sábado, 13 de maio de 2017

Partido Reaccionario



ENUNCIADO DO PROBLEMA

No seguimento do 25 de Abril, a ala mais radical da Esquerda fartou-se de roubar tudo aquillo em que pôde pôr as mãos. Fel-o indirectamente, atravez das centenas e centenas de nacionalizações do Estado portuguez. E fel-o directamente, com recurso a occupações de empresas ou fazendas, e violencias contra empresarios-capitalistas. Tambem isso se fez com a cumplicidade do Poder, que pelo contrario não teria fechado os olhos se os donos se tivessem defendido, assim como à sua propriedade.

O crime continua. Os legitimos proprietarios, ou seus descendentes, continuam sem poder gozar do que é seu: dos seus negocios, das suas casas, e dos seus "latifundios". O estrume syndicalo-marxista que se apoderou da propriedade dos seus patrões/senhorios acabou geralmente por se converter às virtudes do capitalismo, sendo que hoje é dono dos negocios e propriedades que roubou. Esta gente, que noutros tempos via a relação entre um patrão e os seus trabalhadores como injusta e exploratoria, não tem hoje em dia problema nenhum em mandar num sem-fim de trabalhadores e de lucrar tanto quanto pode dos seus negocios mal adquiridos. Alem disso, toda esta parasitagem tem contactos, influencia e posições no Estado. Por isso, apesar do Poder não ser tão extremo como foi nos primordios deste regime, é favorável à manutenção do status quo actual. Os ladrões roubaram, continuam a mandar naquillo que não lhes pertence, nunca pediram desculpas, e riem-sa na cara das suas victimas. As theorias com que justificaram os seus crimes - quer acreditassem nellas ou não - serviram simplesmente para dar azo à sua inveja e à sua cobiça. Entre enriquecerem pelo seu trabalho ou pelo roubo, escolheram a segunda opção, por ser mais agradavel, e pelo facto da situação politica da altura o ter permitido.

Os tempos do 25 de Abril foram tempos interessantes no que toca a mostrar o que as pessoas teem no fundo do coração. Deu para ver quem respeita os direitos dos outros por principio, e quem se aproveita da menor queda de pressão social (policias, leis, opinião publica...) para se atirar aos seus semelhantes que nem um lobo.

Este status quo é injusto. É tempo de destruil-o. É preciso que as victimas destes crimes, assim como as pessoas de bem em geral (mesmo que não tenham sido affectadas directamente pelos eventos do 25 de Abril), passem ao contra-attaque. O Partido da Reacção - todos aquelles que se oppõem às javardices communistas do 25 de Abril - tem que deixar de se conformar com a sua derrota. Esta gente tem que ganhar coragem e começar a dedicar-se seriamente à recuperação dos seus bens, assim como ao castigo dos criminosos que os roubaram e occuparam durante tantos annos. Sobretudo, teem que honrar os seus paes e avôs, que foram injustiçados por estes acontecimentos. Os espoliados teem que fazer agora aquillo que não conseguiram ou não souberam fazer na altura: luctar intelligentemente, seriamente e implacavelmente pelo que é seu. Teem que se assumir sem qualquer vergonha como reaccionarios, como gente que quer reagir às injustiças que foram feitas por este regime, repudiando o mytho segundo o qual tudo o que a Esquerda faz vae no sentido do Progresso. Roubar não é progressista.

Tem que se tirar a Esquerda do seu pedestal de falsa superioridade moral, no qual gosta de se empoleirar. E este attaque dos reaccionarios não pode e não deve ser moderado ou "razoavel", contentando-se com medidas consensuaes ou symbolicas, pois isto seria conceder legitimidade a mais ao Inimigo. Não se tracta de pedir umas miseraveis indemnizações pelo que foi feito. Não se tracta somente de evitar mais expropriações de ora em diante. Não se tracta simplesmente de se queixar. Nem ha que se contentar com alguma declaração governamental de repudio pelo que foi feito.

Mais uma vez, repita-se:
Tracta-se de recuperar a propriedade roubada, e de castigar os ladrões-occupantes pelo que fizeram. Nada menos do que isto é satisfatorio. Os crimes não prescrevem.


