quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Make Love, Not War.

COMITIVA DA GEÓRGIA CONTRATOU 80 PROSTITUTAS DURANTE A CIMEIRA DA NATO.



Se isto tiver travado os ardores belicistas anti-afegãos e anti-iranianos do pessoal (as últimas cruzadas fúteis dos atlantistas), ainda bem. Do mal, o menor. É preferível pagarmos impostos para financiar orgias, do que para chacinar povos longínquos. Sabe-se perfeitamente que uma bem dada traz paz ao coração.

Ainda neste espírito positivo, uma boa ideia para uma próxima cimeira da NATO seria a de convidar específicamente prostitutas iranianas, venezuelanas, afegãs e norte-coreanas.

POR NÓS
POR ELAS
PELA RECONCILIAÇÃO

E PELA PAZ NO MUNDO.

domingo, 21 de novembro de 2010

O País Dos Saloios

Pelo Nuno Ramos de Almeida, 20 de Novembro 2010, no Cinco Dias.

Os telejornais abrem com os pivôs a garantirem com ar embevecido que “Portugal foi o centro do mundo”. O país está na merda, mas meia duzia de burocratas estrangeiros cá são motivo para um verdadeiro orgasmo informativo. Só falta os jornalistas arfarem e entremelarem os olhos durante o telejornal. Procuram com insistência as notícias “lá de fora” que falam do nosso cantinho à beira mar plantado, como se isso contribuisse alguma coisa para a nossa felicidade. Precisamos de uma linha num jornal de fora para garantir que a gente existe. Pior, só a chegada do saloio mor de carro eléctrico. Somos, de facto, uma pátria de parvos que ambiciona que os estrangeiros escrevam sobre nós, mesmo que seja pelas piores razões. Mais saloios do que os jornalistas só os polícias, estava mortinhos para andarem à pancada. Foi uma festa: helicópteros no ar, polícia de choque por todo o lado. A conta deve ser grande, mas tudo bem: somos nós que pagamos. Na manifestação da Avenida da Liberdade resolveram que a mesma tinha direito de admissão. Parece que em Portugal ser anarquista ou jovem vestido de preto já é crime. Com toda esta imbecilidade tornam atraente ser anarquista – se vocês os odeiam tanto é porque eles não podem ser má gente.

domingo, 14 de novembro de 2010

O Salto De Fé Minarquista

Pelo Rui Botelho Rodrigues, no Ordem Natural, a 11 de Novembro 2010.

O novo texto do Rui Albuquerque no Ordem Livre sobre Hans-Hermann Hoppe tem duas “teses” centrais. O objectivo é simples: destruir as pretensões anarco-capitalistas e defender o Estado na sua pureza minarquista.

A primeira “tese” concerne a crítica de Hoppe (e Rothbard) ao sistema democrático e à sua incompatibilidade com o carácter inviolável da propriedade privada justamente adquirida (apropriação original, dádiva ou contrato). O Rui A. começa por expor de forma justa o argumento ancap contra o sistema democrático e prossegue lembrando o histórico falhanço dos adorados checks-and-balances, levando-nos numa mordaz descrição de como a constituição e a democracia não puderam conter a gula socialista e intervencionista e a violação sistemática do princípio proprietário.

Depois de admitir o fracasso dos seus deuses – a democracia e o governo constitucional – o Rui entra em modo “suspension of disbelief” e nega que o fracasso visível (descrito por si algumas linhas acima) dos checks-and-balances ponha o sistema democrático e constitucional em causa. O Rui declara, por exemplo, que «o Estado e o governo conseguiram, com o tempo, gerar imunidades aos entraves constitucionais e democráticos que lhe foram criados» - sem que este facto tenha afectado as suas propriedades “terapêuticas”. Na opinião do Rui A., sem democracia, sem checks-and-balances, o triunfo do socialismo seria absoluto, em vez de parcial. Por isso o Rui acha “pouco inteligente” descartar este método de contenção do poder estatal, mesmo que limitado, por “coisa nenhuma” – como Hoppe pretensamente advoga.

Acontece que Hoppe não advoga a substituição do método “terapêutico” democrático por “coisa nenhuma”. Hoppe, como o Rui nota acima mas parece entretanto esquecer, é da opinião que o Estado está para além da “terapia”, daí que a solução não seja acabar com o sistema democrático and leave it at that. Pelo contrário, o problema é o Estado – a democracia apenas piora o problema ao trazer incentivos mais perversos aos gestores do monopólio daqueles que existiam no sistema monárquico.

