sábado, 14 de abril de 2012

Manifesto Homofóbico


I – INTRODUÇÃO

À primeira vista, a adopção do casamento homossexual pelo Grande Papagaio parece ser motivo de regozijo para todo o liberal. A lei parece simplesmente reconhecer a liberdade contratual de duas partes, adultas, livres, donas do seu corpo e da sua vida. Afinal de contas, júridicamente, o casamento é simplesmente um contrato, com obrigações e direitos mútuos, e deve reger-se como qualquer contrato pela liberdade contratual - quer se goste ou não da ideia de duas pessoas do mesmo sexo se juntarem, se assistirem e se prometerem fidelidade eterna. Mesmo se a fidelidade é um conceito de difícil aplicação entre bichas, sempre se pode tentar...

No entanto, esta interpretação é falsa. Esta lei não é o reconhecimento duma liberdade anteriormente reprimida. Esta lei instaura simplesmente um novo "direito" positivo. Mais um.

Os direitos positivos são aqueles que permitem a determinado indivíduo exigir a outros (por intermédio do Estado e do sistema fiscal, geralmente) a prestação dum serviço ou o fornecimento dum bem qualquer. Por exemplo, o direito à educação, ou à assistência na doença, ou a uma “reforma digna”. Por oposição, os direitos "negativos" são aqueles que permitem a determinado indivíduo ter uma "esfera" inatacável (inclusivamente pelos agentes do Estado) à volta daquilo que lhe é reconhecido como próprio: o seu corpo e os seus bens. Exemplos destes direitos negativos são o direito de não ser morto ou violado (direito à integridade física), ou o direito de não ser roubado (direito de propriedade). Direitos positivos e direitos negativos são incompatíveis. Onde há direitos positivos, há direitos negativos violados; ou seja, não há liberdade. E vice-versa: onde há liberdade, não há socialismo. Se numa sociedade, as pessoas têm "direito" a uma educação gratuita, por exemplo, isto implica necessariamente que determinados indivíduos - os pagadores de impostos - são forçados a financiar o sistema de educação quer o queiram ou não. Se se recusarem a fazê-lo, verão mais tarde ou mais cedo a polícia apoderar-se dos seus bens e do seu corpo: serão roubados e sequestrados. Em caso de resistência - e às vezes, nem isso! - serão mortos. Os direitos positivos não são, por isso, direitos. São privilégios ilegítimos. Cada "direito" positivo divide a sociedade em duas classes diferentes sujeitas, em determinado momento, a direitos e deveres diferentes: os parasitas e os parasitados, os agredidos e os agressores. Ao passo que os direitos negativos não implicam esta desigualdade de tratamento por parte da lei. Todos podem ser livres, ao mesmo tempo.

Tendo isto presente, pode-se entender porque razão o casamento homossexual - como aprovado pelo parlamento - é um direito positivo. A nova lei permite à bicharada toda exigir a determinados agentes do Estado, como um direito, a organização do seu casamento. E tendo em conta que o Estado se financia coercivamente, o que esta lei faz é obrigar as pessoas (heterossexuais na sua maioria, mas também homossexuais não-casadoiros) a financiar uma cerimónia de casamento homossexual, contra a sua vontade. Não se trata simplesmente de deixar os homossexuais que assim o desejem organizar uma cerimónia, privada, a seus custos, em que se comprometam mútuamente num conjunto de pontos pré-determinados. Antes mesmo da aprovação da lei, qualquer notário (ou qualquer padre renegado) podia fazê-lo. Trata-se sim de subsidiar tal evento, organizando-o através do Estado. Isto é incompatível com a liberdade do público em geral.

Poderá dizer-se, a justo título, que o casamento homossexual agora oficializado trará custos negligenciáveis, quando comparado com as inúmeras funções que o Estado moderno assume. Qualquer programa camarário de férias para idosos custará provavelmente mais do que o casamento homossexual. Isto tudo é verdade, mas não justifica a lei. Uma pequena violação dos direitos da população não deixa de ser ilegítima simplesmente por ser relativamente benigna. Além do mais, a importância de determinada lei é subjectiva. Para muita gente, este assunto é importante, como o demonstrou a rapidez com que se juntaram dezenas de milhares de assinaturas para a realização de um referendo sobre o assunto. Estas pessoas, óbviamente, estavam na sua maioria opostas ao casamento homossexual, querendo utilizar o referendo para quebrar a vontade expressa dos partidos de Esquerda em aprovar a lei.

Mas mais do que isso, é preciso entender que há outras razões que explicam toda a controvérsia que tem envolvido este assunto, não obstante a sua aparente inócuidade. Para a maioria das pessoas esta medida é mais do que uma simples medida parasita. Os portugueses, estes carneiros, engolem destas todos os dias, e até choram por mais. Esta medida é bem mais do que isso. É para muitos um insulto, um nojo e um estalo na cara. É muito mais do que uma questão fiscal, é um ataque à tradição.

A homossexualidade, e o casamento homossexual, quando consentidos, quando realizados entre adultos livres, e quando financiados pelos próprios, são perfeitamente legítimos e compatíveis com os ideais liberais. Mas daí não se pode concluir grande coisa. Só se retira daí que a força da lei, da polícia, e da população em geral não deve ser utilizada contra aqueles que se envolvam em tais teatros. O liberalismo é simplesmente uma teoria do que deve ser legal ou não – uma teoria do uso legítimo da força. Nada mais. Há além disso outros assuntos que podem ser discutidos, inclusivamente por pessoas liberais que não queiram impôr pela força o seu ideal de vida. Ora é o que os portugueses pensam destes temas que explica a discórdia existente.

Por exemplo, pode-se discutir a apreciação subjectiva que cada um faz destas práticas. Pode-se discutir se são positivas para aqueles que as praticam, e para a sociedade em geral. Pode-se discutir as motivações e a integridade daqueles que promovem tais comportamentos e leis. E pode-se discutir se estas mudanças devem ser aceites, ou pelo contrário combatidas (e neste caso, como). Quando é feito este trabalho, a populaça "reaccionária" e "conservadora", largamente oposta ao casamento homossexual, salienta-se pelo seu bom senso – mesmo que a sua reacção seja mais visceral do que intelectual. E nem o povo de Esquerda escapa a este elogio: é duvidoso que os militantes de base comunistas ou socialistas tenham visto com bons olhos a aprovação pelo seu partido do casamento homossexual.


II – NOJENTO

Dum ponto de vista mais emocional, a homossexualidade mete nojo à grande maioria das pessoas. Pura e simplesmente. Principalmente a homossexualidade masculina, mais "dura”, mais peluda. Para a maioria das pessoas, um traseiro é uma saída, não uma entrada. É por esta razão, aliás, que os mídia, compostos de pessoas em geral mais progressistas do que a restante população (e às vezes autênticas bichas), fizeram questão aquando da discussão sobre o assunto de mostrar quase exclúsivamente fufas bonitas. Não exibiram camionistas tatuados e peludos aos linguados, nem as marias-rapaz machonas tão típicas da homossexualidade feminina. E não o fizeram por uma razão muito simples: sabem muito bem que isto teria tido como consequência principal atiçar ainda mais a oposição ao casamento gay que geralmente apoiam. Fufas bonitas, aliás, até podem ter uma influência benéfica deste ponto de vista: a maioria dos homens, quando vê duas fufas de aspecto agradável, sonha em ter um ménage-à-trois.

A verdade é que as pessoas têm todo o direito de não gostar desta prática pouco estética, e ainda mais de se ofender por terem que apoiar compúlsivamente algo que as choca e que lhes causa repugnância. É um gosto legítimo. Os defensores profissionais da homossexualidade, que usam frequentemente a ideia segundo a qual “os gostos não se discutem”, deviam aplicar o mesmo critério àqueles a quem ela repugna. O princípio também se aplica.


III – SOCIALMENTE SUICIDÁRIO

A homossexualidade, principalmente a homossexualidade que não se esconde, que se oficializa, que se afirma como estilo de vida alternativo incompatível com a heterossexualidade e a vida famíliar normal, é um comportamento demográficamente suicidário. Ora a oficialização da homossexualidade é exactamente o que o casamento homossexual promove.

Os maricas e as fufas não têm filhos. Um heterossexual casado e com dois ou três filhos pode ter um à parte rabeta de vez em quando, que dum ponto de vista de sobrevivência e de regeneração da população, não há problemas que se ponham. Mas dois maricas ou duas fufas casados, oficialmente, devem-se fidelidade, e por isso não podem ter filhos. No caso dos homens, fidelidade ou não, é evidente que não terão filhos. No caso das mulheres, só poderão ter filhos de forma artificial, ou se quebrarem a tal fidelidade prometida, ou seja, se invalidarem o tal casamento tão desejado.

“Famílias” sem filhos são problemáticas a vários títulos. São famílias fracas. Um casal sem filhos (homossexual ou não) que atinge a velhice está em apuros. Sem filhos, ou seja, sem a “segurança social” natural, não tem quem se ocupe dele. Mesmo durante a idade adulta, a ausência de filhos criará problemas. Um casal sem filhos não beneficia da força e dos laços de entreajuda que teria de outro modo se tivesse vários filhos. Um homem e uma mulher sem filhos são de certa forma como um general sem soldados.

Esta gente não percebe o conceito de riqueza dos pretos – ter muitos filhos. Um conceito que faz bastante sentido. Eles têm famílias fortes, frequentemente espalhadas por vários países e por vários sectores económicos, o que é de grande utilidade para a progressão e o bem-estar dos seus membros. Por contraste, as pseudo-famílias modernas são patéticas (mãe solteira de filho único, ou casal homossexual).

O casamento homossexual é um problema para a família do homossexual, além do mais. A maioria das pessoas não luta simplesmente pelo seu bem-estar material. Qualquer pessoa de trinta ou quarenta anos atingiu geralmente um certo conforto de vida no qual se poderia manter indefinidamente. A partir daí, se uma pessoa continua a batalhar na sua vida, tem como objectivo principal deixar algo para além da sua morte. Deixar riqueza, transmitir o nome, o sangue, uma união, uma ideia, uma religião. E o melhor meio para tal – o único meio, às vezes – é ter filhos. É por essa razão que a homossexualidade de um filho cria tanto sofrimento numa família: implica literalmente, a prazo, a morte desta família. O homossexual não carrega a chama que vem de muito longe para trás dele, e que em tempo normal continuaria muito para além dele. Neste aspecto, o homossexual demonstra uma falta completa de espírito de sacríficio, de devoção a um ideal que ultrapasse a sua curta vida. Demonstra falta de espírito de família. Em vez disso, prefere brincar com a pilinha, ou andar às lambidelas. Tudo coisas que poderia fazer na mesma, se arranjasse um parceiro do sexo oposto, também podia fazer o mesmo. O “casamento” homossexual é uma instituição de morte e decadência. Uma perversidade, portanto.

