quinta-feira, 19 de maio de 2011

Um Mar De Vergonha


Introdução

A barragem do Alqueva é um dos maiores crimes cometidos em Portugal pelo Estado e seus lóbis desde o 25 de Abril. É um crime – melhor dizendo, uma série de crimes – que mostra bem que este regime despreza a população que chefia com o mesmo descaramento que o anterior.

Pense-se no assunto. Foram expropriados centenas senão milhares de agricultores. A albufeira da barragem, a maior da Europa, ocupa 250 km2, o equivalente a três vezes a superfície do concelho de Lisboa. A determinação para construir a barragem foi tanta que nem a existência duma aldeia na zona inundável (a Aldeia da Luz) travou o projecto. As centenas de habitantes que lá moravam foram exilados da sua terra para que esta pudesse ser submergida. Os mortos do cemitério foram “trasladados” (tradução: o cemitério foi profanado, tendo em conta que tudo isto foi feito contra a vontade dos familiares). Bloqueou-se o curso do Guadiana, para prejuízo dos amantes da natureza e dos pescadores. O fisco extorquiu rios de dinheiro aos pagadores de imposto para financiar todo o projecto. Pôs-se em risco as populações a sul da barragem, visto que um acidente não é de excluir. E finalmente, ao criar uma massa de água tão grande, alterou-se o clima da região.

Isto é um crime de massa, sem exagero nenhum. As vítimas contam-se às centenas senão aos milhares. Um crime cometido contra uma população indefesa pelo Estado, instituição cuja responsabilidade teórica é, pelo contrário, a protecção destas populações (o que torna esta política ainda mais nojenta). Um ataque a uma minoria cometido pela Máfia de São Bento, com a indiferença da maioria, ou até a sua aprovação tácita. Um crime que não toca simplesmente o património das pessoas (perca de terrenos e de casas), mas que lhes tira algo que tem um forte valor sentimental: a sua terra. Não é a mesma coisa roubar dinheiro a uma pessoa – um bem fungível – ou tirá-la da terra onde nasceu e sempre viveu, assim como os seus antepassados. A terra tem algo de sagrado e de profundamente valioso, que não se limita ao valor comercial. Quando alguma empresa de construção brasileira arrasa o território duma tribo de índios da Amazónia, toda a gente vê isso pela imoralidade que é: corporatismo. Quando o governo ditatorial (e até há pouco tempo totalitário) da China impõe um projecto-monstro idêntico, submergindo toda uma cidade pelo meio, todo a gente considera que só os chineses são capazes de violência nessa escala. Mas quando é a Máfia portuguesa a fazer isso, ninguém faz o paralelo com regimes estrangeiros imorais. No nosso caso, trata-se simplesmente de “progresso” e de “desenvolvimento económico”.

Para pôr em perspectiva o que aconteceu aos habitantes da região, imagine-se que Espanha invadia Portugal e expulsava toda a sua população, que a relocalizava nas sierras da Andaluzia ou nas ilhas Canárias, que destruía as suas casas, e que expropriava todos os proprietários de terras portuguesas para redistribuí-las por empresas espanholas. Imagine-se que os portugueses não tinham meio de resistir a esta invasão pela força. Isto é exactamente o que se passou com os alentejanos afectados, todas as proporções guardadas. Foram considerados como objectos e como meios, e não como pessoas com direitos absolutos e invioláveis. Foram sacrificados em nome do “progresso” e do utilitarismo. Encontraram-se na posição de minoria submetida a uma maioria. Com uma agravante no caso da barragem do Alqueva. Quem implantou esse monstro de betão foram portugueses, e não estrangeiros. Ou seja, além de termos crime, estamos na presença de autoridades traidoras. Crime é crime qualquer que seja a pessoa que o comete. Mas é certamente mais porco e imoral atacar os seus do que um desconhecido. Quem ataca os seus revela uma especial perversidade, visto que nem os laços de pertença familiar/amical/nacional travam os seus instintos de predação.


