sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Um Plano Para Passos Coelho


The name is Coelho... Passos Coelhinho.


"If you can't eat their food, drink their booze, screw their women, and still vote against them, you have no business being up here." ~ Jesse Unruh, político californiano, a ilustrar com que género de homens estamos a lidar.

Pedro Passos Coelho, se os tiver no sítio, tem hipótese de dar um electro-choque à esquerda, e de limpar os inimigos que tem no partido, purificando-o dos vendidos ao sistema. Para tal, só precisa de tomar umas quantas medidas simples. Um pouco de firmeza, uma pitada de radicalismo, e capacidade para se assumir descomplexadamente como reaccionário anti-esquerda. Tem de se afirmar sem timidez como sendo de direita, e como inimigo (não como simples adversário) da esquerda, rejeitando abertamente o pseudo-manto de superioridade moral que esta exibe, e combatendo implacávelmente os avanços fiscalo-progressistas que ela promove. E precisa de mostrar às bases do partido e ao eleitorado de direita que os notáveis do PSD estão completamente vendidos à esquerda, tanto em termos práticos como ideológicos.

Para pôr em marcha este plano, relativamente simples, tem não só que adoptar uma atitude firme e completamente intransigente relativamente à esquerda e à direita-esquerda que tem no partido, como além do mais tem que partir para o contra-ataque. Pedro Passos Coelho, por muito engravatado que seja, tem que adoptar uma estratégia populista.

1º Chumbar o Orçamento.

Sem cedências de um único euro na questão dos impostos e da despesa, que não devem subir. Utilizar profusamente palavras como "ROUBO", "REGABOFE", "PARASITISMO" para descrever as propostas da esquerda. Tal nega vai mostrar à esquerda que bateu contra um muro, vai disciplinar o leque quase unânime de cobardes e vendidos do PSD que nos últimos tempos têm pressionado o Coelho a pôr o rabinho entre as pernas, e sobretudo, vai encher de energia e de alegria todo o eleitorado anti-mama do PSD (pequenos empresários, classe média que trabalha no sector privado), o que vai ser útil para a fase seguinte.

Por outro lado, toda a parasitocracia - funcionários públicos, reformados, desempregados, empresas subsidiadas - vai ficar arrepiada com isso, porque esta nega vai forçar mais tarde ou mais cedo cortes na despesa, de pelo aumento das taxas de juro da dívida pública que vai provocar (e tais aumentos, longe de serem temidos, devem ser promovidos por qualquer amigo da sanidade orçamental).

2º Deixar-lhes a Batata Quente.

Quando o Sócrates se demitir, no seguimento dum chumbo, não assumir o poder, nem participar nele. Ficar na oposição, qualquer que seja a barulheira. Tendo em conta que nem as elites nem o povo são anarquistas (e por isso não querem deixar o estado central colapsar à la Somália), sempre arranjarão alguém para governar, à pressão. O PSD tem que se manter na oposição, e não conceder nem uma onça de liberdade nestes momentos em que a propaganda dum "colapso iminente" vai estar ao rubro.

3º Passar ao Contra-Ataque Anti-Fiscal.

A esquerda está sempre a fazer "Grandes Pulos Para A Frente", em domínios fiscais e sociais, aos quais à direita se contenta em resistir sem grande convicção e com pouco sucesso. Esta atitude simplesmente conservadora não basta. É necessário adoptar uma atitude reaccionária, e servir à esquerda o prato que ela habitualmente oferece às massas produtivas e conservadoras. Tem que passar a ser a esquerda que precisa de se defender, de conservar aquilo que conseguiu. O PSD tem que assumir o papel que devia ser o do CDS-PP, mas que este não assume (o que até é de desculpar, tendo em conta que o seu chefe dificilmente consegue fugir à sua natureza).

Para tal, uma ou duas semanas depois da nega ao orçamento, promover uma descida de impostos, pondo na assembleia uma proposta simples e clara de abolição (não de simples redução) da contribuição dos trabalhadores para a Segurança Social. Isto vai pôr em dificuldades a esquerda, inclusivamente a esquerda mais radical. Como é um imposto pago pela maioria dos trabalhadores, e como uma abolição deste imposto teria consequências imediatas na sua carteira, uma proposta destas seria altamente popular (todos os salários aumentariam logo de aproximadamente dez por cento). A esquerda, que gosta de se assumir como defensora da classe trabalhadora, não poderia vetar uma lei destas sem simultâneamente aparecer aos olhos do seu próprio eleitorado como traidora, e defensora, na realidade, dos parasitas que não querem trabalhar e preferem mamar da Segurança Social.