RAZÕES DA DERROTA

Houve varios motivos para a derrota dos espoliados do 25 de Abril. Primeiro, não estavam armados. Depois, não estavam unidos, organizados e ideologicamente aguerridos (ao contrario dos communistas, por exemplo). O Estado – força poderosa se ha alguma - era-lhes hostil. Finalmente, estavam completamente adormecidos para o perigo communista, que brotou quase de rompante na vida portugueza. Faltou-lhes um pouco de perspectiva historica. Se tivessem um pouco de conhecimentos sobre o modo como foi instaurado o communismo ao longo do seculo XX noutras sociedades (aproveitando-se sempre de periodos revolucionarios e democratizantes para pôr um pé no poleiro), e sobre as consequencias que isto teve, estariam muito mais attentos.

Mas não se diga que foi so culpa dos communistas, do "Systema", do Estado ou da situação. Os vencidos teem uma parte de responsabilidade no que lhes aconteceu. Mais do que qualquer outra razão, foi o seu espirito de carneiros doceis que os perdeu. Deixaram-se maltractar sem reacção. Este espirito ovino, esta falta de caracter e de auto-estima é tipica do "bom burguez" - a classe productiva dos trabalhadores, empresarios e proprietarios. E infelizmente para este, é um traço de caracter bem perigoso. Impede-o de se defender, o que leva a que sirva de refeição a gente sem escrupulos.

O bom burguez evita sempre o conflito. Faz sempre concessões àquelles que o parasitam e humilham de uma forma ou outra. Não tem o orgulho de gritar "Basta!" e de partir para a lucta. Contenta-se em servir de refeição para o Estado, anno apoz anno, decada apoz decada. Os exemplos disso são numerosos. Não se importa que o Estado lhe leve os proprios filhos atravez do serviço militar, para guerras distantes e inuteis, e que estes - o sangue do seu sangue - lhes regressem em caixões. Não se revolta contra a fiscalidade exmagadora que faz delle um escravo. Aliaz, até vota para aquelles – a pseudo-Direita dos compromissos “razoaveis” - que o traiem sistematicamente quando chega a altura de se oppôr à Esquerda .

Choca-se muito com a "violencia propria" (meu Deus, que horror!) daquelles que tomam a defesa dos seus bens e da sua liberdade nas suas proprias mãos. Para o burguezito, a violencia tem que ser deixada “às auctoridades competentes, senão é o chaos”. É suposto uma pessoa deixar-se roubar, ou mactar. Num confronto entre um “simples” cidadão e um agente do Estado, toma sistematicamente partido pelo agente do Estado, partindo do principio que este está a pôr na ordem um malandreco qualquer. Se o agente do Estado tiver um uniforme, peor ainda: ahi, o burguezito venera o seu glorioso "protector" como se de um deus se tractasse. O tal protector que lhe rouba metade do que elle ganha sob a forma de impostos, que trabalha para politicos traidores que o vendem ao extrangeiro, e que aplica todas as burocracias sujas e interesseiras que os varios lobis arrancam juncto do Poder.

E quando o Poder o expropria, quando lhe rouba propriedades (empresas e terrenos) que lhe custaram uma vida inteira de trabalho, propriedades onde foi creado, propriedades familiares com um forte valor afectivo e carinhosamente preservadas ao longo de gerações, nada faz. Ou então, feito parvo e acreditando na “independencia do Poder judicial”, vai contestar estas decisões nos tribunaes, que são financiados pelo Poder, e logo lhe obedecem. Mesmo que se veja claramente que estes roubos só servem para enriquecer uma clique manhosa de activistas “communistas” ou de barões das obras publicas. Até acceita as desculpas e justificações dos seus donos: “bem collectivo”, “solidariedade social”, “lucta contra a oppressão capitalista”, “ajuda aos mais desfavorecidos”, bla bla bla, bla bla bla. Em suma, o burguez é um palhaço. Um palhaço productivo e pacifico que não vive do imposto (o que o distingue positivamente da classe parasita dos funcionarios publicos, por exemplo), mas um palhaço na mesma. O burguez tem alma de escravo. Não é um guerreiro. De certa forma, tem sempre aquillo que merece. É trabalhador e esforçado, mas não é corajoso. Só é corajoso quando está às ordens. Mas não tem capacidade para dar aos ladrões e ao Estado a falta de respeito que merecem. Falta-lhe a coragem de contestar e combatter as auctoridades vigentes.

