quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Desempoeirar O Prós E Contras


O programa de discussão da RTP, o Prós e Contras, já é qualificado por muitos de Prós e Prós.

Isso, por se limitar a convidar figuras proeminentes do regime, de discurso mole e pouco perigoso para o status quo (aliás, que o reforçam). Por raramente pôr em debate questões verdadeiramente sensíveis, contentando-se em "debater" com muito barulho "temas fracturantes" propostos pelo regime. E por raramente ou nunca dar voz a radicais dispostos a repudiar instransigentemente determinada política. Neste programa, o espectro das políticas a debater costuma ser sempre muito limitado, quase patético (com a "oposição" a aceitar os pressupostos dos seus "contraditores" estatizantes, regra geral). Não se espere dele que ponha em dúvida as políticas definidoras deste regime socialo-marxo-corporato-globalo-europeo-atlanto-sionisto-igualitaro-democrático. O P&C é um programa de pseudo-debates em que os adversários - porque inimigos não são - se falam com muito respeitinho, sem ódio, sem desprezo, sem nojo. Esta atitude, entre pessoas que supostamente têm convicções morais opostas, só mostra que não há nada em que acreditem firmemente. Se acreditassem, sentiriam repulsa por pessoas com ideias opostas, vendo-as como promotoras de javardices imorais e destrutivas.

Este conformismo não está para mudar em breve. Afinal de contas, a Fátima Campos Ferreira não chegou onde chegou na caixa de propaganda do estado, com o conforto que isto lhe dá, por ser revolucionária. Não se espere que convide radicais anti-sistema. A pose de executiva sem papas na língua é só isso mesmo: uma pose.

No entanto, ficam aqui umas sugestões de temas de debate, caso a senhora acorde um dia cheia de raiva pelo Sistema, e se lembre de fazer abanar a barraca. Nunca se sabe! E é permitido sonhar...

1. O Sócrates é paneleiro?

2. Será que o Estado é uma máfia? Será que o imposto é uma extorsão?

3. Será que a Democracia é imoral? A maioria tem o direito de parasitar uma minoria qualquer? As massas são inteligentes e honestas?

4. Que tal desmantelar o Estado Social?

5. E se liberalizássemos o porte de armas?

6. É legítimo resistir pelas armas ao Estado, quando este aplica leis injustas?

7. Legalização das drogas, da prostituição e do jogo: Sim ou Não?

8. Os concelhos, as ilhas e os distritos devem poder declarar a Independência?

9. Não serão os velhos parasitas dos mais novos, no nosso sistema de reformas?

10. E se abolíssemos o Salário Mínimo?

11. Que tal sair do Euro? Que tal destruir o Banco Central? Que tal usar o ouro como moeda nacional?

12. Que tal sair da NATO? Da ONU? Da UE? Retirar as tropas do Afeganistão, do Líbano, de Timor, da ex-Jugoslávia?

13. Há liberdade de expressão em Portugal?

14. A polícia protege-nos, ou domina-nos?

15. Os militares servem para alguma coisa? E se adoptássemos um sistema de milícia popular, como na Suiça?

15. Não seria melhor que estradas e barragens fossem construídas pelo sector privado, sem expropriações e sem subsídios?

16. Quantos maçons há nos tribunais superiores do país?

17. O que é o Grupo Bilderberg? Quem são os portugueses que já lá foram?

18. Será legítimo forçar as crianças a passarem 9 anos da sua vida (12?) sob a autoridade do estado? Será isso endoutrinação? Será que viola a liberdade das crianças, e os direitos dos pais?

19. Será que os velhos burocratas hoje aqui presentes se conseguem concentrar no que dizem apesar de a apresentadora lhes mostrar as pernas?

20. Será que o feminismo foi uma força positiva, ao longo do século 20? Será que uma sociedade em declínio demográfico não pode ser qualificada de sociedade falhada?

21. Porque é que todos os centros históricos das cidades portugueses estão a cair de podre? A lei das rendas e os impostos imobiliários tiveram alguma influência neste assunto?

22. Não seria bom quebrar o monopólio das corporações profissionais (médicos, enfermeiras, farmácias, engenheiros, arquitectos, veterinários, contabilistas, taxistas, etc...), para ter serviços bons e baratos?

23. A teoria do Marx, segundo a qual os patrões exploram os trabalhadores, está correcta? Se está, porque é que não se expropria todos os patrões e não se impõe o comunismo em Portugal? Se não é, porque é que se dá força a sindicatos, e porque é que se cobra impostos aos patrões, para redistribuir pelos trabalhadores?

24. Existem lóbis comunitários de gays, de pretos, de judeus, de mulheres, de muçulmanos e de paralíticos, no Ocidente? Se sim, as suas reinvindicações costumam ser amigas das liberdades da maioria branca, heterossexual, saudável e cristã?

E finalmente, para descontrair um pouco (a vida não é só coisas sérias):
24. Deve o governo privatizar a RTP?

Fátima, a bola está no teu campo!