domingo, 19 de junho de 2011

O Movimento Liberal Social

Anda por aí uma bizarria: o Movimento Liberal Social.

A sua bizarria começa logo no nome. Tentam conciliar o inconciliável: liberalismo e socialismo. Devia saltar aos olhos de qualquer pessoa com um mínimo de bases teóricas, em termos de filosofia política, que estes dois sistemas de organização social são incompatíveis. O liberalismo baseia-se no respeito do direito de propriedade, o socialismo baseia-se na violação sistemática do direito de propriedade. Um Movimento Liberal Social é como um Partido Comunista Capitalista, ou uma Associação das Virgens Badalhocas. Não faz sentido. (Imagine-se o encontro fundador da associação: “Vamos chamar-nos Liberais-Sociais, ou Sociais-Liberais? Uïe, não consigo escolher!”) Só por aí, vê-se imediátamente que este movimentozinho da treta vai, logo à partida, defender e tolerar as injustiças do status-quo. Porque no fundo, são social-democratas, à semelhança dos outros movimentos e partidos políticos. Social-democratas “light”, porque um pouco liberais, mas social-democratas na mesma. Logo, imorais.

É gente que defende o monstro burocrático europeu (o que denota falta de patriotismo). É gente que se opõe ao livre-porte de armas. É gente que não quer destruir o Estado social, nem as fábricas de endoutrinação estatal (“escolas”). É gente que usa um linguagem vaga, para não ter que assumir posições claras e chocantes. É gente que quer um papel “regulador” do mercado para o Estado, ou seja, que ao contrário dos liberais, não percebe que o mercado se auto-regula no interesse dos consumidores, e que as regulações estatais servem principalmente para quebrar a livre-entrada em certos domínios económicos. Gente que, com a sua “regulação”, acaba por defender o corporatismo vigente. É gente rabeta (no sentido sexual do termo), pelo menos alguns dos seus membros, e daí não se poder esperar grande virilidade e combatividade na sua actividade política. É gente cujo website mais parece o portal duma associação LGBT do que outra coisa, com os seus “comunicados” e o seu golfinho. É gente que quer ser políticamente “respeitável”, e que em vez de fazer o que é preciso para isso (entrar no PS-D e trair todo e qualquer princípio liberal), brinca às associações liberais-sociais irrelevantes. Como querem ser “respeitáveis”, acabam por não fazer o trabalho fundamental necessário à mudança social, que consiste em deslegitimar o Estado aos olhos das massas, exibindo-o como a associação criminosa que é.

Em suma, são liberaizinhos (também conhecidos por liberais-coninhas) irrelevantes. Nem vão mudar as ideias das pessoas, nem vão conquistar o poder em proveito próprio. Eles que continuem a brincar com a pilinha, e que sirvam de exemplo para gente mais tesa sobre a estragégia a não seguir para mudar a sociedade para um ideal mais livre.

Só com radicalismo, com testosterona, com combate, com revolta, com princípios intransigentes, e sem concessões ou desculpas para os inimigos da liberdade é que a coisa lá vai.

PS: compare-se um manifesto liberal-social, e um manifesto liberal-liberal.