domingo, 21 de novembro de 2010

O País Dos Saloios

Pelo Nuno Ramos de Almeida, 20 de Novembro 2010, no Cinco Dias.

Os telejornais abrem com os pivôs a garantirem com ar embevecido que “Portugal foi o centro do mundo”. O país está na merda, mas meia duzia de burocratas estrangeiros cá são motivo para um verdadeiro orgasmo informativo. Só falta os jornalistas arfarem e entremelarem os olhos durante o telejornal. Procuram com insistência as notícias “lá de fora” que falam do nosso cantinho à beira mar plantado, como se isso contribuisse alguma coisa para a nossa felicidade. Precisamos de uma linha num jornal de fora para garantir que a gente existe. Pior, só a chegada do saloio mor de carro eléctrico. Somos, de facto, uma pátria de parvos que ambiciona que os estrangeiros escrevam sobre nós, mesmo que seja pelas piores razões. Mais saloios do que os jornalistas só os polícias, estava mortinhos para andarem à pancada. Foi uma festa: helicópteros no ar, polícia de choque por todo o lado. A conta deve ser grande, mas tudo bem: somos nós que pagamos. Na manifestação da Avenida da Liberdade resolveram que a mesma tinha direito de admissão. Parece que em Portugal ser anarquista ou jovem vestido de preto já é crime. Com toda esta imbecilidade tornam atraente ser anarquista – se vocês os odeiam tanto é porque eles não podem ser má gente.