quarta-feira, 16 de março de 2011

Exemplo

Pelo Pedro Arroja, 10 de Março 2011, no Portugal Contemporâneo.

O discurso do Presidente da República, na parte em que apelou aos portugueses para viverem fora da esfera do Estado, criando empresas e procurando empregos fora do Estado, é uma manifestação típica do excepcionalismo católico. São recomendações que ele faz para se aplicarem aos outros, e que provavelmente ele considera boas para os outros, mas não para ele.

Porque, afinal, o Presidente da República fez toda a sua vida e a suas diferentes carreiras à sombra do Estado, e por cada função que desempenhou no Estado - quatro, no total (cf. post abaixo) - para além de um vencimento bom e seguro ficou com direito a uma pensão de reforma - quatro no total.

Esta é a vida que qualquer português gostaria de ter e o Presidente da República é o exemplo vivo de que o que é bom é viver sempre à sombra do Estado. Como é que ele quer agora persuadir os portugueses a viverem fora do Estado? Basta olhar para o Presidente, e ninguém quer tal coisa. Aquilo que todo o português quer é fazer uma carreira (várias, se possível) no Estado, e por cada uma auferir um vencimento bom e seguro e mais uma pensão de reforma - uma por cada função, bem entendido.