quarta-feira, 6 de junho de 2012

Coligações: Privilégios VS Direitos

A maioria das pessoas não tem sentido de justiça nenhum, e só julga as coisas na medida do interesse que possa ter nelas. Além disso, mesmo as pessoas com sentido de justiça precisam de defender principalmente os seus próprios interesses, no dia-a-dia, por uma simples questão de sobrevivência. Os pobres dificilmente conseguem ser altruistas. Ninguém consegue concentrar-se únicamente nos interesses dos outros.

Isto tem uma implicação importante para um político liberal. Para ter efeito na sua prática política, tem que se esforçar em juntar uma coligação de vítimas do Estado, defendendo o seu direito à liberdade (integridade física e propriedade privada), e levá-las a agir contra os seus inimigos políticos. Pode por exemplo lutar contra as burocracias e os impostos que pesam sobre várias indústrias.Ou exigir a abertura à concorrência de vários sectores de actividade.

Este processo é diferente da política tradicional, que se baseia na concessão de privilégios ilegítimos a diversos grupos, com o intuito de comprar o seu apoio. Neste modo de operar, concede-se um subsídio a diversos grupos, por exemplo.

No primeiro caso, foca-se toda a atenção no mal que o Estado provoca a determinados grupos, levando-os a agir contra essa situação. No segundo caso, põe-se o foco nos benefícios particulares dessa instituição. A primeira opção é mais rara e mais difícil. Mas é aquela que deve ser seguida, por uma simples questão de justiça.  

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Crescimento Da Luta


A natureza da luta entre a liberdade e a opressão é de crescer em intensidade.

Por um lado, com o tempo, o Estado torna-se cada vez mais parasítico e mesquinho, até ao momento em que ocorre uma revolução, um colapso, ou reformas substanciais. Mesmo que a opinião pública se vá tornando cada vez mais hostil ao sistema político sob o qual vive, este sistema tem tendência em se tornar cada vez mais agressivo e arrogante, até ao dia em que chega uma explosão.

Por outro lado, os resistentes ganham em força, em número, em experiência, e em áreas de combate. Fazem-no porque a tendência natural de qualquer movimento é crescer, por um lado, mas também porque esse é o único caminho a seguir para se protegerem dos ataques incessantes do Estado: ganhar força. Por exemplo, é óbvio que é mais fácil atacar um político local do que o chefe dum partido com assento na Assembleia da República. 

Isto tem algumas implicações práticas e até mentais para os liberais:

Em primeiro lugar, devem saber que mal entrem na luta, nunca mais terão descanso. Eles ficam marcados como inimigos do Estado. Os processos, os insultos, as chatices com o fisco, as detenções e as acusações falsas, o ostracismo no trabalho e na vida social – tudo isto vai começar. Faz parte do jogo. É como perder a virgindade. Não há como dar volta atrás.

Segundo e finalmente, e porque a natureza da luta é o crescimento, cada liberal que entre na luta deve saber que mais tarde ou mais cedo vai ter que assumir responsabilidades suplementares, assim como uma posição de liderança na sua área de competência própria. Desde o princípio, uma pessoa deve ganhar coragem, pois mais tarde ou mais cedo vai ter grandes responsabilidades a pesar sobre os seus ombros. Principalmente, deve estar preparado para ter uma grande pressão política, legal e mediática a pesar sobre os seus ombros. Para vencer, para não abandonar o terreno ao Diabo, deve-se estar pronto a trabalhar pela justiça até ao último dia da sua vida.

Alguns exemplos:

1 – Trabalho ideológico:

Alguém põe-se a escrever sobre um tema qualquer relacionado com a liberdade. Por exemplo, sobre as consequências da intervenção do Estado na educação. Muito depressa, constata que não pode ficar por aí. Se quer viver livre, tem que convencer os seus compatriotas. Tem que tornar o seu conhecimento acessível ao maior número, criar sebentas, fazer palestras, etc...

Nem lhe basta concentrar-se na questão educativa. Esta é só uma das muitas áreas em que o Estado agride as populações. Além disso, há que tratar da questão das armas, das drogas e dos vícios em geral, dos impostos, dos monopólios, das burocracias, do socialismo, das restrições ao comércio internacional, da banca e da moeda, do casamento e das questões de família, da relação com a Igreja, etc... É o trabalho de uma vida.