A homossexualidade é um problema para qualquer sociedade em que passe a ter mais do que uma simples influência marginal. Todos nós nascemos e vivemos numa determinada sociedade, numa determinada cultura, num determinado grupo religioso, no seio de pessoas com uma determinada raça, numa determinada área política ou geográfica. Todos nós estamos mais ou menos unidos por uma certa solidariedade natural, por um certo interesse mútuo ao que nos acontece uns aos outros. Esta solidariedade nasce naturalmente por partilharmos certos espaços, certos costumes, certa língua, certa religião, e certas ideias políticas. Em suma, temos a nossa “tribo”. Outros têm a sua também. E todos sentimos mais ou menos este sentido de pertença, que define quem “faz parte do clube”. Na prática, apesar das semelhanças óbvias que cada pessoa tem com outra qualquer de outro ponto do mundo, e apesar de todos termos os mesmo direitos, não somos “cidadãos do mundo”. É uma ilusão a de que “somos todos irmãos”. Por exemplo, a maioria dos portugueses sente mais interesse por outros portugueses do que por marroquinos ou espanhóis, apesar de estarem aqui perto. Ou então interessam-se mais pelas notícias das ex-colónias do que pelas da Etiópia (por exemplo). É uma questão de língua, e de passado em comum. Além disso, envolvemo-nos frequentemente - ou corremos o risco de nos ver envolvidos – em conflitos de toda a espécie. Em estados multi-étnicos ou multi-confessionais, isto traduz-se geralmente por guerras civis, conflitos eleitorais, tumultos de rua. E nos restantes casos, as guerras com o estrangeiro são uma constante. Se é verdade que povos diferentes podem coabitar pacificamente, no mesmo país ou em diferentes países, não é menos verdade que nem sempre assim é.

É nestas situações de conflito que questões demográficas são fundamentais. Um povo diminuto é um povo fraco; está sujeito ao “genocídio”, inclusivamente. O mundo, muito simplesmente, não é como devia ser, mas como é: com todo o conflito que isto implica. Nesta situação, não é boa ideia fazer parte dos fracos (nomeadamente, dos pouco numerosos).

(Os judeus, povo minoritário por toda a parte, são geralmente muito mais influentes do que outros povos mais numerosos. Mas isto não se deve ao seu fraco número. Deve-se a outras características, como a capacidade comercial, a influência, a inteligência, a manha, a imoralidade, a riqueza, a educação, a solidariedade tribal e a visão de longo prazo. Em Israel, o alto crescimento demográfico da população árabe põe em perigo a existência do país – pelo menos enquanto país claramente e oficialmente judeu. E de resto, em todas as sociedades, os judeus estão sempre com um pé de fora: estão prontos para partir para o exílio em caso de necessidade. A posição de minoria – mesmo a de minoria influente – tem os seus perigos.)

A observações deste género costuma-se retorquir que “não reconhecem a importância de outras culturas, tão importantes quanto a nossa”. Que o “conceito de raça é um mero conceito cultural que não tem qualquer tradução genética”. Que “um país multicultural, com muçulmanos, africanos, brasileiros e outros ainda, além da actual maioria branca, seria tão bom, tão rico, tão normal, tão digno como qualquer outro, e que por isso não faz sentido a obsessão pelo declínio demográfico tão característica de alguns círculos: o país não morrerá, quer seja povoado de portugueses “típicos”, ou de novos portugueses oriundos da imigração”. Ou simplesmente, que “traduz uma ideologia reaccionária, racista e nauseabunda de extrema-direita”!

Como este género de réplicas surge quase necessáriamente numa discussão deste género, de pelo progressismo ambiente, convém responder-lhes brevemente. Em primeiro lugar, dizer que outros povos podem causar-nos problemas, quer estejam no estrangeiro, quer vivam no meio de nós como imigrantes, não tem nada de “racista” ou de odioso – apesar de aqueles que o afirmam serem frequentemente antipáticos ao “outro”. É simplesmente um facto, e não um juízo de valor. Não impede que se reconheça as contribuições que podem trazer aos actuais habitantes do país, nem que se respeite as suas qualidades. E quem diz isso não toma, só por isso, partido noutras questões como a duma maior ou menor abertura à imigração, ou dum maior ou menor militarismo, ou da superioridade dalgum povo relativamente a outro em qualquer domínio que seja ou globalmente, ou dos efeitos positivos/negativos das miscigenação de povos (para referir alguns temas contenciosos). Pode-se, por exemplo, considerar a imigração como um problema grave, e no entanto defender-se a livre-circulação total de pessoas, considerando que é um direito dos imigrantes circular livremente – quer isto agrade ou não aos residentes do país “invadido”.

Na verdade, chamar alguém de “racista”, “neo-nazi”, “extremista”, “fascista” ou de “membro da extrema-direita” é simplesmente uma estratégia indecente do actual consenso social-democrata-progressista contra aqueles que o criticam. Uma estratégia intimidatória útil contra aqueles que se preocupam muito com a sua reputação aos olhos da opinião pública, mas que não refuta em nada os argumentos da “extrema-direita”, dos racistas, dos liberais, ou simplesmente dos cépticos – quer estas várias teorias sejam válidas ou não. Actualmente, classificar alguém na “extrema-direita” é o mesmo do que teria sido chamar alguém de “comuna” no tempo do Salazar: um simples palavrão assustador usado para calar alguém com teorias menos ortodoxas, ou para lhe tirar credibilidade sem qualquer discussão. Do mesmo modo que os opositores do comunismo não demonstram a sua imoralidade ou a sua ineficiência simplesmente através de epítetos, e muito menos conseguem fazer mudar de ideias o comunista convicto desta forma, também o progressista falha em refutar ou convencer aquele que tem teorias que se lhe opõem simplesmente chamando-o de “racista”. “Booh, tenham medo, muito medo, vem aí um racista! Tem a cabeça rapada. E come pretos ao pequeno-almoço!” É aliás bastante divertido observar os partidários do consenso progressista fazer a caça às bruxas “fascistas” e “racistas”, tentando purgá-los de tudo o que é sítio, e recusando-se sequer a discutir com elas, pois é exactamente o comportamento que tanto horror lhes causa quando lhes é dirigido (vide o caso do senador McCarthy...).

Mais adiante: o facto de certos conceitos como o de “raça”, de “tribo” ou de “nação” terem ou não uma tradução genética científicamente demonstrável não tem relevância nenhuma quanto à questão presente. Toda a gente sem excepção (mesmo os que se ofendem com o termo...) sabe muito bem o que estes conceitos significam. É geralmente fácil determinar se alguém é preto ou branco, ou se é alemão ou português, por exemplo. O que importa é que a lealdade, a solidariedade e o sentido de pertença das pessoas se manifestam geralmente em função destes conceitos. É por isso que eles têm relevância na descrição dos fenómenos sociais: revelam grosso modo quais são as linhas segundo as quais os “campos” se vão dividir, em qualquer confronto que seja.

Também é preciso comentar a afirmação segundo a qual o país não vai morrer por causa dos problemas demográficos que tem actualmente, mas que vai simplesmente mudar de composição, tornando-se “multi-cultural”, ou mestiçando-se. Factualmente, nada de falso nisso. Progressivamente, se as tendências das últimas décadas se mantiverem, a composição da população vai mudar, em termos étnicos/religiosos/culturais. Ou seja, o país, em princípio, não se vai tornar um deserto (se bem que, olhando para o abandono das aldeias do interior, seja difícil descartar completamente esta hipótese!). Não se pense, no entanto, que vai haver muita miscigenação entre povos diferentes; aquilo a que se assiste é um declínio distinto, em termos absolutos, da população branca, concomitantemente com um crescimento marcado da população de imigrantes recentes, naturalizados ou não. Isto é, Portugal não morre, mas deixa progressivamente de ser o país daqueles que agora o povoam: os “aborígenes” brancos, católicos, de língua portuguesa. Os “novos portugueses” não vão própriamente ser os descendentes (mais ou menos mestiçados) dos actuais portugueses. Está-se perante o declínio dum cultura, dum povo, duma civilização. É difícil não ver que há algo de triste e nefasto neste fenómeno. Só quem prefere a morte à vida, a degradação ao crescimento, é que pode ficar insensível a isso (ainda mais quando se trata da sua própria cultura). O progressista que considera o simples facto de referir a questão como uma manifestação de hostilidade para outros grupos étnicos sofre ele próprio duma espécie de hostilidade étnica. É um racista anti-branco, por assim dizer (e tendo em conta que o progressista faz geralmente parte deste último grupo, pode-se sem exagero dizer que tem tendências e ideias socialmente suicidárias).

Não há nada de anormal em preocupar-se especialmente com os seus. Mais uma vez diga-se: as pessoas têm geralmente mais afinidades pelos seus do que pelo outros. O contrário é que seria de estranhar. É perfeitamente normal que um branco se preocupe mais com outro branco do seu país, do que com recentes imigrantes brasileiros ou pretos (e as solidariedades opostas destes últimos, obviamente, também são perfeitamente naturais). Da mesma forma, as pessoas têm mais interesse em questões que afectem os seus próprios filhos do que os filhos dos outros. No entanto, ninguém afirma que querer o bem dos seus filhos é querer mal aos dos outros. Contudo, todo e qualquer indivíduo que queira “defender a raça branca”, e promover o seu crescimento, é imediatamente censurado, ostracisado, e visto com maus olhos – menos por estrangeiros do que por idiotas progressistas (brancos) que, presumivelmente, consideram bom que os seus, e que a sua cultura, desapareçam da face da terra – ou pelo menos, decline. Esta atitude é ainda mais absurda em países maioritáriamente brancos, que se pretendem democráticos. Por definição, um sistema político democrático tem que defender os interesses da maioria portuguesa e branca (enfim, por enquanto!...).

Em defesa do progressista, poderia considerar-se a hostilidade a movimentos específicamente dedicados à defesa dos brancos como uma repulsa por uma certa falta de universalismo, e como rejeição dos aspectos mais anti-liberais dos movimentos “pró-brancos” existentes (e certo é que não se pode propriamente confiar no sentido de justiça dum Mário Machado ou dos seus amigos no que toca aos direitos dos pretos ou dos judeus, por exemplo...). Há certamente a possibilidade dum movimento de brancos defender os seus interesses prejudicando os direitos de outros grupos (estrangeiros, pretos, etc...); ou seja, defender interesses ilegítimos. Mas a verdade é que a hostilidade aos movimentos “supremacistas”, raciais, ou nacionalistas não vem daí. O tótó progressista não se ofende por indivíduos pertencentes a alguma minoria étnica ou religosa (muçulmanos, pretos, judeus, ciganos, etc...) se associarem e defenderem os seus interesses (movimentos estes que são tudo menos universais, e que estão baseados também eles em solidariedades raciais, étnicas, ou religiosas), nem que estes grupos se imponham de forma totalmente anti-liberal à maioria branca, através do Estado (por exemplo, através do parasitismo socialista, ou através de leis que restrinjam a liberdade de expressão da maioria). Esta divergência de critérios não é aceitável.

Quanto ao “não-universalismo”, é perfeitamente compreensível. Um português não comunga própriamente de interesses com um aborígene australiano, e vice-versa. Estes grupos podem ter direitos iguais, mas são diferentes e distantes de mais para se unirem numa luta qualquer. A situação é idêntica, se bem que de forma menos evidente, no que toca à relação dos portugueses brancos com pretos, brasileiros, muçulmanos, e outros ainda, que vivam no seu seio. A defesa dos interesses específicos do seu próprio grupo é legítima, sempre que não implique a violação da liberdade e da propriedade de outros grupos (se os actuais movimentos assumidamente “brancos” ou nacionalistas respeitam estes critérios é outra questão) – quer se trate de brancos, pretos, nacionais, cristãos, muçulmanos, judeus, pigmeus, bichas, etc... E as pessoas podem juntar-se e ajudar-se em função de qualquer interesse e característica comum: classe profissional, sexo, raça, religião e nacionalidade. Não há razão nenhuma para repudiar a priori o facto dos ocidentais – brancos, cristãos, e heterossexuais na sua grande maioria – lutarem pelos seus interesses. A inacção, ou pior ainda o suicídio, não são um dever.

