sexta-feira, 17 de junho de 2011

Fútil

A coligação PP-PSD anda a pensar inscrever limites ao endividamento do Estado na própria Constituição da República. Isto é fútil, e não vai funcionar. A razão pela qual o Estado se endivida e gasta desenfreadamente é muito simples: tem meios para fazê-lo. Há despesa e endividamento porque há receita, não o contrário. Se não houvesse receita, não havia despesa, e ninguém concedia crédito ao Estado (logo este não se endividava). Simples de perceber no fundo, mas pouca gente dá importância a esse facto. Até os próprios liberais costumam gastar energia a mais a combater o despesismo do Estado, não percebendo que é uma impossibilidade os políticos controlarem-se a si próprios: ganham poder, prestígio e clientelas ao gastar, não ao conter-se. Enquanto eles tiverem dinheiro na mão, não serve de nada fazer-lhes sermões de contenção. Os défices, o endividamento e a despesa, do seu ponto de vista, são bons.

Portanto, para controlar o Estado é preciso secar as suas fontes de receita. É preciso baixar e suprimir impostos, quanto mais melhor. É preciso liberalizar o uso de metais preciosos como meio de troca, o que quebraria a capacidade dos bancos centrais criarem moeda-papel para financiar o Estado (num contexto de liberdade monetária, as pessoas livrar-se-iam da sua moeda-papel comprando bens reais ou moeda metálica, caso o banco central a desvalorizasse excessivamente depressa, e este abandono da moeda generalizado levaria à hiper-inflação em termos dessa moeda-papel, o que destruiria o poder de compra da própria moeda detida pelo Estado, razão pela qual provávelmente tal cenário não aconteceria) .

Sobretudo, é preciso acordar o espírito de revolta das pessoas produtivas, das vítimas do parasitismo estatal, e levá-las a se opôr ao Estado. Não são os parasitas - funcionários públicos, desempregados, reformados, empresas de regime - que beneficiam deste sistema de extorsão generalizada que o vão combater, pois não têm interesse nem inclinação ideológica para tal...