terça-feira, 12 de abril de 2011

Discussões De Café

Pelo Ricardo G. Francisco, 4 de Abril 2011, no Insurgente.

A conversa de café é hoje conversa política. Em cada café deste país há muitas pequenas tertúlias. E sempre o deficit, a dívida, a economia, o desemprego, os salários. Os problemas económico sociais do país levam naturalmente a discussões sobre soluções para estes problemas. No centro discute-se facilmente a utilidade técnica de uma política. Fazia-se isto e tinha-se este resultado. Este método tem um problema de raiz, esquece o meio. Assume que os fins justificam os meios. Tem uma moralidade em si mesmo, que acredito a maioria das pessoas nem sequer se apercebe de utilizar.

Antes de se avaliar a utilidade de uma política, medida ou lei, o avaliador deve pensar na sua moralidade. Uma lei que restringe a liberdade de escolha de um indivíduo ou grupo de indivíduos, eficiente ou não, criadora de riqueza ou não, que reduza a despesa ou não,deve antes de tudo ser moral. A pergunta deve ser posta: Porque é que o Estado deve limitar o direito de escolha a estas pessoas? Ou porque é que o Estado deve transferir riqueza de estas pessoas para estas outras? Sem resposta moral satisfatória a utilidade deve ser irrelevante. Pessoas com princípios morais diferentes farão outras perguntas.

Na conversa de café é normal que se discuta com pessoas com princípios éticos e morais diferentes dos nossos. O que não devia ser normal é discutirem-se políticas sem que as ideias que suportam essas políticas sejam explícitas. Colocar em questão os princípios morais implícitos em determinada posição é, em regra, um bom método para obter consensos. Apesar de tudo, a maior parte de nós respeita o direito à vida, direito de auto determinação, o direito de expressão, o direito de contratação, direito de associação e direito de propriedade privada. De aqui constrói-se o resto.