terça-feira, 27 de novembro de 2012

Protestantes

Por observação própria, e inspirado nalguns artigos do Pedro Arroja com muito verdade, eis algumas características dos protestantes, principalmente dos suiços e dos alemães:

- São chatos. Não no sentido de chatearem as outras pessoas, mas no sentido de não terem vivacidade e temperamento nenhum. São frios. Não riem alto. Não levantam a voz, excepto se estiverem bem bêbados. Díficilmente batem com o punho na mesa (e se estiverem mesmo zangados vão a votos, mais do que matar alguém: há poucos assassínios políticos em países protestantes). Não cumprimentam um amigo com um abraço, mas com um apertar de mão. Vestem-se muito formalmente. Demora um certo tempo para fazerem amizade com alguém. Nos debates públicos, são muito cordiais e respeitam bastante a opinião do adversário. Dificilmente entram numa discussão acesa, com insultos e interrupções desonestas.

- São austeros. A sua arquitectura é fria e bruta (e muito gostam da horrorosa "arquitectura" moderna). As suas cidades não têm o charme que têm as cidades em países católicos. Na Suiça, que tem cantões católicos e protestantes, vê-se bem esse contraste. Genebra, Lausanne e Zurique são frias. Já Sion e Friburgo têm muito charme.

As suas igrejas ("templos") não têm santos, Virgens, cores e enfeitamentos, como as têm as igrejas católicas. Mais estranho ainda, muitas delas nem o crucifixo têm!

- São poupados. São pontuais. São sérios. São profissionais. Não brincam com o dinheiro. Fazem o que dizem que vão fazer.

- O sistema policial e judicial funciona bem. É razoávelmente transparente, e funciona como é suposto funcionar (independentemente da justiça das leis que aplica). Os juízes e os polícias, apesar de não serem nenhuns santos, são razoávelmente imparciais, pouco corruptos (comparado com sítios como o sul da Europa), e pouco corruptíveis.

- Apesar de serem frios, não são maus. No trato pessoal, são extremamente educados. Especialmente em terras pequenas (que são a norma, em países razoávelmente descentralizados como a Alemanha e mais ainda a Suiça).

- São patriotas. Estão ainda mais agarrados à sua terra do que à sua nação.

- São democratas por natureza, e gostam das suas leis. Não se sentem vítimas de uma lei que não fizeram, e dum governante que desconhecem. Sentem-se como os criadores do seu sistema político (especialmente na Suiça), e os seus políticos não são contestados. Apesar de haver democracia livre e aberta, há pouca contestação política, há um certo consenso e uma certa paz social. Poucas manifestações, poucas greves.

- São bem duros nas questões da lei. São duros no castigo. Penas de prisão perpétuas, prisões "individualistas" bem controladas (por oposição à prisão sul-americana em que os presos se governam e vivem aos molhos), e penas capitais são norma em países protestantes. Têm um sentido de justiça mais judeu do que cristão (olho por olho, dente por dente). Pense-se só na dureza do sistema judicial americano ou suiço. É implacável. Não há manobras dilatórias que valham, para fazer prescrever o crime...

Têm essa ideia que há um tempo para o debate duma lei, e outro para a sua aplicação. Que se pode debater uma lei, mas não violá-la. Têm pouca tolerância para quem viola as leis. O criminoso é castigado severamente. Mas também o é aquele que se tenta escapar a leis injustas e opressivas (fisco, burocracias sufocantes), que num país mais católico, mais corrupto, teria a condescendência e a cumplicidade dos seus compatriotas.

- Sendo trabalhadores, e pouco bon-vivants, não gostam de mandriões, e de quem abusa do sistema de previdência. Por isso os choca práticas de latinos, drogados, turcos, jugoslavos, ciganos, árabes e pretos, que são todos uns espertalhões com a firme convicção que se alguém lhes oferece dinheiro, o vão agarrar e pôr no bolso, donde quer que ele venha (e ainda se riem do idiota que acredita nas sua choramingas).

Não é por serem forretas, ou liberais (o que por vezes é a mesma coisa). Os protestantes têm todos o seu socialismo, mas é um socialismo em que quem recebe o dinheiro está sob o controlo apertado e quase madrasto das burocracias da mama. Não basta chorar, tem que se provar que se é um coitadinho. E continuar a dar provas, ou senão perde-se o subsídio.

No fundo, não são contra o Estado-Previdência, mas querem que "vá para aqueles que realmente precisam". Visão um pouco ingénua do funcionamento do Estado e das culturas que vão migrando para os seus países, mas baseada num sentimento compreensível e decente.

- Não têm sabor. Mas vivem contentinhos da sua sorte.

- Não têm um ódio especial por outros povos, mas no seu interior, sabem bem que esses são diferentes, e manhosos. E não gostam de ver abusadores. Daí a tendência a "vomitarem" o estrangeiro de vez em quando. O velho resmungão que diz a um mendigo para ir trabalhar é um fenómeno que se vê com frequência em países como a Suiça, por exemplo. E quando fazem leis contra os estrangeiros, não brincam em serviço.

- Dão muita autonomia às suas mulheres. Tratam-nas como iguais, não como um bibelot caro a esconder, proteger, e usar em exclusivo. Não são paternalistas com as mulheres, como o são latinos e árabes. São um pouco bananas. Adoptaram muito depressa as tretas do feminismo (antes dos países mais tradicionais, católicos). Têm natureza de cornos mansos.

Teriam muito a aprender com uma palestra do ZéZé Camarinha.

- São inteligentes e práticos. O domínio das ciências exactas e da engenharia é deles.

- Têm um certo ressentimento para com católicos, que por vezes se manifesta do nada, irracionalmente. Um católico não pensa nos protestantes e no protestantismo. Mas o contrário não é verdade.

- O protestante tem a tendência um tanto ou quanto ridícula de querer interpretar literalmente a Bíblia, especialmente a sua parte mais dura, mais violenta: o Antigo Testamento. Isso torna-o duro.

- Muitos protestantes, de pela importância que dão ao Antigo Testamento, tendem a ser favoráveis a Israel, no conflicto palestiniano.