PPC tem que promover esta medida, e se lhe perguntarem onde se pode cortar para compensar a perca de receita prevista, não deve hesitar em propôr o fim de duas vacas sagradas da esquerda, vistas pelo povo de direita como as duas aldrabices parasíticas e fomentadoras de preguicite que são: o subsídio de desemprego, e o rendimento mínimo garantido (o tal que não se sabe como vai "inserir" a malta dando-lhe meios para ficar em casa sem fazer nada). PPC tem que não ter medo de dizer que estas duas medidas fomentam o desemprego, e que para pôr as pessoas a trabalhar é preciso pô-las "entre a espada e a parede". Ou procuram emprego, e aceitam aquele que há, ou não comem. Já basta de finórios que não querem trabalhar porque alguma proposta "não se conforma com as suas qualificações" ou porque o salário é baixo de mais para incentivá-los a sair o rabo da cama.

Esta medida seria obviamente chumbada no parlamento. Mas não faz mal. Ia abrir os olhos a muita gente, à esquerda e à direita. Logo a seguir ao chumbo, PPC poria na assembleia uma proposta de referendo sobre esta mesmíssima questão. Para saber o que o povo pensa da coisa. Mais uma vez, a proposta seria chumbada pela esquerda. Isto mostraria ao povo inteiro que esta é altamente anti-democrática e elitista, e que não quer saber do que ele pensa. Poria à luz do dia os aspectos mais anti-populares e hipócritas das suas políticas (há que não esquecer que cortes em impostos pagos pela maioria da população são bem vistos: bater nesta tecla não pode fazer mal). Ou seja, fá-los-ia sentir-se sodomizados. O que promoveria uma certa revolta que só pode ser positiva para a direita.

Mais um detalhe. A pergunta do referendo deve ser construída de tal forma que a resposta pretendida pela direita seja um NÃO. O eleitor revoltado não gosta de dizer SIM. É uma palavra excessivamente positiva, simpática. É preciso deixar o eleitor descarregar as suas frustrações na urna. Uma pergunta de referendo razoável seria do género: "Aceita que a Segurança Social continue a extorquir-lhe mais da décima parte do seu salário para entregá-la a parasitas manhosos?".

4º Dar Uma Facada Ao Banana.

Se PPC seguir à risca os passos anteriores, sem vacilar, estará numa situação muito especial. Será simultâneamente o homem mais odiado e mais amado de Portugal. Será odiado pelo voto parasita, por representar algo a que eles nunca foram habituados desde há décadas: um verdadeiro reaccionário em posições de influência. Será odiado pelos frouxos do seu próprio partido (ou seja, praticamente todas as suas elites). Mas será fortemente respeitado pela maioria do eleitorado de direita, e dentro das bases do partido ganhará uns seguidores fervorosos. No momento em que as pessoas perceberem que ele é um homem com espinha, que não tem medo de ir à luta, que defende custe o que custar certos princípios, ganhará um núcleo duro de seguidores fiéis, prontos a segui-lo independentemente de considerações estratégicas de curto prazo (vitória nas próximas eleições, possível vitória da esquerda nas presidenciais, etc...). As pessoas só têm verdadeiramente respeito por homens corajosos, por homens de princípios. Certas pessoas politicamente apáticas acordam, e só acordam, quando vêem um homem desses.

Se PPC tiver ganho esta reputação de homem firme, pode passar à fase seguinte, com seguidores motivados e profundamente dedicados ao seu chefe. PPC tem que candidatar-se à presidência da república em competição com o Cavaco Silva, obrigando o partido a defendê-lo a ele, PPC! E tem que dizer claramente que o faz para castigar o Cavaco por ter sido um cobarde e um vendido ao Sócrates nestes quatro anos em que esteve no poder. Cavaco merece ser punido por ter entregue o país à União Europeia (Tratado de Lisboa), por ter aprovado o casamento gay, por ter aprovado o divórcio à la carte, por ter aprovado todos os orçamentos e toda a roubalheira crescente do Sócrates, por ter aprovado o chip nas matrículas, por ter aprovado os planos de salvamento à banca, por ter aprovado leis que ele próprio considera inconstitucionais e injustas, por ter aprovado o aborto subsidiado pelo contribuinte, por ter posto os putos a escrever brasileiro, por ter aprovado a nova e restritiva lei das armas e em geral por ter falhado redondamente na tarefa que o eleitorado lhe deu nas últimas eleições: controlar a esquerda. O Cavaco é um cobarde, incapaz de lutar por qualquer princípio que seja (excepto o "princípio" da sua reeleição), incapaz de enfrentar uma crise. É um invertebrado e um banana. É um esquerdista/progressista mascarado de homem de direita.

PPC, ao candidatar-se, poria em perigo a vitória do Cavaco. Com PPC na corrida, e o eleitorado de direita dividido, uma segunda volta seria provável. E numa segunda volta, a direita pode perder. PPC faria inimigos (mais uns!) na direitinha dos compromissos eleitoralistas, que veria com muitos maus olhos tal opção. Mas o que é preciso perceber é que uma derrota do Cavaco Silva, ou até um simples cagaiço que apanhasse devido a uma candidatura da direita reaccionária seria a melhor coisa que podia acontecer em Portugal.