O conflito entre raças e culturas não é necessário nem inevitável. É falsa a ideia duma certa “extrema-direita” segundo a qual tem que se comer para não ser comido. Pode haver paz e justiça para todos. (Incidentemente, se fosse realmente uma questão de “nós ou eles”, não haveria nada de anormal e de estranho em defender o “nós!”, ou seja, em querer a supremacia da raça branca. Querer o contrário seria pedir aos brancos que servissem de mártires aos outros. Um pedido um tanto ou quanto absurdo...) Mas para que haja harmonia entre pessoas e grupos diferentes, é preciso que esteja realizada uma condição essencial. Tem que haver liberdade para todos. Nenhum grupo pode parasitar, dominar e oprimir o outro (directamente, ou indirectamente através do Estado). A integridade física e a propriedade das pessoas tem que ser respeitada, independentemente do grupo a que pertençam. Cada um, independentemente do grupo a que pertença, tem que ter a sua “esfera” inviolável. Caso isto não aconteça, existirá sempre conflito latente ou assumido entre grupos.

Ora infelizmente estas condições estão longe de estar reunidas na grande maioria dos países ocidentais. No caso de Portugal, o Estado é grande demais para que se possa considerar a sociedade como livre. Há um excesso de regulamentações, proibições, obrigações, impostos, e restrições de toda a ordem. Há um sem-fim de ministérios e burocratas com o nariz posto em todos os assuntos da vida das pessoas. A legislação é produzida em quantidade industrial, sem que qualquer pessoa seja capaz de conhecê-la (o que significa na prática que a lei, longe de proteger os cidadãos, se torna um risco, uma arbitrariedade do Poder). E é imensa a extensão da propriedade pública, onde são as regras impostas pelo sistema político de forma centralizada (e por isso geradora de conflitos à escala da sociedade inteira) que imperam. Estas obrigações não só afectam a carteira das pessoas, como também interferem nos assuntos mais pessoais das suas vidas: o que dizem, o que vestem, o que consomem e aquilo em que acreditam.

Isto implica que é fundamental para qualquer grupo que seja tomar o controlo do aparelho de Estado. Quanto mais forte for o Poder, maior é esta necessidade. Qualquer que seja o grupo étnico a tomar o poder, haverá outra grupo que se sentirá injustiçado e oprimido pelo “estrangeiro” que está ao seu lado.

Na verdade, nem a maioria que tome o poder vai sentir-se satisfeita com o governo instalado. Mesmo em democracia, em que supostamente a maioria manda, vão ser tomadas medidas que beneficiam uma minoria (por exemplo um grupo étnico) à custa da maioria. Os políticos, para serem reeleitos, não precisam necessáriamente de tomar medidas que agradem a uma maioria qualquer. Podem antes seguir a estratégia de satisfazer sucessivamente uma série de grupos de interesse específicos e minoritários, mesmo que estas medidas desagradem à maioria (desde que o desagrado que lhe causa não seja suficiente para levá-la a rebelar-se contra o político que aplica essas medidas). De facto, se um governante conseguir satisfazer simultâneamente ou sucessivamente um número suficientemente grande de grupos de interesse, acaba por formar uma base de apoio maioritária: uma maioria composta de minorias. Assim, o sistema perpetua-se, mas aquilo que faz é constantemente visto por uma maioria de pessoas como nefasto, sendo que as pessoas só não se revoltam mais rapidamente por também elas receberem uns rebuçadinhos. E o resultado é frequentemente absurdo. Acabam por coabitar em simultâneo leis e medidas destinadas a beneficiar/prejudicar grupos eleitorais diferentes, mesmo que antagónicos (ou seja, formam-se sistemas políticos incoerentes, excepto quanto à sua função de perpetuar o poder do Estado sobre grupos sociais diversos). Pense-se por exemplo na existência de proibições de toda a ordem contra os fumadores, ao mesmo tempo que se subsidia os produtores de tabaco!

Estes conflitos latentes podem azedar rapidamente, às vezes dum momento para o outro, em sítios nos quais nem se esperam. Aí, uma minoria qualquer anteriormente segura e confiante da sua posição – até pode ter membros da sua comunidade a controlar o poder – pode vir a ser chacinada por massas revoltadas, ou até pelo próprio Estado, levado a tomar medidas extremas pela necessidade de não hostilizar os revoltosos (há que não esquecer que os políticos são prostitutas; fazem o que fôr preciso para se manterem no poder, incluindo se necessário cortejar massas furiosas).

Noutros casos de confronto aberto, aconte que nenhuma facção da população se consegue impôr à restante. A relação de forças está equilibrada. Corre-se o risco de entrar na guerra civil, uma luta pela tomada do poder, em que cada facção luta ferozmente para dominar a outra, de medo de ser esmagada por esta. Alternativamente, pode-se caminhar para uma guerra separatista. Um grupo qualquer que se sinta injustiçado decide separar-se do centro político dominado por outra facção, sendo que esta última luta por manter o seu poder. Esta solução, quando é possível (antecedente segregação espacial de diversos grupos étnicos/raciais/religiosos sob a autoridade dum mesmo poder central), tem o mérito de permitir às duas “componentes” sociais em confronto viverem pacificamente lado a lado. Mas implica na mesma conflito, visto que a facção dominante não abandona pacificamente, regra geral, o seu controlo sobre a facção dominada.

O sistema democrático é bem pior do que o sistema monárquico no que toca a acender fogos étnicos/confessionais. Existem nele incentivos que levam ao conflito, de forma quase inevitável. E infelizmente é este sistema sob o qual a maioria dos países ocidentais vive.

Em primeiro lugar, em democracia um político que não defenda os interesses do seu grupo (étnico/religioso) dificilmente será eleito ou reeleito. Os eleitores votam naqueles que defendem os seus interesses (bem ou mal compreendidos, legítimos ou ilegítimos – não é esta a questão), e por isso são políticos que se conformam ao ar do tempo que assumem o poder e moldam as políticas vigentes. Esta busca do ar do tempo é particularmente vil – porque independente de questões morais, sendo antes serva da muito inconstante e imoral “opinião pública” - de pela regularidade das eleições, que forçam um político que queira manter o seu bem-estar e o seu poder a fazer este jogo sujo. Isto não é problema quando se trata de defender os interesses legítimos do seu grupo, mas é imoral e gerador de conflitos quando se traduz em políticas opressivas. A democracia é perigosa porque incentiva as elites políticas a pôr em marcha más políticas. Isto é tanto mais verdadeiro pelo facto das massas terem no seu coração uma boa dose de imoralidade (o “bom selvagem” só existe na mente de alguns filósofos...) que as leva frequentemente a apoiar políticas injustas.

Além disso, em democracia reina o espírito do salve-se-quem-puder. Um político não tem a sua posição garantida (de pela recorrência de eleições) e logo tem vantagem em beneficiar-se e beneficiar os seus tanto quanto pode enquanto esteja em funções, mesmo que isto produza consequências dramáticas no futuro mais ou menos distante (por exemplo, parasitando intensamente determinada etnia, o que a leva mais tarde ou mais cedo a revoltar-se). Quando este futuro chega, o político já não está no puleiro, regra geral.

Finalmente, um político qualquer não é dono da “coisa pública”. Não é proprietário do país que domina (ao contrário do monarca absoluto). Não pode legá-lo aos seus filhos. É simplesmente seu administrador e seu parasita (de pela natureza intrínsecamente coerciva do Estado). Não pode vendê-lo, recolhendo para si próprio os proveitos desta venda. Logo o seu país não é um capital que pretenda salvaguardar e aumentar (através de boas políticas). Pouco lhe importa destruir a economia. Nem tem grande interesse em fazer reinar a paz e a justiça no seu país (nomeadamente entre grupos étnicos ou confessionais), para fomentar a prosperidade e a criação de riqueza, pois não tem legalmente a possibilidade de se apropriar desta potencial riqueza (o político é teóricamente um administrador pago por um salário, não o proprietário de todas as receitas fiscais). Daí a grande recorrência de chacinas contra minorias, fomentadas por sentimentos de etno-nacionalismo, desde que a era das monarquias acabour. Em democracia, não há incentivo financeiro para tal política prudente. Isto manifesta-se particularmente na guerra, que em democracia tende a ser total, sem distinção entre combatentes e civis (a guerra total moderna é invenção da Revolução francesa...). Em democracia, só um eventual e raro “espírito cívico” pode de alguma forma confrontar os incentivos e os interesses instalados. Daí o triunfo dos ditos interesses...

Infelizmente, os portugueses vivem em democracia. Só por isso, é bom que tenham em conta questões demográficas e étnicas, e que combatam leis que os enfraquecem enquanto povo próspero e numeroso.

Feita esta reabilitação dum certo “racialismo”, dum certo nacionalismo, e do legítimo interesse dos vários povos do Ocidente em se multiplicarem, assim como salientados os perigos do multi-culturalismo/multi-etnismo num contexto intervencionista e democrático, pode-se finalmente concluir o óbvio. O casamento homossexual põe em perigo a manutenção e o crescimento da população (ainda mais tendo em conta o declínio demográfico a que se assistiu até agora, mesmo na ausência de casamento gay). E por isso torna-nos a todos mais fracos, relativamente a outras tribos/pátrias/nações/culturas/raças. Estas práticas (e a generalização da mãe solteira com um único filho) podem ter consequências importantes no espaço de poucas gerações. Para ver isso, basta comparar uma família normal de muçulmanos ou de pretos, com quatro ou cinco filhos, a uma família “moderna” e decadente de ocidentais (casal gay ou mãe solteira com pouco mais de um filho em média). A família mais prolífica, na terceira geração, já será composta de: dois avôs, quatro pais, e dezasseis netos. Vinte e duas pessoas no total. Pelo contrário, a família ocidental só com muitas dificuldades atingirá a dezena de pessoas . Como é evidente, tais fenómenos podem ter consequências culturais e políticas tremendas em relativamente pouco tempo (três ou quatro gerações).

O “gay lifestyle”, portanto, levado às últimas consequências, produz uma sociedade moribunda e macabra de velhos, fracos e isolados nos seus conflitos com o mundo envolvente, e sem filhos que possam ocupar-se deles. Nada que entusiasme as pessoas normais.

É verdade que este estilo de vida só vai ser seguido por uma fracção da população. Mas o subsídio ao casamento gay não deixa de ser mais um golpe contra o florescimento duma população que já de si está em declínio, mesmo sem mariquices.


IV – PERVERSIDADE DA AGENDA GAY

As motivações e o carácter daqueles que impuseram (é mesmo este o termo apropriado) esta lei são tudo menos recomendáveis. Em primeiro lugar, ficou patente mais uma vez que os políticos são uns hipócritas, uns frouxos, e uns imorais.

A recusa em convocar um referendo manifestou isso mesmo. Os mesmo que criticam veementemente o elitismo das “políticas de Direita”, e o seu carácter anti-democrático, oligárquico, mostram claramente que só defendem a democracia quando lhes serve, quando ela os leva para o caminho que lhes agrada. A Esquerda sabia muito bem que um referendo teria chumbado o casamento gay por uma margem tremenda. Foi por isso que não houve referendo. Dito isto, note-se que a democracia é tudo menos sagrada. As elites podem ter razão contra a maioria, e neste caso o seu papel é opôr-se à maioria. Há valores superiores à vontade das massas. O que é repugnante nestas circunstâncias é a hipocrisia e a incoerência. Teria demonstrado alguma integridade por parte da Esquerda se tivesse admitido que votava a lei no parlamento para que não fosse referendada pelos eleitores que, na sua opinião, estão enganados sobre a questão. Que se tivesse assumida como anti-democrática e pro-gay. Em vez disso, ouviu-se a treta de que as recentes eleições davam legitimidade ao governo para aprovar o casamento-bicha em “representação” do povo. Como se questões de princípios se pudessem resolver por eleições (ou referendos), e como se votar – forçado a escolher entre vários males – fosse a mesma coisa do que dar uma procuração a alguém.

