terça-feira, 2 de outubro de 2012

Passos Na Oposição

Se Passos fosse esperto, não tinha assumido a chefia do governo após ganhar as eleições. Tinha-se mas é mantido na chefia da oposição, mesmo tendo ganho com maioria as eleições parlamentares. Se ele tivesse tomado essa posição, o Banana Silva teria sido obrigado a compôr uma coligação estranha com o PP e a Esquerda, para empossar o governo.Ou a empossar um governo de Esquerda sem maioria, completamente dependente da oposição.

Na oposição, a posição do Passos seria muito mais forte do que é agora. No governo, é obrigado a cortar na despesa, por causa da situação das finanças do país. Qualquer governo o faria. Mas o "odioso" da questão recai sobre ele. Além disso, ao opôr-se ao Tribunal Constitucional e à Constituição (recusando-se a repôr os subsídios à função pública), arrisca-se a ser processado e a ir preso. Os sindicatos hão-de arranjar alguma coisa para fodê-lo (abuso de poder, desobediência qualificada, etc...).

Já na oposição, bastar-lhe-ia vetar qualquer medida do governo, sobretudo os impostos. Até devia abolir impostos (a TSU dos trabalhadores e o IRS eram um bom começo). Para esfomear o monstro. Deixava de seguida o governo preocupar-se com os cortes radicais a fazer. E com a maioria da oposição, esses votos seriam definitivos. Esse controlo dos impostos, logo da receita, forçaria necessáriamente um ajuste das despesas do Estado. Não havendo dinheiro, não há. O governo que decidisse como e onde gastar o dinheiro, pois não teria escolha nenhuma sobre os impostos e logo sobre a receita. O Passos faria figura de cowboy que entra no saloon, começa a atirar para os pés do governo e diz-lhe: "Agora, dança!". Em última instância, o parlamento é quem tem mais legitimidade aos olhos do povo - mais popularidade para resisitir, portanto - porque é escolhido pelo povo. A soberania reside nele, em termos populares, e em termos constitucionais também (pode destituir juízes, mudar leis, etc...).

Além disso, na oposição, as suas tropas seriam mais agressivas contra o Estado, porque não teriam o poder. Não estariam conformadas com o conforto que o poder lhes dá. Não sentiriam a necessidade quase instintiva de defender as canalhices da sua tribo, porque esta, por estar na oposição, não as cometeria (não tanto, pelo menos). A Direita é sempre melhor na oposição.

O Passos não fez isso nem vai fazê-lo. Aliás, só podia ser: é um frouxo e gosta do poder. Não quer o poder por ter uma qualquer visão política que queira defender - muito menos uma visão liberal - mas porque gosta do poder. Já antes de ganhar a governação, num governo anterior em que o Sócrates estava com maioria relativa, fez várias vontades à Esquerda, como líder da oposição. Fez um bóbó ao Sócrates e à Banca, como se lembram bem aqueles que têm boa memória.

Naquela ocasião, traiu a sua base, e ajudou a cobrar e a aumentar impostos. Repetiu o exercício mafioso várias vezes desde que passou a primeiro-ministro. Por isso agora é simplesmente justiça divina que esteja a ser humilhado como chefe de governo, numa altura em que toma uma única boa medida (os cortes de subsídios). Bateu pívias à Esquerda no passado, mas mesmo assim, todos aqueles que querem políticas de Esquerda (a defesa do Estado-previdência e da função pública) vão castigá-lo por não ser suficientemente de Esquerda. Afinal, eles sabem bem que ele não faz parte da "família" (em termos tribais, porque em termos ideológicos, é simplesmente um esquerdista moderado), por muito que se submeta quando a pressão dos mamões ferve. E vão-se apressar a pôr lá um que seja assumidamente ladrão (um PS, portanto).