Mas mesmo concedendo que a democracia, em vez de prejudicial, é capaz de conter em parte o poder destrutivo do Estado, se o objectivo é o Estado Mínimo, a democracia é claramente insuficiente. Os seus efeitos “terapêuticos” são limitados, e no máximo conseguem produzir um socialismo suave, não um Estado que exista para defender o princípio proprietário – como a história das democracias ocidentais abundantemente ilustra.

Os argumentos de Hoppe sobre o carácter prejudicial, e não terapêutico, da democracia não são sequer mencionados. O escriba parte logo ao ataque: a realidade horrenda sobre os libertários é que pretendem “negar a política”. Com isto o Rui pretende dizer, não que os libertários negam a necessidade de lei e de ordem, mas que os libertários acreditam na possibilidade de lei e ordem sem recurso à coerção sobre justos proprietários. Ou seja, “afirmar a política” é, em contraste com a sua negação, acreditar na necessidade de violar o princípio da propriedade privada para defender o princípio da propriedade privada.

A segunda “tese” refere-se à teoria comparativa entre governos privados (monarquia) e governos públicos (democracia). Se no que ao fracasso democrático diz respeito o Rui não considera o facto empírico como significativo ou como um problema para a sua defesa do sistema democrático, no que à monarquia concerne a História pode, de súbito, substituir a teoria. Assim, o Rui lança-se numa cruzada de referências históricas que pretendem refutar a teoria comparativa de Hoppe. No fundo, a cruzada apenas revela que o Rui não compreendeu o fundamental da teoria.

Porque o facto inegável é que o poder monárquico é hereditário e o democrático não; em monarquia existem privilégios pessoais, em democracia existem privilégios funcionais. A subsequente análise (de resto, muito simples e straight-forward) de incentivos e acções provávels dada a natureza humana, funda-se nesta distinção que as minúcias históricas mencionadas não podem negar ou refutar. A teoria de Hoppe, a ser refutada, tem de sê-lo dedutivamente, dentro dos mesmos parâmetros, e reconhecendo a distinção fundamental entre governo privado e governo público. O mero amontoar de referências históricas não cumpre, nem pode cumprir, o objectivo. E o facto permanece que um rei pode deixar a governação do reino a um filho; um presidente não pode fazê-lo.

O Rui A. também parece não compreender o conceito de “elites naturais”, mas a verdade é que nem tenta. Antes apresenta o argumento de forma a ridicularizá-lo, criticando depois as caricaturas que não fazem parte da concepção original – chegando ao ponto de equiparar a “ordem natural” à CEE. Sobre este ponto, pois, não há muito a dizer – apenas que o Rui A. não fez uma exposição justa da ideia.

No essencial, o Rui não perdeu tempo a refutar argumentos, só a ridicularizar e menorizar os argumentos de Hoppe para apresentar as suas teses que consistem num “salto de fé”: a fé que o presente sistema democrático possa, contra a teoria e a história, gerar e manter o seu amado Estado Mínimo.

PS: Naturalmente, sobram ainda duas objecções ancaps de naturezas distintas contra o Estado Mínimo, que o Rui preferiu não adereçar: 1) a contradição entre meios e fins (a institucionalização da violação do princípio de propriedade para defender o princípio de propriedade); e 2) a impossibilidade de cálculo económico nos serviços monopolizados pelo Estado.

Elogio Da Fuga Ao Fisco


Todos os portugueses deviam esforçar-se por fugir ao fisco com vigor e orgulho. Tudo o que contribua para esfomear burocratas liberticidas, intelectuais estatistas, capangas do regime e parasitas arrogantes – todos eles convencidíssimos do seu direito de mamar e controlar – é positivo.

Ninguém devia ter problemas de consciência com isso – bem pelo contrário. Ninguém tem o dever de se deixar roubar; e o imposto é sem dúvida um roubo, o maior que há em qualquer sociedade. Quem devia ter problemas de consciência são os agentes do fisco, os activistas – da esquerda à direita – que defendem esta roubalheira, os governantes, os eleitores que promovem este sistema, os parasitas para os quais o saque vai, e os polícias e guardas que punem os insubmissos.

Só uma questão de prudência deve travar os saudáveis instintos de lebre do português. Há que ter em conta a maior ou menor probabilidade de ser apanhado pelos tentáculos do estado, em função da sua situação pessoal.

A fuga ao fisco não só é boa para aquele que guarda o fruto do seu trabalho, como para a sociedade e a liberdade em geral. Tira força ao actual sistema repressivo, que tudo sufoca através duma teia poderosa de medidas socialistas, burocráticas, corporatistas e pró-bancárias, militaristas, policiais e endoutrinadoras. Esfomeia o estado-previdência, atenuando a desresponsabilização, a dependência e a degradação dos indivíduos que este promove.