Quanto à Direita, demonstrou mais uma vez que nunca tem tomates para destruir e combater frontalmente, sem compromissos, o que a Esquerda faz de mal. Contenta-se simplesmente em controlá-la, mal e frouxamente, o que implica na prática a aceitação da estratégia constante de “Grande Pulo Para A Frente” da Esquerda (ou a sua estratégia de incrementos graduais irreversíveis). Aí a culpa cai pesadamente sobre o banano-pateta Cavaco Silva, que ao não vetar a lei mostrou mais uma vez que não tem coragem política nenhuma (pense-se em todas as vezes que já pôs o rabinho entre as pernas no confronto com um governo dum côr política diferente, podendo ele vetar as suas leis, destituí-lo, ou demitir-se para não ter que colaborar com políticas nefastas). Também recai sobre o PSD (Pró-Sodomitas de Direita), que ao promover um híbrido coxo – a união civil – entre o casamento homossexual e a situação presente, admitiu na prática que as reivindicações do lóbi gay são legítimas. Vê-se que a Direita não é de grande utilidade na luta contra a Esquerda. É simplesmente conservadora. Aceita o status quo podre que a Esquerda cria, e até se deixa arrastar para pior, mas nunca se posiciona abertamente como força “reaccionária” pronta a rasgar o que está mal. Tal posicionamento seria fantástico, tendo em conta os “progressos” perigosos da Esquerda, nem que seja pela indignação que provocaria neta esquerdalha tótó, que acredita piamente na “inexorável marcha da História” no seu sentido.

Se o carácter – a sua falta, melhor dizendo – dos que aprovaram esta lei é mau, não menos o são as sua motivações íntimas, a sua agenda mais ou menos escondida. É preciso entender que a Esquerda progressista tem uns ideais bastante perversos para os quais nos quer levar. As duas críticas principais que podem ser dirigidas a este movimento e à constelação de interesses que o compõem – o lóbi/movimento gay – são o seu desrespeito pela liberdade dos outros, e a sua grande hostilidade a certos estilos de vida tradicionais, legítimos, e positivos (uma hostilidade que roça frequentemente à falta total de bom senso).


A) AGENDA ANTI-LIBERAL

No caso da lóbi gay, o desrespeito pela liberdade das pessoas manifesta-se de diversas formas. Os maricas já não se contentam, como antigamente, em pedir para não serem punidos pelo Estado em consequência dos seus gostos duvidosos – reclamação legítima. Querem antes utilizá-lo para dominar os outros. Em primeiro lugar, os gays querem que o Estado promova e financie o seu estilo de vida, quer através do casamento homossexual estatal, quer através do financiamento de associações dedicadas à promoção e à defesa dos seus interesses, legítimos ou não (por exemplo, a “luta contra o preconceito”). Querem que a escola – financiada pelos impostos - ensine o “respeito pelo outro”. Querem os subsídios habitualmente reservados aos casais heterossexuais (que nem estes deviam receber). Também querem violar a liberdade de expressão dos heterossexuais, de todos os adeptos de modos de vida mais tradicionais, através de leis contra “propósitos homofóbicos”. Em França já existem leis contra propósitos destes. Recentemente um deputado – ou seja, um homem importante do regime, não um zé-ninguém qualquer – foi atacado em justiça por ter dito que a homossexualidade, no limite, leva ao suicídio demográfico (uma banalidade inatacável). O que mostra bem a força do lóbi sodomita nesse país. Tudo isto em nome da dita “tolerância”. Vá-se-lá saber porquê, os homossexuais podem criticar as “massas homofóbicas e retrógradas”, mas estas não podem criticá-los, depreciando o seu estilo de vida. Esta tendência liberticida está a ser levada para níveis aburdos, um pouco por todo o lado. Já não se está simplesmente no domínio da proibição de acções. Está-se sim a entrar no domínio do totalitarismo, que é o do controlo de palavras e pensamentos. Por todo o Ocidente, juízes punem indivíduos baseados na suposta “homofobia” que motivaram esses actos, quando muitos desses actos seriam legais não fosse a “intolerância” subjacente. Ou seja, os juízes entram no domínio das emoções e dos gostos das pessoas, em vez de se contentarem em julgar os seus actos. Isto é, sem exagero, uma tendência totalitária. É uma das marcas dos totalitarismos darem uma importância excessiva ao que as pessoas pensam, e puni-las por isso.

Tangencialmente, é verdade que este casamento (“casamento”?), apesar de o seu financiamento ser ilegítimo (pelo menos quando promovido pelo Estado, e logo financiado pela coerção do imposto), pode vir a trazer alguns benefícios. A verdade é que o casamento gay se enquadra na categoria dos contratos livremente assumidos pelas partes, logo legítimos. Pouco importando, para tal efeito, que seja mais ou menos repugnante, e mais ou menos decadente (e pondo de parte que a maioria dos homossexuais, como progressistas que são, não vêem santidade nem obrigateriedade nenhuma no contrato de casamento). Por isso, os “esposos” ganham direitos uns sobre os outros, como para qualquer outro contrato. Portanto, os agentes do Estado estão no seu direito de fazer aplicar estes direitos e deveres, castigando as partes que não cumpram a sua parte do contrato, e contribuindo para uma sociedade em que os contratos são respeitados. Além disso, na medida em que os novos “casamentos”* tragam algumas vantagens fiscais, como é comum no casamento tradicional, são de celebrar (qualquer imposto é um roubo, e os rabetas têm o direito, como toda a gente, de guardar o que é deles).

Dito isto, há um problema suplementar com o casamento gay estatal, mesmo que se aceite que incorporiza alguns direitos legítimos, contratuais. O problema está no facto do Estado, pelo imposto, forçar as pessoas produtivas a financiar a aplicação destes direitos (ou seja, de forçá-las a financiar um aparato policial e judicial que castigue os “esposos” que não cumpram as suas obrigações “matrimoniais”). Ou seja, não são os direitos do “esposo” encornador (suponhamos) que são violados, se o Estado o castiga por não se ser fiel à sua “marida”. São os direitos dos tributados. Numa sociedade livre, os homossexuais seriam livres de assumir contratos de toda a espécie, e de castigar patrimonialmente e físicamente os “parceiros” incumpridores. Mas não poderiam forçar nenhuma terça parte a fazer aplicar pela força os seus contratos. Teriam que se vingar eles próprios, ou contratar com o seu próprio dinheiro brutamontes para fazer o trabalho. Ora, é preciso entender o que isso implicaria na prática. Como o casamento homossexual é considerado pela maioria como nojento e socialmente destrutivo, haveria sempre muito pouca gente a querer defender as “maridas” encornadas. Haveria sempre bastante tolerância por parte da sociedade para com a ruptura unilateral destes contratos. Ou seja, os casamentos homossexuais, mesmo que legítimos, teriam pouca força na prática. Incidentemente, também se pode imaginar outras situações deste género, como por exemplo o casamento de adolescentes (a sociedade pode considerar que eles são imaturos demais para assumirem compromissos tão importantes e pesados). Ter o direito e a possibilidade de castigar não implica que se queira fazê-lo, necessáriamente.

Ainda quanto a medidas liberticidas, com as leis anti-discriminação (uma das manias mais notórias dos progressistas), os homossexuais utilizam o Estado para se impôr a firmas, proprietários imobiliários, lojas e patrões que não os queiram aceitar na sua propriedade (privada), por qualquer razão que seja, incluindo antipatia pura e simples contra homossexuais. Podem, uma vez inseridos dentro de alguma firma, utilizar os tribunais para atacar o seu empregador por não promovê-los (por não lhes oferecer “oportunidades iguais”), como se uma promoção fosse um direito e não uma mera possibilidade dependente da vontade do patrão (até para um heterossexual). E há que acrescentar que a natural dificuldade, senão impossibilidade, em determinar se determinado homossexual não é promovido pelos seus gostos sexuais ou pela sua falta de competências leva a que tais julgamentos ponham necessariamente os empregadores à mercê dos caprichos dos juízes. Ou seja, os homossexuais, através da “não-discriminação”, podem violar a propriedade dos outros, e o direito destes de não se associarem a quem não querem (direito tão importante como o direito de associação).

Além disso, em países delirantes como a França, o conceito de “discriminação” está a ser levado tão longe que já serve de arma de arremesso contra a liberdade de expressão dos homófobos (como se não bastassem as leis especialmente concebidas para o caso). Ou seja, está-se a interpretar abusivamente a lei, para além do significado que os seus criadores lhe deram. Já não se entende simplesmente a “discriminação” ilegítima como o facto de ostracisar homossexuais no contexto de relações comerciais. “Discriminação”, neste sentido amplo, consiste simplesmente em enunciar as diferenças que existem entre heterossexuais e homossexuais, e em comparar as consequências destes comportamentos. Neste mundo maravilhoso, essa análise comparada não é possível, sendo considerada como uma “incitação ao ódio”, penalmente condenável por supostamente potenciar actos de violência. Mais geralmente, o conceito de “incitação ao ódio” permite ao Poder reprimir qualquer tipo de crítica, de quem quer que seja, ou a qualquer instituição que seja. De facto, qualquer crítica, mesmo que legítima, pode ser interpretada como uma incitação à violência por parte daquele que a profere – mesmo que não o admita abertamente.

Não admira que neste clima de opinião da treta um ataque físico dum particular a homossexuais faz logo notícia (à qual é dada mais relevância do que aos muitos outros crimes do momento), mas um ataque generalizado da lei – isto é, dos gorilas da bófia – às liberdades da maioria da população não é considerado anormal. Apesar destes capangas serem muito mais difíceis de combater, mais perigosos, do que um básico qualquer que ataque uma bicha, por vestirem o uniforme e estarem imbuídos da “lei”.

É óbvio que em termos de princípios, a discriminação, baseada em qualquer critério que seja, é legítima. Faz simplesmente parte do direito de propriedade, e da liberdade de não se associar (ou de se associar somente com quem se quiser). Mas além disso, a discriminação faz sentido dum ponto de vista prático, pelo menos nalguns casos. No caso da homossexualidade, é claro que certas pessoas querem ter o menos contacto possível com gente desse tipo. E vice-versa: os maricas gostam de se juntar entre eles. Por isso, pode fazer sentido, para um comerciante, não aceitar homossexuais no seu estabelecimento, de medo de afugentar os restantes clientes. E do mesmo modo, pode fazer sentido para o dono dum espaço reservado a homossexuais – um bar gay, por exemplo – não aceitar heterossexuais na sua propriedade (e muito menos ainda gente hostil a homossexuais).

Na prática, num mercado livre, as discriminações são sempre algo limitadas. De facto, o sistema de lucros e percas incentiva os empresários a servir o maior número de fregueses. O empresário deve calcular não só o que ganha ao excluir alguém, mas também compará-lo com o que perde. Ora o que costuma acontecer é que aqueles que não gostam de determinadas pessoas ou comportamentos não estão dispostos a pagar para se ver livres deles (ou só estão dispostos a pagar de forma marginal). Na prática, isto significa que na maioria dos casos não há discriminação no acesso a bens e serviços, porque o empresário não tem incentivo em fazê-lo.