Faltou a esta gente espirito aristocratico: o caracter insubmisso e destemido do guerreiro que vae para o combatte por um ideal, sem pensar demais nas consequencias para si e para a sua vida. Daquelle que demonstra ter um pouco de orgulho e de amor-proprio. Daquelle que prefere perder luctando, do que ser vencido vergando a mola. Esta gente não percebeu que ha um tempo para a collaboração e outro para o braço-de-ferro. E que alem disso, na lucta, há um tempo para a palavra e os legalismos dos tribunaes, e outro para a acção directa, para os golpes de força, e para as armas. Não percebeu que não se discute questões philosophia com crocodilos. Castiga-se os criminosos e poncto final. É a unica coisa que os pode parar.

Não tiveram espírito de homens livres. Um homem livre não espera que alguem o defenda, sabe que é da sua responsabilidade fazel-o. Percebe que há no coração dos seus semelhantes instinctos perversos de dominação e de roubo que o obrigam a saber defender-se. Não confia no Estado para defendel-o, como se fosse alguma creança a pedir ao paizinho para protegel-a. Sabe que o Estado vae geralmente deixal-o à sua sorte, ou inclusivamente tomar partido pelos seus inimigos predadores (o que condiz perfeitamente com a sua natureza de instituição aggressiva). E por isso está preparado para o combatte, principalmente a nível mental, o mais importante. Quando o espírito combativo existe, as armas, o dinheiro e os alliados arranjam-se.

Geralmente falando, não tomaram attitudes de principio, attitudes radicaes (salvo algumas raras excepções). Adiaram o combatte. Não mactaram uns quantos canalhas. Não partiram umas pernas que mereciam ser partidas. Não fizeram guerra subversiva. Nem sequer aquillo que podiam ter feito na legalidade, por exemplo organizar um partido reaccionario, tentaram. De medo da impopularidade, de levar porrada e de irem presos, acabaram por perder tudo, o que foi bem pior. A ironia da situação é que na altura em que se decidiram a tomar uma attitude de homens com espinha – o 25 de Novembro – conseguiram immediatamente e perpetuamente amansar a Esquerda radical. Muitas vezes, nem é preciso combatter para ganhar. Basta mostrar ao adversario que se está pronto e disposto a luctar, para que elle abandone as suas fantasias.

É verdade que houve excepções. Houve combatte de grupos clandestinos em varios ponctos do paiz. Alguns proprietarios armaram-se e uniram-se. Houve reoccupações de propriedades roubadas, ou tentativas. E sobretudo, é mais facil fallar 30 ou 40 annos depois do que agir no momento, quando se está zonzo da pancada que se levou na cabeça. Mas mesmo assim, a crítica é geralmente acertada. O que os communistas fizeram era motivo sufficiente para reacções massivas e violentas por parte da população. Era motivo para uma autentica guerra civil contra os communistas. No entanto, poucas das victimas dos crimes de Abril mostraram espirito reaccionario, espirito vingativo, espirito insubmisso, espirito combattivo. Conformou-se com a sua sorte, e ainda hoje soffre as consequencias e os remorsos dessa escolha. Quanto ao povo, junctou-se muitas vezes, tacitamente ou explicitamente, aos criminosos.


HISTORIA CONTRA-FACTUAL: E SE TIVESSE HAVIDO COMBATTE?

Aqueles que se opunham aos crimes em curso na altura deviam ter tomado vários passos para se proteger e retaliar. Antes de mais, deviam ter constituído uma reta-guarda segura no estrangeiro. Por exemplo em Espanha, nos Estados-Unidos, ou no Brasil – países que na altura não seriam favoráveis a regimes comunistas. Deviam ter criado aí uma associação (legal, não-clandestina) de apoio às vítimas do comunismo português. Esta associação teria essencialmente como missão recolher informações sobre empresas e propriedades roubadas em Portugal, e sobre os executantes destes crimes (nome, morada, fotografias, posses). Teria como missão publicar livros/jornais a denunciar estas práticas, à intenção da opinião pública portuguesa (se fosse preciso, distribuindo clandestinamente estas publicações em Portugal, para evitar embargos das autoridades favoráveis aos comunistas). Denunciaria e nomearia os políticos, burocratas, polícias, guardas e militares que participassem em occupações e detenções illegítimas. Recolheria fundos, mais ou menos abertamente, para financiar a resistência interna aos abrilistas. E organizaria encontros de vítimas em lugares relativamente seguros – Espanha, por exemplo - com o intuito de unir e solidarizar a resistência, semeando as sementes duma resistência ulterior mais combativa.

