segunda-feira, 28 de março de 2011

Criação De Lealdade









Os adeptos do Sistema tomaram o hábito de se exibirem sistemáticamente ao pé duma bandeira da União Europeia. Já quase que têm vergonha, práticamente, de se mostrarem simplesmente ao pé da bandeira nacional.

Isto é altamente significativo. As bandeiras não são simples trapos. São símbolos que revelam as lealdades e os princípios políticos daqueles que as exibem (basta ver, por exemplo, que poucos políticos ousariam mostrar-se ao pé duma suástica...). Os políticos, ao exporem constantemente bandeiras da UE, revelam que já transferiram a sua lealdade dos vários estados nacionais para o Império europeu em construção acelerada. Revelam que já abandonaram a ideia duma nação independente e livre de dominação estrangeira. Revelam, no fundo, que são traidores dos seus povos, que pretendem defender. E do mesmo modo, ao exibirem a bandeira "portuguesa", mostravam outrora a sua lealdade à república portuguesa, e o seu repúdio da monarquia que a precedeu. Um homem do povo que exibe a bandeira verde-amarelo-vermelho, óbviamente, não pensa nessas coisas. Tão só exprime o orgulho que tem no seu país. Mas os políticos, quanto a eles, sabem o que fazem.

E este novo costume assumidamente europeísta, de tão sistemático que se tornou em pouco tempo, revela uma estratégia pensada das nossas elites políticas. Não no-la expõem abertamente, porque é manhosa, mas aplicam-na conscientes do que estão a fazer. O seu objectivo é, sabendo elas da natureza conservadora dos povos, tornar aquilo que é hoje uma modernidade - o Estado europeu - em norma inquestionada. A sua estratégia consiste simplesmente, pela força da repetição, em habituar os povos à ideia da "Europa", tentando reforçar o sentido de pertença e de simpatia entre povos. Isto pela razão de que sabem que esta amizade natural entre povos semelhantes, que nada de criticável tem em si, pode ser utilizada para reforçar o poder das burocracias europeias e enfraquecer as resistências nacionais que se lhe opõem, criando e aumentando desta forma a lealdade da população perante o Estado europeu. Ao ponto que um dia qualquer, aquele que se opuser à União Europeia, em vez de ser considerado como inimigo do Estado europeu em si, será visto como inimigo da Europa, como se um Estado qualquer e a sociedade que domina não fossem duas coisas diferentes. Só um certo patriotismo difuso ainda presente na população impede os políticos "nacionais" - na verdade, agentes do Império - de se mostrarem únicamente com a bandeira europeia quando se lhe dirigem, por medo de criarem anti-corpos separatistas e nacionalistas.

Esta criação de lealdade e de organizações políticas é feita em nome da "união e da paz" entre os povos, seguindo a ideia grotesca de que esta "união" só pode existir caso haja organismos políticos - logo coercivos - a oprimi-los com legislações aberrantes e liberticidas, e a transferir riquezas à força, de um lado para o outro. Neste espírito, é assumido que a UE é a única coisa que impede os vários estados nacionais europeus de se fazerem a guerra, como se não existisse uma terceira via, desejável, duma Europa de nações independentes vivendo em paz umas com as outras, no respeito das sua fronteiras respectivas. Ideia aberrante se há alguma (esta da "Europa à beira da guerra"), pois foi só a efectiva e préviamente existente boa vontade entre povos europeus - que de igual modo possibilitaria, se houvesse vontade de acabar com a UE, a existência duma Europa pacífica - que criou as condições para o crescimento da União Europeia até ao nível de força que tem hoje, sem sobressaltos nacionalistas de maior importância. Na verdade, e irónicamente, é o "projecto europeu" de paz e união (e amor também, já agora?) que, ao criar um mecanismo internacional de coerção e controlo, divide os países em dominantes e dominados, acabando ele próprio por fomentar a antipatia entre povos, que levará mais tarde ou mais cedo a uma guerra civil/separatista, à escala assustadora e gigantesca da Europa inteira. Ao passo que numa Europa de nações independentes, os conflitos tenderiam mais provávelmente a assumir uma escala mais pequena, nacional.

Neste contexto triste e sombrio - que não parece ter solução no curto prazo - só faz bem exprimir as suas lealdades mais íntimas e mais próximas. Pois o Império merece que lhe cuspam à cara. Se não houver alguma resistência à centralização política em curso, qualquer dia ainda teremos que aturar políticos a mentir-nos ao lado duma bandeira das Nações Unidas.



(Dedico este post a uma puta reles enviada pela UE - literalmente, visto que trabalhava para este organismo - que, numa missão de propaganda clara e desenvergonhada, se dirigiu uns anos atrás ao meu liceu para dar aos alunos todos da escola reúnidos na ocasião uma lição sobre as qualidades e benefícios imprescindíveis do seu patrão. Esta vaca, vestida à putona executiva (o que tem piada, visto que como funcionária pública bem paga, e ao contrário das verdadeiras mulheres de negócios, nunca produzira nada da sua vida), como se não estivesse satisfeita por fazer propaganda a adolescentes manipuláveis e acríticos, ainda se permitiu falar-lhes de forma arrogante e altiva, na altura em que estes, por serem jovens tontos, e por estarem aborrecidos com a tanga que lhes estava a ser servida (e talvez por intuitivamente sentirem um saudável desprezo pela cabra que tinham à frente), começaram a fazer barulho e a rirem entre si. Típica arrogância de parasita.

Querida, não me lembro do teu nome. Mas se me estás a ouvir, só te peço uma coisa: FAZ-ME UM BÓBÓ.

E manda os meus cumprimentos aos teus patrões: o Sarroso, o Rompulha, e a Ashcrosa.)