domingo, 27 de maio de 2012

Trabalhar O Sistema: Dentro Do Sistema




Pensando no sistema político português, chega-se facilmente à conclusão que é relativamente aberto. Mais do que o sistema político francês: sistema das duas voltas, nas presidenciais e nas legislativas, que lixa os partidos minoritários e/ou radicais. E mais do que o sistema americano (só dois partidos conseguem, na prática, concorrer às eleições).

No caso das eleições locais, nem sequer é preciso formar partido. Qualquer lista de independentes pode concorrer. E as assembleias municipais – mais ainda do que os postos de vereação – são fáceis de conquistar, por serem eleitas proporcionalmente.

Além disso, a nível nacional, nem sequer é assim tão difícil entrar no parlamento. Para tal, é preciso formar um partido. Umas sete mil assinaturas bastam para isso. Além disso, certos círculos eleitorais - os dos distritos mais populosos – elegem um grande número de deputados, o que os torna relativamente acessíveis a partidos minoritários. O método de Hondt, usado em Portugal, facilita a expressão política das minorias.

Quanto à presidência da república, nem sequer é preciso constituir partido. Bastam alguns milhares de assinaturas.

Conclusão?

Havendo um mínimo de espírito liberal na população, é fácil alcançar alguma influência e poder na política local e nacional. No pior dos casos, isso permite ter um poleiro do qual se pode transmitir as suas ideias. No melhor dos casos, permite bloquear os avanços do poder, e até repudiar com medidas injustas.

Mas agora, em termos estratégicos, como fazer!?

Primeiro. Continuar a fazer trabalho ideológico e missionário. Isto passa por livros, websites, vídeos, blogues.

Dum ponto de vista mais prático e concreto, alguém tem que se atacar à criação dum "manual de liberalismo", com todas as questões essenciais tratadas do ponto de vista liberal (aspecto ético e económico: armas, vícios, impostos, monopólios e cartéis, moeda e banca, divisão do trabalho, socialismo, democracia, estratégia de mudança social). Este manual deve servir de sebenta para todos os activistas que não tenham tempo ou pachorra para ler os diversos calhamaços da literatura liberal. Difunda-se esta sebenta pela net.

Segundo. É preciso criar uma associação (mais do que um partido), cujo objectivo seja mais político do que simplesmente ideológico.

A tarefa principal dessa associação deve ser a difusão do conhecimento prático necessário para influenciar a política local e nacional, assim como o uso do sistema judicial para defesa da liberdade (usando os tribunais para punir políticos e funcionários que abusem dos seus poderes, enleando-os na sua própria rede de leis). Deve concentrar-se em coisas do dia-a-dia da política (prazos para candidaturas, leis e matemática eleitoral, financiamentos partidários, organização de manifestações e protestos, etc...).

Terceiro. Seguir uma estratégia de baixo para cima

As coisas mudam em cima só depois de mudarem em baixo. Toda a mudança social positiva, quer seja política ou cultural, segue esse formato. A nível prático, isto implica começar pela política local: começar pelas juntas e pelas câmaras, e pelos tribunais de primeira instância. Só depois de ter algumas vitórias a esse nível será possível arranjar as assinaturas, os votos e o dinheiro necessário para criar um partido e concorrer a eleições nacionais ou presidenciais. O Coelho da Madeira (que, não sendo própriamente liberal, é certamente um populista, como deve ser um movimento liberal verdadeiramente eficaz) só arranjou as assinaturas necessárias à sua candidatura presidencial porque já tinha o seu “castelinho político” madeirense. De outra forma, sendo um homem do povo e não pertencendo de forma alguma à elite do sistema político-económico-mediático nacional, nunca teria conseguido candidatar-se.