Politicamente, no interior, devia ter sido criado um partido/movimento verdadeiramente liberal cujo objectivo seria, mais do que tomar o poder, criar militantes e simpatizantes em todos os pontos do país, criando as bases duma resistência popular e ampla ao estatismo triunfante. Este partido apelaria principalmente ao sentido de justiça – e aos interesses! – das camadas proprietárias e trabalhadoras da classe média do sector privado. Este partido, além de todos os outros aspectos que uma política liberal implica, teria que ser abertamente reaccionário no que toca a nacionalizações/ocupações (ou seja, não só contra novas expropriações, como também a favor da devolução de propriedades roubadas aos seus legítimos proprietarios).

Este partido oficial, de pela sua natureza aberta, não se poderia permitir cometer ilegalidades. Poderia aproximar-se da linha vermelha, sem nunca a transgredir em excesso, de medo de ser exmagado pelas autoridades. Só poderia dizer algumas coisas em público. Outras teria que afirmá-las por meias palavras, ou guardá-las para o interior do partido, para os “crentes”. Mas de qualquer forma, era necessário tomar posições contra o sistema estabelecido, o que de vez em quando levaria a castigos.

O partido, de pela sua natureza ideológica – ou seja, por não se limitar a promover os interesses materiais e o poder dos seus membros sem qualquer preocupação por questões de princípios, como o fazem os grandes partidos do sistema – teria que manter uma disciplina firme no seu seio. À moda comunista. É esta a única maneira de evitar abastardamentos ideológicos e traições. Aquelles que se comprometem com injustiças ou que não acreditam firmemente e coerentemente nos princípios dum partido – nomeadamente os princípios mais radicais que não podem ser expostos em público por questões de segurança – não podem aceder a posições de chefia e até nalguns casos devem ser expulsos.

Tanto o partido como as suas associações irmãs sediadas no estrangeiro teriam que salvaguardar cuidadosamente a sua independência. Há a tendência destes movimentos se tornarem correias de transmissão de poderes estrangeiros. Acabam assim por ser vistos como traidores anti-patrióticos, dedicados à conquista do país que pretendem defender, por forças estrangeiras. No caso da luta contra o comunismo, o “padrinho” do qual era mais óbviamente necessário desconfiar era o governo americano. O estado americano é um império como tantos outros. A luta contra o comunismo da Guerra Fria não teve somente, por isso, motivações genuínas. O objectivo principal do governo americano sempre foi ter regimes vassalos sob o seu comando, mais do que fomentar o capitalismo. O fomento de organizações reaccionárias teve sempre como objectivo pôr no poder elites governantes favoráveis a Washington. A Esquerda conseguiu frequentemente, por isso, apresentar a sua luta como um combate contra a opressão estrangeira, o que lhe granjeou sempre muitos adeptos.

Para evitar caír na armadilha duma luta entre Direita Vendida e Esquerda Patriótica – que só pode ser vantajosa à Esquerda, com o seu cortejo de políticas ladras – teria sido fundamental financiar as actividades de partidos anti-Esquerda (e organizações irmãs no estrangeiro) exclusivamente através de donativos de particulares, evitando a todo o custo depender de qualquer governo. Também seria importante depender do maior número possível de pessoas, mais do que de um grupo restrito de mecenas de bolso largo. Não fazê-lo seria tomar o risco de caír indirectamente sob o controlo de algum governo (financiador de um dos tais mecenas importantes...), ou de ver a estratégia do partido/organização ficar sob o controlo dos seus mecenas (que, frequentemente, percebem pouco de estratégia política e não entendem a necessidade de radicalismo, o que os leva a promover tomadas de posições excessivamente mansas, em nome da “respeitabilidade” e dos seus ganhos de curto prazo). Além disso, seria muito importante não deixar agentes de governos estrangeiros (CIA, etc...) apoderarem-se da organização, e estes teriam por isso que não ser aceites no seu seio, nomeadamente nas suas chefias. A única maneira de criar organizações mínimamente genuínas passa por financiá-las e provê-las de activistas junto da população em geral.

Incidentemente, todo este activismo devia ter sido feito já antes do 25-A, combatendo as imoralidades dum regime que, apesar de não ser comunista, era tudo menos liberal. Se assim fosse, as forças pro-liberdade e a classe proprietária não estariam desarmadas e desorganizadas na sequência do golpe, face a um Poder que de um momento para o outro se lhes tornara muito mais hostil.

Pode-se imaginar formas de lucta mais intensa, mas indo ellas contra a lei e até o bom senso, não serão aqui defendidas. A Auctoridade, apesar de todos os seus defeitos, tem uma funcção paternal que merece ser respeitada e que não pode ser offendida pela violencia.


