segunda-feira, 11 de julho de 2011

Tretas De Parasitas

A política, sendo o mundo do crime, também acaba por ser o mundo da mentira, da aldrabice, e dos argumentos tendenciosos. É preciso embalar as mafiosices com sofismas, para que o carneiro não se revolte.

A moda do momento consiste em afirmar-se com ar muito sério e muito responsável a necessidade de todos nós fazermos sacrifícios: tanto o sector privado como os funcionários públicos e outros dependentes do Estado. As contas do país assim o exigem. E é algo que temos que fazer com confiança, pois vai ter repercussões positivas no nosso futuro, apesar de ser doloroso no curto prazo. Segundo esta teoria, a situação do país é idêntica à de uma família em que o pai perde o seu segundo emprego. Todos se têm que conter: o pai espera para comprar um carro novo, a mãe não vai tanto ao cabeleireiro, o filho não apanha tantas bebedeiras, e a filha não compra aquele par de sapatos do qual necessitava absolutamente. Todos fazem sacrifícios.

Mas na verdade, esta analogia é uma treta. A família é uma instituição voluntária, e o pai ganha a vida a trabalhar. Pelo contrário, o Estado é coercivo, e vive da extorsão fiscal. Ao contrário da família, unida por relações voluntárias, a sociedade está dividida pela luta entre parasitas e produtores. Por isso, o plano típico de luta contra o défice - aumento dos impostos, cortes na despesa - é inaceitável. Os impostos não deviam ser aumentados de um único cêntimo, e mais do que isso, nem sequer deviam existir em primeiro lugar, mesmo ao seu nível actual. São um roubo, uma injustiça em si. Todas as funções do Estado deviam ser exercidas por empresas e por associações voluntárias, não pela força.

Além disso, mesmo admitindo que se põe em prática o "plano de contenção" típico em nome dos sacrifícios conjuntos, a noção segundo a qual cortes na despesa implicam "sacrifícios" para os parasitas do Estado não deixa de ser errada. Sacrifícios é o que fazem as vítimas do fisco (ou mais precisamente, o Estado sacrifica-nas). São elas a quem arrancam os seus bens e o seu trabalho. Aos dependentes do Estado, pelo contrário, não arrancam nada. Pelo contrário, eles vivem perpétuamente do dinheiro que é arrancado aos outros. O Estado não os parasita, alimenta-os, enriquece-os. Quando lhes cortam um pouco (um poucoxinho miserável, muito provávelmente) a mama, estão simplesmente a dar-lhes menos saque, em nenhum caso a "sacrificá-los": a casta parasita não tem, em primeiro lugar, direito nenhum aos bens dos outros. Por isso, tudo o que receba é a mais, e não tem razão para se queixar de cortes.

Imagine-se o caso dum ladrão e da sua mulher. Caso o ladrão tenha uma "má semana" e roube menos do que o costume, a sua mulher não receberá tanto como é habitual para comprar roupas e sapatos. No entanto, ninguém dirá que a mulher foi "sacrificada" por causa da crise. A simpatia das pessoas decentes não irá para a badalhoca do bandido, mas sim para as vítimas dos seus crimes. A questão é a mesma quando se trata do Estado e dos seus dependentes: é dos tributados que se deve ter dó. No entanto aí as pessoas costumam perder a sua lucidez. Não são capazes de aplicar ao Estado os mesmos princípios que aplicam às pessoas em geral. Dessa forma, acabam por levar no rabo, e achar isso normal.

Mais além, e vendo a coisa de forma realista, só a parte do aumento de impostos é que costuma acontecer. Quando os políticos se vêem com mais dinheiro à disposição, não fazem cortes. Pelo contrário, gastam mais, pois é assim que ganham apoiantes, e porque em termos políticos a classe parasita - por ser organizada - é sempre mais influente do que a classe produtora. Portanto, se se quer impôr contenção nos gastos, a primeira coisa a fazer é forçar os acontecimento, baixando impostos. Tudo o contrário do plano de "contenção" típico, em suma. Este tem sempre como resultado final, passados uns anos, aumentar ainda mais os rendimentos e o poder dos parasitas - exactamente o contrário dos "sacrifícios" universais prometidos.

Quando um palhaço qualquer dum político, dum funcionário público, dum sindicalista, dum reformado, dum magnata das obras públicas ou dum gestor da banca dos bailouts vier a público com a treta da "partilha de sacrifícios", convém que os carneiros acordem e lhe dêem a resposta que merece. É preciso perder o respeito, se não queremos caminhar para a miséria mais completa.

VÃO PRÓ CARALHO, LADRÕES DE MERDA!