Pense-se no caso hipotético dum bar, e parta-se do princípio que as leis autorizam a discriminação por qualquer critério que seja. Imagine-se além disso, que cada cliente paga dez euros para entrar, e que um em cada dez clientes é gay. Com dez clientes, e partindo do princípio que ninguém se importa com a entrada de um homossexual no bar, o empresário faz 100 € de receitas por noite. Agora imagine-se que há certos heterossexuais que não gostam de frequentar homossexuais à noite. Podem acontecer várias coisas. Pode acontecer que o barman, em vez de ter nove clientes hetero e um cliente homo, só tenha oito heteros e um homo, com uma entrada de 10€. Um dos clientes hetero não aparece, e o ganho da noite é de 90€. Ou pode acontecer que o dono do bar tenha que baixar o preço de entrada para 9€, para manter os seus nove clientes hetero, mais o homo (ganho da noite, 10x9=90€). Portanto, há um custo para o empresário em não discriminar. Por outro lado, também há um custo em discriminar. Não só se perde o cliente homo (lá se vão dez euros), como ainda por cima hostiliza uma fracção dos heterossexuais, que não só não se importam de conviver com homossexuais, como ainda por cima podem querer conviver com eles (digamos que é uma bicha extravagante e divertida). Além disso, esta fracção dos heterossexuais pode ficar chocada pelo facto do empresário “maltratar” a sua clientela homo e boicotá-lo como castigo. O empresário, através do boicote, perde assim duplamente: perde clientes homo e perde alguns clientes heterossexuais (e se os clientes hetero começam a fugir, os próprios hetero “homofóbicos” vão-se embora, pela falta de ambiente no bar).

Se por exemplo, ao discriminar contra homossexuais, o patrão perder dois heteros e um homo, e ficar com sete heteros, só ganha 70€ de entradas por uma noite, o que é pior do que não discriminar (porque sem discriminação há 90€ de receita). Isso trava os apetites de discriminação do empresário. Excluir clientes tem um custo de oportunidade: o que o empresário deixa de ganhar. No entanto, se alguns clientes estiverem realmente interessados em não partilhar determinado espaço com certo tipo de clientes, é possível satisfazer os seus gostos, numa sociedade de mercado. Para isso, é preciso que os clientes “discriminantes” compensem o empresário pelas percas que incorre por excluir determinado tipo de clientes. Por exemplo, pode-se imaginar que certas pessoas paguem mais do que o habitual para estarem num bar sem gays, compensando o barman pela perca destes clientes.

Deste ponto de vista, a democracia e o mercado são diferentes. Numa democracia pura, a maioria pode-se sempre impôr à minoria (gays, pretos, judeus, estrangeiros, etc...). Pelo contrário, no mercado, os produtores tendem a satisfazer as massas, independentemente das suas particularidades, pois é essa a melhor forma de fazer dinheiro. No mercado, a discriminação no acesso a bens e serviços costuma ser marginal. Esta discriminação tem custos tanto para os empresários como em última instância para os consumidores com gostos específicos.

O raciocínio é o mesmo na questão do emprego de minorias em empresas. Um patrão que não contrate um empregado com uma produtividade de X (o que esse empregado faz ganhar ao patrão) por ser gay, por exemplo, deixa de ganhar dinheiro. Torna-se rentável para outros empresários, dessa forma, contratar o tal gay a um salário menor, vender a sua produção a um preço competitivo (relativamente ao empresário “discriminante”) e assim levá-lo à falência, e mesmo assim fazer lucro. E esta competição entre patrões não-discriminantes por empregados gays faz subir os seus salários para o seu nível de produção...

O mercado protege as minorias, apesar de estas ráramente o entenderem. É ridículo pensar que autorizar práticas discriminatórias contra homossexuais os vai necessáriamente condenar a morrer de fome! Na prática, a discriminação não ocorre tanto pelo facto das pessoas serem gays, ou pretas, ou muçulmanas, mas por terem comportamentos desagradáveis para com a maioria. Ninguém gosta de bichas escandalosas. Ninguém gosta dum preto burro, racista anti-branco, ressentido, rapper da treta e ladrão. Ninguém gosta dum barbudo fanático que promove abertamente a Sharia e a imposição duma religião alheia numa terra cristã. Mas a maioria das pessoas consegue muito bem conviver com homossexuais modestos, pretos não-provocativos e muçulmanos que guardem a sua religião para si próprios.

Vistas estas questões do direito de discriminar e da liberdade de expressão, é preciso tratar de outro tema importante numa qualquer discussão sobre a questão gay: a adopção de crianças por homossexuais (casais ou indivíduos sós). Os movimentos gays pedem insistentemente para ter o direito de adoptar crianças, e é necessário pensar na questão.

Antes de mais nada é preciso ver quais são os direitos das crianças, e como funcionaria um sistema de adopções numa sociedade livre. Nesta sociedade, o bébé/criança tem um estatuto legal situado entre o de um adulto e o de um objecto/animal. Não é nem uma nem outra coisa. Os pais, principalmente a mãe, são necessáriamente aqueles que têm a responsabilidade inicial para com a criança. São seus tutores. Podem impôr-lhe regras – logo esta deve sujeitar-se a elas – enquanto a criança depender deles, e desde que não atentem contra a saúde e a vida da criança. Estas obrigações mútuas cessam quando a criança (ou mais provávelmente o adolescente) se emancipa.

Há debate, inclusivamente no seio do próprio movimento liberal, sobre duas questões. A primeira é de saber se os pais/tutores têm obrigações “positivas” para com os filhos (alimentação, alojamento, roupa, cuidados de saúde), e caso positivo, quais. A segunda é a da idade à qual o indivíduo se pode emancipar por vontade própria (mesmo sem consentimento dos pais). Há um certo consenso, apesar de tudo, quanto à ideia de que o jovem tem o direito de se emancipar a partir do momento em que tenha capacidade para se sustentar a si próprio, pelo seu trabalho (e que, consequentemente, deve ser permitido aos patrões contratá-lo, e aos senhorios arrendar-lhe casa). E também é aceite a ideia segundo a qual os pais podem dar em adopção as suas crianças, caso não possam ou não queiram sustentá-las, e desde que encontrem alguém disposto a assumir a criança.

Contudo, estas divergências na questão dos direitos das crianças não têm grande relevância para questões de adopção. O facto é que até certa altura da sua vida, a criança ou adolescente depende dos pais/tutores, quaisquer que sejam as obrigações mútuas em presença. A adopção só faz uma transferência de obrigações e direitos para um novo tutor (família adoptiva, Estado, par homossexual, etc...). Se se admitir que os pais têm, até certa altura da vida duma pessoa, o direito de forçar a criança/jovem a ficar sob a sua autoridade, e a obrigação de a sustentar, também se admite que um tutor qualquer, ao adoptar a criança, passa a ter estes deveres e direitos para com ela. A transferência dos direitos de tutela sobre a criança também transfere as obrigações para com esta.

É a luz destes princípios que se deve considerar a adopção por gays. Há vários casos a considerar, uns mais prováveis de acontecer do que outros.

O primeiro, e o mais simples, é o de uma mãe ou casal que decidem dar (ou até vender!) o seu filho para adopção a um casal de homossexuais. Pode-se considerar esta prática como imoral – principalmente se esta situação advier duma falta de sentido materno, e não duma falta de meios e condições para criar a criança – mas tem que se reconhecer que não é criminosa. Não são violados os direitos dos pais (eles abdicam livremente das suas prerogativas de tutela sobre a criança), nem os da criança, da qual tanto uma pessoa como outra podem cuidar. Além disso, pondo de lado por um instante as questões de Direito, pode-se constatar que tais abandonos-adopções tendem a ser positivos para as crianças. Transferem as crianças de pais maus e abandonadores, ou incapazes de sustentá-las, para pessoas mais ricas desejosas, pelo contrário, de cuidar destas crianças.

Pode-se imaginar o caso duma criança abandonada na rua pelos pais, por maldade ou por falta de meios para criá-la. Imagine-se além disso que esta criança é incapaz de se sustentar a ela própria, por ser jovem demais. Num caso destes, nem o Estado nem qualquer outra pessoa devia ter o direito de impedir que as pessoas adoptem esta criança, qualquer que seja a orientação sexual do adoptante. Numa situação destas é literalmente uma questão de vida ou de morte, pois a criança não é capaz de se sustentar a si própria, e precisa urgentemente de ser acudida. O respeito deste princípio é ainda mais importante nas situações que “produzem” órfãos em maior quantidade, como as guerras e as catástrofes naturais (pense-se no caso recente do terrível terramoto de Haíti). Em situações destas, restrições artificiais à adopção, longe de protegerem as crianças, podem ser-lhes fatais. Portanto, a não ser que a criança não tenha sido abandonada voluntáriamente pelos pais, mas perdida no meio de alguma catástrofe, não deve ser retirada aos adoptantes, sejam eles gays ou não. O Estado não deve arrogar-se o monopólio da adopção, como costuma fazer. Deve permitir que as pessoas adoptem crianças em dificuldades.

Outro caso a considerar é o de uma criança anteriormente emancipada que se ponha novamente sob a autoridade dum adulto, por exemplo um homossexual. Pode-se imaginar que a criança tenha fugido de casa, ou que tenha perdido os pais de vista nalgum evento grave. Numa situação destas é ilegítimo retirar a criança ao adoptante, homossexual ou não, mesmo que para devolvê-la aos pais. Isto constituíria uma violação dos direitos da criança, mais do que do adoptante. O que está em causa é o facto da criança ter demonstrado a sua capacidade para viver de forma independente dos pais. Esta prova é dada pelo simples facto de viver várias semanas ou meses sem ajuda destes, sustentando-se através do seu trabalho, antes de se pôr sob a tutela dum adoptante. Por esta razão, dum ponto de vista jurídico, a criança ou adolescente nesta situação deve ser considerada como um adulto, porque já mostrou provas da sua independência. Não se pode invocar o pretexto que a criança não é capaz de cuidar de si e que para sua própria protecção tem que ser forçada a ir viver com os pais ou com tutores escolhidos pelo Estado. E do mesmo modo que um adulto, sendo dono de si, pode ir viver para casa duma pessoa qualquer e pôr-se sob a sua autoridade, por exemplo um homossexual, um jovem emancipado deve poder fazer isso também. A única coisa que “a sociedade” ou os pais têm o direito de fazer para recuperar a custódia dos filhos, numa situação destas, é convencê-los a abandonar os seus adoptantes e a voltarem livremente para casa dos pais.

Todos estes casos são interessantes dum ponto de vista teórico, mas têm pouca relevância prática nas sociedades ocidentais. A maioria das crianças não é abandonada na rua, nem é adoptada por simples cidadãos. Pelo contrário, a maioria das crianças abandonadas vai para o cuidado de orfanatos estatais, ou de associações privadas controladas e financiadas pelo Estado. Isto acontece por duas razões principais. Primeiro, o Estado proíbe ou dificulta doações de crianças entre simples cidadãos (e de vendas, nem se fala): o Estado concede-se o monopólio da adopção. Segundo, existe uma rede de acolhimento para crianças, financiada pelo Estado, e isto favorece que as crianças fiquem sob a autoridade do Estado (directamente, ou através das associações “privadas” que controla).

Daí deriva que a questão da adopção por homossexuais é antes uma questão de saber a quem o Estado entrega as crianças para adopção, mais do que a questão do “direito de adoptar”. Pois neste contexto de monopólio, se o Estado não dá crianças para adopção a homossexuais, eles simplesmente não adoptam.