2 – Trabalho político:

Uma pessoa, farta de ser pisada pelos chulos da câmara, decide candidatar-se às eleições autárquicas. Ganha um lugarzinho na assembleia municipal da sua terra. Depressa se dá conta que só pode ter sucesso se houver mais gente a pensar como ele. Decide expandir a luta, ensinando os outros a trabalhar dentro do sistema e a fazer activismo, criando-se vários focos de resistência em todas as câmaras do país.

Mas depois disso, percebe que a maioria das questões nem sequer são tratadas a nível municipal, mas antes a nível nacional. Há que constituir partidos liberais, concorrer às legislativas, concorrer às presidenciais, puxar por mais liberdade nas legislaturas...

3 – Trabalho carceral:

Um indivíduo, preso por um não-crime, ou injustamente preso, decide combater os abusos dos guardas, ajudando-se de algum conhecimento legal que tenha. Depressa, os guardas caem-lhe em cima, castigam-no injustamente, movem-no para outra prisão, etc...

Ele apercebe-se que se não houver uma resistência generalizada ao sistema (vide o caso Bukovski), não se consegue pôr em dificuldade o sistema penitenciário. Por isso, em cada prisão onde o transferem, ensina aos seus colegas reclusos a arte de resistir aos guardas: a resistência ganha vida própria, e enxamear como um vírus. Além disso, são criadas, lá fora, associações de ajuda aos presos, para que a sua luta se torne pública, e que o dito público os possa ajudar.

4 – Trabalho judicial:

Um jovem licenciado em Direito toma cedo consciência da perversidade do sistema judiciário, dos juízes e procuradores, e da maioria das leis. Decide utilizar os seus conhecimentos legais para ajudar as vítimas do Estado a processarem os seus carrascos: utilizar o sistema para combater os próprios agentes do sistema!

Depressa se apercebe que não basta processar um ou outro agente local do fisco ou da ASAE. Os canalhas da máfia ligam-se contra ele, e tentam lixá-lo lançando para cima dele uma série de processos por tudo e por nada. As próprias elites da Ordem dos Advogados tentam tirar-lhe o direito de exercer. Face a esta situação, ele só tem um caminho: intensificar a luta. Concorre à chefia das instâncias governativas da Ordem. Processa os próprios juízes e procuradores que o atacam. Põe em questão os juízes do Conselho Superior da Magistratura, da Procuradoria da República, do Tribunal Constitucional, e faz por mudar o sistema político de tal forma que todos estes indivíduos passem a ser controlados de mais perto pela população.E finalmente, ensina os outros a fazer igual, para que este método de luta se extenda a todo o país.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Foder Portugal: Manifesto Por Uma Verdadeira Política De Direita Socialista


Muito bem, Pedrito. Já és primeiro-ministro há mais de um ano. Além disso, tens seguido com um certo brio a boa tradição de todos os filhos da puta de Direita que temos tido ao longo das décadas. Como todos eles, apelaste ao voto do povo de Direita (o povo dos produtores), cansado da mafiosice e da roubalheira da Esquerda. E como todos os teus antecessores, mal chegaste ao poleiro enrabaste o dito povinho à força toda, fazendo exactamente o contrário daquilo que a tua base esperava que fizesses. Nesse espírito de gloriosa canalhice, não hesistaste em aumentar todos os impostos, e em criar mais alguns.

Sabes bem que os carneiros dos produtores portugueses não têm outro partido em que votar. Não vão votar na Esquerda, pois não?! Por isso, há que aproveitar para fodê-los à grande e à francesa!

Dito isto, e apesar de te felicitar pelo espírito mafioso que tens demonstrado, tenho que falar para ti muito frontalmente: és um fracão. Qualquer socialista seria capaz de arranjar - confortávelmente sentado numa esplanada de café, à Bocage ou à Pessoa - mais vinte maneiras de parasitar a populaça do que aquelas que encontraste. Demonstras mesmo ter uma falta de imaginação constrangedora. Liberta-te, Pedro!

Mas não está tudo perdido. Ainda vais a tempo! Como sou teu amigo, fiz um pequeno brainstorming, e em pouco tempo arranjei umas ideias de crime, que reproduzo mais abaixo. Espero que te façam bom proveito. Tenho a certeza que com um pouco de esforço, e com a ajuda dos teus assessores, arranjarás rápidamente outras tantas.

Haja vontade de parasitar, e tudo se resolverá em tempo! No roubo, o que custa é começar.