Interesses e Teorias

Esta barragem é um exemplo dos mais claros de corporatismo desenvergonhado. Percebe-se imediátamente quais são os interesses que estão em jogo, por trás da teoria do “desenvolvimento” usada para justificar esta mafiosice. Esta javardice foi feita para agradar às construtoras do regime, aos bancos que financiaram o projecto, às empresas de turismo e hotelaria que rodeiam a barragem, a certos agricultores beneficiados pelo sistema de rega em construção e finalmente, para encher os bolsos e satisfazer o ego de políticos e burocratas corruptos e imorais (pois estes, para autorizar e promover o projecto, receberam o seu quinhão...).

Tudo isto foi uma maneira manhosa de roubar o Paulo para dar ao João, a actividade essencial da actividade política. Tinha sido mais simples e mais claro – e no fundo, menos duro para toda a gente envolvida – cobrar uns impostos à população e dar uns subsídios às empresas e aos políticos em questão. Apesar de essas transferências também serem injustas, neste cenário as populações vizinhas do Guadiana ainda tinham as suas terras e as suas casas, por esta altura. Este projecto, que já andava em gestação no regime anterior, tem a marca implacável, cega e delirante de qualquer burocracia: uma vez que se põe em marcha, é praticamente impossível travá-la, por muito absurda que seja a sua actividade.

As justificações que os defensores das obras públicas costumam dar são extremamente patéticas. Qualquer pessoa com umas simples bases de economia consegue refutá-las. Estas explicações consistem essencialmente em afirmar que o dinheiro público, ao “espalhar-se” pela economia, vai levar ao desenvolvimento desta e à criação de empregos. Isto em si é verdade: as empresas beneficiadas pelas obras públicas prosperam, contratam mais trabalhadores (e pagam mais aos que já têm, porque a procura pelos seus serviços é maior), e enriquecem os seus próprias fornecedores com novas encomendas. Esta expansão da actividade vai-se difundido em círculos concêntricos, à medida que o dinheiro “fresco” passa dos fornecedores aos fornecedores dos fornecedores, e assim sucessivamente até aos donos dos factores de produção originais (terra, matérias-primas, trabalho). É isso, que se vê claramente, que torna tão populares os programas de “investimento público”: o aumento de rendimentos, os lucros, o emprego e os salários em alta, assim como o resultado concreto das obras públicas (barragem, auto-estrada, escola, hospital).

Há no entanto um problema neste cenário idílico. Só relata uma parte da questão. Não evidencia os aspectos negativos das obras de Estado. Não diz de onde vem o dinheiro: dos tributados. Ou seja, da injustiça do roubo fiscal. Estes tais tributados, se pudessem guardar o fruto do seu trabalho, também fomentariam a actividade económica. O dinheiro que é gasto em obras públicas seria gasto naquilo que eles, tributados-consumidores, realmente querem. Fomentaria as empresas que eles escolhessem patrocinar (em vez de empresas com ligações políticas cujo sucesso tem pouco a ver com o mérito). Haveria na mesma circulação de dinheiro e criação de bens e serviços. Ou seja, as obras públicas são simplesmente o benefício duma certa fracção da economia, em detrimento da restante. O crescimento de uns é a atrofia de outros. No entanto, as obras públicas beneficiam principalmente as empresas mais próximas da fonte de dinheiro estatal. Quanto às outras, como os serviços que proporcionam são relativamente pouco específicos (ou seja, podem ser utilizados em vários ramos de actividade), a sua situação acaba por ser um pouco indiferente à existência de obras públicas.