Os homossexuais querem que o Estado também lhes dê crianças, portanto, e não as reserve para casais heterossexuais. Neste contexto, a reivindicação dos homossexuais soa mais como a exigência dum “direito” positivo (o direito a uma criança, se possível um pretinho fofo de cabelo encaracolado, que é mais exótico) do que como um verdadeiro direito (o direito de adoptar uma criança abandonada ou dada de livre vontade pelos pais). A verdade é que ninguém, heterossexual ou homossexual, tem direito a adoptar uma criança só por lhe apetecer. Têm que estar reúnidas certas condições para se poder adoptar uma criança (deve ter sido abandonada, ou os pais/tutores devem estar dispostos a entregá-la ao adoptante, ou a criança/adolescente deve entregar-se livremente ao seu adoptante, caso tenha suficiente autonomia para tal). Na medida em que o Estado seja o tutor das crianças, será obrigado a fixar uma política de adopção quanto às crianças que controla, pela força das coisas. Os direitos de tutela – e logo, de doação em adopção – dos pais foram transferidos para o Estado. Esta autoridade pode legitímamente fixar como regra não dá-las a homossexuais, do mesmo modo que os pais duma criança, ao decidir dá-la em adopção, podem impôr os critérios que queiram (por exemplo, com vista ao bem-estar da criança). Quanto à questão de saber se é bom que o Estado guarde ou não as crianças sob a sua tutela durante muito tempo (não é!), se é preferível que as crianças sejam educadas pelo Estado ou por adoptantes homossexuais, ou se é bom que restrinja a adopção a pessoas heterossexuais, é outra. Esta é a questão dos bons costumes, e do bom senso. Mas do ponto de vista do Direito, é perfeitamente legítimo discriminar a favor dos heterossexuais na adopção de crianças sob tutela estatal. A discriminação anti-gay na adopção não viola os direitos de quem quer que seja.

Passando além da questão específica das crianças sob a tutela do Estado, e discutindo mais geralmente da adopção por homossexuais, convém referir um argumento dado contra a adopção homossexual. Este argumento é o de que os homossexuais são tarados sexuais, como o ilustra a sua apetência por uma prática condenada pela maioria, e que por essa razão põem em perigo as crianças (perigo de práticas pedófilas), derivando-se daí que não devem poder adoptá-las.

Incidentemente, é sempre bastante cómico observar o efeito que este argumento tem sobre militantes gays: costuma fazê-los pular até à estratoesfera. Reacção bastante forte que faz os espítitos mais sólidos – aqueles que não se deixam intimidar pelo epíteto de “homófobo” - perguntarem-se se este argumento não fará algum sentido, ou seja, se muitos homossexuais não terão de facto tendências pedófilas (mais do que heterossexuais, inclúsivamente). Os mesmos que se indignam com esta sugestão costumam aceitar com muito mais calma o argumento segundo o qual os padres, pela sua habitual abstinência, podem ser tentados a abusar das crianças postas à sua guarda (escolas primárias, orfanatos, etc...). Ou seja, para o típico militante gay - um esquerdóide imoral e desonesto, por regra - é legítimo fazer suposições nalguns casos. Mas só nalguns casos...

Dito isto, e apesar de ser plausível que alguns homossexuais sejam pedófilos (de pela sua apetência demonstrada em quebrar tabús sociais), ou simplesmente que não fazem bons pais (dificuldade/incapacidade em dar à criança uma educação com duas facetas masculina/feminina, por uma questão de sexo do “casal” e por falta de experiência com certas questões – sedução de pessoas do sexo oposto, nomeadamente; tendência em incutir valores decadentes e socialmente destrutivos às suas crianças: homossexualidade), há um fundo de legitimidade na queixa dos homossexuais segundo a qual estão a ser injustiçados na questão da adopção por causa de “preconceitos”. Em primeiro lugar, quanto à questão da pedofilia, é óbvio que homossexualidade não implica necessáriamente tendências pedófilas. Mesmo que se admita que os homossexuais são um “grupo de risco” para as crianças, isto não justifica que lhes seja vedada a adopção. Do mesmo modo, se se for estudar estatísticas, é provável que se encontre uma maior proporção de pais pedófilos em casas desregradas (alcoolismo, desemprego persistente, analfabetismo, etc...). No entanto, isto não justifica que se criem leis a proibir alcóolicos, desempregados ou analfabetos de adoptar (ou de ter filhos!). A lei, numa sociedade justa e livre, pune o crime cometido; não reprime grupos de pessoas só pelo facto de poderem vir a cometer um crime. Idem para uma má/boa educação. Apesar de haver em qualquer sociedade um certo consenso sobre questões educativas, há sempre divergências importantes de família para família (questões religiosas, questões políticas, questões históricas, questões de língua). É perigosíssimo para todos (inclusivamente os heterossexuais!), e injusto, o Estado impôr a todas as famílias a sua visão do que é uma educação razoável. Esta interferência, por tocar em questões tão sensíveis, cria sempre grandes tensões na sociedade. Cria um clima de guerra civil, com várias facções a quererem apoderar-se do Poder para não verem os seus filhos educados pelos seus adversários e inimigos. É por isso importante confinar o papel do Estado – a ter algum – na defesa da integridade física das crianças, e deixar questões educativas para a escolha das famílias/adoptantes, mesmo que isto possibilite certas aberrações desagradáveis (adopção e educação por homossexuais, por exemplo). O poder do Estado sobre a família é de longe mais perigoso do que a tutela de homossexuais sobre crianças.

É importante realçar esse ponto: a homossexualidade dos tutores duma criança – por exemplo, um casal homossexual – não viola os direitos das crianças, por si. Não se exige dum pai biológico que seja heterossexual (pode dar para os dois lados, digamos). Nem sequer de outros tutores (professores, empregados de orfanatos, amas). Nenhum dos direitos das crianças típicamente aceites, mesmo admitindo a teoria dos direitos positivos (educação, saúde, alimentação, alojamento), deixam por natureza de ser respeitados caso o tutor da criança seja homossexual. Aliás, tendo em conta que os homossexuais costumam ter rendimentos elevados, é mais provável que eles possam fornecer às crianças estes direitos positivos do que muitos casais heterossexuais de baixos rendimentos.

Portanto, é ilegítimo proibir os homossexuais de adoptar crianças abandonadas, ou de adoptar crianças a pais que lhas queiram entregar. Mas é perfeitamente legítimo, para quem tem a tutela sobre crianças que quer dar em adopção (pais, instituições de caridade privada, orfanatos do Estado) discriminar a favor de heterossexuais. Os homossexuais têm o direito de adoptar, mas não o direito a uma adopção. Qualificação importante.

Na prática, numa sociedade livre haveria muito pouca adopção por homossexuais, pela simples razão que esta prática desagrada profundamente à maioria das pessoas. Portanto, haveria poucas pessoas – daquelas que dão as suas crianças para adopção – a dar/“vender” crianças a homossexuais. Além disso, os orfanatos, a existir, seriam financiados por donativos voluntários, e não por impostos. Isto implica que teriam que seguir uma política de adopção condizente com os desejos dos doadores, caso se quisessem manter em funcionamento. Logo, não poderiam dar as crianças a adoptantes homossexuais, de medo de perder financiamentos. Além disso, os homossexuais formam uma minoria da população, uma minoria que a maior parte do tempo não quer ter grandes responsabilidades familiares (preferem divertir-se a levar no cú de uma sucessão numerosa de parceiros, regra geral). Toda a discussão sobre adopção homossexual, na verdade, traduz mais histeria de uma certa elite homossexual politizada, do que uma verdadeira ânsia da comunidade homossexual em geral. Só por aí, seriam poucos a pedir para adoptar. Finalmente, a sociedade poderia castigá-los através da denúncia pública e do ostracismo, caso decidissem ir avante com os seus projectos. Estas pressões diminuíriam a probabilidade deste tipo de adopções.

...

Por todas estas razões, o progressismo deve ser encarado como um inimigo da liberdade. Não se contenta de querer legalizar certos comportamentos legítimos – como a homossexualidade. Quer mais do que isso fomentar e impôr tais comportamentos.

* Para distingui-los do verdadeiro casamento, sugere-se o uso dos termos “rabamento” e “lambamento” para referir os casamentos homossexuais machos e fêmeas, respectivamente.

**Situação existente em França, note-se. Mas este “exemplo” deve ser visto como prelúdio do que vai acontecer em Portugal mais tarde ou mais cedo se não se resistir ao progressismo ambiente e aos vários lóbis rabetas.


B) AGENDA ANTI-TRADIÇÃO

O progressismo é também inimigo do bom senso e da tradição. Os seus adeptos não entendem que há uma diferença fundamental entre o facto dum comportamento ser legítimo (ou seja, não poder ser punido pela força, nomeadamente a força da lei) e o facto de ser positivo para o seu praticante e/ou para a sociedade. Os exemplos abundam. É legítimo consumir drogas ou álcool em qualquer quantidade, mas isso não significa que seja positivo abusar destas substâncias, quer para o abusador, quer para aqueles que o rodeiam. Por não interiorizarem a diferença entre a legitimidade e a propriedade dum comportamento, os progressistas rejeitam frequentemente tradições antigas, espontâneas, e com provas dadas. Não percebem que é melhor não rejeitar de ânimo leve uma tradição qualquer (por exemplo, a família tradicional patriarcal, ou o cristianismo). Mesmo que esta tradição seja pouco “pensada” pela população em geral, no sentido de que esta última não se dá ao esforço de analisá-la de forma racional, seguindo-a simplesmente por hábito. Não percebem que a longevidade multi-milenar duma tradição qualquer se deve geralmente à sua capacidade de protecção e de fomento da sociedade, nomeadamente, facilitando a reprodução e a criação dos filhos até à vida adulta. O que é um bem fundamental (senão o mais importante).

As únicas tradições que os esquerdalhos costumam respeitar não são aquelas que prevalecem nalgumas sociedades primitivas da floresta tropical amazónica ou africana (tradições estas que são de pouca relevância para a sociedade moderna). Os pigmeus são tão fofinhos. Ou seja, respeitam sociedades atrasadas, por desdém ao progresso material da modernidade, e como revolta contra os valores burgueses e conservadores que ainda restam no Ocidente.

É preciso entender que o desdém progressista* da família tradicional não se deve sómente, contudo, à ignorância intelectual do valor desta instituição, nomeádamente dos benefícios pessoais e sociais que traz. Esta ignorância podia-se curar pelo raciocínio, pela leitura e pelo debate – desde que motivados por alguma honestidade. Está em jogo mais do que isso, no entanto. Um dos travões principais à apreciação do casamento por parte de certa gente é simplesmente a sua decadência moral. É uma questão de valores pessoais, mais do que uma questão intelectual. O progressista, geralmente, vive no presente. Não dá muita importância à preservação e ao crescimento da sua sociedade, e em deixar uma marca para além da sua vida. É um hedonista. Por isso, tem geralmente poucos filhos, pois ter filhos não é própriamente uma questão de lucro pessoal, mas antes de transmissão de algo importante (o sangue, valores, uma religião, o nome, etc...): requer espírito de sacrifício. Como é decadente, não se importa em destruir a instituição mais eficaz e importante para a criação de filhos: o casamento. Por isso, mesmo que perceba a sua importância para o florescimento da sociedade, não lhe dá valor.

Além disso, este ímpeto anti-tradicional deriva em grande parte do igualitarismo do progressista. Ele não entende, como o liberal, que todos têm igualmente o direito de ser livres. Para ele, igualdade não significa isso. O que ele quer é igualdade de condições, de oportunidades, de estatuto, de riqueza. Quer homogeneidade entre pessoas, apesar de isto ser impossível, e de ser incompatível com o direito das pessoas se desenvolverem livremente. É por causa desse igualitarismo que os progressistas vêem com bons olhos o casamento homossexual, ou o casamento heterossexual “moderno” (isto é, igualitário). Este casamento é “horizontal”: os dois parceiros têm o mesmo estatuto (pelo menos em teoria). Pelo contrário, o casamento patriarcal, em que o homem é indiscutivelmente o chefe de família (meu Deus que horror!), desagrada ao progressista, porque implica uma hierarquia dentro da família: o homem é o número um, e a mulher só vem a seguir. É um casamento desigual, hierárquico, em que o homem tem a última palavra a dar nos assuntos comuns da família. Isto explica a hostilidade que o progressista lhe consagra.

