olhos do conservador oakeshottiano, um crime de «engenharia social».

Ao invés da análise, os conservadores preferem o argumento das “instituições que sobreviveram ao teste do tempo”. Acontece que o tempo não pode testar coisa alguma, e a mera perpetuação no tempo não diz nada de fundamental sobre qualquer instituição humana. Elas são constituídas somente por acções humanas e o único teste satisfatório é através do mecanismo que provoca as acções de que as instituições humanas são feitas: a Razão. As instituições humanas têm propósitos, e só é possível avaliá-las como meios, adequados ou não, para atingi-los. Distinguir entre um meio adequado e um inadequado para um determinado fim não é possível através contemplação da história.

Isto no que concerne a avaliação utilitária; no campo ético, a avaliação é igualmente necessária: só submetendo as instituições humanas a princípios morais absolutos é possível dizer que são justas. A simples existência no presente, legada do passado, não constitui um atestado de justiça.

Por outro lado, o conservador oakeshottiano não entende que ao fundar a sua filosofia numa apreciação inconsequente de um ponto temporal arbitrário (nomeadamente, o presente – o tempo em que vive), rejeita na verdade qualquer fundação verdadeira para qualquer valor, norma ou instituição humana. Se a desejabilidade e eficiência de uma instituição deve ser julgada pelo seu percurso histórico, então o conservadorismo é apenas uma rejeição inconsequente da mudança como tal e uma defesa inconsequente do status quo como tal. Infelizmente, os conservadores são incapazes de perceber a inconsistência da sua teoria e entender que o status quo é apenas o produto de mudanças prévias. As instituições que os conservadores consideram sagradas dada a sua longevidade tiveram de ser começadas em algum ponto da história, momento em que eram não tradicionais, mas inovadoras, muitas vezes revolucionárias.

Os oakeshottianos rotulam, pois, inconsequentemente de «engenharia social» qualquer tentativa de analisar ou propor formas de organização social, em particular as que existem no presente. “Em nome da Razão”, dizem, “tudo e o seu contrário é defensável”, incluindo tiranias inomináveis. Esta crítica, convém notar, não chega a sê-lo. Em nome do conservadorismo, ou de ideias que os conservadores valorizam, foram igualmente perpetradas inúmeras vilanias contrárias na prática e na teoria às crenças conservadoras. Qualquer ideia está sujeita à manipulação retórica para a legitimação de agendas exteriores ao corpo ideológico, muitas vezes mesmo opostas. Esta é portanto uma acusação ou um queixume contra a arte da retórica e a ingenuidade das massas, não uma crítica à possibilidade de avaliar racionalmente instituições e normas sociais.

O termo «engenharia social» é, porém, utilizado com dois significados que não são necessariamente complementares. O primeiro significado é o de uma proposta de organização social, uma ideia sobre que normas e instituições devem regular a vida em sociedade (ou seja: que meios utilizar para atingir o fim comum da «ordem social»). O segundo significado, embora incluído no primeiro, refere-se ao uso da coerção e da violência para instituir qualquer ideia de organização social (e é este o sentido que os conservadores têm em mente quando criticam os racionalistas, sejam eles de que estirpe forem).

Seja qual for o significado, o conservadorismo (enquanto movimento intelectual e político) é culpado de ambos. Os conservadores têm uma ideia de como a sociedade se deve organizar e, não raras vezes, no presente ou no passado, desejam o uso de violência para a pôr (ou manter) em prática.

Ao reconhecer a necessidade de manter, “conservar”, instituições existentes, o conservador reconhece, por um lado, que vivemos num mundo cuja característica fundamental é a mudança permanente, e que a acção humana (deliberada, racional) é necessária para contrariar essa característica fundamental da realidade. Assim, a proposta de “conservar” certos aspectos do presente legados do passado é também um caso de engenharia social (no primeiro sentido) tal como as propostas racionalistas. Mais do que isso, reconhecendo que na ausência de esforços conscientes de conservação certas instituições desapareceriam, o acto de conservar constitui – como todos os actos – uma mudança (um desvio do curso natural das coisas) e um produto da avaliação racional entre os efeitos da acção e da inacção. Neste sentido o ímpeto conservador é tão racionalista e tão culpado de engenharia social como os planos milenares de certos comunistas auto-proclamados racionalistas. Isto, naturalmente, nada diz sobre o conteúdo dessa engenharia, quer moral, político ou económico – mas os conservadores certamente julgam que sim, caso contrário não notariam esse facto básico como se se tratasse de um atentado à civilização. Infelizmente, aquilo que os conservadores chamam de «engenharia social» - no primeiro sentido - é comum a qualquer pessoa que exponha qualquer ideia sobre filosofia política.

Depois existe a “engenharia social” coerciva, ou seja, a imposição pela força de ideias políticas. Os conservadores têm, até certo ponto, razão. Existem ideólogos que pregam o uso da violência para avançar os seus planos mirabolantes de “mudança social”, fundada na revelação (pela Deusa Razão), geralmente algum tipo de comunismo milenar. A razão dos conservadores acaba, porém, neste ponto. Antes como depois da “era racionalista” existiram planos maquiavélicos de “engenharia social” coerciva, geralmente de inspiração cristã e, para variar, de aroma comunista. Estes episódios não põem, porém, de forma alguma em causa o Cristianismo (como religião), tal como os “engenheiros coercivos” que usaram a bandeira racionalista não põem em causa o Racionalismo (como método) – ao contrário do que os conservadores pregam. E se a proposta dos conservadores é a conservação do status quo, e este status quo é estatista (e por definição coercivo) os conservadores são também culpados do segundo tipo de engenharia social: a imposição pela violência dos seus valores – com a diferença de que não é necessária uma revolução para instaurar o regime pela força; é apenas preciso mantê-lo pela força.