Se em todas as eleições nacionais - e dentro das lutas internas aos partidos de direita - houver sempre uma direita firme e radical, há sempre a possibilidade do eleitor frustrado (nomeadamente aquele que em geral não vota) descarregar a sua raiva votando numa alternativa à direitinha molengona dos consensos e dos vendidos. Este tipo de voto fracciona o eleitorado, e ajuda a fazer perder eleições à tal direitinha que foge sempre que pode a uma luta e a uma crise. Ou seja, é um voto que age como CASTIGO.

Ora é disso mesmo que é preciso à direita. De castigos aos vendidos. De facto, os políticos só se comportam como os eleitores querem quando sabem que vão ser punidos implacávelmente em caso de falhanço às suas responsabilidades e promessas. Não há outra maneira de os controlar. Os políticos são na sua grande maioria uns imorais sem princípios e uns homens sem escrúpulos. Por isso mesmo é preciso tratá-los da mesma forma que se trata criminosos: com firmeza e sem piedade. Se isto não for feito, eles são cooptados pelo sistema (lóbis, colegas de trabalho de "outros" partidos, etc...), com as vantagens e o conforto que isto lhes traz. E passam a defendê-lo como prioridade, marimbando-se completamente pelos desejos dos seus eleitores (a quem se contentam de fazer festinhas no sentido do pelo em tempo de eleiçoes). Só se os eleitores vigiarem muito bem um candidato, e o punirem, podem eles fazer com que ele "represente" mais ou menos os seus desejos.

Para que a direita do consenso se radicalize é preciso não só que haja em determinada eleição alternativas mais radicais à direita, mas também a certeza que de ora em diante esta competição à direita vai existir a cada nova eleição. Se isto acontecer, a direita do consenso radicaliza-se imediatamente na própria eleição, e quando chega ao poder não se vende tão facilmente, de medo de perder a próxima eleição por fraccionamento do seu voto.

É este tratamento que PPC tem que dar ao Presidente-Banana. E se este perder, tanto melhor. PPC deve mostrar a todos os portugueses que o Cavaco é um traidor ao seu campo e um frouxo, e para isto só precisa de mostrar o extenso leque de javardices esquerdistas que ele aprovou. Ele deve mostrar ao eleitorado de direita que Cavaco foi uma desilusão de todo o tamanho: não serviu de contrapeso à esquerda. Deve mostrar que Cavaco é de esquerda. Quando o criticarem por estar a promover uma derrota da direita, tem que deixar bem claro que é ele, Banana, que está a tirar votos à verdadeira alternativa de direita que a sua candidatura radical representa. E por este motivo, é ele, o Banana, que se deve retirar da corrida, se realmente se preocupa pelo resultado eleitoral da direita.

5º Limpar o Partido.

Se PPC seguisse este programa, criaria tensões imensas no seio da direita. Provavelmente, alguns deputados da bancada do PSD rebelar-se-iam e votariam favoravelmente um orçamento da esquerda. Provavelmente, apoiariam o Silva à revelia do apoio oficial do partido ao PPC. Estes teriam que ser expulsos do partido. Mesmo que não chegassem a este ponto de insubordinação, haveria um sem-fim de vozes a defender o "consenso", a "maturidade", a "responsabilidade", o "pôr os interesses do País à frente das estratégias político-partidárias" e outras balelas instrumentais destes género, ao longo destes meses de tensão. Fá-lo-iam por medo de hostilizar completamente o voto parasita, que com um veto ao orçamento terá que sofrer cortes mais fortes do que de outro modo. Tudo isto não faz mal. A hora da vingança chegaria mais tarde ou mais cedo. Chegaria bem cedo, aliás. Pedro Passos Coelho, quaisquer que fossem as sondagens e as hipóteses de ganhar, qualquer que fosse a oposição interna, teria que se manter na chefia do partido enquanto de lá não o sacassem. E quando chegasse a hora das eleições ele, e só ele, poderia aprovar as listas que iriam a eleições. Aí, impiedosamente, sem qualquer tipo de "reconciliação" balofa, teria de afastar definitivamente os crocodilos velhos do partido, que se teriam oposto a ele em palavras ou em votos, internamente ou publicamente, nos meses anteriores (é tempo desde já de começar a criar "fichas"...). Só os fiéis e os mais radicais seriam postos nas listas. Os outros teriam que sofrer a sua travessia do deserto, por muitos anos (ou melhor ainda, definitivamente).