Se não houver liberais conscientes e assumidos na população em geral, em todas as terras de Portugal, muito menos os haverá no topo do sistema político-judicial, onde pelo contrário há interesse – de classe, psicológico, e financeiro – em esmifrar as pessoas. Não se vai arranjar deputados leais à liberdade, se não houver liberais no país... De resto, imagine-se o que era haver dois ou três deputados municipais liberais em cada concelho de cada distrito de Portugal: arranjava-se facilmente gente para criar partidos liberais regionais e vencer pelo menos um deputado em cada um destes círculos eleitorais (até aqueles que elejam menos deputados). Não há como escapar a essa realidade: os liberais vão ter que mudar a ideologia e a cultura dos portugueses em profundidade. Do mesmo modo que os socialistas-progressistas lhes mudaram a mentalidade em profundidade, nos últimos 150 anos. É imprescindível fazer trabalho de fundo, portanto. Num sentido, é tonto preocupar-se com a política nacional, com as notícias do sistema mediático, com coisas que por enquanto não se podem mudar: casos políticos, processos de personalidades, casos de corrupção... Por um lado, tudo isso é barulho e simptomas (pois todas essas polémicas não atacam as políticas e as leis existentes em si). Por outro lado, por enquanto, não há grande coisa que se possa fazer para mudar tudo isso, logo é uma perca de energia e de tempo preocupar-se com tais fenómenos: há que aceitá-los em termos práticos, se bem que não em termos morais.

Além do mais é possível – e tem que ser feito – fazer política nacional a nível local, mesmo que essas coisas sejam em último caso decididas em Lisboa. Afinal de contas, o poder central apoia-se sempre sobre colaboradores locais (juizes, agentes do fisco, funcionários, polícias). Há que combatê-los nos limites do legalmente possível: denunciá-los, processá-los, manifestar em frente à sua casa. Parecendo que não, este trabalho de “guerrilha” torna a vida difícil a toda essa escumalha. Tira-a do anonimato. Imagine-se o que é, numa terra de 5000 habitantes, não poder sair à rua sem ser reconhecido, vaiado, insultado... Levar uma tareia numa rua escura, de vez em quando... Não poder ir ao café... Perder os seus amigos... Ver as pessoas mudar de passeio quando se vai a andar na rua. Ter que sair da sua terra...

Quarto. Ter uma visão descentralizada da luta.

Os liberais, como têm um objectivo diferente dos estatistas (tomada de controlo e ampliação do Estado), não precisam de se preocupar muito com grandes organizações centralizadas, com grandes partidos nacionais, hierarquizados e disciplinados. Pelo contrário, isso até tem os seus perigos (traição, amolecimento, relaxamento da disciplina organizacional, ineficiência burocrática).

Um partido liberal "intelectualóide" lisboeta (se se quiser fazer uma analogia com a Esquerda, veja-se a diferença entre o Bloco de Esquerda e o PCP) seria melhor que nada. Mas um partido liberal baseado no Algarve, no Minho, ou nos Açores seria ainda melhor. O pessoal de Lisboa tende a ter uma certa arrogância dominadora. Liberais de Lisboa nunca serão tão básicos, tão brutos, tão combativos contra o Poder como o será alguém do campo, ou da periferia. Porque o lisboeta está mais próximo do poder, e isso amolece os melhores (mesmo que não traiam os seus princípios). A verdade é que a gente da periferia é mais simples, menos cona, menos pseudo-intelectual. Tem melhores instintos. Esta gente, como está longe do poder, não janta constantemente com as elites decadentes, não cria amizades, não trabalha tão provávelmente para os grandes grupos económicos beneficiados pelo poder, e por isso tem mais facilidade em combater o sistema. As pessoas da periferia são sociológicamente e geográficamente mais rebeldes.

Além disso, de nada serve ter meia dúzia de liberais em Lisboa, mesmo que estejam no parlamento, se depois não os há no Minho, na Guarda, no Alentejo, no Algarve, ou nas ilhas. Estas regiões resistiriam em bloco a qualquer medida liberalizadora, bloqueando-a. Tem que se seguir o exemplo do PCP (ir pregar a boa nova a todos os cantos do país, implantar-se localmente) e não o do BE. Este último, como se viu nas últimas eleições (em que as percas da Esquerda se fizeram em grande parte à sua custa), nunca terá a força dum PCP. Está fraco porque lhe faltam quadros locais.