AINDA VAMOS A TEMPO.

Todo este trabalho de activismo, de recolha de informações e de luta, devia ter sido feito na altura. Mas não foi. Por isso, há-que retomá-la agora.

Há que começar a criar organizações dedicadas à recolha de informações: quem fez o quê, e quando? Quem roubou e quem agrediu, quem ocupou e quem continua a ocupar? É preciso recolher a morada, a fotografia, e a descrição patrimonial desta gente toda, para podê-la fazer sofrer de seguida. Há que utilizar a fabulosa ferramenta que é a Internet para divulgar estas informações e para que a escumalha não tenha uma velhice descansada à custa do património alheio, mas antes sofra a vergonha e o opprobrio publico. Há que recolher dinheiro por esta causa. E se fôr preciso, há que fazer este trabalho de divulgação recorrendo a bases/servidores-internet estrangeiros inalcançáveis pelo Poder nacional.

Alguns dos novos ocupantes (ou os seus trabalhadores actuais) não têm consciência de ter comprado (de estarem a trabalhar numa...) propriedade roubada, estando de boa fé. Mas isto não tira às vítimas o direito de recuperar o que é seu. Simplesmente, implica que os proprietários de boa fé se podem ressarcir da venda fraudulenta – porque não baseada num título de propriedade legítimo – que lhes foi feita sobre os ladrões originários.

Há que pressionar o Poder para que feche os olhos perante o combate que se vai desenvolver, e não defenda o status quo ilegítimo. Esta neutralidade do Poder é difícil de alcançar, de pela simples razão que o Poder actual nasceu do 25 de Abril e collaborou nos seus crimes, e porque muitos “revolucionários” da altura são actualmente figuras mais ou menos importantes do Sistema, defendendo-o com dentes e unhas (o vulgo “revolucionário emburguesado”). Os ladrões pós-25-A estão à espera que as suas vítimas morram, pouco a pouco, para que a questão perca gradualmente a sua importância.

O estado é cúmplice do status quo actual. Deve ser visto e tratado como tal. Os agentes do sistema – polícias, guardas, militares – devem perguntar-se de que lado da barricada estão. Colaboradores ou resistentes? A desculpa de que estão simplesmente a “obedecer às ordens” não os exonera. Os políticos que neles mandam não têm armas para os forçar a obedecer. Elles, homens de armas, é que têm a força do seu lado. Se quiserem, têm a possibilidade de matar os seus patrões, não o inverso. Quanto à desculpa de que não acatar ordens – mesmo que injustas – lhes pode trazer castigos por parte dos seus colegas leais ao Poder também não serve. Têm perante este dilema, somente duas hypótheses legítimas por onde escolher: 1) demitir-se; 2) combater os seus colegas que tomem partido por ladrões e por leis injustas. O uniforme e as leis dos homens não dão a ninguém o direito de violar os princípios superiores que a consciência e o coração revelam. Sobretudo quando se sabe que estas leis são compradas por lóbis de toda a espécie, sem qualquer pudor, e sem qualquer preoccupação por questões de justiça

Através do sistema eleitoral, pode-se começar a castigar os políticos vendidos, nem que seja para conseguir um enfraquecimento da repressão policial sobre os reaccionários. Contudo, é melhor não fazer um trabalho à Pinochet. Não se deve tomar o Poder, eleitoralmente ou através dum golpe de estado, com a intenção de “exmagar o esquerdalho”. Mesmo que se conseguisse com uma mão punir certas injustiças, acabar-se-ia por mandar na sociedade com outra, pois o estado é coercivo por natureza. O movimento, de libertador, passaria a parasita. O seu objectivo não deve ser o governo, mas a oposição (por exemplo, parlamentar). Não uma função de governação, mas antes de contra-poder...

CONCLUSÃO.

É tempo de perder a vergonha, de ser implacável, de não conceder nem um milímetro ao Inimigo, de não deixá-lo pavonear-se na sua pretensa superioridade moral (de ladrão?!), e de não o deixar gozar dos seus bens mal adquiridos. Castigar esta gente é uma função importante que qualquer movimento dedicado à liberdade de Portugal tem que assumir. Este trabalho reaccionário, além de servir de aviso para aqueles que no futuro tivessem ideias cleptomaníacas, serviria de epílogo feliz ao intervalo de inspiração marxista que se viveu em Portugal nas últimas décadas. Seria a consequência nobre do repúdio pela opinião pública dos perversos ideais socialistas.


A Luta Continua!