Se os órgãos dirigentes do partido se recusassem a aprovar as listas radicais pró-Coelho, este teria de lhes afirmar claramente que se fosse preciso o PSD não ia a votos! (E seguir a sua palavra em caso de oposição determinada.) Isto, feito em cima da hora, perto do prazo final de entrega das candidaturas, poria uma pressão imensa nos anti-Coelho. Seriam forçados a ceder. De seguida, era ir a eleições com o mesmíssimo programa defendido nos meses anteriores às eleições.

Em caso de derrota, mesmo que estrondosa, manter-se firme e não se demitir, ao contrário do que têm feito chefes do PSD em outras ocasiões. Assumir o lugar político e fazer oposição intransigente. A demissão é válida para quem está simplesmente à procura de conquistar o poder. Mas para o homem que está a defender com firmeza qualquer tipo de princípios políticos, é perfeitamente natural perder. Este tipo de homem, com espinha, sabe que a derrota faz parte do trabalho político (no sentido nobre da expressão: trabalho para a mudança social). Sabe que ao comprometer os seus princípios, estaria a pôr à frente o supérfluo (o poder) e a abandonar o essencial (a esperança de mudar verdadeiramente alguma coisa).

Em caso de vitória, por estranho que pareça, a melhor coisa a fazer é não assumir o poder! Manter-se na oposição, mesmo tendo maioria, servindo de contrapeso ao governo que inventariam num cenário destes. O objectivo da direita não deve ser o de ter o poder - que inevitávelmente a corrompe - mas antes de servir de barragem à esquerda.

Conclusão: Ter o Poder VS Ter Relevância Política.

Para que uma estratégia dessas funcione, é preciso que aquele que a põe em marcha não tenha medo de perder o poder, ou de não o ganhar sequer. Tem que ter sentido de missão. Não pode ter medo de ser expulso do partido, ou de ser deposto da sua chefia (o que aconteceria se o eleitorado não se entusiasmasse pelo chefe e pelas suas medidas, pondo em perigo os tachos dos notáveis do partido). Não pode ter medo de ser ostracisado pelo "círculo" da elite crocodilesco. Tem que ter coragem para ser a ovelha negra do rebanho. Para ser ridicularizado como um utópico sem hipóteses de sucesso. Tem que estar preparado a ser vaiado e humilhado, caso perca (o que é possível, apesar do plano anteriormente apresentado nem sequer ser muito radical).

Além disso, é preciso que tenha uma visão de longo prazo. No mínimo, para os dez próximos anos. Se PPC seguisse esta estratégia, e se recandidatasse em todas as eleições do partido e do país com este programa, conseguiria ter algum efeito positivo. Radicalizaria a direita. Mostraria ao país que há pelo menos um homem com coragem na política portuguesa. Atraíaria a si todos aqueles que estão hesitantes em entrar numa batalha política difícil - mesmo que partilhem os seus princípios e objectivos - por acreditarem que o chefe do movimento vai abandonar o leme por cobardia ou por interesse, à primeira contrariedade. E sobretudo, quando o povo português se enojasse finalmente de ser roubado cada vez mais descaradamente - único dado certo das políticas corporato-socialistas do nosso tempo - teria imediatamente um chefe por apoiar e em quem confiar verdadeiramente.

A direita precisa duns radicais a espicaçá-la. Precisa das suas Tea Parties, que na América têm enxotado do puleiro tanto republicano frouxo. A direitinha precisa do mesmo tratamento que a esquerda mais radical está a dar ao Manuel Alegre nestas eleições presidenciais: roubar-lhe o voto.

O Coelhinho, como já deu para ver desde que se tornou presidente do PSD, é mais um cujo objectivo principal é chegar ao poder. Já mostrou a sua falta de carácter quando aprovou os impostos do Sócrates, uns meses atrás, logo após ter prometido não o fazer. Mostrou que de brilhante só tem o seu ar de namorado da Bárbie. Ao pedir desculpas públicas no próprio dia em que aprovou javardices fiscais, mostrou que nem sequer tem capacidade para ser um imoral convicto e desenvergonhadamente aldrabão. O Sócrates, pelo menos, teria invocado com ar muito sério uma tanga qualquer para justificar as suas mafiosices. E por isso, toda esta estratégia é um exercício altamente teórico, visto que requer um homem de princípios disposto a "perder" pelos seus princípios.

Dito isto, se o Coelhinho tem medo de sair da toca e de enfrentar os lobos, outros com mais espinha que tomem o seu lugar e sigam esta estratégia. É fundamental lutar contra os avanços estatistas da esquerda, e para isso, é preciso ter uma direita firme, desemporcalhada dos cobardes intervencionistas que tem actualmente no seu seio.

Vingança! Depressa!

Leitura Complementar:

Eight Unbreakable Rules for Hard-Core Tea Party Activists (or Any Other Special-Interest Coalition) , pelo Gary North.

Right-Wing Populism, pelo Murray Rothbard.