O perigo da “engenharia” não está na proposta, mas na imposição pela violência da proposta (e a História está repleta de exemplos anti-racionalistas dessa imposição). Não há nada de moralmente errado na tentativa de convencer pacificamente a população a abdicar das suas possessões e viver em comunismo – cristão ou secular. Os méritos e deméritos de cada plano são, portanto, um assunto distinto do método que os ideólogos pretendem utilizar para a sua realização. Pode até existir, e ser notada, uma contradição entre os planos e os meios para os pôr em prática – mas uma discussão separada é, ainda assim, necessária. Os méritos e deméritos de cada proposta (e dos métodos de as pôr em prática) só podem ser avaliados pelo discurso racional – ou seja: o método racionalista. Que os conservadores argumentem contra ele, mostra que, apesar de o rejeitarem na teoria, o adoptam na prática.

Apesar de toda a acção ser necessariamente individual e produto de deliberação racional, instituições sociais nunca são o produto de um homem ou de uma acção – pelo contrário, o que torna uma instituição social distinta é, por um lado, a dimensão colectiva e, por outro, a dimensão contínua. Assim, existe um fundo válido na crítica conservadora às tentativas de “planear a sociedade”, não apenas porque tais planos geralmente requerem coerção para serem realizados mas também porque, apesar de ser o fruto de acção individual, não é possível a um só homem ou grupo de homens fabricar tais planos seriamente, precisamente porque as instituições sociais dependem da participação activa e racional não apenas do “planeador” ou “engenheiro” mas dos sujeitos e gerações seguintes.

Infelizmente, a crítica conservadora não se limita a apontar a irrealidade e o perigo destes planos auto-denominados racionalistas. Inconsequentemente a crítica estende-se à análise racional de instituições existentes e rejeita, por princípio, embora não na prática, qualquer tentativa do uso da razão para melhorar instituições existentes, embarcando numa obscurantista defesa do – na verdade resignação ao - status quo.

Uma variante do tema oakeshottiano que tenta “vencer o racionalismo nos seus próprios termos” é a seguinte: que sendo o presente o resultado de acções (racionais) passadas, a racionalidade e adequabilidade do presente é um facto indisputável. Duas falácias estão presentes neste argumento. A primeira é que, sendo a acção (o emprego de meios para concretizar fins) racional em si, determinar a adequabilidade dos meios para a concretização dos fins pretendidos é um assunto separado – daí que seja comum ver certos meios para certos fins como irracionais – não porque não tenham origem numa deliberação racional, mas porque os meios escolhidos para os fins pretendidos são inadequados ou insuficientes. A segunda falácia, ou lapso niilista, é que ao rejeitar a possibilidade ou desejabilidade da análise (utilitária ou ética) das instituições presentes, rejeita-se implicitamente a possibilidade de julgar utilitária ou eticamente as acções individuais que produziram as instituições do presente, do passado ou do futuro. Ou seja: o oakeshottianismo é, no seu centro, uma teoria moralmente relativista – algo que os conservadores rejeitam, geralmente de terço na mão.

É evidente que os oakeshottianos confessos ou implícitos, não levam o oakeshottianismo ao seu extremo. Apenas usam cosmeticamente o argumento da “familiaridade” e acabam por tomá-lo como um argumento sério e válido, aplicando-o a assuntos aos quais não pode fornecer senão um julgamento subjectivo, não uma contribuição filosófica. É duvidoso que Oakeshott quisesse uma interpretação tão vasta para a sua observação trivial sobre a “disposição conservadora”.

Qualquer tentativa de conciliar o oakeshottianismo (uma visão puramente ateia) e o tradicionalismo (geralmente cristão) resulta na incoerência absoluta: não existe base comum entre a defesa de valores absolutos e universais e o apego ao presente e ao familiar per se (a menos que o presente e o familiar cumpra todos os valores absolutos – o que é falso). Por isso o conservadorismo abandonou, na prática (mas não na retórica) o tradicionalismo e substituiu-o pelo pior Oakeshott: a idolatria do presente. Não admira que entre os presentes conservadores se encontrem dos maiores defensores do Estado social, corporativo e militar.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Um Orçamento, Depressa!


Pedro Passos Coelho tem que se deixar de imaturidades, de irresponsabilidades, de partidarismos primários e de protagonismos. A hora é grave. Os salários dos funcionários públicos estão em jogo. A União Sagrada impõe-se.

Se não houver acordo no orçamento, os mercados duvidarão da credibilidade das contas públicas. A taxa da dívida do estado crescerá. O governo será forçado a cortar drásticamente na despesa, e inclusivamente a declarar a bancarrota. Os bancos que detiverem dívida do estado entrarão em dificuldades. Haverá rumores a circular, seguidos de corridas aos bancos. Os bancos falirão num colapso estrondoso. As pessoas perderão as suas poupanças, o crédito escasseará, e a economia morrerá por falta de sangue. Imediatamente a seguir, o continuum espaço-tempo rasgar-se-á, e um Buraco Negro abrir-se-á por baixo dos nossos pés, que tudo engolirá à sua volta, num vórtex infernal.

A hora é grave. Pedro Passos Coelho tem um encontro marcado com a História. O futuro da Nação, e da própria Galáxia, está em jogo.

Oxalá assuma o seu Destino.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010