domingo, 2 de dezembro de 2012

Catalunha e Portugal


A força cada vez maior do processo separatista catalão deve ser vista com entusiasmo por todos os patriotas portugueses, e em geral, por todas as pessoas de bem.

Em primeiro lugar, por uma simples questão de justiça, os catalães têm todo o direito de não ser dominados e chulados por arrogantes parasitas madrilenos. A futura separação vai permitir que a Catalunha, uma região rica e produtiva de Espanha, possa guardar os seus rendimentos em proveito próprio, e aplicar políticas mais livres se assim o decidir. Vai enfraquecer o Estado central espanhol, pela quebra de rendimento que vai provocar. Vai fomentar a concorrência fiscal entre regiões da Península Ibérica.

Além disso, a separação catalã vai servir de exemplo a outras regiões com movimentos independentistas, o País Basco, a Galiza, por exemplo. Vai quebrar o tabú do Estado unitário. Dum ponto de vista financeiro, vai ter consequências financeiras imediatas para essas regiões. Ao saír de Espanha, a Catalunha vai fazer com que certas regiões até agora "no meio da tabela" (isto é, que recebiam tanto em benesses do Estado quanto pagavam para esse) passem a fazer cláramente parte das vítimas da extorsão fiscal vigente. Que passem a contribuintes líquidas. O que só vai contribuir para espicaçar o seu sentimento de rejeição do centro político.

A prazo, é a desintegração do Estado espanhol que se avista. Isto é um alívio para os portugueses, porque deixarão de ter um Estado tão forte ao seu lado. Espanha, de pela sua força (riqueza e população) é um vizinho poderoso e perigoso. Os seus políticos, simplesmente pela sua natureza dominadora de governantes, e por razões históricas, tendem a considerar Portugal como sendo seu. A situação actual é de calma com o nosso vizinho. Mas a prazo é sempre de lá que virão perigos. Quanto mais fraco for o Estado espanhol, por isso, mais tranquilos na sua independência estarão os portugueses. E mais livres os espanhóis, já agora.

A castração desse monstro deve ser festejada e desejada. As autoridades portuguesas não devem intervir contra movimentos separatistas espanhóis, mesmo que usem de métodos violentos ou terroristas (ETA). Vai contra os interesses dos portugueses. Devem-se manter políticamente neutras nessas lutas. Mas quanto ao coração dos portugueses e dos seus governantes, só pode estar do lado dos separatistas.

Viva a Catalunha! Viva o País Basco! Viva a Galiza!