Da mesma forma, o casamento polígamo não lhe agrada. Toda a conversa sobre “liberdade de escolha” mencionada em defesa do casamento homossexual não se vai fazer ouvir em defesa do casamento polígamo (pelo menos não pelas mesmas pessoas). É que aí, de forma ainda mais clara do que no casamento monogâmico, não há dúvida nenhuma que existe um chefe, e quem ele é: o “macho opressor”. Contudo, é preciso referir que estas duas formas de casamento tradicional são ambas legítimas e compatíveis com uma sociedade livre. O facto do homem chefiar a sua, ou as suas mulheres, não implica necessáriamente a violação dos direitos destas. Hierarquia e opressão são dois conceitos diferentes. Não pode haver opressão sem hierarquia. Mas pode have hierarquia sem opressão. O que conta para uma chefia ser legítima é que o subordinado tenha aceite de livre vontade entregar ao seu chefe determinados direitos sob a sua vida, e além do mais, que o chefe cumpra a sua parte do contrato. Se estas duas condições estiverem verificadas, o chefe tem legitimidade para mandar. Uma das características do casamento tradicional – pondo de parte os casamentos forçados, legitímamente condenáveis – é que a mulher aceita contratualmente entrar sob a autoridade do marido (as especificações deste contrato variam obviamente consoante a vontade dos contraentes, consoante as épocas, e consoante as culturas). Isto não é diferente, na essência, da aceitação por um empregado das ordens do seu patrão, e é tão legítimo como um contrato de trabalho. Portanto, a partir do momento em que o contrato é livre, é legítimo obrigar as partes – tanto o marido como a mulher – a cumpri-lo, castigando-os se for preciso quando violam as suas obrigações. Os igualitaristas não percebem isso, ou não aceitam.

O casamento tem grandes vantagens para o homem. Mas também traz benefícios para a mulher (exactamente ao contrário do que querem fazer crer os inimigos do “macho opressor”), razão pela qual as mulheres continuam a querer casar-se. Não é por acaso que o casamento tem perdurado ao longo dos séculos, apesar de não ser obrigatório nas sociedades ocidentais (o que permitiria às mulheres evitá-lo se assim quisessem, o que não fazem a maior parte do tempo). Em geral, é uma instituição positiva para satisfazer a ambição de todas as pessoas de bem: uma sociedade próspera, em crescimento, e em paz.

O casamento heterossexual é antes de mais, óbviamente, um casamento fértil. Ajuda à formação gradual duma pequena tribo. Ao longo do tempo, formam-se múltiplas ligações entre parentes, que reforçam o todo. Cada indivíduo acaba por ficar mais forte do que se estivesse isolado. Beneficia da ajuda de primos, irmãos, tios, pais e filhos.

Mais ainda, o casamento tradicional é um exemplo diário dado aos filhos de um modo de vida normal e saudável, isto é heterossexual. Com os pares homossexuais, no caso em que eles tenham crianças sob a sua custódia, há sempre o risco muito real de transmitirem os seus valores decadentes, o seu relativismo moral, às crianças que educam. Há uma alta probabilidade de isto acontecer. Estarão assim a levá-las para uma vida de perdição, má para elas e para a sociedade em geral. É praticamente impossível, para uma criança, não assimilar o que lhe ensinam e o que vê no dia-a-dia, e repeti-lo à medida que vai crescendo. Só muitas poucas pessoas conseguem, mesmo na vida adulta, pôr em questão os valores morais, familiares e políticos sob os quais foram educados. É por isso perfeitamente normal que a sociedade em geral não queira promover este género de “educação” perversa. O caso moral contra o casamento homossexual é tão simples quanto isso.

O casamento oferece protecção à mulher no momento em que ela está mais frágil, durante a gravidez e durante os primeiros anos de constituição da sua família. Nesses momentos, em que ela é praticamente incapaz de trabalhar e de ganhar a vida, ou por limitações físicas ou por ter que se ocupar dos seus filhos, tem a ajuda dum homem e da sua família para sustentá-la. Estes momentos de fragilidade repetem-se ao longo das várias gravidezes. A única maneira que a mulher tem de fugir a esta dependência é não tendo filhos – ou seja, não realizando a sua natureza de mulher, o que só pode deixá-la infeliz. Ou beneficiando da existência dum Estado-Previdência necessáriamente injusto, porque baseado na extorsão. O que é simplesmente uma maneira indirecta de viver à custa dos homens, pois serão estes as principais vítimas da fiscalidade que este sistema requer. O que na prática significa que uma mulher – e por mulher, entende-se alguém com filhos, porque senão é simplesmente uma adolescente tardia – é sempre dependente dum homem qualquer. Faz parte da sua natureza de mulher.

A protecção do casamento, óbviamente, não se limita às gravidezes da mulher, nem a esta. Na verdade, estende-se a todas as fases da vida da família, e a toda a família. É uma ajuda preciosa na velhice, na doença, na loucura, nas situações de acidentes. Fornece mais do que uma simples ajuda financeira (o que o Estado-Previdência pode fazer). Dá aquilo que só pessoas próximas, presentes permanentemente, podem dar: cuidados personalizados. Não há outra maneira de cuidar bem dum incapaz, dum enfermo ou dum velhote.

O casamento soluciona também um problema ao qual as mulheres e as suas crias, sozinhas, são confrontadas: a sua fraqueza. O casamento dá uma protecção física às mulheres, como só um homem consegue dar. O homem tem incentivo em proteger a sua família (com os riscos mortais que isto pode implicar) porque sabe que os seus eventuais sacrifícios serão recompensados. Não há o risco de a mulher se ir embora – a Lei e a sociedade não o permite – e de o homem ficar sozinho face aos inimigos que fez a proteger a sua mulher.

Além disso, o casamento é a instituição na qual se manifesta a especialização entre sexos. Especialização esta que é benéfica para todos. A ciência económica mostrou desde há muito tempo – Adam Smith e Ricardo pelo menos – que a sociedade se torna muito mais produtiva com a divisão do trabalho. Esta regra aplica-se não só às trocas indirectas (por intermédio da moeda) como também nas trocas directas (como ocorre por exemplo nas economias primitivas, em que se troca um bem ou serviço directamente por outro).

Ora o casamento, de pela sua natureza voluntária e contractual, é um exemplo de trocas directas, exercidas de forma contínua ao longo da vida. Por esta razão, naturalmente, tende a haver divisão de tarefas dentro do casamento. E como a mulher é mais fraca físicamente, menos racional/intelectual, e menos móvel (porque é ela que carrega os filhos dentro de si), esta especialização manifesta-se por tarefas mais pesadas, agressivas, e exteriores para o homem – o trabalho – e por tarefas mais caseiras para a mulher (lida da casa, crianças, cuidados aos mais velhos). [Incidentemente, a mulher é mais manhosa do que o homem, e depressa se apercebe da sorte que é ter um coitado a trabalhar por ela, o que é bem melhor do que se esfolar no trabalho ela própria, ao contrário do que pretendem as suas “defensoras” feministas.]

Tornar-se eficiente e produtivo (essencial para ter um bom nível de vida) numa actividade profissional qualquer (e até na lida da casa!) exige dedicação e tempo. Uma pessoa dedicada gasta muito tempo da sua vida em transportes, e no trabalho em si. Só com tempo e esforço é que se consegue fazer carreira, e assim aceder a posições que ofereçam uma boa remuneração. É por isso que o sonho molhado das feministas – a partilha de tarefas domésticas, e uma forte participação das mulheres no mundo do trabalho: a igualdade – acaba por ser uma quimera pouco prática. Impede ao homem concentrar a sua energia no trabalho (porque tem que se ocupar das crianças e da lida da casa, forçando-o até a trabalhar em part-time [=>loser à vista], não aproveitando dessa forma certas oportunidades de trabalho que apareçam). Impede à mulher ter tantos filhos como poderia, caso queira ser séria na sua carreira. Acaba por lhe dar o dobro do trabalho: carreira e filhos. Essa mulher acaba por estar sempre cansada, e indisponível para os seus. E tudo isso fomenta ressentimentos dentro do casal: a mentalidade igualitarista que impregna as mulheres modernas, assim como o facto de ganharem tanto como os homens, leva-as a serem rebeldes. O que faz com que os homens deixem de respeitá-las, amá-las e acarinhá-las, porque do mesmo modo que há certas coisas que criam atracção nas mulheres, também há aquelas que criam repulsão nos homens. Eles gostam de mulheres que se dão, que se submetem a eles. Só estas é que conseguem respeitar e acarinhar de forma duradoura.

Esta especialização, numa sociedade tradicional, é possível e vantajosa, porque há segurança jurídica. O homem não corre o risco de trabalhar anos a fio para de seguida ver a sua mulher partir com os filhos, uma boa parte da sua fortuna, tendo ainda por cima que lhe pagar uma pensão (para ela ir de férias com o amante). E a mulher não corre o risco de se dar a um homem quando ela é mais poderosa no que toca à sedução – a sua juventude – para depois ser trocada por uma mais nova anos mais tarde, quando estiver mais gorda, mais velha, menos fresca, o que torna a conquista dum novo homem muito mais difícil. Jovem concorrente esta que vai beneficiar da fortuna do seu homem, conquistada em grande parte com a ajuda da sua rival mais velha (enquanto esta fica a ver passar navios).

Porque só o casamento tradicional (hierárquico, fértil, inigualitário) é funcional e próspero, no longo prazo são pessoas que o respeitam que tendem a mandar na sociedade (as pessoas que respeitam a tradição têm mais filhos...). O que é bom para o conforto de todos, homens e mulheres.

Finalmente, o casamento tradicional, com o seu conjunto de direitos e deveres bem definidos, tanto para o homem como para a mulher, resolve uma questão inescapável em qualquer comunidade em que haja bens e direitos em comum: a questão de determinar o rumo a tomar pela comunidade. Ou seja, a definição de quem é o chefe de família e tem a última palavra nas questões comuns. Não pode haver dois galos na mesma capoeira. Ao contrário do que as tontas feministas desejariam, a vida duma família não se pode reger somente pelo consenso e pela “igualdade”. Isto é possível no namoro, porque não há nada de muito importante a determinar. Só o momento e o local da próxima queca, eventualmente. Mas no casamento, há pelo menos três questões de grande importância em que mais tarde ou mais cedo hão-de surgir algumas divergências entre um homem e uma mulher. Primeiro, o número de filhos a ter e a educação a dar-lhes. Segundo, o sítio em que a família se vai instalar para viver. E terceiro, qual o destino (gestão, compra, venda) a dar ao património comum. Nestas questões, é perfeitamente compreensível que ocorram divergências, baseadas em gostos diferentes. Nem se pode partir do princípio que o homem tomará sempre a melhor decisão. Mas o facto é que é preciso tomar-se decisões. Não se pode transmitir valores contraditórios a uma criança. Não se pode viver simultâneamente no Porto e no Algarve. Não se pode vender a casa de família, e ao mesmo tempo ficar nela. Uma decisão excluí outra. Isto implica que um dos dois cônjuges tem que ter autoridade para tomar uma decisão final. Sem estas regras, é impossível fazer uma comunidade e mantê-la coesa. Isto é válido, inclusivamente, para pares gays. Tem que haver o paneleiro e a paneleira.

O rabamento não tem todas as vantagens dum verdadeiro casamento. Até poderá ser de alguma utilidade no que toca à entre-ajuda entre cônjuges, mas não passa disso. É um casamento infértil, puramente hedonista. É um casamento em que falta espírito de sacrifício em prol de algo superior, em prol da comunidade, em prol do nome e do sangue, em prol das crianças. É uma prática que não deixa nada para o futuro.