A rebeldia fiscal tira à Máfia os seus meios de dominação e de depravação social. É, da parte do evasor, uma forma de ajudar os seus compatriotas. Além disso, como o imposto é por natureza uma violência ilegítima, é não só aceitável resistir-lhe passivamente, como também pela força das armas. Fugir ao fisco deve ser considerado simultâneamente como um direito e como um dever moral: uma actividade nobre que merece a mais ampla aceitação social.

SÊ SOLIDÁRIO: FOGE AO FISCO!

domingo, 7 de novembro de 2010

Organização Política E Opressão

Em geral, para qualquer política do estado que se possa imaginar, são muitos os lesados, e poucos os beneficiários. Isto, supostamente, deveria levar a que estas políticas não sejam postas em prática (ainda mais num sistema democrático de massas). Mas não é isto que se constata. O que se constata é que o estado tem vindo a crescer de forma implacável em detrimento da liberdade, e isso ao longo de séculos. E que praticamente sempre, têm sido os "interesses", os grupos de pressão, a levarem o seu programa avante.

Isto advém de várias razões. Mas a principal é a seguinte: em política, os benefícios estão concentrados, mas os custos são difusos.

Veja-se por exemplo a questão do imposto e da função pública. O interesse óbvio dos funcionários públicos é que a população em geral pague mais impostos, para que eles possam receber maiores ordenados. Por outro lado, o interesse das massas está em pagar menos impostos, e logo em diminuir as despesas com salários de funcionários. Os dois grupos são antagónicos. Imagine-se uma população de 10 milhões de pessoas, com 1 milhão de funcionários públicos. Nesta situação, um aumento de impostos de 500 milhões de onças de ouro representa um acréscimo de gastos com funcionários, em média, de 500 onças (por funcionário público: 500 milhões/1 milhão). Por outro lado, só representa um imposto adicional de 56 onças por pagador de imposto (500 milhões/9 milhões). Ou seja, o interesse dos funcionários num acréscimo dos seus vencimentos (ou contra cortes nestes) é imenso e quase vital, enquanto que cada medida fiscal só afecta marginalmente a massa dos tributados.

Idem para políticas proteccionistas. Beneficiam especificamente e claramente determinadas indústrias nacionais, isoladas da concorrência internacional, mas só afectam marginalmente a grande massa de consumidores do produto "protegido", forçando-o a pagar mais caro pelo que compra. A indústria protegida tem um interesse fundamental no seu privilégio proteccionista. A sua sobrevivência e o seu lucro disso depende. Pelo contrário, para os consumidores, o produto que pagam mais caro (se é que têm consciência de pagarem mais caro...) é só um entre muitos produtos que compram, e talvez só o comprem de tempos a tempos.

Outra razão pela qual os interesses tendem a ganhar é que estão altamente organizados e conscientes dos seus interesses. O próprio estado, o inimigo nº1 da liberdade, é ele próprio uma organização que geralmente oferece uma frente unida nas questões que afectam os seus membros (e que, por sinal, luta vigorosamente pelos seus interesses). Pelo contrário, os indivíduos que estes interesses prejudicam estão geralmente desorganizados e "dispersos" pela sociedade (não têm lóbis, associações, testas de ferro nos mídia), e às vezes não têm própriamente consciência de serem prejudicados. E até podem estar desunidos noutras questões, o que não facilita a sua cooperação nos temas que lhes interessam.

O resultado disso tudo, em termos eleitorais, políticos, mediáticos, é a enorme influência que pequenos grupos determinados conseguem ter sobre o estado, apoderando-se dele e usando-o em seu proveito, sem qualquer preocupação pela liberdade dos seus semelhantes.

A tarefa do activista liberal consiste em primeiro lugar em expôr claramente à luz do dia os interesses particulares que se escondem por trás dos discursos balofos. Em mostrar às massas que estes interesses as prejudicam. E finalmente, o activista liberal tem que tentar fomentar uma resistência unida aos interesses liberticidas, sem no entanto cair no perigo de se deixar cooptar pelo poder, oferecendo-lhe uma organização socialmente omnipresente e abrangente que este facilmente engolirá ou comprará. No entanto, é importante fazer este trabalho, resistindo a avanços supostamente inócuos do Poder. Foram estes avanços marginais, somados ao longo de séculos, encorajados simultâneamene por vários grupos de pressão, que nos trouxeram até ao nosso estado actual de estagnação e de degradação.

Há que não ter ilusões. A luta pela liberdade é difícil, e a derrota é mais provável do que a vitória. Benefícios concentrados, e organizações solidárias por natureza (sendo o estado a principal) militam a desfavor duma vitória da liberdade.

Mas este é um trabalho que deve ser realizado, por uma questão de honra, sem grandes preocupações por vitórias ou derrotas.