segunda-feira, 4 de junho de 2012

Crescimento Da Luta


A natureza da luta entre a liberdade e a opressão é de crescer em intensidade.

Por um lado, com o tempo, o Estado torna-se cada vez mais parasítico e mesquinho, até ao momento em que ocorre uma revolução, um colapso, ou reformas substanciais. Mesmo que a opinião pública se vá tornando cada vez mais hostil ao sistema político sob o qual vive, este sistema tem tendência em se tornar cada vez mais agressivo e arrogante, até ao dia em que chega uma explosão.

Por outro lado, os resistentes ganham em força, em número, em experiência, e em áreas de combate. Fazem-no porque a tendência natural de qualquer movimento é crescer, por um lado, mas também porque esse é o único caminho a seguir para se protegerem dos ataques incessantes do Estado: ganhar força. Por exemplo, é óbvio que é mais fácil atacar um político local do que o chefe dum partido com assento na Assembleia da República. 

Isto tem algumas implicações práticas e até mentais para os liberais:

Em primeiro lugar, devem saber que mal entrem na luta, nunca mais terão descanso. Eles ficam marcados como inimigos do Estado. Os processos, os insultos, as chatices com o fisco, as detenções e as acusações falsas, o ostracismo no trabalho e na vida social – tudo isto vai começar. Faz parte do jogo. É como perder a virgindade. Não há como dar volta atrás.

Segundo e finalmente, e porque a natureza da luta é o crescimento, cada liberal que entre na luta deve saber que mais tarde ou mais cedo vai ter que assumir responsabilidades suplementares, assim como uma posição de liderança na sua área de competência própria. Desde o princípio, uma pessoa deve ganhar coragem, pois mais tarde ou mais cedo vai ter grandes responsabilidades a pesar sobre os seus ombros. Principalmente, deve estar preparado para ter uma grande pressão política, legal e mediática a pesar sobre os seus ombros. Para vencer, para não abandonar o terreno ao Diabo, deve-se estar pronto a trabalhar pela justiça até ao último dia da sua vida.

Alguns exemplos:

1 – Trabalho ideológico:

Alguém põe-se a escrever sobre um tema qualquer relacionado com a liberdade. Por exemplo, sobre as consequências da intervenção do Estado na educação. Muito depressa, constata que não pode ficar por aí. Se quer viver livre, tem que convencer os seus compatriotas. Tem que tornar o seu conhecimento acessível ao maior número, criar sebentas, fazer palestras, etc...

Nem lhe basta concentrar-se na questão educativa. Esta é só uma das muitas áreas em que o Estado agride as populações. Além disso, há que tratar da questão das armas, das drogas e dos vícios em geral, dos impostos, dos monopólios, das burocracias, do socialismo, das restrições ao comércio internacional, da banca e da moeda, do casamento e das questões de família, da relação com a Igreja, etc... É o trabalho de uma vida.

2 – Trabalho político:

Uma pessoa, farta de ser pisada pelos chulos da câmara, decide candidatar-se às eleições autárquicas. Ganha um lugarzinho na assembleia municipal da sua terra. Depressa se dá conta que só pode ter sucesso se houver mais gente a pensar como ele. Decide expandir a luta, ensinando os outros a trabalhar dentro do sistema e a fazer activismo, criando-se vários focos de resistência em todas as câmaras do país.

Mas depois disso, percebe que a maioria das questões nem sequer são tratadas a nível municipal, mas antes a nível nacional. Há que constituir partidos liberais, concorrer às legislativas, concorrer às presidenciais, puxar por mais liberdade nas legislaturas...

3 – Trabalho carceral:

Um indivíduo, preso por um não-crime, ou injustamente preso, decide combater os abusos dos guardas, ajudando-se de algum conhecimento legal que tenha. Depressa, os guardas caem-lhe em cima, castigam-no injustamente, movem-no para outra prisão, etc...

Ele apercebe-se que se não houver uma resistência generalizada ao sistema (vide o caso Bukovski), não se consegue pôr em dificuldade o sistema penitenciário. Por isso, em cada prisão onde o transferem, ensina aos seus colegas reclusos a arte de resistir aos guardas: a resistência ganha vida própria, e enxamear como um vírus. Além disso, são criadas, lá fora, associações de ajuda aos presos, para que a sua luta se torne pública, e que o dito público os possa ajudar.

4 – Trabalho judicial:

Um jovem licenciado em Direito toma cedo consciência da perversidade do sistema judiciário, dos juízes e procuradores, e da maioria das leis. Decide utilizar os seus conhecimentos legais para ajudar as vítimas do Estado a processarem os seus carrascos: utilizar o sistema para combater os próprios agentes do sistema!

Depressa se apercebe que não basta processar um ou outro agente local do fisco ou da ASAE. Os canalhas da máfia ligam-se contra ele, e tentam lixá-lo lançando para cima dele uma série de processos por tudo e por nada. As próprias elites da Ordem dos Advogados tentam tirar-lhe o direito de exercer. Face a esta situação, ele só tem um caminho: intensificar a luta. Concorre à chefia das instâncias governativas da Ordem. Processa os próprios juízes e procuradores que o atacam. Põe em questão os juízes do Conselho Superior da Magistratura, da Procuradoria da República, do Tribunal Constitucional, e faz por mudar o sistema político de tal forma que todos estes indivíduos passem a ser controlados de mais perto pela população.E finalmente, ensina os outros a fazer igual, para que este método de luta se extenda a todo o país.