Um grande abraço do teu amigo: Pedro Velhinho Bandeira


10 Ideias Para Melhor Esmifrar Os Portugueses

1. Imposto de Merda:

O Imposto de Merda, como o nome indica, destina-se a taxar todos aqueles que se cagam. É portanto um imposto com uma base tributável bastante larga. Daí que se espere que o imposto venha a ser um sucesso em termos de receita fiscal. Como é difícil, em termos práticos, calcular o número de vezes que as pessoas se cagam, o melhor ainda é obrigar os cidadãos a instalarem um contador nos autoclismos.

Por uma questão de equidade, convém aplicar uma taxa especialmente reduzida aos gordos, que se cagam mais, por motivos que não estão completamente sob o seu controlo.

2. Imposto de Esmola:

Aqui está um segmento da população ao qual não se tem feito a devida atenção: os muito pobres. É uma lacuna jurídica e fiscal que urge corrigir. Force-se os pobres a passar recibo, e a pagar imposto, como toda a gente.

Num espírito de descentralização (que vem inscrito na Constituição, aliás), dê-se aos municípios os proveitos do novo imposto.

3. Imposto de Migração:

O SEF anda em cima dos estrangeiros, a garantir que não entram no país clandestinamente. Qual quê?! Eles que venham. Mas têm que pagar para entrar e para saír.

4. Imposto de Transportes Ecológicos:

Tem que se começar a taxar os veículos não-poluintes. Actualmente, reina a anarquia neste sector. Não há controlo nenhum quanto à posse e ao uso de bicicletas, patins em linha, triciclos e skateboards. Como dizem os polícias: “Não se nasce com o direito de conduzir. Adquire-se!”. Por isso, há que exigir licença para se usarem esses transportes.

Isto teria uma vantagem adicional. Como as crianças usam muito este tipo de veículos, começariam desde cedo a pagar imposto, ganhando dessa forma bons hábitos de cidadania, úteis para a sua vida adulta.

5. Imposto de Roupa Curta:

Por uma simples questão de decência, há que taxar o porte de calções e mini-saias. Como no Verão ninguém consegue vestir roupa comprida, todos acabavam por ser obrigados a pagar esse imposto.

Para os turistas, taxa dupla: Há que aproveitar para depenar a galinha enquanto ela está no nosso quintal.

6. Imposto de Carteira:

O Imposto de Carteira destina-se a fazer pagar imposto a quem tiver mais de 20€ cash na carteira (recorrendo a controlos de polícia regulares). O valor fiscal deste imposto vai muito mais além da receita imediáta. A sua utilidade consiste principalmente em obrigar as pessoas a usarem meios de pagamento electrónico. Como estes meios de pagamento recorrem necessáriamente ao sistema bancário, sob o controlo do Estado, permitem combater mais facilmente a fuga ao fisco e o mercado negro e, dessa forma, roubar ainda mais os tributados.

7. Imposto de Foda:

O tabaco, o álcool e o jogo pagam imposto. Mas até à data, a República Portuguesa não soube aproveitar para objectivos financeiros uma actividade de lazer muito mais comum: o sexo. Há aí uma grande reserva de rendimento por aproveitar. Com todos os portugueses que há no país, a viverem em conjunto com os seus parceiros, e contando uma média de 3 ou 4 relações sexuais por semana, poderia-se aproveitar melhor essas actividades. Basta, para isso, fazer pagar uma taxa anual àqueles que vivem em conjunto com outra pessoa. Et voilá!

8. Imposto de Aborto:

O Estado cai actualmente na asneira de subsidiar o aborto, aquando da sua realização no Serviço Nacional de Saúde. Isso é um erro crasso. Pelo contrário, há que ganhar dinheiro com isso. Taxe-se! E deixe-se abrir clínicas de aborção por todo o lado, para que o imposto renda (há que dar uma palavrinha ao chefe da ASAE, para que não dê uma importância excessiva às questões de higiene).

Qual é a importância dum feto, face à necessidade mensal de pagar o salário dum funcionário público?! Os fetos não votam.

9. Imposto de Gravidez:

Pode-se cobrar imposto às mulheres que decidam ter filhos (além dos dois meses de gravidez). Note-se que a proposta trata dum imposto de gravidez, e não dum imposto de nascimento, que não permitiria arrecadar receita com nados-mortos.

10. Imposto de Homossexualidade:

Agora que essas práticas andam mais livres, há que aproveitar! Já que eles gostam de levar na peida, seja feita a sua vontade: cobre-se imposto aos paneleiros. Também se pode fazer um sub-imposto para (futebolistas) metrossexuais que rapem os pêlos do peito.

Como se vê, com uma fiscalidade inteligente e criativa, ninguém tem como escapar: os que fodem, os que abortam, os que levam no cú, os que têm filhos.