domingo, 7 de julho de 2013

Polarização



Ao estudar-se as varias luctas ideologico-politico-religiosas que envolvem os homens, observa-se uma tendencia para a polarização crescente de principios antagonicos. Pode-se provavelmente considerar isso como uma lei social infalivel. A propria eschatologia refere este facto. Os moderados, o centro, implodem, e os radicaes ganham força. A lucta intensifica-se, cada campo cresce em numeros e em intensidade. Torna-se dificil não tomar partido. Cada campo leva as suas ideias, as suas crenças até às ultimas consequencias. Cada um se fortalece e amadurece no seu mundo. A apparente neutralidade politico-religiosa de determinado systema politico evapora-se. Os principios subjacentes revelam-se e assumem-se. A democracia, com o seu pluralismo politico e religioso, é destruida por movimentos que não a respeitam. Essa lucta continua até que um campo vença o outro. Principios contradictorios não podem conviver. Mais tarde ou mais cedo, rupturas no consenso “plural” teem que acontecer.

Ha pelo menos dois conflictos importantes na sociedade portugueza. O primeiro é o conflicto entre a liberdade e a oppressão. O conflicto entre o Estado e a sociedade civil.

Neste dominio, o inimigo historico foi o communismo. Está practicamente morto emquanto movimento activo, vigoroso. Mas ainda tem muita força de “inercia”, na forma de socialismo, de impostos, de burocracias, nas leis, nas constituições e nas mentalidades. O “irmão mais novo” é o keynesianismo. É preponderante a nivel academico e mediatico. Finalmente, sempre O inimigo dessas forças, o movimento liberal, ainda está a um nivel muito fraquinho. Mas tem mais vitalidade do que ha trinta ou quarenta annos atraz. E vae crescer, ganhar em força, ganhar em confiança. Ha de chegar o dia em que terá representação parlamentar minoritaria. Ha de chegar o dia em que terá força sufficiente para bloquear avanços novos do poder. Finalmente, ha de chegar o dia em que se começa a desmantelar o Estado social-corporativo que suffoca Portugal.

O segundo é o conflicto entre a tradição e a modernidade. Do lado da tradição, estão os christãos, as pessoas simples do povo, e alguns intellectuaes mais reaccionarios. Do lado da modernidade, estão todas as elites de Esquerda, a direitinha cumplice, a maçonaria, os media, forças “anti-clericaes” (anti-christans, na verdade), o professorado, o mundo academico. A “modernidade” faz tudo para promover o divorico, o aborto, o trabalho das mulheres, a rebeldia das mulheres face aos maridos, o controlo estatal das creanças (nomeadamente atravez do ensino obrigatorio), o desrespeito pela religião christan (porque judeus e muçulmanos, não teem tomates para attaccal-os), uma baixa fertilidade das mulheres e, em geral, offensas às auctoridades naturaes (paes, maridos, padres, patrões). Neste campo, a modernidade tem muita força. Carregou tanto no combatte cultural que conseguiu fazer com que as sociedades occidentaes deixassem de se reproduzir e de crescer. Mas é sol de pouca dura, a nivel da historia da nossa civilização. Tudo isso é altamente destructivo, e portanto não pode durar. Sobre as ruinas que essa gente cria, vão nascer sementes saudaveis. Gente que, actualmente, consegue ver a perversidade do mundo em que vive, mesmo que sejam poucos, vão “segregar-se” da sociedade e viver segundo os seus principios. Vão ser recompensados por prosperidade e familias abundantes. Emquanto que as forças da modernidade morrerão na solidão, por não terem usado a sua juventude para o bem, as forças da tradição, no espaço de duas ou trez gerações, reconquistarão o paiz.

A nivel politico as forças da tradição e da liberdade defendem a monarchia, a anarchia inclusivamente. As forças da modernidade defendem a centralização e a democracia de massas.

Numa perspectiva longa de varias gerações, liberdade e tradição vão ganhar. O inimigo é maldoso, e o Mal destroe. Destroe tanto, que se destroe a si mesmo. Deus escreve direito por linhas tortas: criou o mundo de tal forma que os decadentes, o imprevidentes, os immoraes e os arrogantes acabem sempre por soffrer as consequencias das suas acções e das suas ideias.