Inclusivamente, pense-se no seguinte: o movimento liberal não precisa de um só partido liberal. Até pode ter 22 partidos liberais, ou mais!! Um, no mínimo, por cada círculo eleitoral. Sem contar os 308 partidos liberais locais. Isto seria muito bom, porque esses partidos seriam governados por pessoas enraízadas à sua terra, não por pedantes (mesmo que liberais) de Lisboa. Cada terra tem os seus tiques, o seu modo de falar, até o seu tipo físico. Seria bem melhor ser um alentejano a representar o Alentejo, do que um paraquedista lisboeta.

De passagem, diga-se que as pessoas têm poucas razões de queixa dos paraquedistas. Têm um pouco aquilo que merecem. No sistema actual já têm a possibilidade de ter os seus deputados de distrito, e no entanto não apareceram partidos regionais (disfarçados de partidos nacionais, por questões legais) a defender os interesses de cada terra. Não admira que deputados de partidos lisboetas, escolhidos por elites partidárias lisboetas, traiam sistemáticamente os interesses dos seus conterrâneos. É imoral, mas está na ordem das coisas, tendo em conta a apatia das vítimas desta centralização partidária.

Neste contexto de multiplicidade partidária, haveria a união dos princípios (liberais), mas não a união organizativa (um único partido liberal). Haveria consenso no essencial (armas, vícios, política monetária, impostos), mas paralelamente cada partido distrital puxaria pelos seus direitos e interesses particulares (Algarve: turismo; Alentejo: agricultura; Minho-vinhos, etc...). Nestas pequenas votações sectoriais, o partido distrital teria o apoio de outros partidos liberais, por motivos de coerência ideológica (do mesmo modo que o PCP e o BE, no seu sentido particular, votam frequentemente em conjunto).

Portanto, nesta visão de trabalho político descentralizado, o que é preciso é simplesmente haver gente a meter-se na política, partilhando públicamente (net, palestras) as suas experiências e o seu conhecimento, incentivando dessa forma os outros para a acção. No fundo, o que custa é começar, pois os pioneiros desse trabalho político têm eles próprios que aprender como se fazem essas coisas. Mas adquirida essa experiência, há que lançar ao vento umas sementes (partilhar a sua experiência), esperar que delas nasçam árvores, e que estas árvores deixem caír elas próprias no vento sementes fecundadoras. Com o difundir destes princípios e desse saber, mais tarde ou mais cedo apareceriam liberais por todas as câmaras, todas as juntas, e todos os distritos. Mas não é preciso centralização partidária.

Ídem para o trabalho legal. Quem se ataque aos parasitas do sistema por intermédio do sistema judiciário tem que partilhar públicamente as suas vitórias e as suas derrotas. Tem que partilhar o seu conhecimento, para que todos os cidadãos (e os advogados dos quatro cantos do país) aprendam a usar o sistema a seu favor. Dessa forma, os polícias, políticos e funcionários públicos de todo o país correm o risco de serem processados ao mínimo desvio que cometam. A presença duma resistência sistemática desse género, por parte da população, há-de amansá-los.

Finalmente, há que entender bem uma coisa no que diz respeito ao trabalho político-propagandístico. Os liberais não podem cair no erro do “cortesanismo”. Não se trata de se aproximar do centro político com o intuito de o convencer a implantar boas políticas. A política liberal não é uma politiquice tradicional, uma coisa de bastidores, que se faz escondendo o fundo da sua alma, ou dizendo umas coisas a uns, e outras completamente diferentes a outros. Pelo contrário, a estratégia vencedora é franca e populista. Franca, porque firme na verdade. E populista, porque fala directamente para as massas oprimidas, com o intuito de as levar a fazer a única coisa que funciona com predadores: castigá-los. Eleitoralmente, nomeádamente. Não se trata de convencer políticos a liberalizarem as suas políticas. Trata-se de convencer os eleitores a castigá-los nas urnas.

Os debates estéreis dos grandes mérdias e do parlamento são, por isso, irrelevantes. São o entretenimento fútil das elites ociosas. Paleio, que vai variando de semana a semana, sem que nunca nada se resolva. Estes debates nunca atacam o mal na sua essência, nunca falam das questões verdadeiramente importantes. Nem vale a pena participar neles. O que é preciso é acordar na populaça um espírito de insurreição. Enquanto as elites podres se entretêm com questões irrelevantes, há que preparar tranquilamente o desabamento do seu poder. O objectivo mais radical que os liberais podem atingir é o colapso do Estado central, num turbilhão centrífugo de múltiplas secessões locais. E esse é que deve ser o seu golo. Há que ter em memória o colapso da União Soviética, com o renascimento de várias repúblicas independentes que trouxe consigo. À nossa escala portuguesa, temos que repetir esse magnífico exemplo. Sabendo pertinentemente que até ao último momento as elites podres, na sua ceguice e na sua teimosia, vão resistir a esse desenvolvimento, ignorando descarádamente as mudanças de opinião profundas que se terão apoderado dos corações portugueses. Pouco importa: há que lhes tirar o tapete de baixo dos pés.

Quinto. Passar da defesa ao ataque. E mais do que isso: fazer sistemáticamente ataques pessoais.

Os liberais não se podem permitir jogar sempre na defesa. Por exemplo, a nível das assembleias, votando “não” em posição de minoria, relativamente às propostas liberticidas do poder. Isso é essencial, mas não basta. Pelo contrário, têm que lançar as suas próprias iniciativas. Mesmo que saibam que vão ser sistemáticamente vetadas pelo partido no poder.

O objectivo dessas iniciativas é o de tornar claro perante a população que o partido no poder (ou até a oposição) está a ir contra a sua liberdade. Estas iniciativas forçam o poder a tomar públicamente uma atitude liberticida. Isto permite, posteriormente, fazer "política negativa". Ou seja, permite passar para os ataques pessoais , por oposição à simples difusão abstracta de princípios políticos. Por alguma razão (talvez o seu lado polémico), os ataques pessoais movem mais as pessoas para a mudança do que os princípios abstractos. Principalmente quando estes ataques pessoais mostram a determinado grupo eleitoral que estão a ser especialmente prejudicados por determinado candidato ou partido. É preciso fazer spots publicitários e vídeos youtube direccionados específicamente para certos segmentos da população - agricultores, taxistas, mulheres, pretos, jovens, algarvios, pescadores, trabalhadores, pequenos patrões, automobilistas, outros – mostrando-lhes quão prejudicados são pelo Estado.

A nível eleitoral, tem que se lançar candidatos radicais a todas as eleições. Deve-se conquistar o lugar dos partidos do sistema. Mas é preciso saber que no curto prazo, o resultado principal alcançado vai ser o de tirar votos à Direita, fazendo-lhe perder eleições para a Esquerda, sem no entanto conquistar o poder. De facto, quem terá tendência em votar nos liberais serão sempre e principalmente, as massas produtivas do sector privado (trabalhadores e pequenos empresários). Os restantes – funcionários públicos principalmente – votarão sempre, em bloco, por quem assumidamente defende os seus tachos: os partidos da Esquerda. As massas produtivas, pelo contrário, tendem a votar na Direita, que encaram como um mal menor. É por isso que no curto prazo é a Direita que tem mais a perder com candidaturas liberais. Os seus apoiantes marginais tenderão a desertá-la, o que é suficiente para fazê-la perder, mas insuficiente para tornar os liberais maioritários.

Estas derrotas da Direita face à Esquerda não devem intimidar os liberais (até porque a Direita os vai culpar por isso). Mesmo admitindo que a Direita é um mal menor (o que é questionável), não deixa de ser um mal. Face a um bem – uma candidatura autênticamente liberal – não há hesitações a ter. É preciso quebrar a arrogância da Direita, que se pensa dona de todos os votos não-esquerdistas. Mas isso passa por aturar a Esquerda no curto prazo (o que não é assim tão grave, não obstante os gemidos desonestos da Direita: já houve muitos governos de Esquerda e não aconteceu o apocalipse).

A prazo, o resultado dessa estratégia de independência (por oposição ao erro de fazer o jogo da Direita) é o seguinte: radicaliza a Direita para a liberdade, ou quebra literalmente a falsa oposição Esquerda-Direita. No primeiro caso, os grandes partidos de Direita são obrigados a arranjar candidatos liberais, e os liberais ganham na essência da questão, por “desviarem” gradualmente a política para o seu lado (mesmo que não conquistem eles próprios o poder). No segundo caso, a Direita implode (por não se querer reformar face à fuga de eleitores liberais), e já só restam duas facções importantes: liberais vs estatistas. Neste segundo cenário, os liberais passam a primeira força de oposição, e até têm a possibilidade de se tornar maioria (primeiro a nível local, um pouco por todo o lado, ganhando posteriormente força a nível nacional).

No mesmo espírito, no caso das eleições a duas voltas (presidenciais), é preciso lançar candidatos na primeira volta, e caso não passem à segunda, apelar os liberais a votar em branco (em vez de votarem no mal menor). Isto faz perder o candidato frouxo, e força os seus apoiantes a lançar candidatos mais firmes e honestos nas próximas eleições (se é que os liberais não vão eles próprios à segunda volta na eleição seguinte). Por exemplo, se nas últimas eleições presidenciais tivesse havido um candidato liberal com uma certa força, o Banana Silva teria sido forçado a ir à segunda volta, onde poderia ter perdido face a uma coligação de votos de Esquerda. Teria sido castigado – quão merecidamente! - por ter aprovado a grande maioria das filho-da-putices do Sócrates. E isso teria servido de aviso para os próximos.

Sexto. Adoptar uma postura radical.

Os liberais devem ser radicais. Devem querer e propôr políticas radicais. Dum ponto de vista moral, em primeiro lugar: o status quo é radicalmente criminoso, e por isso há que mudá-lo radicalmente. Mas também dum ponto de vista prático. Só princípios e ambições radicais permitem chegar a algum lado (nem que seja algumas vitórias moderadas). O radicalismo é necessário para puxar os limites daquilo que é "razoável". Quando os radicais se fazem ouvir, muda imediátamente o “centro”. Aquilo que era considerado extremista e “louco” passa a ser uma hipótese razoável. E daí, torna-se mais fácil aproximar-se ainda mais do extremo liberal. Mas para isso, é preciso que haja gente a aguentar a pressão e o escárnio que se abatem necessáriamente sobre os extremistas.

Veja-se o caso das armas e da soberania política.

O que os liberais querem, em última instância, é a existência de várias pequenas milícias locais, por todo o lado, financiadas voluntáriamente e sem serviço militar, e munidas de armas de guerra. Tudo isso acompanhado pela desbandada e desintegração da tropa regular do Estado central (por falta de financiamento). Isso implica uma devolução do direito de possuir armas para os “simples” cidadãos e para as autoridades políticas locais. No fundo, isso corresponde ao regresso à descentralização política da Idade Média.

No curto prazo isso é óbviamente impossível de alcançar. A resistência dos interesses instalados e da opinião pública não o permite. Mas com radicalismo, os liberais podem puxar gradualmente a brasa para a sua sardinha: legalização do porte de armas ligeiras, legalização de companhias de segurança armadas, autorização de criação de polícias locais em paralelo com a polícia nacional e o exército nacional, transferência de polícias nacionais para os municípios, detenção de certas armas de guerra "pequenas" (bazookas, metralhadoras, morteiros) por parte dos municípios ou de milícias locais aprovadas por estes, ídem para armas mais pesadas (baterias anti-aéreas, tanques), descentralização de competências do Estado central (educação, política criminal, saúde, estradas, energia, comunicações, moeda e banca) para os municípios. Finalmente desbandada das forças armadas e separatismo local.

Tudo isso é, à primeira vista, dificilmente aceitável pela população. É radical de mais. Mas os liberais não devem ter problema em fazer figura de parvos, porque ao fazê-lo estão a puxar o sistema legal e a opinião pública no seu sentido. É muito mais compreensível, muito mais "imaginável", que os cidadãos tenham o direito de possuir umas pistolas para se defender quando já andam por aí uns “malucos” a defender a formação de milícias de guerra. E torna-se muito mais fácil defender a criação de milícias locais quando toda a gente já tem armas em sua casa. A nível de movimentos separatistas, é mais fácil defender a independência duma qualquer sub-unidade política quando a maioria das decisões que afectam as pessoas já são decididas a nível local (veja-se o exemplo dos cantões suiços, por oposição à centralização política portuguesa). Os liberais são radicais na teoria, mas na prática não cospem para cima de avanços graduais positivos. A mudança acaba sempre por ser gradual, por muito extremos que sejam os objectivos.

A nível das assembleias políticas, é preciso combinar propostas radicais com outras mais moderadas. Pelo menos uma vez por cada legislatura é preciso introduzir iniciativas radicais sem hipótese de passagem. Só depois desse trabalho feito é que se pode fazer propostas mais moderadas com alguma hipótese de serem aprovadas pelos partidos no poder (estes, numa óptica de caça ao voto liberal). E, feitas as tais propostas radicais, até se pode esperar que sejam os próprios partidos de sistema a introduzir as ditas medidas moderádamente liberais.

Nessa perspectiva, veja-se o que aconteceu ao PS, por força da insistência do BE nas suas “causas fracturantes”. Por ter o BE a morder-lhe as canelas, o PS acabou por aprovar uma medida que nem sequer era dele, e que muito menos era prioritária. O BE ganhou, sem sequer estar no governo. Os liberais, tidas em conta as diferenças ideológicas relevantes, têm que fazer trabalho desse género.

Sétimo. Haja fé. Haja optimismo. Haja coragem e dedicação. Haja firmeza.

Não se pode ver sempre impedimentos e impossibilidades por todo o lado. Os liberais não podem adoptar a atitude choramingas e depressiva tão típica dos portugueses. É uma atitude patética e reles. Quando há um problema, resolve-se. Não se geme num mar de queixumes. Além disso, dum ponto de vista religioso, o desespero é uma atitude um tanto ou quanto pecaminosa: uma falta de fé. Deus é grande, e recompensa os justos.

No dia-a-dia, os liberais devem erguer bem alto a sua bandeira. Há que não ter vergonha de defender a justiça! Os maldosos e os burros não têm, quanto a eles, vergonha nenhuma em propagar as suas ideias perversas. Tem que se falar de peito cheio e de cabeça erguida para o Mal. Quem está do lado do Bem não se pode privar de falar francamente e intransigentemene para os canalhas.

Na política, há que seguir o exemplo do Ron Paul: votar e falar sempre de forma justa, em consciência. Única maneira que há de juntar a si as pessoas de bem que existem na população. Anda por aí uma “reserva” de lutadores que só precisa, para ganhar esperança e saír da sua letargia, de ver um homem a sério dar-lhes o exemplo. Um chefe firme que, pela sua coragem e pelo sua intransigência em questões de princípios (o oposto do politiqueiro manho), demonstre ter valor para servir de líder a gente honesta.

Finalmente, é preciso ter paciência. Este trabalho exige dedicação. Estas mudanças hão-de levar o seu tempo. Quem não está disposto a passar no mínimo três ou quatro décadas a fazer trabalho político está com ilusões. Difícilmente se verão resultados substanciais antes disso. O trabalho relevante é, à primeira vista, "ingrato". De início, não há-de dar aos seus praticantes grandes vitórias. E muito menos podem esperar popularidade por parte dos donos do sistema... Mas também, que importância tem ser aceite por gente reles?!

Força nisso!

E Viva A Liberdade!

domingo, 13 de maio de 2012

Maldade Das Obras De Estado




É de moda o Estado produzir uma série de "bens públicos" (universidades e colégios, auto-estradas e estradas, centrais eléctricas e respectivas redes de distribuição, televisão e rádio, hospitais, caminhos-de-ferro). No entanto, pensando bem no assunto, constata-se que esse "progresso" é inaceitável.




1. É baseado no crime.


Extorsão do imposto que financia esses projectos. Monopólios (restrição à concorrência) que o Estado arroga aos seus projectos favoritos. Financiamento pela impressora dos bancos centrais, impossível se o Estado não proíbisse o uso de moedas alternativas (ouro, prata, moedas estrangeiras). Expropriações de terrenos.



2. Destrói paisagens e comunidades.


Com os meios financeiros e coercivos que o Estado detem, é capaz de fazer coisas que não seriam rentáveis de outro modo: romper montanhas e montes com túneis, auto-estradas e viadutos; criar estradas larguíssimas, furando a paisagem em linha recta, sem se adaptar às ondulações do terreno; cortar cidades e bairros aos bocados; construir "arquitectura" moderna completamente fora-de-contexto; subsidiar o barulho do trânsito automóvel e ferroviário; facilitar a vinda de estrangeiros criminosos ou destabilizadores. Betoniza-se mais do que seria o caso numa sociedade respeitadora dos direitos de propriedade. Sobretudo, betoniza-se mal. Subsidia-se o feio. Obriga-se as várias terras a adaptarem-se às obras, em vez de ser o contrário.


Além disso, ao pôr todas as ruas e estradas na mão do Estado central, tira-se das comunidades o controlo do seu meio ambiente. Numa ordem natural, as ruas e estradas pertenceriam - literalmente: em regime de propriedade privada - às comunidades circundantes. Haveria milhares e milhares de pequenos condomínios. Isto permitir-lhes-ia controlar ou proibir certas actividades que, apesar de não-criminosas em si, desagradam a uma parte substancial da comunidade. Por exemplo, seria impossível criar uma auto-estrada ao pé duma aldeia se para isso fosse preciso rasgar estradas e caminhos campestres, admitindo que a assembleia de coproprietários não o permitisse. Os construtores da obra precisam de utilizar as ditas vias de acesso durante as suas obras. Mesmo admitindo que os proprietários dos terrenos sobre os quais a auto-estrada passa os vendam de livre-vontade.



3. Enfraquece as lealdades locais, melhores defesas da liberdade.


Um dos piores resultados de todos estes crimes é a centralização política e económica que fomentam. Das juntas para as sedes de concelho. Dos concelhos para as capitais de distrito. E finalmente da periferia para a capital do país. Sem crime legalizado, as estradas seriam provávelmente mais estreitas, mais sinuosas. Alguns troços seriam pagos, e não subsidiados pelo tributado como agora. Seria mais lento e mais custoso mexer-se dentro do país, e logo mais vantajoso produzir perto de casa. Certas linhas de comboio que hoje existem não teriam sido feitas. Com uma fiscalidade mais baixa decidida a nível local, não haveria uma tendência generalizada para a concentração dos serviços públicos nos grandes centros urbanos, com o incentivo à desertificação rural que isso implica. Não haveria simplesmente uns poucos monopólios públicos ou privados. Sempre sediados em Lisboa, ainda por cima, à caça da protecção do Poder (nem que seja simplesmente para se poderem defender deste). Haveria antes uma multitude de empresas de energia, de escolas e universidades, de companhias de transporte por todo o lado. Os engenheiros, empresários e gestores inteligentes de cada terra não seriam sistemáticamente sugados para a capital. Poderiam pôr em prática os seus conhecimentos e a sua energia mais perto de casa. A fuga de cérebros interna acabaria. Os intelectuais, activistas e artistas não seriam todos chupados para o centro: haveria televisões, rádios e jornais locais mais activos. Não haveria o risco da cultura e dos princípios do país estarem à mercê de dois ou três canais lisboetas (com os riscos de captura que isso implica).


Com a centralização, a lealdade das pessoas muda gradualmente para o centro urbano onde se instalam. Fazem novos amigos, trabalham para empresas mais próximas do Estado (ou para o próprio Poder central...), deixam de ter contacto com a sua terra de origem. As pessoas passam a ter a ilusão de que governam o país, mesmo que sejam uns simples proletários urbanos. Já não vêem Lisboa como o Poder distante e inimigo que é. Deixa de haver elites locais – barões, condes e duques – a fazer o seu papel de resistência ao Rei. Antes, identificam-se com ele, sendo que a sua ambição de subir na hierarquia do Estado amolece a sua combatividade perante a máfia. O presidente de câmara quer-se tornar deputado ou ministro, logo vai fazendo uns bóbós ao sistema político e partidário que domina a sua terra. Dessa forma, o centro político, em vez de se sentir com pés de barro, torna-se cada vez mais arrogante e dominador.



4. Solução.


Resistência e separatismo local!

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