Mas para repôr a questão em perspectiva, não basta assinalar só essa questão dos ganhos e percas simétricos. É preciso também acrescentar que como estas transferências são compulsivas – o imposto, ou as expropriações de terrenos – acabam por desencorajar o investimento e logo a produção (no limite, se os produtores fossem expropriados a 100% dos seus rendimentos e património, deixavam simplesmente de produzir). O poder de compra diminuí, o nível de vida baixa. Ou seja, não há simplesmente uma transferência de dinheiro de uns bolsos para outros. O “bolo” total dos bens e serviços que se podem comprar com o dinheiro diminuí. O dinheiro em si é simplesmente um intermédio na aquisição das necessidades da vida. Se não houver produção, ou se ela regredir, não pode haver prosperidade. Finalmente, mesmo na medida em que os tributados beneficiem de alguma forma de um bem ou serviço estatal, são geralmente satisfações segundárias que o Estado sacia (para não falar dos males da acção estatal, “serviços” que as pessoas não querem ver nem de perto nem de longe, sendo no entanto forçadas a financiá-los). Só deixando os consumidores financiar livremente o que querem, quando querem, e no montante que querem é que se pode ter a certeza que os bens mais prementes das pessoas são saciados. Pois só aí, em estado de liberdade, é que as suas acções demonstram as suas verdadeiras prioridades.


Conclusão

A barragem do Alqueva é um grande crime. É um projecto parasita nefasto para o nível de vida da grande maioria das pessoas, e especialmente para as populações directamente afectadas. A maneira como as pessoas foram tratadas pelo Estado para levar a cabo este projecto mostra bem a completa perversidade dos nossos “governantes” (“chefes criminosos” é mais adequado). Mostra que no fundo os agentes do Estado e seus apoiantes nos vêem como objectos a tratar à sua conveniência. Mostra que consideram o país como sua propriedade. Mostra o estado patético de submissão em que vivemos. Mostra-nos que não somos fundamentalmente diferentes de escravos.

É imperativo, por uma questão de Direito, esvaziar a barragem (seria mais divertido ver a Força Aérea bombardeá-la, mas isso poria em risco as populaçõs a jusante). Só assim podem as pessoas expropriadas recuperar os seus terrenos e as suas casas. Tem que ser abolido o privilégio de expropriação de terrenos que o Estado detem. E têm que ser suprimidos impostos, para que ninguém seja forçado a pagar por coisas que não quer.

Quanto aos lóbis que sofreriam com a destruição da barragem, que se lixem. Os seus interesses não merecem consideração numa questão de princípios deste tipo. Até dum simples ponto de vista prático, é bom que aqueles que promovem imoralidades saibam que podem perder o seu “investimento” em políticos sujos. Dissuade outros de fazer pressões desse género.


Morte ao Alqueva!

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Uma Excelente Iniciativa


A versão portuguesa do Ludwig von Mises Institute está em funcionamento!
O vírus da liberdade já chegou a Portugal... E ainda bem.

WWW.MISES.ORG.PT

Um conselho não solicitado, mas um conselho na mesma: cuidado com os neocons-sionistas. Tendem a infiltrar-se em todo o site mínimamente liberal e a estragá-lo por dentro com o seu militarismo, e com o seu tribalismo primário. É o que aconteceu a blogues como o Insurgente e o Blasfémias, de resto bastante bons.

Os neocons são falsos, perversos, hipócritas e manipuladores, fazendo-se passar por amigos da liberdade, razão pela qual são na prática mais perigosos para esta do que esquerdistas. Estes, pela sua frontalidade em se assumir como não-liberais - isto é, como imorais - são fácilmente desmascaráveis. Já os neocons, pelo contrário, são mais manhosos e insinuantes. Com militaristas, não se baixe a guarda. O chefe deve ter a mão firme e saber por ordem na sua casa. Os cães raivosos devem ser mantidos à distância, senão mordem. Estó cão!

Não faltem a dedicação, o radicalismo e a integridade aos participantes do projecto. E votos de muito sucesso!

terça-feira, 3 de maio de 2011

Osama: Rectificação

Osama Bin Laden, ao contrário do que tem sido publicado na Comunicação Social, não morreu. Foi visto ontem à noite a cantar Karaoke em Cabul com os seus amigos, já depois de anunciarem a sua morte. Note-se bem nos olhos cansados do homem, resultado duma boa dúzia de cervejas engolidas de penálti.


Osama: "We Will, We Will, Rock You!"


Adenda: Top Government Insider: Bin Laden Died In 2001, 9/11 A False Flag.