domingo, 13 de maio de 2012

Maldade Das Obras De Estado




É de moda o Estado produzir uma série de "bens públicos" (universidades e colégios, auto-estradas e estradas, centrais eléctricas e respectivas redes de distribuição, televisão e rádio, hospitais, caminhos-de-ferro). No entanto, pensando bem no assunto, constata-se que esse "progresso" é inaceitável.




1. É baseado no crime.


Extorsão do imposto que financia esses projectos. Monopólios (restrição à concorrência) que o Estado arroga aos seus projectos favoritos. Financiamento pela impressora dos bancos centrais, impossível se o Estado não proíbisse o uso de moedas alternativas (ouro, prata, moedas estrangeiras). Expropriações de terrenos.



2. Destrói paisagens e comunidades.


Com os meios financeiros e coercivos que o Estado detem, é capaz de fazer coisas que não seriam rentáveis de outro modo: romper montanhas e montes com túneis, auto-estradas e viadutos; criar estradas larguíssimas, furando a paisagem em linha recta, sem se adaptar às ondulações do terreno; cortar cidades e bairros aos bocados; construir "arquitectura" moderna completamente fora-de-contexto; subsidiar o barulho do trânsito automóvel e ferroviário; facilitar a vinda de estrangeiros criminosos ou destabilizadores. Betoniza-se mais do que seria o caso numa sociedade respeitadora dos direitos de propriedade. Sobretudo, betoniza-se mal. Subsidia-se o feio. Obriga-se as várias terras a adaptarem-se às obras, em vez de ser o contrário.


Além disso, ao pôr todas as ruas e estradas na mão do Estado central, tira-se das comunidades o controlo do seu meio ambiente. Numa ordem natural, as ruas e estradas pertenceriam - literalmente: em regime de propriedade privada - às comunidades circundantes. Haveria milhares e milhares de pequenos condomínios. Isto permitir-lhes-ia controlar ou proibir certas actividades que, apesar de não-criminosas em si, desagradam a uma parte substancial da comunidade. Por exemplo, seria impossível criar uma auto-estrada ao pé duma aldeia se para isso fosse preciso rasgar estradas e caminhos campestres, admitindo que a assembleia de coproprietários não o permitisse. Os construtores da obra precisam de utilizar as ditas vias de acesso durante as suas obras. Mesmo admitindo que os proprietários dos terrenos sobre os quais a auto-estrada passa os vendam de livre-vontade.



3. Enfraquece as lealdades locais, melhores defesas da liberdade.


Um dos piores resultados de todos estes crimes é a centralização política e económica que fomentam. Das juntas para as sedes de concelho. Dos concelhos para as capitais de distrito. E finalmente da periferia para a capital do país. Sem crime legalizado, as estradas seriam provávelmente mais estreitas, mais sinuosas. Alguns troços seriam pagos, e não subsidiados pelo tributado como agora. Seria mais lento e mais custoso mexer-se dentro do país, e logo mais vantajoso produzir perto de casa. Certas linhas de comboio que hoje existem não teriam sido feitas. Com uma fiscalidade mais baixa decidida a nível local, não haveria uma tendência generalizada para a concentração dos serviços públicos nos grandes centros urbanos, com o incentivo à desertificação rural que isso implica. Não haveria simplesmente uns poucos monopólios públicos ou privados. Sempre sediados em Lisboa, ainda por cima, à caça da protecção do Poder (nem que seja simplesmente para se poderem defender deste). Haveria antes uma multitude de empresas de energia, de escolas e universidades, de companhias de transporte por todo o lado. Os engenheiros, empresários e gestores inteligentes de cada terra não seriam sistemáticamente sugados para a capital. Poderiam pôr em prática os seus conhecimentos e a sua energia mais perto de casa. A fuga de cérebros interna acabaria. Os intelectuais, activistas e artistas não seriam todos chupados para o centro: haveria televisões, rádios e jornais locais mais activos. Não haveria o risco da cultura e dos princípios do país estarem à mercê de dois ou três canais lisboetas (com os riscos de captura que isso implica).


Com a centralização, a lealdade das pessoas muda gradualmente para o centro urbano onde se instalam. Fazem novos amigos, trabalham para empresas mais próximas do Estado (ou para o próprio Poder central...), deixam de ter contacto com a sua terra de origem. As pessoas passam a ter a ilusão de que governam o país, mesmo que sejam uns simples proletários urbanos. Já não vêem Lisboa como o Poder distante e inimigo que é. Deixa de haver elites locais – barões, condes e duques – a fazer o seu papel de resistência ao Rei. Antes, identificam-se com ele, sendo que a sua ambição de subir na hierarquia do Estado amolece a sua combatividade perante a máfia. O presidente de câmara quer-se tornar deputado ou ministro, logo vai fazendo uns bóbós ao sistema político e partidário que domina a sua terra. Dessa forma, o centro político, em vez de se sentir com pés de barro, torna-se cada vez mais arrogante e dominador.



4. Solução.


Resistência e separatismo local!