A insistência que se vê na promoção do rabamento por parte dum certo tipo de pessoas não é tanto uma procura de direitos – mesmo que falsos. O que os picolhos querem, com toda a palhaçada das suas “reivindicações”, é antes de mais reconhecimento social. O mesmo reconhecimento social que se dá aos casais normais, que não se lhes pode dar, precisamente porque os rabetas não são normais.

* O termo de “progressista” foi abusivamente apropriado pelos inimigos da tradição e dos bons valores burgueses/conservadores. Tem como implicação subjacente que os “reaccionários” são contra o progresso. Em boa verdade, não se devia conceder a esta gente o benefício do uso desta palavra, pois são eles que na realidade se opõem ao progresso, através do seu repúdio dos valores tradicionais-conservadores que o possibilitam (como o casamento tradicional e a liberdade económica, por exemplo). São os adeptos da tradição, na realidade, os progressistas.


V – COMBATE À HOMOSSEXUALIDADE

A nossa época deixou a rabetice tomar poder e influência de mais. É importante que as pessoas de bem ataquem frontalmente toda esta palhaçada. Faz falta um pouco de espírito reaccionário. É preciso que as pessoas façam o seu “coming-out homofóbico”, para parafrasear uma expressão dos gays. Tem que ser posto em causa o “ar do tempo”, que eleva ao estatuto de prioridade moral a “tolerância”. Bem pelo contrário, os portugueses, se querem ver o seu país triunfar, têm que voltar a combater comportamentos destrutivos. Têm que voltar a ser intolerantes. Isto não implica que se possa usar da força contra tudo o que sai da norma (por exemplo, a homossexualidade) – apesar deste limite à violência ser muito mais do que os movimentos gays, sempre prontos a utilisar o Estado para esmagar os seus inimigos, concedem aos outros. Mas implica perceber bem que o respeito da liberdade alheia não é o mesmo que a aceitação ou tolerância de todos os comportamentos existentes.

Uma sociedade livre tem instrumentos muito fortes para combater comportamentos e pessoas que, sem serem criminosos, são desagradáveis. A crítica e o insulto, para começar, que fazem parte da liberdade de expressão. A educação e pressão familiares. O ostracismo e o boicote, também, que são um direito derivado do direito de propriedade, e do direito de se associar (ou não associar) com quem se quer. Isto significa que numa sociedade livre e saudável, a homossexualidade há-de ser sempre uma prática marginal e escondida. De facto, sendo uma prática destrutiva que causa desagrado e repugnância na maioria das pessoas, é altamente provável que assim seja. Numa sociedade livre e tradicional, quem não respeita um certo conformismo arrisca-se a não encontrar trabalho, a não arranjar casa, e a ser cortado de qualquer círculo social. Os homossexuais não podem pedir a liberdade de fazer o que querem com o seu corpo, sem ao mesmo tempo reconhecer aos outros o direito de fazer o que querem com a sua boca (criticá-los) e a sua propriedade (ostracisá-los). O direito de exercer estas liberdades deve ser defendido a nível político, e exercido com vigor no dia-a-dia. É não só um direito exercê-las, mas também um bem.

É especialmente necessário tirar todos estes paneleiros do seu pedestal através do gozo e do insulto. Especialmente o paneileiro militante, com a sua atitude victimária profundamente chata. Já chega de tanta polícia do pensamento e da palavra, especialmente nos mídia. Paneleiros! Picolhos! Panasca! Bichas! Rabetas! Fufas! Lambichonas! Traveca! Aberrações da natureza!

Pense-se um pouco naquilo que toda esta fauna faz e representa. Põem-se de quatro patas e deixam que se lhes enfie um chouriço no rabo. Lambem os caralhos uns dos outros. Espetam o punho no cú dos outros. Lambem-se o cú, e até comem a merda uns dos outros.

Pense-se nos travéstis, autênticas aberrações, que conjugam um belo par de mamas e uma piroca no meio das pernas! E pense-se em todos os bons pais de família que este traveca brasileiro enraba todos os fins-de-semana, por 40€.

Pense-se nas fufas, a lamberem-se frenéticamente numa insatisfação perpétua, por nenhuma delas ter aquilo que poderia dar alegria à outra.

Pense-se nisso tudo. E de seguida ria-se à gargalhada de todos estes animais, e mais ainda, dos tótós dos portugueses que, de tanta lavagem cerebral, ainda pensam que devem tratar sem qualquer julgamento de valor toda esta fauna. Como se ela estivesse ao mesmo nível dum Manel a dar uma na sua Maria, a fazer-lhe um filho em posição do missionário. Que país grotesco este em que vivemos, em que é considerado ofensivo criticar toda esta palhaçada. Que sociedade louca esta em que são aceites todas as pretensões da bicharada. Não é assim tão difícil perceber que levar no cú dói, é porco, e é cómico. Portugueses, acordem!

Os supostos defensores dos homossexuais têm sempre a palavra “tolerância” na boca. O mais importante, para eles, pelos vistos, é serem “tolerados”. Mas na verdade, não parecem entender bem o significado dessa palavra. “Tolerar” algo é simplesmente não proibir (isto é, não usar da força contra) uma prática da qual não se gosta, com a qual não se concorda, que não se respeita, que não se aceita como boa e positiva. Em suma, tolerar uma pessoa ou prática é olhá-la de cima. Quem tolera assume uma posição de superioridade moral. E quem pede tolerância, como os panascas fazem constantemente, assumem tácitamente a anormalidade ou maldade dos seus comportamentos. Por isso, irónicamente, os paneleiros até têm razão em pedir tolerância. É a única coisa que merecem, e não mais do que isso: serem vistos como seres inferiores em termos de valores. Pessoas que não podem contudo ser castigadas físicamente, na sua pessoa ou nos seus bens, pelos seus comportamentos. Mas que também não podem ser postas ao mesmo nível que outras mais decentes e mais sábias. Uma sociedade tolerante não reprime tudo, mas protege os seus valores. Não são os marginais que mandam.

Na verdade, a comunidade gay acaba por ser bastante intolerante, o que não deixa de ser irónico, visto que o faz em nome da tolerância... Ao agitarem constantemente pelo despedimento de personalidades “homofóbicas”* (fazendo pressão sobre os seus empregadores), ao usarem sem vergonha os mídia (nos quais pululam) para enxovalhar aqueles que não lhes fazem os salamaleques da praxe (e por gradualmente “normalizarem” a homossexualidade inserindo-a sugestivamente nas criações artísticas), ao usarem os tribunais para se forçarem sobre os outros (leis anti-discriminação) e calá-los, mostram que não querem simplesmente ser aceites. Há aí uma vontade de dominação. Demonstram não aceitar a má opinião que as pessoas normais têm deles. Não se limitando a criticar os comportamentos dos outros, fazem pressões de toda a espécie para controlar o que pensam. Ou seja, mostram desrespeito pelo valor do pluralismo, que aparentemente defendem. São no fundo uns hipócritas. Pretendem que todos os estilos de vida se valem, mas não aceitam os gostos daqueles que não se querem misturar com eles: o gosto de viver entre gente normal. Demonstrando a lógica idiota dum imbecil-estudante de Maio 68, pretendem “proibir de proibir”. Pelo menos, os adeptos da tradição são francos! Não hesitam em assumir a superioridade do seu estilo de vida, assim como a sua intolerância. Além disso, os homossexuais tendem a reunir-se em certos bares, certos bairros, longe do pessoal heterossexual. Ou seja, acabam por se comportar eles próprios de forma comunitária, fechada. E não têm, por isso, autoridade moral nenhuma para dar lições de “integração” a quem quer que seja. Aliás, se há gente que representa “o medo do outro” (mais uma expressão da treta da bicharada) são os próprios homossexuais. Representam o medo do sexo oposto, a falta de coragem de criar intimidade com aquele ou aquela que é diferente.

De pela hipocrisia e ideologia dos gays, de pelas suas tendências dominadoras, e porque o Estado tende a aproveitar-se de qualquer movimento activista para reforçar os seus próprios poderes, convém estar atento ao movimento gay. A sua tendência normal é passar de simples movimento activista defensivo ao de burocracia inexpurgável e dominadora. A tendência é para controlar cada vez mais o discurso por restrições legais e por pressão social, por fortalecer cada vez mais as leis anti-discriminações, e por subsidiar cada vez mais associações e burocracias que se vão apressar em promover a “tolerância” (isto é, o relativismo moral) em tudo o que é sítio – mídias, escolas, etc...

Portugal, sendo um país pouco receptivo às victimologias de toda a espécie, escapou relativamente ileso a todas estas mafiosices, até à data. Estamos longe da situação duma França, em que declarações “homofóbicas” (vá-se lá saber ao certo o que isto quer dizer, senão que na prática não se pode criticar paneleiros) dão direito a prisão. Não há aqui associações a ganharem dinheiro constituindo-se partes civis em processos intentados contra “homófobos”. Mas para lá caminhamos. Há uma tendência própria às burocracias, que é de crescerem implacávelmente, de forma louca, até ao colapso final do Estado central, ou até que ocorra uma revolta popular massiva. As más ideias políticas, uma vez que se apoderam de alguma sociedade ou sistema político, tendem a caminhar para a sua conclusão lógica, mesmo que absurda. Não serve de muito indignar-se contra estes simptomas, se não se tiver disposto a pôr em questão de forma completa os fundamentos ideológicos que possibilitam estes fenómenos delirantes. No caso do movimento gay, é preciso que as elites intelectuais e morais do país percebam cláramente o que está mal, e transmitam essas verdades às massas. É preciso que vejam que o casamento tradicional e as práticas homossexuais não estão ao mesmo nível moral. É preciso que entendam que leis anti-discriminação e contra a liberdade de expressão são criminosas. E é preciso que ponham em questão o financiamento governamental, financiado pelo imposto, das opiniões e dos vícios dos homossexuais. Finalmente, é preciso que não sejam decadentes, mas pelo contrário que vivam os valores que pregam. Têm que demonstrar coragem.

Também é certo que não é preciso fazer do combate à homossexualidade uma prioridade! Esta luta cultural e política enquadra-se simplesmente no combate mais global em defesa da Liberdade e da Tradição. Com tanta mafiosice que por aí anda, seria uma obsessão um tanto ou quanto patética. Mas deve ser vista como uma vertente da defesa dos bons costumes, e da oposição ao Estado. Quando há ocasião para tal, há que entrar no debate.

* Essa da “homofobia” é mais uma de muitas tretas do movimento gay. Ninguém tem “medo” dos homossexuais. Simplesmente, são vistos pelo que são: gente decadente. Essa palavra é mais uma representante de todo o vocabulário tretoso e artificial (“estigmatização”, “discriminação”, “preconceito”, etc...) inventado para embalar e defender causas gays.


VI – CONCLUSÃO

Portugal é, objectivamente e sem exagero, um país em perdição. Um país em que o Estado se apoderou de forma escandalosa da sociedade, e lhe pesa em cima cada vez mais agressivamente, com a regressão económica que isto implica. E um país em que as mulheres já nem fazem filhos suficientes para regenerar a população. Nesta situação de decadência, não há margem para grande “tolerâncias”, quer seja da homossexualidade ou de outras patetices do género. É preciso defender bons princípios, sem fraqueza e sem vergonha, e mais do que isso, vivê-los. Só grandes homens, com colhões de aço, inteligência e espinha direita, podem dar a volta à presente situação, e parir o renascimento do qual o país precisa.

Não se dê ao movimento gay – com as suas bandeiras da javardice, da decadência, e da injustiça – o mesmo estatuto que à Liberdade e à Tradição.

Finalmente, um pequeno momento relax, para acabar em beleza: